domingo, outubro 19, 2025

A DILAPIDAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE JEREMOABO: O APAGAMENTO DA MEMÓRIA DO CORONEL JOÃO SÁ E A CRISE DE IDENTIDADE HISTÓRICA DO MUNICÍPIO

 EDITORIAL

A DILAPIDAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DE JEREMOABO: O APAGAMENTO DA MEMÓRIA DO CORONEL JOÃO SÁ E A CRISE DE IDENTIDADE HISTÓRICA DO MUNICÍPIO

Jeremoabo, terra rica em tradições e berço de personagens que ajudaram a moldar o sertão baiano, vive hoje um momento de profunda crise cultural e moral. O que se presencia é o desmonte sistemático da memória coletiva, a destruição de marcos simbólicos e a indiferença diante do patrimônio que conta a própria história da cidade.
Entre os episódios mais dolorosos, destacam-se o abandono do Casarão do Coronel João Sá, o apagamento do nome da Escola Reunidas Coronel João Sá e a confusão imposta sobre a data de aniversário do município — fatos que, somados, denunciam a dilapidação consciente de um legado que deveria ser motivo de orgulho e reverência.


O CORONEL JOÃO SÁ: A MEMÓRIA QUE RESISTE ENTRE RUÍNAS

O nome de João Gonçalves de Sá (1882–1958) ecoa na história do sertão como o de um líder visionário, homem de influência, pecuarista, coronel da Guarda Nacional e ex-prefeito de Jeremoabo. Foi figura central nas relações políticas da época e símbolo de um tempo em que o poder local se confundia com a identidade da terra. Sua trajetória, marcada pela astúcia e liderança, foi tão importante que outro município — Coronel João Sá — eternizou sua memória no nome.
Mas ironicamente, em sua própria cidade, sua lembrança é hoje tratada com descaso. Poucos jovens sabem quem foi, o que representou ou o quanto Jeremoabo deve à sua visão e à de sua família. O silêncio em torno de seu legado é o reflexo de um povo que se deixa amputar da própria história.


O CASARÃO: UM TÚMULO DE PAREDES E POEIRA

O Casarão do Coronel João Sá, outrora símbolo do poder e da tradição, encontra-se hoje em estado de decomposição. Situado num dos pontos mais altos da cidade, foi testemunha de decisões políticas, reuniões históricas e momentos que moldaram o destino de Jeremoabo.
Durante a gestão do ex-prefeito Deri do Paloma, o terreno onde se ergueu essa joia arquitetônica foi loteado e entregue à especulação imobiliária, como se se tratasse de um espaço sem valor, um simples bem negociável.
O resultado está à vista: paredes tombadas, telhados desabando e a memória virando entulho.
A omissão foi generalizada — dos vereadores, do povo, das instituições. E assim, o que poderia ser um museu, um centro cultural, uma referência de turismo histórico, converte-se em ruína. Um crime contra a história, uma ofensa à identidade jeremoabense.


A ESCOLA E A NEGAÇÃO DO LEGADO

Nada simboliza mais o descuido com a memória do que a decisão de retirar o nome de Coronel João Sá da tradicional Escolas Reunidas, fundada em 1925.
Por quase um século, aquele nome estampava a porta de entrada para gerações de alunos, pais e mestres que encontravam ali mais do que ensino: encontravam pertencimento.
A substituição abrupta do nome histórico, sem consulta popular e sem reflexão cultural, não é apenas uma homenagem indevida — é um ato de apagamento simbólico, um golpe à memória de Jeremoabo.
Homenagear educadores é justo e necessário, mas não à custa de destruir outro patrimônio simbólico. O que se fez ali foi rasgar um capítulo da história e reescrever outro sem o consentimento da memória coletiva.


