domingo, agosto 14, 2022

Para o Ministério da Defesa está muito difícil (quase impossível) justificar os supersalários

Publicado em 14 de agosto de 2022 por Tribuna da Internet

Carlos Newton

Como se diz lá no Nordeste, o assunto fede a quilômetros de distância. As justificativas até agora apresentadas pelo Ministério da Defesa são insustentáveis e agridem a inteligência alheia. Exemplo: não significa nada, absolutamente nada, alegar que “os totais dos valores individuais, mencionados nas matérias, apresentam incorreções, pois somaram informações simultâneas de contracheque e de Ordem Bancária lançadas no Portal da Transparência”. Essa explicação deduz no máximo R$ 62 mil. E o resto, até chegar ao R$ 1,4 milhão do brigadeiro Juniti Saito?

Bem, segundo a Defesa, o R$ 1,338 milhão restante refere-se a “indenizações pontuais e a atrasados. Essas indenizações são relativas ao recebimento de férias não usufruídas ao longo da carreira, ou a outros direitos, que são calculados na ocasião da passagem dos militares para a reserva”, diz a nota.

PIADA DO ANO – As explicações do Ministério não condizem com os fatos e podem disputar o troféu Piada do Ano. Basta seguir analisando o caso do brigadeiro Saito:

  • Como já afirmamos, tirando os 70 mil das duas remunerações mensais, restam R$ 1,338 milhão.
  • Como passou para a reserva em 2015, Saito só agora estaria recebendo os oito soldos de gratificação, que correspondem a no máximo R$ 150 mil? Mesmo assim. fica faltando explicar R$ 1,188 milhão.
  • Essa quantia restante então seria resultado de “férias não cumpridas e outros direitos” (não mencionados)
  • Acontece que Saito foi comandante da Aeronáutica de 2007 e 2015, quando se reformou. Portanto, como poderia estar recebendo férias agora, como se tivesse acabado de pedir reforma? Isso seria antiético e amoral.

CASO DE BRAGA NETO – Vejam também o caso do general Braga Netto, candidato a vice, que recebeu em dois meses o total de R$ 926 mil, que representam cerca de 60% do patrimônio acumulado na vida inteira, segundo a declaração de bens que ele acaba de fazer na Justiça Federal. E o pior: dizem os dados oficiais que apenas R$ 120 mil do total recebido por Braga Netto são referentes a férias. E os outros R$ 806 mil?

Minha gente, a Justiça Federal precisa perguntar aonde foi parar o dinheiro do general? Será que ele seguiu o exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff, abriu uma loja de artigos de R$ 1,99 e também conseguiu ir à falência?

E ficam circulando as perguntas que não querem calar: Por que o ilustre general fraudou a declaração de bens à Justiça Eleitoral? Ou será que é um militar perdulário, que perde dinheiro no pôquer, na corrida de cavalos e no jogo-do-bicho? E sua declaração propositadamente errada não seria motivo de cassação de sua candidatura?

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P.S. –
 A conclusão é óbvia – já não se fazem mais militares como antigamente. O que diria o Marechal Candido Rondon sobre esses acontecimentos? Por fim, não podemos esquecer de louvar o espírito público do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), uma revelação na política nacional, que cumpre seu primeiro mandato no Congresso e tem feito denúncias importantíssimas, mostrando ao país que há luzes no final do túnel. (C.N.)

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