quarta-feira, março 22, 2023

Haddad tem dúvida sobre o comportamento da dívida interna do país

 Publicado em 22 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Mais uma incógnita na Fazenda refletem dúvidas no espaço do poder

Pedro do Coutto

Na reunião do Comitê de Política Monetária que começou ontem e termina hoje, o ministro Fernando Haddad afirmou que se a dívida interna disparar haverá limites para as despesas, entre elas os subsídios e até os salários dos servidores públicos. Com tal afirmação, o titular da Fazenda acentuou ter uma dúvida quanto ao comportamento do endividamento. Tanto assim que condicionou um corte de despesas se o volume avançar.

Para que o volume do endividamento interno cresça é necessária a emissão de novos títulos do Tesouro que lastreiam a dívida como acontece até hoje no montante de R$ 6 trilhões. Como assinalo sempre, sobre os R$ 6 trilhões recaem os juros da Selic, atualmente na escala de 13,75% ao ano.

INCERTEZA – Portanto, em matéria de política monetária, a incerteza marca o pensamento de Haddad, o que na minha impressão dependerá do que for decidido em definitivo sobre os juros estabelecidos pelo Banco Central. As pressões são fortes para reduzi-los. Reportagem de Manoel Ventura e Sérgio Roxo, O Globo, focaliza o tema.

Desta forma, percebe-se uma disposição do governo de realizar um movimento na área financeira dependendo do que o gatilho sobre o crescimento da dívida revelar. Mais uma incógnita no Ministério da Fazenda e uma prova de que existem dúvidas no espaço do poder. Ontem também, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, revelou que acredita no bom senso e que haverá cortes de juros regulados pela taxa Selic.

Ele fez a afirmação, reportagem de Carolina Nalin e Glauce Cavalcanti, O Globo, durante o seminário sobre Economia promovido pelo BNDES. A reunião, inclusive, tornou-se cenário de uma oposição consolidada contra os juros fixados pelo BC e, portanto, contra o seu atual presidente, Roberto Campos Neto.

NOMEAÇÃO  – Os jornais de segunda-feira já publicaram uma versão de que o presidente Lula poderá nomear André Lara Resende para o Banco Central tão logo termine o mandato de Campos Neto. Aguardemos a decisão final de hoje do Copom a respeito da taxa Selic, cujos efeitos são fundamentais para os rumos da política econômica.

Os juros altos, na escala em que se encontram, representam um atrativo para os bancos, para os fundos de investimentos, e também para fundos de pensão de estatais, que adquirem títulos do Tesouro Nacional corrigidos por esses índices. O índice elevado, é claro, faz com que as aplicações financeiras superam muito os investimentos na Economia que se refletem em mais empregos e numa produção maior

VISITA DE XI JINPING – A visita do presidente da China, Xi Jinping, a Vladimir Putin não deve ser interpretada como um ataque indireto aos Estados Unidos, mas como necessidade de apoio a um presidente que além de invadir a Ucrânia, violando o direito internacional e o princípio da humanidade, foi condenado pelo Tribunal Internacional de Haia por crimes de guerra. É claro que a prisão não será praticada, mas fica no ar a mensagem negativa, mais uma, que atinge o presidente russo.

O Globo focaliza o assunto em reportagem procedente de Moscou. Na Folha de S. Paulo, Igor Gielow comenta a importância do encontro que a meu ver, conforme dito, baseia-se mais numa necessidade de apoio do que na formação de um bloco contra os Estados Unidos, sobretudo tudo porque Xi Jinping é portador de um plano de paz com a Ucrânia, o que não está no projeto de Putin.

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