O ENCONTRO COM LAMPIÃO: UMA HISTÓRIA QUE MERECIA UM MUSEU

O Encontro com Lampião: História Que se Perde

Um dos episódios mais fascinantes envolvendo o Coronel João Sá foi seu encontro com Virgulino Ferreira da Silva, o lendário Lampião, em dezembro de 1928. O coronel, acompanhado de seu pai Jesuíno Martins de Sá e do secretário José da Costa Dórea, deparou-se com o bando de cangaceiros no Sítio do Quinto. Este encontro, documentado pelo jornal carioca "A Crítica" em 30 de dezembro de 1928, revela aspectos importantes das relações de poder no sertão e da perspicácia política do coronel.

Segundo relatos históricos, o Coronel João Sá tornou-se um dos mais importantes coiteiros de Lampião na Bahia, seja por simpatia, por necessidade de preservar seus bens ou por vislumbrar vantagens nesta aliança. Sua inteligência política também se manifestou no episódio envolvendo o beato Pedro Batista, quando teria evitado uma "nova Canudos" através de negociação hábil, oferecendo terras ao beato em troca de apoio político.

Estas narrativas, ricas em detalhes sobre o cotidiano sertanejo, as relações de poder e a complexidade social da época, permanecem desconhecidas da maioria da população local. Não há museus, centros de memória ou iniciativas educacionais consistentes que preservem e divulguem este patrimônio histórico.

A Dinastia Sá: Raízes Esquecidas

A família Gonçalves Sá, de origem alagoana e baiana, foi fundamental para o desenvolvimento de Jeremoabo. Jesuíno Martins de Sá, pai do coronel, foi rico latifundiário e governante de Jeremoabo entre 1889 e 1894. Desta família ilustre nasceram comerciantes, médicos e engenheiros que contribuíram para o progresso regional.

Todavia, as novas gerações desconhecem esta história familiar que se confunde com a própria história da cidade. As fazendas, as casas antigas, os documentos e fotografias dispersam-se ou deterioram-se sem nenhuma política de preservação. O patrimônio material que poderia servir como testemunho físico desta época desaparece paulatinamente.

O Casarão do Coronel João Sá: Da Glória às Ruínas

O caso mais emblemático e trágico da destruição do patrimônio histórico de Jeremoabo é o do Casarão do Coronel João Sá. Esta magnífica construção, situada em local privilegiado no alto da cidade, representava não apenas a residência de uma figura histórica, mas um exemplar arquitetônico da era dos coronéis do sertão baiano. O casarão era testemunha física de um período histórico, com suas paredes guardando memórias, histórias e a própria essência da formação social e política de Jeremoabo.

Durante a gestão do ex-prefeito Deri do Paloma, ao invés de buscar a preservação deste patrimônio histórico inestimável, o terreno que abrigava o Casarão do Coronel João Sá foi inteiramente loteado. Esta decisão, movida por interesses imediatistas e desprovida de qualquer sensibilidade histórica, selou o destino da edificação. Sem proteção, sem manutenção e cercada pela especulação imobiliária, a construção centenária encontra-se hoje em ruínas, na iminência de desabar completamente.

O loteamento do terreno representa um crime contra a memória cultural de Jeremoabo. Aquele casarão poderia ter sido transformado em museu, centro cultural, biblioteca pública ou espaço de memória. Poderia ter sido restaurado e aberto à visitação turística, gerando renda e emprego enquanto preservava a história local. Poderia ter sido tombado como patrimônio histórico municipal, estadual ou até nacional. Ao contrário, preferiu-se o caminho da destruição, da especulação e do esquecimento.

Do alto onde se localiza o casarão, ainda é possível avistar a cidade que o Coronel João Sá ajudou a construir. Mas essa visão privilegiada, em breve, será apenas de lotes vazios ou construções modernas sem qualquer vínculo com a história. As paredes que testemunharam encontros políticos, decisões que moldaram a região, o cotidiano de uma família influente, tudo isso será pó. E com o desabamento físico do casarão, desaba também mais um pedaço da identidade de Jeremoabo.

