Publicado em 17 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Charge do J. Bosco (oliberal.com)
Pedro do Coutto
Depois de quatro anos do governo Bolsonaro, os planos e metas estão de volta ao país, como se verifica no debate sobre a nova âncora fiscal. Reportagens de Manuel Ventura, Victoria Abel e Renan Monteiro, O Globo, e de Cátia Seabra, João Gabriel e Lucas Marchesini, Folha de S. Paulo, focalizam amplamente o assunto, objeto do relatório final do deputado Claudio Cajado.
A preocupação do governo Lula com a valorização do salário mínimo e do reajuste do Bolsa Família ficar fora dos cortes possíveis foi dissipada, livre portanto do teto dos gastos, que na grande maioria dos casos, no decorrer do tempo, ficavam sempre contidos numa peça de ficção. Agora surge uma nova tentativa de enquadrá-los na realidade financeira.
PLANOS E METAS – O fato essencial é que os planos e metas governamentais estão de volta. Eles haviam desaparecido no governo Bolsonaro, uma vez que o ex-ministro Paulo Guedes afastou completamente de cogitação fixar metas físicas e limites financeiros para a administração federal. Aliás, o governo Bolsonaro se caracterizou – é preciso lembrar – pela ausência completa de qualquer projeto de desenvolvimento.
É preciso condicionar os limites financeiros aos projetos sociais estabelecidos, pois são dois fatores convergentes que não devem se dissociar da realidade. A meta do presidente Lula é combater a fome, mas é preciso um projeto integrado. A economia precisa se movimentar e recuperar o tempo perdido na gestão anterior.
JUROS ALTOS – Em artigo publicado no Estado de S. Paulo na última segunda-feira, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, afirma que “estamos convivendo com juros altos porque o governo passado despejou grande volume de recursos públicos na economia”. Quanto mais altos os juros, menor é a atividade econômica. Ninguém gosta de juros altos, mas eles são o recurso à disposição para evitar um descontrole nos preços, que pode arrasar a economia”.
Meirelles disse ainda que “é preciso equilíbrio, cuidado e firmeza. O arcabouço fiscal não apenas terá que disciplinar o gasto público, como terá de conter a dívida pública e ajudará a segurar a inflação futura. É um componente importante para a formação de expectativas, que ajuda a segurar os preços, como também a atrair investimentos e gerar empregos no Brasil”.
O ex-presidente do Bacen conclui o artigo dizendo que é “preciso segurar os preços, como também atrair investimentos e gerar empregos no Brasil”. Como se constata, há uma crítica aos juros fixados pelo BC. Ele conhece bem a matéria, pois presidiu o banco Central durante oito anos da gestão de Lula da Silva.
AUDIÊNCIA – Em artigo na edição de segunda-feira de O Estado de S. Paulo, Wesley Gonsalves focaliza a audiência registrada pelo Ibope em relação ao último Big Brother Brasil que terminou neste mês. Os patrocinadores ficaram satisfeitos , apesar de a audiência ter sido menor em relação ao último BBB.
A venda dos pacotes da TV Globo foi de R$ 105 milhões por patrocinador, mas é preciso considerar que a publicidade ficou no ar durante 90 dias com uma alta audiência e com a repetição de mensagens em caráter permanente, de acordo com os quadros que transcorreram ao longo das apresentações.