O jornalismo como resistência: quando o reconhecimento vence a tentativa de mordaça
Por José Montalvão
Ontem publiquei o artigo “Vinte anos de resistência, coerência e compromisso com a verdade”, um texto que não nasce da vaidade pessoal, mas da convicção profunda de que o jornalismo sério, ético e independente é um dos pilares inegociáveis da democracia. Sempre entendi o jornalismo não como instrumento de poder, mas como voz da sociedade, sobretudo daqueles que não encontram espaço nos palácios, gabinetes ou estruturas oficiais.
Ao longo dessas duas décadas, enfrentamos pressões, perseguições, tentativas explícitas e veladas de silenciamento, além de ataques oriundos daqueles que confundem cargo público com propriedade privada e autoridade com impunidade. Ainda assim, nunca nos desviamos daquilo que dá sentido à atividade jornalística: o compromisso com os fatos, a ética, a imparcialidade e o interesse público.
Nesse percurso, nada é mais gratificante do que ver esse trabalho reconhecido por profissionais e cidadãos que compreendem o verdadeiro papel da imprensa. A mensagem do jornalista Fábio Costa Pinto, Editor Executivo do IBI e representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no estado da Bahia, é emblemática e profundamente simbólica. Ao afirmar:
“Parabéns pelo trabalho de resistência e clareza dos propósitos editoriais. Sou testemunha do seu trabalho ético e clareza.Com a gentileza de sempre, amigo e prestativo, desejo vida longa de boas notícias para você, caro amigo Montalvão e o Blog da Resistência.”
não se trata apenas de um elogio pessoal, mas do reconhecimento institucional de uma trajetória pautada pela responsabilidade e pela independência editorial.
Da mesma forma, a mensagem do empresário Sampaio, simples, direta e sincera — “Parabéns meu amigo! Que venham mais 20 anos” — revela que o jornalismo comprometido com a verdade também encontra eco na sociedade civil, fora das bolhas políticas e dos interesses de ocasião.
São manifestações como essas, entre tantas outras, que renovam o ânimo para continuar enfrentando injustiças, arbitrariedades e as constantes tentativas de mordaça impostas por ímprobos e corruptos que se imaginam acima da lei, dos bons costumes, da moral pública e das instituições. São esses que se incomodam com a transparência, com a fiscalização e com a palavra livre.
Mas é preciso dizer com clareza: essa chama não se apaga. Não se apaga com intimidação, não se apaga com processos abusivos, não se apaga com ataques pessoais nem com campanhas difamatórias. A história demonstra que toda tentativa de silenciar a imprensa livre é, antes de tudo, uma confissão de medo da verdade.
Seguiremos firmes. Doa em quem doer. Porque o jornalismo que se curva deixa de ser jornalismo. E a democracia, sem imprensa livre, deixa de existir.
Vinte anos se passaram. E, se depender da coerência, da resistência e do compromisso com a verdade, muitos outros ainda virão.