A Controvérsia das Datas: Identidade Fragmentada

Outro sintoma grave da dilapidação cultural de Jeremoabo manifesta-se na confusão e controvérsia sobre a data oficial de aniversário do município. Porém, é fundamental esclarecer que 6 de julho de 1925 deve permanecer como o verdadeiro aniversário da cidade, embora exista uma narrativa alternativa que tenta deslocar esta celebração para outra data:

6 de julho de 1925: Data em que a Lei Estadual nº 1775 concedeu a Jeremoabo o título de cidade. Esta é a data legítima que marca a elevação político-administrativa ao status de cidade, um marco fundamental na história do município. Foi neste dia que Jeremoabo conquistou oficialmente a condição de cidade, reconhecimento que carrega significado histórico, jurídico e simbólico. Esta data vem sendo tradicionalmente celebrada e deve continuar sendo o aniversário oficial.

25 de outubro de 1831: Data em que a Freguesia de São João Batista de Geremoabo do Sertão de Cima foi elevada à categoria de vila. Embora importante do ponto de vista histórico, como marco da emancipação político-administrativa em relação a Itapicuru, esta data refere-se à criação da vila, não da cidade. Muitos municípios brasileiros celebram a data de elevação à cidade, não à vila, como seu aniversário oficial.

A Decisão Administrativa Durante a Gestão Deri do Paloma

Durante a gestão do ex-prefeito Derisvaldo José dos Santos, conhecido como Deri do Paloma (que assumiu em julho de 2018 através de eleição suplementar e foi reeleito em 2020), o município oficializou a comemoração do aniversário em 6 de julho, estabelecendo inclusive feriado municipal nesta data.

Esta decisão administrativa reconheceu corretamente que o aniversário de Jeremoabo como cidade deve ser celebrado na data de sua elevação a este status, em 6 de julho de 1925. Embora a vila tenha sido criada em 1831, é a transformação em cidade que marca o ápice do desenvolvimento político-administrativo do município, sendo este o marco mais adequado para a celebração oficial.

Consequências da Dilapidação Cultural

O apagamento da memória do Coronel João Sá e a manipulação das datas históricas não são problemas isolados. Eles revelam uma postura sistemática de desvalorização do patrimônio cultural e histórico de Jeremoabo. As consequências são profundas:

1. Perda de Identidade Coletiva

Quando uma comunidade desconhece sua própria história, ela perde a capacidade de construir uma identidade coletiva sólida. Os jovens crescem sem referências históricas locais, desconectados de suas raízes culturais.

2. Desvalorização do Patrimônio Material

A ausência de consciência histórica resulta no abandono de prédios antigos, fazendas históricas, documentos e objetos que poderiam constituir um acervo museológico valioso.

3. Perda de Potencial Turístico e Educacional

Histórias como o encontro entre o Coronel João Sá e Lampião possuem imenso potencial turístico e educacional. Cidades como Canudos souberam transformar sua história em ativo cultural e turístico. Jeremoabo desperdiça oportunidades semelhantes.

4. Fragmentação Social

Embora a data de 6 de julho de 1925 seja a correta para celebração do aniversário da cidade, a falta de consenso e esclarecimento histórico gera divisões desnecessárias na população. É preciso educar sobre o significado de cada marco histórico, reconhecendo que tanto 1831 (criação da vila) quanto 1925 (elevação à cidade) são importantes, mas que o aniversário oficial deve seguir o padrão de celebrar a data de elevação à condição de cidade.

5. Precedente Perigoso

A Urgência de uma Política de Preservação Cultural

Jeremoabo necessita urgentemente de uma política municipal de preservação do patrimônio cultural que contemple:

Ações Imediatas:

1. Criação de um Centro de Memória Municipal que reúna documentos, fotografias, objetos e depoimentos orais sobre a história local, com destaque para a família Gonçalves Sá e demais personagens históricos.

