Publicado em 15 de agosto de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Casso (Arquivo Google)
Catia Seabra e Julia Chaib
Folha
A liberação do fundo eleitoral do PT, de quase R$ 500 milhões, deve deixar para trás um duro período da pré-campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o partido se viu forçado a economizar devido a um aperto nas suas contas. Despesas com contratos e dívidas judiciais — cobradas até mesmo por antigos aliados — fizeram o PT frear a agenda de viagens de Lula na pré-campanha e reduzir custos com eventos.
Programada para ocorrer há pelo menos dois meses, a viagem do ex-presidente à região Norte do país só acontecerá, por exemplo, a partir da oficialização da campanha, nesta terça-feira (16).
REUNIÕES VIRTUAIS – Ao longo da pré-campanha, o PT optou por reuniões virtuais, como na aprovação do nome do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para vice da chapa.
A realização da convenção partidária em uma sala no subsolo de um hotel do centro de São Paulo foi outra amostra da contenção de despesas nessa pré-campanha. O problema financeiro também pesou na substituição do publicitário Augusto Fonseca no marketing da campanha de Lula.
Segundo petistas, Fonseca não contava com estrutura básica até a liberação do fundo eleitoral. Pessoas próximas do marqueteiro diziam que o PT queria que ele fizesse uma espécie de empréstimo à campanha, bancando ele próprio a primeira parte das ações até que o partido recebesse recursos do fundo eleitoral. Dirigentes do partido, porém, dizem que o problema para a saída dele não foi financeiro e, sim, divergências de rumos.
SEGURANÇA – Também por motivos de segurança, nas viagens a equipe do ex-presidente priorizou cidades administradas pelo PT, onde há presença da militância petista.
O aperto fica demonstrado em números. O PT acumulou neste ano em uma das contas do partido R$ 59 milhões, divididos entre o Fundo Partidário e doações. O total de despesas da sigla, porém, está na casa dos R$ 65 milhões.
A razão dos gastos são compromissos com dívidas judiciais antigas, contratos novos e antigos e o dispêndio em si com a pré-campanha do ex-presidente.
DEVE A SANTANA – Além disso, o partido tem uma dívida de pelo menos R$ 6 milhões com o ex-marqueteiro da legenda João Santana. O débito com o ex-aliado de Lula levou, por exemplo, ao bloqueio de cerca de R$ 200 mil em outra conta que o partido mantém.
A situação reforçou a atuação do próprio Lula, que estimulou doações durante jantar com apoiadores em um restaurante de São Paulo. Segundo participantes do evento, Lula agradeceu as colaborações, afirmando que a iniciativa permitiria cobrir despesas até a formalização da campanha. Desde então, o partido recebeu mais de R$ 5 milhões de doações de pessoas físicas, que podem ser usados para pagar a dívida com Santana.
Com a oficialização da candidatura, o comitê eleitoral terá acesso ao fundo eleitoral, sendo R$ 130 milhões reservados à campanha do ex-presidente.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É uma campanha pesada, que exige muito em termos financeiros a um partido que está em decadência. Além disso, há o estado físico de Lula, que vai completar 77 anos e não é nenhum atleta, muito pelo contrário, embora tire fotos em academias de ginástica, para se exibir. Na semana passado, ele não se sentiu bem e teve de faltar a um importante encontro com empresários financeiros, sendo substituído por Aloizio Mercadante. O tempo não para e Lula não é mais aquele, é preciso reconhecer. (C.N.)