Palanques estaduais impõem novos ajustes à estratégia eleitoral do PT
Palanques estaduais impõem novos ajustes à estratégia eleitoral do PT
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A definição dos palanques estaduais voltou ao centro da estratégia do PT para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em estados-chave do Nordeste, como Pernambuco e Rio Grande do Norte, disputas locais e rearranjos partidários passaram a interferir diretamente na organização do apoio presidencial. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a ausência de uma aliança consolidada mantém o desenho eleitoral em aberto.
No Rio Grande do Norte, a equação eleitoral se tornou mais delicada a partir da decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de deixar o cargo em abril para disputar o Senado. Ainda, o vice-governador Walter Alves (MDB) anunciou que também renunciará ao posto e não apoiará o PT na sucessão estadual. A combinação fragiliza a estratégia de transferência de capital político da governadora para um sucessor petista. Bezerra tem defendido o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), para a disputa de outubro. Outro nome ventilado é o do deputado estadual Francisco do PT.
O problema para o Planalto é matemático: a bancada do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, é a maior da Casa, com seis deputados, o que abre espaço para a formação de um governo tampão desalinhado ao PT. A eventual perda de controle do governo estadual, ainda que temporária, pode facilitar também a articulação nacional do PL e oferecer base para o senador Flávio Bolsonaro, hoje apontado como principal nome da oposição presidencial.
- Segundo a Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 14 de janeiro, Lula tem vantagem contra diferentes adversários, mas indica a consolidação de Flávio Bolsonaro como o nome mais competitivo da oposição. No segundo turno de 2022, Lula obteve cerca de 65% dos votos válidos no Rio Grande do Norte, desempenho que consolidou o estado como um dos principais ativos eleitorais do PT no Nordeste.
Cenário em Pernambuco
Em Pernambuco, estado natal de Lula, a dificuldade não é a ausência de aliados, mas a coexistência de aliados concorrentes. A governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife João Campos (PSB) devem se enfrentar na eleição estadual, tensionando a montagem do palanque presidencial. No campo petista, cresce a defesa de um palanque duplo como forma de preservar a unidade pró-Lula.
Rio Grande do Sul
No Sul, o presidente inicia o ano eleitoral sem um desenho fechado de palanque. O PT lançou como pré-candidato ao governo gaúcho Edegar Pretto, atual diretor-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Paralelamente, o partido avalia a proposta apresentada pelo PDT para apoiar a candidatura de Juliana Brizola, ex-deputada estadual e neta de Leonel Brizola. A oposição aposta no deputado federal Luciano Zucco (PL), enquanto o atual governador Eduardo Leite (PSD) trabalha em prol de seu vice, Gabriel Souza (MDB).