2. Restauração e Tombamento de Prédios Históricos, incluindo, se ainda possível, o que resta do Casarão do Coronel João Sá e outras edificações relevantes.

3. Educação Histórica sobre as Datas Importantes: Através de campanhas educativas nas escolas e na comunidade, esclarecer que 6 de julho de 1925 é o aniversário oficial da cidade (elevação à condição de cidade), enquanto 25 de outubro de 1831 marca a criação da vila, ambas datas importantes na trajetória do município. Esta educação histórica eliminará confusões e fortalecerá a identidade local.

4. Programa de Educação Patrimonial nas escolas municipais e estaduais, incluindo a história do Coronel João Sá, da família Gonçalves Sá e dos diversos ciclos históricos do município.

5. Sinalização Histórica em locais relevantes da cidade, contando suas histórias e personagens.

6. Festival Anual de História e Cultura que celebre o patrimônio local e promova pesquisas históricas.

7. Parcerias com Universidades para pesquisa histórica sistemática, produção de documentários e publicações sobre a história de Jeremoabo.

Médio e Longo Prazo:

1. Museu Histórico Municipal que conte a trajetória do município desde os povos indígenas originários até o presente.

2. Roteiros Turísticos Históricos, incluindo fazendas antigas, locais relacionados ao Coronel João Sá, trilhas do cangaço, entre outros.

3. Arquivo Público Municipal organizado e acessível para pesquisadores.

4. Incentivo à Produção Cultural sobre temas históricos locais (literatura, teatro, cinema, música).

Conclusão

A dilapidação do patrimônio cultural de Jeremoabo não é apenas uma perda para o município, mas para toda a Bahia e para a compreensão da história do sertão nordestino. O Coronel João Gonçalves de Sá representa um período histórico fundamental, marcado pelo coronelismo, pelas relações complexas entre política e cangaço, e pela formação das estruturas de poder no interior baiano.

A gestão do ex-prefeito Deri do Paloma deixou marcas profundas no patrimônio cultural de Jeremoabo: o loteamento do terreno do Casarão do Coronel João Sá, condenando-o à ruína; e a mudança de nome da secular Escolas Reunidas Coronel João Sá, apagando a memória de gerações de estudantes. Estes atos simbolizam o descaso com a memória coletiva do povo jeremoabense. Por outro lado, a oficialização da data de 6 de julho como aniversário da cidade foi uma decisão correta, respeitando o marco da elevação de Jeremoabo à condição de cidade em 1925.

O Desafio do Atual Prefeito Tista de Deda

O prefeito Tista de Deda assume a gestão de Jeremoabo diante de um cenário desolador no que diz respeito à preservação cultural. A tarefa que se apresenta é hercúlea e complexa. Não se trata apenas de reverter decisões administrativas, mas de reconstruir uma consciência histórica fragmentada, de recuperar patrimônios físicos destruídos ou em vias de destruição, e de reconquistar a confiança de uma comunidade que viu sua identidade ser sistematicamente atacada.

Os desafios são múltiplos e interconectados:

1. O Casarão do Coronel João Sá - É possível ainda salvar algo? Mesmo em ruínas, o casarão pode ser objeto de um projeto de recuperação emergencial, mesmo que parcial. Se o resgate integral for inviável, ao menos a fachada, alguns cômodos ou elementos arquitetônicos poderiam ser preservados. O loteamento feito dificulta, mas não inviabiliza totalmente ações jurídicas para reversão ou compensação. É necessário avaliar a situação fundiária, buscar parcerias com órgãos de preservação estaduais e federais, e mobilizar recursos através de leis de incentivo à cultura.

2. Manutenção da Data de Aniversário - É fundamental que o prefeito Tista de Deda mantenha 6 de julho como data oficial de aniversário da cidade, reafirmando esta escolha correta feita anteriormente. Ao mesmo tempo, deve promover educação histórica para que a população compreenda que esta é a data de elevação à cidade (1925), enquanto 25 de outubro marca a criação da vila (1831). Ambas as datas são importantes, mas o aniversário da cidade deve ser celebrado em 6 de julho, seguindo o padrão adotado por inúmeros municípios brasileiros.

