terça-feira, outubro 21, 2025

Aécio reaparece, multiplica gastos em mídia e mira presidência do PSDB

Publicado em 20 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Aécio gasta mais de R$ 100 mil em divulgação nas redes

Salma Freua
O Tempo

Nas últimas semanas, muitos brasileiros se surpreenderam ao ver o deputado federal Aécio Neves (PSDB) na televisão e nos jornais. A reaparição do ex-governador de Minas Gerais, que em 2014 quase alcançou o posto mais alto da política brasileira, chama atenção após um longo período de afastamento dos holofotes. Com as eleições de 2026 se aproximando e diante de um novo contexto na política brasileira, a estratégia de Aécio mudou, incluindo maior investimento em outro tipo de mídia: as redes sociais.

A coluna Aparte analisou os anúncios das contas de Aécio Neves no Instagram e no Facebook em 2024 e 2025, por meio da Biblioteca da Meta, ferramenta que permite consultar todos os posts impulsionados por usuários nas plataformas da empresa. Enquanto em todo o segundo semestre do ano passado o deputado investiu cerca de R$ 400 em publicações patrocinadas, de julho a outubro deste ano, o valor já ultrapassa R$ 115 mil. O salto é de 28.650%.

POSTAGENS – O investimento variou ao longo dos meses: cerca de R$ 35 mil em julho, R$ 45 mil em agosto, R$ 36 mil em setembro e R$ 1.800 em outubro (até terça). Parte das postagens é compartilhada com os perfis do PSDB e do Instituto Teotônio Vilela (ITV), instituto de formação política do partido que é presidido por Aécio.

Os principais temas dos posts impulsionados incluem aparições de Aécio na mídia nacional, críticas aos governos do presidente Lula (PT), em nível federal, e de Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, além de publicações que relembram de forma positiva sua gestão à frente do estado.

Também aparecem conteúdos voltados à divulgação de emendas parlamentares destinadas a diferentes cidades mineiras, comentários sobre pautas de destaque na política nacional, como o PL da Anistia e a PEC da Blindagem, e a defesa de um chamado “centro político”, conceito que o PSDB passou a utilizar para se diferenciar dos dois principais polos atuais, PT e PL.

FINANCIAMENTO – A coluna procurou a assessoria de Aécio Neves para falar sobre as publicações e sobre quem financia o impulsionamento dos posts. Por meio de nota, a equipe do deputado informou que os conteúdos relacionados à divulgação de emendas parlamentares são pagos pelo mandato, enquanto as demais publicações são custeadas pelo PSDB e pelo Instituto Teotônio Vilela.

“Principal projeto do instituto, o Farol da Oposição dedica-se à fiscalização das ações do governo, à proposição de soluções para os desafios do país e à divulgação das ideias, programas e legado dos governos do PSDB”, afirmou a assessoria. Por lei, todos os partidos devem manter um instituto de formação política financiado com 20% do fundo partidário.

Ainda segundo a equipe, as publicações colaborativas entre o PSDB, o instituto e as “principais lideranças do partido” são recorrentes e buscam “ampliar a visibilidade das ações e do legado do partido nos estados brasileiros”. “Esses gastos são todos legais, transparentes e declarados publicamente”, finaliza a nota.

REPOSICIONAMENTO –  Embora suas últimas aparições possam parecer repentinas, a estratégia de Aécio de voltar aos olhos do público começou no ano passado. Nas eleições para prefeito de Belo Horizonte, ele declarou apoio a Fuad Noman (PSD). O gesto, no entanto, não foi repercutido pela campanha de Fuad.

Após o pleito, o deputado adotou postura crítica em relação ao governo estadual, comandado por Romeu Zema (Novo) e pelo vice e pré-candidato Mateus Simões (Novo). Desde então, tem se manifestado sobre os principais temas da política nacional e estadual, do “tarifaço” à possível privatização da Copasa. Além disso, aproveita o tempo de propaganda partidária do PSDB na rádio e na TV para repercutir essas críticas.

“RECALL” – A ideia seria reativar o “recall” do Aécio entre os mineiros, segundo interlocutores do PSDB ouvidos pela coluna. O investimento nas redes sociais não teria necessariamente caráter eleitoral. Segundo a assessoria, Aécio ainda não definiu se será candidato em 2026, e a decisão deve sair no início do ano que vem.

