Nota baixa de cursos reforça necessidade de 'OAB da Medicina', diz membro de conselho federal
Primeira edição do Enamed registrou um terço dos cursos com média insuficiente em exame do MEC
Por Danielle Brant/Folhapress
19/01/2026 às 19:15
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
Um total de 99 cursos de medicina podem ser punidos por não alcançarem pontuação considerada satisfatória
A primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que mostrou que um terço dos cursos de medicina não teve pontuação satisfatória, reforça a necessidade de uma avaliação no estilo da que faz a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), diz o conselheiro do CFM (Conselho Federal de Medicina) Francisco Eduardo Cardoso Alves.
Nesta segunda-feira (19), os ministérios da Educação (MEC) e da Saúde divulgaram que um total de 99 cursos de medicina podem ser punidos por não alcançarem pontuação considerada satisfatória.
O exame é visto como uma resposta do governo a um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e quer criar uma espécie de OAB da área, com avaliação própria não vinculada ao ministério, e sim ao CFM.
Alves diz que é preocupante saber que "13 mil alunos, por deficiências da faculdade onde se formaram, não conseguiram obter o mínimo de aprovação".
"E eles vão receber o CRM [registro concedido pelo Conselho Regional de Medicina] e vão poder botar a mão em paciente. É isso que a gente não quer mais que ocorra", afirma.
O conselheiro defende a "OAB da medicina" e afirma que MEC (Ministério da Educação) e faculdades privadas "estão sistematicamente barrando e boicotando essa aprovação".
"Eles não querem ser avaliados, eles não querem ser medidos, porque eles sabem que a formação que eles fornecem para os alunos é medíocre, é lastimável, é arriscada", afirma.
"Na minha opinião, isso é um caso de risco à segurança pública, à saúde pública coletiva, e deveria ter alguma ação na sociedade para impedir, mesmo que seja judicialmente, que esses alunos, essas faculdades reprovadas, possam receber CRM e possam continuar matriculando e formando médicos do jeito que está", complementa.