3. A Escola e Seu Nome Histórico - A questão do nome da escola é delicada, pois envolve homenagem a uma educadora, mas também o resgate de um símbolo centenário. Uma solução possível seria a criação de uma nova unidade escolar com o nome da professora Maria Luzia da Silva, enquanto se restaura o nome original da Escolas Reunidas Coronel João Sá. Outra alternativa seria uma denominação composta que honre ambas as memórias, embora esta seja uma solução de compromisso menos ideal.

4. Criação de Políticas Públicas de Preservação - É fundamental institucionalizar a proteção ao patrimônio cultural através de leis municipais, criação de conselho de patrimônio histórico, destinação orçamentária específica e parcerias com universidades e instituições culturais.

5. Mobilização Social - Nenhuma política de preservação cultural sustenta-se sem o apoio da sociedade. Será necessário um trabalho intenso de educação patrimonial, envolvendo escolas, igrejas, associações comunitárias e meios de comunicação locais. A população precisa reconhecer sua história como valor e como ativo econômico e social.

6. Captação de Recursos - A recuperação do patrimônio cultural exige investimentos. O prefeito Tista de Deda precisará buscar recursos em múltiplas fontes: emendas parlamentares, programas federais e estaduais de cultura, leis de incentivo, parcerias público-privadas dentre possíveis outras fontes.

7. Reparação Simbólica - Além das ações práticas, é necessária uma reparação simbólica. Um pedido oficial de desculpas pelos danos causados ao patrimônio histórico, um ato público de reconhecimento dos erros cometidos e o compromisso público de reverter este quadro teriam grande valor para a comunidade.

A tarefa do prefeito Tista de Deda não será fácil. Cada decisão equivocada da gestão anterior criou problemas que demandarão tempo, recursos e articulação política para serem resolvidos. Alguns danos são irreversíveis, como partes do Casarão do Coronel João Sá que já ruíram. Mas ainda há muito a ser salvo, preservado e restaurado.

O que está em jogo não é apenas a correção de erros administrativos do passado, mas a possibilidade de Jeremoabo reencontrar sua identidade, sua história e seu orgulho. Uma cidade que não conhece e não valoriza seu passado dificilmente construirá um futuro digno e próspero.

É fundamental que a sociedade civil, historiadores, educadores e a própria administração pública reconheçam a gravidade desta situação e mobilizem-se para reverter este quadro de abandono cultural. A história de Jeremoabo merece ser conhecida, preservada e celebrada com a dignidade que lhe é devida.

O prefeito Tista de Deda tem a oportunidade histórica de ser lembrado como o gestor que salvou o patrimônio cultural de Jeremoabo, que resgatou a memória do Coronel João Sá, que restaurou a verdade sobre a fundação da cidade e que devolveu aos jeremoabenses o orgulho de sua história. Que ele tenha a sabedoria, a coragem e o compromisso necessários para enfrentar este desafio.

O futuro de uma comunidade está intrinsecamente ligado à consciência que ela tem de seu passado. Sem memória histórica, não há identidade. Sem identidade, não há projeto coletivo de futuro. Jeremoabo precisa reencontrar suas raízes antes que seja tarde demais.

"Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado."


Receio de ‘greve’ de Alcolumbre sobre indicação de Messias leva intranquilidade ao Judiciário

 Foto: Geraldo Magela/Divulgação/Agência Senado/Arquivo

O presidente do Senado, David Alcolumbre (União Brasil-AP)19 de outubro de 2025 | 08:51

Receio de ‘greve’ de Alcolumbre sobre indicação de Messias leva intranquilidade ao Judiciário

brasil

Integrantes do Poder Judiciário temem a reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) caso o governo Lula confirme a indicação de Jorge Messias (AGU) para o STF.