Interlocutores afirmam que ele já teria definido que não vai disputar a reeleição à Câmara e estaria avaliando o Senado ou o governo de Minas. Outra possibilidade é não disputar nenhum cargo, mas tentar se tornar um “player” na política nacional. Em novembro, ele já deve assumir a presidência nacional do PSDB. Por ora, os resultados das pesquisas eleitorais têm animado o tucano: ele aparece entre os nomes lembrados para o Senado e o governo de Minas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – “Inocentado” de corrupção igual a Lula, o neto que desonrou Tancredo Neves tentará subir de turma, como se diz no turfe. Mas sua carreira é um fracasso, pois perdeu para Dilma Rousseff em Minas Gerais. É um político de segunda. (C.N.)


Itamaraty pede reforço de R$ 352 milhões e aponta risco de despejo em embaixadas

Publicado em 20 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet


ensão entre Trump e vizinhos da região acende alerta no Planalto


Brasil tem de ter cautela em negociação, avaliam diplomatas

Ricardo Abreu
G1

O governo brasileiro vê com preocupação o aumento da tensão entre os Estados Unidos e países da América Latina, como Venezuela e Colômbia. Mas o alerta não se dá só pela questão territorial ou de instabilidade na região. A crescente troca de ameaças entre Donald Trump e os governos venezuelano e colombiano pode atrapalhar um momento crítico de negociação entre Brasil e Casa Branca, em que Lula e Trump tentam se entender para discutir o tarifaço.

Depois do encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na última quinta-feira (16), ficou acertado que uma primeira reunião técnica, entre negociadores brasileiros e uma equipe do governo norte-americano, será agendada para os próximos dias, de forma virtual.

TARIFAÇO – O diálogo ocorre em meio a uma forte crise nas relações bilaterais, iniciada em julho, quando Trump anunciou tarifas de 50% a produtos brasileiros importados pelos americanos. Os EUA alegaram que o Brasil adota práticas desleais de comércio e promove uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As tarifas entraram em vigor no início de agosto.

A mudança na relação entre os dois começou após um breve encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro, e foi seguida por um telefonema de 30 minutos entre Lula e Trump no dia 6 de outubro, no qual foram abordados temas econômicos, incluindo o tarifaço.

CRÍTICAS –  Neste domingo (19), Trump elevou o tom da crise ao chamar o presidente colombiano, Gustavo Petro, de “traficante de drogas ilegal” que incentiva a “produção massiva” de entorpecentes. Ele afirmou ainda que os EUA vão cancelar “pagamentos e subsídios em larga escala” ao país sul-americano e alertou Petro de que “é melhor encerrar” as operações de drogas “ou os Estados Unidos as encerrarão por ele, e não será feito de forma gentil”.

Petro acusou o governo dos EUA de assassinato e exigiu respostas após o mais recente ataque americano em águas do Caribe. Os ataques ocorrem em uma região próxima à costa da Venezuela, onde Trump admitiu ter autorizado ações da Agência Central de Inteligência (CIA). O governo venezuelano, que enviou caças, submarinos e navios de guerra, não descarta uma invasão por terra.

Segundo Trump, a operação busca combater os cartéis de drogas venezuelanos. Os EUA também acusam o presidente do país, Nicolás Maduro, de liderar o Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente pelo governo Trump como organização terrorista internacional.

PAUTA DE DISCUSSÃO –  Em meio à escalada da tensão, Lula planeja comentar a crise na Venezuela no encontro presencial que deve ter com Trump, ainda sem data marcada. Auxiliares afirmam que o presidente brasileiro pode usar um tom de alerta sobre a situação, querendo deixar claro a Trump que uma intervenção militar americana na Venezuela irá desestabilizar toda a região, criando um cenário mais propício para o narcotráfico.

Na quarta-feira (15), o presidente dos EUA afirmou ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano e disse estar estudando ataques terrestres contra cartéis do país.

