sábado, agosto 13, 2022

Secretário de Justiça dos EUA deu xeque-mate em Trump




Ao ver o FBI atacado por ex-presidente e republicanos, Merrick Garland rompe silêncio e pede à Justiça para tornar público o que motivou a operação de busca em sua propriedade e o que foi recolhido por agentes.

Por Sandra Cohen (foto)

Merrick Garland, o secretário de Justiça dos EUA, viu o Departamento que dirige e o FBI serem achincalhados por Donald Trump e asseclas republicanos depois que a residência do ex-presidente na Flórida foi alvo de uma batida policial. Insinuações davam conta, inclusive, de que os agentes portavam mochilas e haviam plantado provas no local.

Por três dias, Garland manteve-se calado até que, nesta quinta-feira, desferiu um golpe de mestre, ao solicitar a um tribunal federal autorização para revelar os termos do mandado que motivou a busca e apreensão na casa de Trump, assim como o inventário do material recolhido por agentes do FBI.

No que se refere a Trump, tudo é inédito. Nunca na História dos EUA um ex-presidente teve sua casa revistada. Diante das especulações lançadas pelo próprio Trump sobre a politização da busca, e repetidas incessantemente por republicanos como uma ação típica de uma república de bananas, o procurador-geral dos EUA achou por bem pedir a revelação judicial do teor do mandado que deflagrou a operação.

Suspeita-se que, ao deixar o cargo, Trump tenha levado material confidencial da Casa Branca para a residência do resort Mar-a-Lago. Citando fontes familiarizadas com o tema, o jornal “The Washington Post” informou que os agentes buscavam documentos relacionados a armas nucleares, o que torna toda a trama ainda mais intrigante e perigosa. Por que um ex-presidente reteria para si e deixaria exposto um acervo tão vulnerável?

É sem precedentes também um chefe da Justiça vir a público para comentar uma investigação. Merrick Garland não teve alternativa, quando o próprio ex-presidente alardeou a busca e pôs toda a operação sob suspeita.

O secretário de Justiça passou, então, a bola para o campo de Trump, que tem até as 16h desta sexta-feira para dizer se concorda ou não com a divulgação do mandado. “O claro e poderoso interesse do público em entender o que ocorreu sob essas circunstâncias pesa muito a favor da abertura”, diz a moção apresentada pelo Departamento de Justiça.

Trump já antecipou, por meio de sua rede social, que não se oporá ao pedido do Departamento de Justiça. Não deixou barato, chamando a operação de invasão antiamericana, injustificada e desnecessária.

Num curto pronunciamento, Garland diz ter autorizado a operação na propriedade do ex-presidente e fez ainda uma forte defesa do FBI e do Departamento de Justiça, que Trump frequentemente atacou durante e após o fim de seu mandato.

“Os homens e as mulheres do FBI e do Departamento de Justiça são funcionários públicos dedicados e patriotas. Todos os dias eles protegem o povo americano de crimes violentos, terrorismo e outras ameaças à sua segurança enquanto protegem nossos direitos civis. Eles fazem isso com grande sacrifício pessoal e risco para si mesmos. Tenho a honra de trabalhar ao lado deles”, justificou Garland.

Ainda que a Justiça autorize a abertura do mandado de busca e o inventário da apreensão em Mar-a-Lago, a investigação permanecerá sob sigilo, mas o público terá pistas sobre do que trata

Tão importante quanto o seu conteúdo é o furor político disparado em torno da operação e as consequências que poderá ter para o país. Mais uma vez, Trump mobiliza e atiça seus simpatizantes contra o Estado de Direito. Além de ameaças relatadas a juízes, um homem, armado, tentou invadir a sede do FBI em Cincinnati, Ohio, nesta quinta-feira, e foi morto.

G1

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