O receio é de uma repetição da “greve” que ele fez em 2021, quando segurou durante cinco meses a sabatina de André Mendonça, por discordar da indicação.

Na ocasião, ele preferia o então procurador-geral da República, Augusto Aras, para a vaga. Agora, Alcolumbre trabalha pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Segurar sabatinas é um modus operandi do presidente do Senado, que costuma atrasar a aprovação de indicados para agências e outros postos para extrair concessões.

Já no governo Lula, há mais otimismo. Aposta-se na boa relação construída com o senador, que tem dois ministros de sua cota, das Comunicações e Integração Regional, além de cargos menores.

Fábio Zanini, Folhapress

Após desgaste, Câmara gasta R$ 5 milhões com consultoria para melhorar imagem


Motta foi vaiado por professores em cerimônia com Lula

Carolina Linhares
Brasília

A Câmara dos Deputados, presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), contratou por R$ 4,97 milhões uma consultoria da FGV (Fundação Getúlio Vargas) para modernizar a comunicação da Casa nas redes sociais. O contrato, assinado no início deste mês, vale até agosto de 2026.

A contratação faz parte do esforço de Motta para melhorar a imagem da Câmara, desgastada após a aprovação da PEC da Blindagem e a realização de manifestações em todas as capitais, no fim de setembro, contra a medida e contra a anistia aos condenados por golpismo, que também está em discussão na Casa.

ALVO DO GOVERNO – Além disso, após a derrubada da Medida Provisória de aumento de impostos, a Câmara voltou ao alvo do governo Lula e do PT, que reacenderam a campanha de que o Congresso é inimigo do povo e protege privilégios dos mais ricos em detrimento dos mais pobres.

Nesta quarta-feira (15), Motta foi vaiado ao participar de evento do Dia do Professor com Lula no Rio de Janeiro. Diante da reação do público, o presidente se levantou e ficou ao lado do deputado, em uma tentativa de conter os ânimos.

Lula, por outro lado, fez críticas ao Congresso durante seu discurso. “Hugo é presidente desse Congresso e ele sabe que esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora. Aquela extrema direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”, afirmou.

PRODUÇÕES – De acordo com o contrato, o serviço de consultoria inclui realização de oficinas, mentorias, manuais, além da entrega de relatórios mensais. Também serão criados dois laboratórios —um de inteligência artificial aplicada à comunicação para dar apoio no planejamento, produção e monitoramento de conteúdo, e outro de audiovisual para produzir vídeos e podcasts.

A consultoria prevê ainda estratégia de resposta a crises e monitoramento de menções nas redes sociais para identificar a percepção pública da Câmara e quais são os temas mais relevantes no momento. Em paralelo, Motta assinou, na terça-feira (14), a política de comunicação social da Câmara com diretrizes para os conteúdos institucionais da Casa. Um dos objetivos é aproximar os cidadãos, utilizando linguagem simples, acessível e didática para esclarecer o processo legislativo.

O documento proíbe que os canais oficiais da Câmara favoreçam opiniões ou posições políticas, divulguem informação sabidamente inverídica e descontextualizem ou distorçam falas e imagens. A política determina que a comunicação seja imparcial e conviva com a pluralidade política dos deputados, além de observar o equilíbrio, a transparência e a precisão.

IMPORTÂNCIA DO PARLAMENTO – Entre os objetivos, está enfatizar “a importância do Parlamento para a democracia” e “fortalecer a imagem institucional por meio de informações que contribuam para o melhor entendimento dos atos e processos decisórios da Câmara”.

Após o episódio da PEC da Blindagem, Motta procurou melhorar a imagem da Câmara com uma série de entrevistas a diversos veículos. Ele também promoveu uma mudança na pauta do plenário, privilegiando temas de impacto na população, como segurança, educação, proteção de crianças e adolescentes, além da ampliação da isenção do Imposto de Renda.