ENCONTRO FUNDAMENTAL –  O governo brasileiro avalia que é muito importante que a reunião entre Lula e Trump aconteça ainda em 2025. Lula embarca nesta terça (21) para a Malásia, para participar da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). O Planalto e o Itamaraty trabalham com a possibilidade de que o encontro bilateral aconteça durante essa viagem, mas ainda há incertezas sobre a compatibilidade das agendas dos dois mandatários.

Segundo auxiliares do governo, há um esforço em andamento para construir a reunião Lula-Trump este ano. Diplomatas acreditam que, uma vez realizado, o diálogo presencial em mais alto nível, entre os dois presidentes, dará um norte para a discussão.

“Há, no horizonte, muitas tentativas externas de pautar agendas paralelas e atrapalhar a relação bilateral. Tem muita espaçonave desgovernada no caminho, e a presença dos chefes de Estado, o quanto antes, é fundamental para impedir qualquer interferência”, disse uma fonte. O Palácio do Planalto recebeu indicativos da Casa Branca de que os americanos também enxergam como ideal organizar a reunião com rapidez.


O ministro Márcio Macêdo caiu de maduro

 em 21 out, 2025 8:53

Adiberto de Souza


 

A exoneração do ministro Márcio Macêdo (PT) da Secretária-Geral da Presidência da República não foi surpresa para ninguém, pois há muito tempo o presidente Lula (PT) se queixava dele pelos cantos. Sem apoio das principais lideranças petistas de Sergipe e com dificuldade para fazer as entregas cobradas pelo “Barba”, Márcio passou meses na corda bamba, período em que atribuía ao “fogo amigo” as especulações sobre sua queda. Cansado de esperar pelos resultados que não chegavam, o presidente convidou o deputado federal Guilherme Boulos (Psol) para colocar o governo na rua, atuar como uma ponte direta entre o Palácio do Planalto e a sociedade civil, com foco no diálogo com movimentos sociais e com as demandas populares. Após deixar o cargo, Márcio Macêdo anunciou que será candidato em 2026, porém não disse a qual cargo eletivo. Caso se disponha a disputar uma cadeira no Senado o distinto enfrentará forte oposição interna no PT, pois a maioria das tendências petistas está fechada com a reeleição do senador Rogério Carvalho. Ademais, o deputado federal João Daniel não deve facilitar as coisas para o ex-ministro, pois, tal qual Rogério, quer permanecer no Congresso, não enxergando com bons olhos a possível concorrência interna. Sem o Ministério e enfraquecido no PT, talvez só sobre para Macêdo disputar a uma

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.candidatura à Assembleia Legislativa. Misericórdia!

Coleciona condenações

A defesa do prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), terá que se virar nos trinta para torna-lo elegível até as convenções de 2026. Ontem, o ilustre foi condenado novamente pela Justiça por improbidade administrativa praticada na última vez que ele administrou o município. Agora, o Tribunal de Justiça tornou Valmir inelegível por seis anos, além de condená-lo a pagar uma multa equivalente a cinco vezes o salário de prefeito. Em 2024, o prefeito já havia sido condenado por irregularidades cometidas no matadouro de Itabaiana, tendo ficado inelegível por quatro anos. Arre égua!

Fome em Sergipe

Enquanto o marketing do governo Mitidieri insinua que o programa Prato do Povo significa “um reforço de dignidade na mesa dos sergipanos”, dados do IBGE mostram que 83 mil miseráveis passam fome no estado. Uma ampla reportagem assinada pelo jornalista Cristian Góis no site Mangue Jornalismo denuncia que o “censo do IBGE escancara racismo, discriminação contra mulher, pobreza e insegurança alimentar em Sergipe”. Entrevistada pelo coleguinha, a deputada estadual Linda Brasil (Psol) afirma que o Prato do Povo não passa de uma ação eleitoreira, “que não enfrenta a fome de forma estrutural e não chega à maioria da população”. Só Jesus na causa!


https://infonet.com.br/blogs/adiberto/o-ministro-marcio-macedo-caiu-de-maduro/

Boulos assumirá Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Márcio Macêdo

 Planalto anunciou troca após reunião com o presidente Lula

(Foto: Ricardo Stuckert)

O sergipano Márcio Macêdo deixará o comando da Secretaria-Geral da Presidência da República, cargo que ocupa desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023. Ele será substituído pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a função.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 20, por meio de comunicado oficial do Palácio do Planalto e a troca será formalizada na próxima edição do Diário Oficial da União (DOU).

