sábado, março 25, 2023

Fatos convergem contra o governo e Lula precisa responder com ações concretas

Publicado em 25 de março de 2023 por Tribuna da Internet

Lula falhou ao antecipar o seu ponto de vista sobre o caso de Moro

Pedro do Coutto

Os fatos a partir do drama de 8 de janeiro, com ataques diretos às instituições do país, estão convergindo, talvez por coincidência do destino, para abalar politicamente o governo eleito em 30 de outubro de 2022. Foi a invasão e a as depredações de Brasília antecedidas pelo atentado contra a própria Polícia Federal no DF, foi o forte atrito com o Banco Central sobre o valor da taxa Selic, e como se tudo isso não bastasse, houve o sinistro projeto de uma facção do crime organizado para sequestrar o senador Sergio Moro e sua família.

Na edição de ontem, Malu Gaspar, O Globo, escreveu excelente artigo sobre a necessidade de Lula responder aos acontecimentos com realizações legítimas voltadas para a população, contra as nuvens de tempestade que mergulham em sombras a capital do país. Num desses episódios, o mais recente e que se refere à tentativa de sequestro de Sergio Moro, Lula falhou ao antecipar o seu ponto de vista de que o episódio se revestia de uma armação do ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro.

EQUÍVOCO – Neste caso, ele próprio, Lula, cometeu um forte equívoco ao se antecipar às investigações da Polícia Federal que corriam em segredo de justiça, mas que a partir de ontem foram liberadas pela juíza Gabriela Hardt que autorizou o cumprimento de 11 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão contra os acusados. Esses, inclusive, teriam conseguido acessar informações sigilosas de um banco de dados do governo de São Paulo; dados alimentados por imagens de câmeras de segurança e informações policiais. Esses dados encontram-se na própria PF.

No O Globo, a reportagem sobre essa questão é de Paola Serra, Bela Megale e Luã Marinatto. Na Folha de S. Paulo, de Fábio Serapião e Lucas Marchesini. O fato está ainda envolto em mistério já que o plano era sequestrar o atual senador pelo Paraná no dia das eleições de outubro. O plano estender-se-ia também à família de Sergio Moro.

PRESSÃO – O motivo seria pressionar as autoridades de Segurança para melhorar as condições dos presídios nos quais se encontram os líderes apontados do PCC que atuam em São Paulo. O caso precisa chegar ao final das investigações para o conhecimento pleno da opinião pública e do próprio governo, já que isso não parece ter acontecido.

Além de tudo isso, como um redemoinho, surgiu uma controvérsia inusitada envolvendo os presidentes do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, sobre a apreciação das Medidas Provisórias. Fundamental essa questão, pois a estrutura atual dos ministérios depende da aprovação das MPS editadas pelo presidente Lula da Silva. Caso percam a validade por extensão de prazo. Como se verifica, problemas não faltam para o governo no início do seu mandato, além da questão dos juros do Banco Central.


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