terça-feira, novembro 18, 2025

Os fantasmas do partido de Tarcísio e Hugo Motta

 

Cartas Marcadas - Intercept Brasil

Prazer, Republicanos


Episódios que a imprensa trata separadamente são, juntos, um retrato importante do partido de Tarcísio de Freitas e Hugo Motta.


A edição de Cartas Marcadas desta semana não é uma nova investigação nem a revelação de um furo inédito.


É um esforço de reconstrução: reunir histórias já conhecidas, casos que surgiram de maneira fragmentada nos últimos meses, mas que só fazem sentido quando observados em conjunto.


É verdade que o jornalismo factual registrou cada episódio — um aqui, outro ali. Mas sempre como acontecimentos episódicos, quase acidentais.


O que falta é enxergar o desenho maior: a linha que conecta figuras centrais da república, como Tarcísio de Freitas e Hugo Motta, ao ambiente político que torna esses episódios possíveis.


Existe, na imprensa tradicional, uma obsessão em buscar vínculos entre a esquerda, o tráfico de drogas e as facções criminosas. O caso da Dama do Tráfico e a obsessão com o MC Oruam não me deixam mentir.


Mas essa mesma imprensa lava as mãos diante de situações muito mais explícitas envolvendo agentes da direita.


Sim, os mesmos jornais que tratam histórias frágeis como grandes escândalos ignoram, minimizam ou relativizam casos sólidos, documentados e reiterados.


Esta edição, portanto, não apresenta novidades — ela apenas coloca lado a lado aquilo que deveria ter sido analisado dessa forma desde o início.

Vamos aos fatos.

Na segunda edição de Cartas Marcadas, publicada em julho deste ano, eu contei como o Republicanos, o partido de Hugo Motta e Tarcísio de Freitas, costuma pregar austeridade no uso do dinheiro público enquanto circula em jatinhos pagos com fundo partidário e ostenta jantares com bifes folheados a ouro em Nova York.

A resposta deles àquela reportagem foi a de sempre: exagero, perseguição, casos isolados.

Mas os meses seguintes mostraram que “isolado” talvez seja a última palavra para descrever o que aconteceu. Desde então, uma sequência de episódios desmonta a narrativa de excepcionalidade.

Um mês depois, em agosto, o Republicanos veiculou uma propaganda em TV aberta em que exibia o ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos, como porta-voz do partido, felicitando a sigla pelo seu aniversário de 20 anos.

Aos desavisados: Ney Santos e o sócio Ricardo Luciano Andrade dos Santos foram investigados durante quase 11 anos por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital, uma das  maiores facções criminosas do país, por meio de uma rede de postos de combustíveis.

Em setembro, a CPI do INSS revelou que uma das principais associações envolvidas no esquema de descontos ilegais a aposentados comprou, por meio de uma ONG parceira, uma aeronave do deputado federal Euclydes Pettersen, do Republicanos de Minas Gerais.

O caso não foi grande surpresa para quem lê o Intercept Brasil. Em abril deste ano, o repórter Thalys Alcântara já havia tratado de graves suspeitas envolvendo Pettersen, ao revelar que o deputado empregava em seu gabinete um piloto acusado de atuar para o tráfico de drogas ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Na semana passada, Petterson foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal em uma nova fase da Operação Sem Desconto, e foi apontado como o parlamentar mais bem remunerado num esquema de propina de R$ 14,7 milhões no INSS.

A grande mídia segue ignorando o acúmulo de investigações e acusações contra integrantes do Partido Republicanos por ligação com o PCC, com o CV, por lavagem de dinheiro e propina.


A newsletter Cartas Marcadas conecta os casos que a imprensa trata como "isolados". Você financia o jornalismo investigativo que mostra o padrão sistêmico que outros jornais fingem não ver.


Sem o seu apoio, quem vai expor a ligação de partidos da direita com o crime organizado?

O Avanço do Concreto Sobre as Caraibeiras

 

José Ivandro

                                   Foto: Arquivo Tribuna do Povo


Andando pelas ruas do Acampamento Chesf, percebo a cada dia uma mudança dolorosa no visual daquele lugar que sempre me encantou. Antes tão arborizado, tão fresco, tão acolhedor, agora caminha na contramão do que se recomenda para qualquer cidade que se preocupa minimamente com qualidade de vida. Árvores somem da paisagem como se não fizessem falta — mas fazem, e muita.


E não são árvores quaisquer. São as nossas queridas Caraibeiras, tão presentes na cultura local, cantadas em prosa e verso, celebradas até recentemente em uma semana inteira dedicada a elas. Uma homenagem irônica, ao que parece, já que, no cotidiano, elas vêm sendo simplesmente expurgadas do cenário urbano.