A Secretaria-Geral da Presidência é responsável por fortalecer o diálogo do governo federal com movimentos sociais e organizações da sociedade civil, sendo uma das pastas mais simbólicas na interlocução entre o Executivo e as bases populares.

A reunião em que Lula convidou Boulos para o cargo contou com a presença de Márcio Macêdo, da ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), do ministro Rui Costa (Casa Civil) e de Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social).

Márcio Macêdo, que é natural de Aracaju, tem longa trajetória política no Partido dos Trabalhadores e foi deputado federal por Sergipe, além de ter atuado em diversas frentes do partido e do governo federal.

Guilherme Boulos, de 43 anos, é conhecido por sua militância em defesa do direito à moradia e por liderar o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). No novo cargo, caberá a ele aprofundar a articulação política entre o Palácio do Planalto, os movimentos sociais e a sociedade civil organizada

A assessoria de imprensa de Márcio Macêdo divulgou uma nota do ministro sobre o assunto. No comunicado, ele diz que sua saída foi definida em conversa com o presidente Lula e que deixa o cargo com sentimento de dever cumprido.

“Em conversa com o presidente Lula, ficou definido que deixarei o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República para disputar as eleições de 2026. Saio com o sentimento de dever cumprido e com a certeza de que entregamos tudo o que prometemos durante a campanha”

Ele também disse ser grato à Lula e que seguirá ao lado do presidente. “Sou profundamente grato ao presidente Lula, com quem tenho caminhado lado a lado desde 2015, na tesouraria do PT, nas caravanas “Lula pelo Brasil”, na luta pela liberdade do presidente, na coordenação da campanha vitoriosa de 2022, na transição de governo e, nos últimos dois anos e nove meses, como ministro. Seguiremos juntos, com o mesmo compromisso e vontade de trabalhar pelo povo brasileiro!”.

Por Verlane Estácio com informações da Agência Brasil

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EDITORIAL – O BLOG QUE NÃO SE CURVA À MENTIRA

 


Som De áudio De Explosão De Bomba 






EDITORIAL – O BLOG QUE NÃO SE CURVA À MENTIRA

Este Blog continua firme, com vigor e credibilidade, porque nunca teve medo de publicar a verdade. Desde sua criação, nossa linha editorial é clara: quem for podre que se quebre. Amparados no sagrado direito constitucional da liberdade de expressão, jamais tememos tentativas de mordaça, censura ou injustiça. É exatamente por isso que já ultrapassamos mais de dez milhões de visualizações, um marco que reflete o respeito e a confiança dos leitores — jornalistas, professores, empresários da comunicação e cidadãos de várias partes do Brasil, inclusive de Salvador, São Paulo e outras capitais, que nos enviam pautas e matérias diariamente.

Entre os temas que têm provocado ampla repercussão está o abandono criminoso e a ruína premeditada do Casarão do Coronel João Sá. Como já demonstramos em publicações anteriores, há vídeos, fotos e documentários registrando o triste desfecho desse patrimônio histórico, inclusive com o lamento de historiadores que reconhecem a destruição como um verdadeiro atentado contra a memória de Jeremoabo.

O que se vê é um assassinato cultural, fruto direto da omissão e da impunidade. O mesmo enredo já se repetiu antes — com a demolição do Parque de Exposições e a retirada do nome do Coronel João Sá da primeira escola de Jeremoabo, outrora chamada Escola Reunidas Coronel João, e que hoje ignora a história que a originou.

A destruição do Casarão teve início com a derrubada criminosa de árvores centenárias, espécies protegidas pelo IBAMA, que foram impunemente devastadas. O símbolo maior dessa barbárie foi o Juazeiro Centenário, tombado apenas pela memória popular e destruído sob o silêncio cúmplice dos vereadores da época, que se calaram diante do crime ambiental.

