Lula, preocupado em evitar rachas na base, quer controlar ação de assessores nas eleições
BRASÍLIA - O comportamento dos ministros nas próximas eleições, com objetivo de evitar ações na Justiça por conta de violações às leis eleitorais e impedir novos rachas na base aliada, por causa das disputas locais, será um dos principais temas da segunda reunião ministerial do ano, na manhã de segunda-feira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Lula já avisou que não subirá no palanque de candidatos, no primeiro turno das eleições, em cidades nas quais a base aliada estiver dividida, já que o presidente quer se manter o mais afastado possível das disputais municipais, para que elas não afetem as relações federais.
Com a popularidade em alta, no entanto, o presidente tem recebido insistentes pedidos para rever sua posição. "O presidente Lula quer combinar com os ministros a forma de atuar nas eleições, já que a base aliada tem 14 partidos", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
Questionado se o Planalto está preocupado em evitar rachas na base, Múcio disse que é preciso ter cautela "para não atrapalhar parceiros" que ajudam a governar o País. Ao ser lembrado de que este é o primeiro teste para a sucessão presidencial de 2010, o ministro desconversou: "o problema não está em 2010. O problema está em outubro de 2008".
Além de mandar recado para os ministros para sejam acertadas as regras de comportamento durante as eleições a fim de que se evitem atitudes que representem violação às leis eleitorais, Lula vai pedir moderação nos discursos na defesa dos seus respectivos candidatos, quando os ministros subirem nos palanques dos seus correligionários.
O presidente quer evitar que nas cidades onde a base aliada tiver mais de um candidato, que a disputa local se transforme em nacional, atingindo o governo federal, levando problemas para o Planalto ou o Congresso. Lula pretende, ainda, discutir com os ministros, medidas que poderão ser adotadas pelo governo para aumentar a produção de alimentos, com objetivo de aumentar a oferta e, com isso, ajudar na redução da inflação.
Nesta reunião pelo menos três novos ministros estarão estreando em suas áreas: Carlos Minc, no Meio Ambiente, que substituiu Marina Silva, e os sucessores de Marta Suplicy, no Turismo, e Luiz Marinho, no Trabalho. Marta e Marinho são os únicos ministros que estão deixando suas pastas para concorrerem às eleições municipais em São Paulo e São Bernardo, respectivamente.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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