Hoje, ao passar pela praça do CPA, contei ao menos sete árvores cortadas. Algumas delas com certeza Caraibeiras de cerca de 40 anos, maduras, imponentes, que proporcionavam sombra, frescor e beleza. Qual foi o motivo de sua remoção? Alguém sabe? Alguém explicou? No entorno do CPA o quadro se repete: árvores retiradas para “desobstruir” fachadas, como se a arquitetura importasse mais que o bem-estar de quem circula pelas ruas.


E o que mais me espanta é que esse fenômeno se intensificou justamente depois que o município ganhou uma Secretaria de Meio Ambiente, cuja função,  ao menos na teoria, deveria ser proteger essas árvores, e não assistir, passivamente, ao seu desaparecimento. Em várias cidades brasileiras, planos de arborização urbana estabelecem critérios rigorosos para a retirada de árvores de grande porte, justamente porque elas desempenham funções ambientais essenciais: ajudam na redução da temperatura, aumentam a permeabilidade do solo, favorecem a biodiversidade. Em Paulo Afonso, porém, a lógica inversa vêm prevalecendo.


Quando retiram as Caraibeiras, a justificativa costuma ser vaga: “estavam doentes”. Mas onde estão os laudos? Onde está a transparência? E, principalmente, onde está a reposição? Porque nada é plantado no lugar, no máximo palmeiras pequenas ou espécies de porte reduzido, incapazes de cumprir o papel das antigas moradoras daquele espaço. Adeus sombra, adeus conforto térmico, adeus identidade paisagística do antigo acampamento, da cidade.


Há bem pouco tempo uma das árvores mais bonitas da cidade, foi removida para "abrir espaço" para a Ciclovia, sem que se apresentasse um motivo razoável, já que todos que visitaram o local condenaram a atitude. O que esperar de quem age assim?



https://www.tribunadopovo.net/noticia/9861/paulo-afonso/geral/o-avanco-do-concreto-sobre-as-caraibeiras.html


Nota da redação deste Blog :

 A Crônica da Regressão Urbana: A Patologia da Destruição de Craibeiras em Jeremoabo e Além

É com um misto de indignação e tristeza que observamos o que parece ser uma patologia recorrente no âmbito da gestão pública: a inexplicável e brutal decepação de árvores nativas que adornam e dão vida às nossas cidades. O caso de Jeremoabo e Paulo Afonso, onde o ex-gestorde Jeremoabo foi alvo de críticas por ter suprimido inúmeras craibeiras de ruas, praças e vias públicas, é um sintoma alarmante dessa regressão no trato com o patrimônio natural e paisagístico.

Não se trata de um incidente isolado. A coincidência, ou talvez a confirmação de um padrão destrutivo, revela que alguns gestores demonstram uma estranha incapacidade de apreciar as belezas da natureza, em particular árvores nativas e majestosas como as craibeiras (Tabebuia aurea).


🌼 A Majestade da Craibeira: Mais que Madeira

A craibeira, com sua floração exuberante de um amarelo vibrante que anuncia a chegada de estações e embeleza a paisagem, é muito mais do que um ornamento:

  • Patrimônio Biológico e Paisagístico: É uma espécie nativa, perfeitamente adaptada ao clima da região, que oferece sombra generosa, conforto térmico e uma identidade visual única à cidade.

  • Serviços Ecossistêmicos: A presença de árvores em áreas urbanas é vital. Elas ajudam na filtragem do ar, na redução da poluição sonora, na diminuição das ilhas de calor (um fator crucial em cidades quentes) e servem de abrigo e alimento para a fauna local.

  • Qualidade de Vida: Pesquisas demonstram que a proximidade com áreas verdes e árvores melhora o bem-estar psicológico e a saúde dos cidadãos.

A remoção dessas árvores não é apenas um ato de vandalismo ambiental, mas um tiro no pé do próprio desenvolvimento e da qualidade de vida urbana.


📉 Regressão: O Sinal de que Não Estamos Evoluindo

O cerne da questão reside na aparente regressão da nossa espécie. Como seres humanos, em vez de evoluirmos para uma consciência ambiental e urbanística mais sofisticada, parece que retrocedemos a um estágio onde o concreto e a conveniência imediatista (e muitas vezes questionável) se sobrepõem à sabedoria da natureza e ao planejamento de longo prazo.

O Paradoxo da Gestão: A gestão pública, que deveria zelar pelo bem-estar e pelo futuro da cidade, adota a prática de destruir o que levou décadas para crescer e amadurecer. Essa ação reflete uma visão míope e imediatista do espaço urbano, onde a sombra e a beleza são vistas como "obstáculos" e não como "ativos".

⚠️ A Urgência da Responsabilidade Cidadã

A crítica ao ex-gestor de Jeremoabo, e a qualquer outro que cometa ato semelhante, não deve parar na indignação. Ela precisa ser o catalisador para uma mudança de paradigma na forma como as cidades são geridas:

  1. Exigir Transparência: Todo corte de árvore deve ser precedido de um laudo técnico transparente, com motivos justificáveis e a devida autorização dos órgãos ambientais competentes.