Importante registrar que, quando se iniciou a derrubada irregular das árvores, o então prefeito Tista de Deda, junto com seu secretário do Meio Ambiente, interveio imediatamente, impedindo que o crime continuasse. Enquanto Tista permaneceu na Prefeitura, nenhuma árvore foi sacrificada, e o patrimônio histórico ainda encontrou alguma defesa.

Com autorização de um dos sócios dos supostos donos do terreno que abrange o Casarão e seus arredores, este Blog publica dois áudios de autoria do cidadão Beto, que em resumo narram o início e o meio desse verdadeiro filme de terror que é a história do Casarão do Coronel João Sá.

E, segundo afirmação de um dos sócios envolvidos na aquisição do imóvel:

“Pode afirmar que a minha opinião é que a atual gestão de Tista de Deda irá preservar esse patrimônio que é de todos. Esse casarão já é tombado pelo município — eu vi essa lei nas mãos de Gaborgine, que era o secretário do Meio Ambiente na época.”

Concluindo com esses áudios-bomba, fica evidente que o balaio de gato está formado. A verdade precisa ser mostrada sem retoques, e os responsáveis por cada ato de destruição devem ser identificados.

Jeremoabo exige respeito à sua história. O povo tem o direito de saber — e nós, o dever de não silenciar.


✍️ Por José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, proprietário do Blog de De Montalvão, matrícula ABI C-002025

Editorial: O Casarão do Coronel João Sá — Quando a História Ruiu Junto com as Paredes








 

Editorial: O Casarão do Coronel João Sá — Quando a História Ruiu Junto com as Paredes

Início este texto lembrando o velho ditado: “não existe almoço grátis”. Em Jeremoabo, essa verdade amarga se aplica de forma dolorosa ao nosso patrimônio histórico. O prefeito Tista de Deda não tem o dom de ressuscitar o que já está morto — refiro-me ao Casarão do Coronel João Sá, símbolo da nossa memória política e cultural, que sucumbiu, restando apenas o que está escrito, porque o vento já levou o bem material.

Fizemos a nossa parte. Denunciamos, alertamos, clamamos por consciência enquanto ainda havia esperança de transformar aquele espaço num Museu Público, acompanhado de uma Biblioteca Municipal, que preservasse as raízes da nossa gente. Mas o tempo, aliado à falta de vontade política, fez o seu trabalho devastador. O povo de Jeremoabo mostrou-se incapaz de perseverar para proteger o que talvez fosse a parte mais importante da sua história. Hoje, o que nos resta são lembranças degradantes e um sentimento coletivo de falta de civismo.

Não devemos culpar apenas os prefeitos que passaram. A omissão dos vereadores foi determinante — eles, que deveriam zelar pelos interesses do município, silenciaram diante da destruição de um marco cultural. Mas a indiferença que culminou nessa tragédia também tem origem nos antigos proprietários do Casarão, homens de peso político e econômico que, com todos os meios à disposição, nada fizeram para preservar ou ao menos tombar a relíquia histórica.

O começo do fim se deu quando a história de Jeremoabo foi negociada como mercadoria, transformada em empreendimento particular sob o pretexto de um loteamento. À frente dessa insensatez, o ex-prefeito e mais dois cidadãos formaram o que se pode chamar de “triunvirato da devastação”.

Por justiça, é preciso citar um deles, o empresário Beto, proprietário do estabelecimento Caminho da Roça, que — mesmo sendo parte do grupo — alertou seus parceiros de que, se não cumprissem a promessa de restaurar o Casarão, ele ruiria. Recebeu, em troca, a resposta fria: “não vamos fazer nada, vamos deixar cair”. E caiu. A ganância, o metal vil e o desejo de lucros vultosos falaram mais alto do que a consciência, a ética e a história de um povo.

Indignado, Beto decidiu afastar-se, não compactuando com o assassinato da memória de Jeremoabo. Mesmo não sendo filho desta terra, demonstrou amor e gratidão ao povo que o acolheu, tornando-se uma andorinha solitária — que, embora incapaz de fazer verão sozinha, fez barulho, denunciou, resistiu.

O Casarão ruiu. Ruiu também um pedaço da alma de Jeremoabo.
Perdeu o povo. Ganhou o esquecimento.
E sobre as ruínas do passado, restou apenas o silêncio cúmplice dos que poderiam ter evitado a tragédia — mas escolheram o lucro em vez da história.

