O ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil) enviou notificação extrajudicial a todos os partidos e candidatos ao Senado pelo Paraná para se defender de eventuais tentativas de impugnação de sua candidatura no Estado. O documento apresenta certidões da Justiça que comprovam sua elegibilidade para "alertar" às siglas que processos questionando seu domicílio eleitoral serão recebidos como "má-fé" e que podem gerar "responsabilização criminal".
Assinada pelo advogado de defesa de Moro, Gustavo Guedes, a notificação atesta que a situação do ex-juiz está em conformidade com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e que "não há brecha jurídica para que a validade da candidatura seja questionada". A defesa do ex-juiz classifica as tentativas de impugnação como "manobras políticas".
A notificação se fundamenta no artigo 25 da Lei de Inelegibilidade, que diz: "Constitui crime eleitoral a arguição de inelegibilidade, ou a impugnação de registro de candidato (...) deduzida de forma temerária ou de manifesta má-fé", com pena de seis meses a 2 anos e multa.
Esta semana, o PT do Paraná protocolou pedido de impugnação da candidatura de Moro ao Senado na Justiça Eleitoral do Paraná. O pedido veio do candidato a deputado estadual Luiz Do PT, de Foz do Iguaçu. Segundo ele, o ex-juiz estaria tentando "driblar" a proibição de que foi alvo em São Paulo, onde não pôde se candidatar.
A princípio, a intenção de Moro era sair candidato em São Paulo. Contudo, em junho, o Tribunal Regional Eleitoral do Estado anulou a transferência de domicílio eleitoral do ex-juiz de Curitiba para a capital paulista. Com a decisão, ele foi impedido de disputar a cadeira pelo Estado.
Estadão / Dinheiro Rural
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Sérgio Moro x Alvaro Dias: por que os ex-aliados agora brigam pelo Senado no PR
Ex-aliados, o senador Alvaro Dias (Podemos) e o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro (União Brasil) se tornaram adversários diretos na disputa pela vaga ao Senado pelo Paraná nas eleições deste ano. Publicamente, a relação estremeceu assim que o ex-juiz migrou para o União Brasil quatro meses depois de se filiar ao Podemos, de Dias. Interlocutores de ambos, porém, relatam que as divergências são mais antigas.
Moro hoje refuta que Dias tenha sido seu padrinho político. A pessoas próximas, disse ter se sentido traído pelo senador, ferrenho apoiador da Lava Jato, operação que projetou o ex-juiz federal - em debate entre os presidenciáveis, em 2018, o senador prometeu que, caso vencesse, nomearia Moro, então juiz, como ministro da Justiça, o que acabou ocorrendo pelas mãos do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Fontes ouvidas pelo Estadão afirmam que a relação entre os dois começou a azedar quando Moro aceitou se filiar ao Podemos, em novembro de 2021. Um interlocutor de Dias conta que o senador não achava que Moro aceitaria o convite do Podemos. Na ocasião, dizem aliados, o senador se mostrou "enciumado" pelo fato de o ex-ministro de Bolsonaro chegar como o nome favorito ao Palácio do Planalto para a terceira via. Na época, ele era apontado como candidato natural do Podemos à Presidência e se queixou a aliados que sequer foi consultado por Moro sobre a candidatura.
Quem acompanhou a negociação para a entrada do ex-juiz ao Podemos afirma que o convite teria partido de outro senador do partido no Paraná, Oriovisto Guimarães. No entanto, passado o mal-estar inicial, Dias foi aconselhado por colegas de partido a "se apropriar" da filiação de Moro como uma conquista dele - forma como sempre se pronunciou sobre o assunto publicamente.
Em dado momento, o senador disse que, caso a tentativa de Moro de ser candidato à Presidência não desse certo, ele abriria mão da vaga ao Senado para o ex-juiz.
Estadão / Dinheiro Rural