  2. Educação Ambiental para Gestores: É fundamental que os líderes municipais e suas equipes técnicas compreendam o valor inestimável da arborização urbana.

  3. Planejamento de Longo Prazo: É necessário implementar Planos Diretores de Arborização que prevejam o plantio de espécies nativas e adequadas, garantindo a reposição e a manutenção do patrimônio arbóreo.


A atitude de decepar craibeiras é um triste símbolo de uma gestão que falha em enxergar a cidade em sua totalidade, priorizando a intervenção bruta em detrimento da convivência harmoniosa com o meio ambiente. Que o caso de Jeremoabo e Paulo Afonso, sirva de lição e alerta para que a beleza, a sombra e a vida que as craibeiras representam não sejam mais vítimas da ignorância e da patologia destrutiva. A evolução, em contexto urbano, também se mede pelo respeito às árvores. (José Montalvão)



Marketing do crime nas redes sociais: faz o tráfico virar ferramenta de poder


Governo da Bahia anuncia construção de unidades habitacionais em 13 municípios do interior através do Minha Casa Minha Vida

 

Governo da Bahia anuncia construção de unidades habitacionais em 13 municípios do interior através do Minha Casa Minha Vida
Foto: Fernando Frazão / EBC

O Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), formalizou a assinatura de um Termo de Compromisso para a construção de novas unidades habitacionais em 13 municípios baianos no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida. O documento foi enviado para informar a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) nesta segunda-feira (17).

 

Conforme o comunicado, os convênios foram firmados com a União, através do Ministério das Cidades, representado pela Caixa Econômica Federal, e comunicados à AL-BA através de ofícios encaminhados pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).

 

Os municípios contemplados são:

  1. Canavieiras
  2. Anagé
  3. América Dourada
  4. Aiquara
  5. Seabra
  6. Remanso
  7. Pilão Arcado
  8. Itacaré
  9. São Desidério
  10. Itapicuru
  11. Capim Grosso

 

Cada município possui um Termo de Compromisso específico, que estabelece as diretrizes para a execução das obras. Como parte dos acordos, o Estado se comprometeu com a adoção de práticas sustentáveis durante todas as etapas das construções, em conformidade com a legislação ambiental e trabalhista.

 

Entre os compromissos assumidos estão a gestão adequada de resíduos sólidos, uso racional de recursos naturais, preservação do solo e vegetação, controle de emissões e ruídos, segurança ocupacional dos trabalhadores e integração com as comunidades locais. 

 

A Sedur garantiu dispor de recursos financeiros, técnicos e estruturais necessários para a operação, manutenção e conservação da infraestrutura pública resultante dos investimentos.

 

Os documentos também destacam que a Secretaria zelará pela preservação do objeto pactuado até a entrega das unidades aos beneficiários finais.

Morre o desembargador Gesivaldo Britto, ex-presidente do TJ-BA, aos 79 anos

 

Morre o desembargador Gesivaldo Britto, ex-presidente do TJ-BA, aos 79 anos

A informação foi confirmada pela Associação dos Magistrados da Bahia (Amab), que informou que o magistrado enfrentava problemas de saúde e estava internado

Por Redação

17/11/2025 às 10:00

Foto: Emerson Leal / STJ

Imagem de Morre o desembargador Gesivaldo Britto, ex-presidente do TJ-BA, aos 79 anos

O desembargador Gesivaldo Nascimento Britto, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), faleceu na manhã desta segunda-feira (17), aos 79 anos. A informação foi confirmada pela Associação dos Magistrados da Bahia (Amab), que informou que o magistrado enfrentava problemas de saúde e estava internado.

Eleito presidente do TJ-BA em novembro de 2017, Britto assumiu o comando da Corte em fevereiro de 2018. Sua gestão, no entanto, foi interrompida em novembro de 2019, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou seu afastamento no âmbito da Operação Faroeste, que investigava um suposto esquema de venda de sentenças e favorecimento ligado à grilagem de terras no oeste baiano.

O magistrado acabou sendo aposentado compulsoriamente em outubro de 2021, ao completar 75 anos, conforme previsto na Constituição Federal. Apesar das investigações, Britto não chegou a receber condenação definitiva, já que o processo penal segue em tramitação no STJ.

Até o momento, não foram divulgadas as causas da morte nem as informações sobre velório e sepultamento, que devem ser anunciadas pela família ou por instituições do Judiciário nas próximas horas.

A Amab manifestou pesar pelo falecimento e destacou a trajetória de décadas de Gesivaldo Britto na magistratura baiana, marcada por atuação em diversas comarcas do estado antes de sua chegada ao Tribunal de Justiça.

Politica Livre

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