domingo, janeiro 25, 2026

O verdadeiro papel do vereador: muito além das redes sociais e do clientelismo

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O verdadeiro papel do vereador: muito além das redes sociais e do clientelismo


Por José Montalvão

Originária do grego antigo, a palavra vereador vem de “verea”, que significa vereda, caminho. O vereador, portanto, é aquele que vereia, que trilha e orienta caminhos. Existe, inclusive, no português brasileiro o verbo verear, que é o ato de exercer o cargo e as funções de vereador. Não é por acaso: o vereador é, em essência, a ligação direta entre o governo e o povo.

Cabe ao vereador ouvir os eleitores, transformar essas demandas em propostas, debater e aprová-las na Câmara e, principalmente, fiscalizar se o prefeito e seus secretários estão colocando essas decisões em prática. Esse é o núcleo da função: representar, legislar e fiscalizar.

Infelizmente, o que muitas vezes se vê é a distorção desse papel. O vereador não foi eleito para ficar procurando buracos na rua ou lâmpadas queimadas apenas para criar argumento contra o prefeito. Também não foi eleito para praticar o clientelismo, que só humilha o cidadão e invade atribuições do Executivo. Não é sua função se omitir diante das benfeitorias do prefeito e, ao mesmo tempo, posar de crítico permanente para a plateia, sem apresentar nada de relevante para o município. Tampouco é aceitável transformar as redes sociais em sua principal “atividade parlamentar”, esquecendo o óbvio: o trabalho sério, técnico e contínuo em favor da coletividade.

O mandato de vereador envolve muito mais do que apresentar projetos de lei ou participar de sessões na Câmara. Ele exige gestão, planejamento e, acima de tudo, comunicação ativa com o eleitorado. O primeiro passo para ser um bom vereador é organizar suas ações de maneira que a população saiba o que você está fazendo e, mais importante, por que está fazendo.

Para isso, é fundamental criar programas de mandato. Eles dão nome, identidade e estrutura às atividades que o vereador já realiza ou pretende realizar. Em vez de simplesmente publicar ações soltas nas redes sociais, pode-se, por exemplo, criar um programa específico para comunicar realizações, ouvir a população e prestar contas — como um gabinete on-line.

A função do gabinete on-line é aproximar o vereador do povo, utilizando ferramentas digitais como WhatsApp, Facebook, Instagram e outras redes para facilitar a comunicação entre o parlamentar e seus eleitores. A ideia central é criar um canal direto de contato, no qual os cidadãos possam enviar sugestões, dúvidas, reclamações e propostas de forma rápida e acessível, sem precisar se deslocar fisicamente até o gabinete.

Não adianta o vereador estar presente apenas nas votações da Câmara e ausente no dia a dia dos cidadãos. É preciso mostrar-se disponível, aberto ao diálogo e comprometido com soluções reais. Isso fortalece a imagem de liderança, gera confiança e consolida uma relação madura com os eleitores.

O vídeo que estou reproduzindo é uma verdadeira aula para quem deseja se reciclar politicamente e dar um voo mais alto. Ele mostra que ser vereador não é apenas criticar o prefeito por criticar, mas apresentar projetos importantes, fiscalizar com responsabilidade e ajudar a construir caminhos que melhorem, de fato, a qualidade de vida da população.

Em tempos de tanta demagogia e superficialidade, é urgente resgatar o verdadeiro sentido da palavra vereador: aquele que abre veredas, aponta caminhos e caminha junto com o povo — não aquele que só aparece para reclamar ou fazer pose nas redes sociais.

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