Que essa perda sirva, ao menos, como lição amarga:
um povo que não preserva sua história, cedo ou tarde, perde também sua identidade.

Nota da Redação Deste Blog -

Coronel João de Sá e a Fazenda Nossa Senhora de Brotas


A Fazenda Nossa Senhora de Brotas, que pertenceu ao poderoso coronel João Gonçalves de Sá e abriga a capela em homenagem à santa e a antiga mansão do mais conhecido chefe político de Jeremoabo tem destino incerto. Desde que foi comprada pelos empresários Marco Dantas, Deri e Beto do Caju não se sabe o que será feito com este patrimônio histórico e cultural.

Quando a fazenda instalada em terras registradas desde o século 17 foi vendida na primeira década dos anos 2000, circulou na cidade que ela seria transformada em universidade e museu. A realidade hoje é bem diferente. O local foi loteado e estão sendo construídas imóveis que serão colocados à venda no entorno da parte histórica, onde está a Mansão dos Sá e a Capela de Nossa Senhora de Brotas.

De acordo com o ex-secretário de Educação do município, Pedro Son, a prefeitura deveria ter comprado a propriedade há anos, mas isso não foi feito. Pedro cogita que os donos da fazenda pretendem ganhar tempo para negociar com o município a residência do coronel, que está fechada e tem partes em ruínas, e a igrejinha. Na fazenda, um vigia, que também coordena as obras em andamento, informa que os patrões estão viajando e que não sabe o que será feito do local, onde a visitação é permitida.

A história do que viria a ser a fazenda dos Gonçalves de Sá começou no início do século 17 quando foi construída a primeira capela de Nossa Senhora de Brotas. No local, padres catequisavam os índios. Em março de 1669, porém, Francisco Dias D’Ávila, neto de Garcia D’Ávila, que chegou à Bahia com Tomé de Souza e tomou posse das terras que margeavam o rio São Francisco, estendendo-se para o norte pelos sertões de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, incendiou a igreja. A ação foi represália aos missionários que se recusavam a escravizar os indígenas.
Por volta de 1778, quando a freguesia de São João Batista de Jeremoabo do Sertão de Cima possuía apenas 32 casas e 252 habitantes – apenas cinco eram brancos – uma nova igreja dedicada à mesma santa servia como local de refúgio e devoção para os escravos.
De mansão construída ao lado da capela, João Sá (1882-1958) avistava toda a dimensão de seu canavial. Sua casa também servia de palco de grandes festas e para receber visitantes ilustres trazidos do Rio de Janeiro pelo filho do coronel. Um deles, foi o médico e compositor mineiro Joubert de Carvalho, que passou uma temporada em Jeremoabo, compôs o hino da cidade e teria se apaixonado pela filha do coronel.
O coronel João Gonçalves de Sá também ficou conhecido por ser um dos mais importantes “coiteiros” de Lampião e seu bando. Com patente da Guarda Nacional, exercendo o cargo de deputado estadual pelo PSD (depois seria prefeito de Jeremoabo), Sá conheceu o cangaceiro na localidade de Sítio do Quinto, quando viajava para Salvador, em 1928. Lampião propôs que ele e o pai, Jesuíno Martins, fizessem parte de sua rede de protetores em troca de favores. Pediu também 200 mil réis, que foram dados pelo coronel.
A partir daquele momento, toda vez que o cangaceiro chegava em Jeremoabo, se escondia por trás da serra numa caverna e mandava seus homens buscarem mantimentos para o bando na propriedade do coronel. O político tirava vantagem do acordo feito com Lampião. Segundo moradores mais antigos da cidade, Sá mandava o cangaceiro ameaçar os fazendeiros que se recusavam a vendê-las por baixos valores. A opção era entregar a propriedade ou morrer.

Foto de Paulo Oliveira -Fonte: meussertões.com.br

Postado no Grupo "Lampião, cangaço e nordeste" FACEBOOK

Por José Montalvão – Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, proprietário do Blog de De Montalvão, matrícula ABI C-002025.




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