DISTORÇÕES – No último dia 22, Motta, que defendeu a PEC da Blindagem durante a votação da medida no plenário, afirmou que “ver toda essa discussão ser distorcida não é correto”.

“Agora é chegado o momento de tirarmos da frente todas essas pautas tóxicas. Talvez a Câmara tenha tido na semana passada a semana mais difícil e desafiadora, mas nós decidimos que vamos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão. O Brasil tem que olhar para frente”, disse ainda, em um evento do banco BTG, em São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Dinheiro jogado fora. Nem mesmo a fortuna do Forte Knock, nos EUA, conseguiria melhorar a imagem da Câmara. É uma missão impossível, sem o Tom Cruise(C.N.)


Tarcísio admite pessimismo e acusa o governo Lula de mirar sua imagem

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Desafiando Moraes, Eduardo Bolsonaro diz que não será preso mesmo se condenado


Charge do Baggi (Arquivo do Google)

Deu no Terra

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmou que não seria preso caso seja condenado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o parlamentar, o crime de interferência em processo judicial – do qual ele é acusado – tem pena de até quatro anos, o que permitiria a substituição da pena.

Eduardo foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por negociar na Casa Branca a sanção de autoridades brasileiras de modo a interferir no julgamento de seu pai pela tentativa de golpe de Estado. Como consequência, o Brasil teve sobretaxa de 50% nas exportações aos EUA, além de ministros do Supremo e da Esplanada que tiveram seus vistos cassados.

COAÇÃO – Segundo o congressista, a pena para coação no curso de processo não ultrapassa quatro anos de prisão. O Código Penal Brasileiro determina que penas inferiores a esse período podem ser convertidas em outras restrições de direitos.

“Ainda que eu seja condenado nesta várzea que chamam de Justiça, eu — pela lei — jamais iria para a cadeia, pois sou primário, e a pena máxima para coação é de quatro anos de cadeia”, disse, em suas redes sociais. “Ou seja, seria — ou deveria ser — substituída obrigatoriamente por uma cesta básica ou prestação de serviços à comunidade. Num Estado Democrático de Direito, ninguém vai preso durante o processo se, ao final, ele não resultaria em cadeia”, completou.

Eduardo mudou-se para os Estados Unidos em fevereiro e, desde então, tem articulado com o governo Trump para cassar vistos de ministros do Supremo e aplicar a lei Magnitsky contra Moraes. Se for condenado, ele ficará inelegível.

Estratégia! Ao restringir terras raras, a China ataca “ponto fraco” de Trump


Dois caminhões amarelos transportam montes de terra contendo elementos de terra rara em porto na China. Ao fundo, pelo menos cinco guindastes vermelhos se erguem acima dos caminhões.

Importante terminal de terras raras em porto da China

Osmond Chia Role
BBC News

O Ministério do Comércio da China publicou na semana passada o documento “Anúncio nº 62 de 2025”. Este não era, porém, um simples comunicado burocrático. O texto conseguiu abalar a frágil trégua tarifária da China com os Estados Unidos.

Ao detalhar amplas restrições às exportações de terras raras — grupo de 17 elementos químicos, como neodímio, lantânio, ítrio e cério, usados na fabricação de produtos tecnológicos e equipamentos de alta precisão —, o documento em certa medida reforça o controle de Pequim sobre o fornecimento global desses minerais essenciais e lembra o presidente americano, Donald Trump, do quanto a China ainda detém poder de influência na guerra comercial.

MONOPÓLIO – A China detém quase o monopólio da extração das terras raras e seu refino, que é o processo de sua separação de outros minerais. As terras raras são cruciais para a produção de diversas tecnologias, incluindo smartphones, painéis solares, carros elétricos e equipamentos militares.

Um caça F-35, por exemplo, requer mais de 400 quilos de terras raras em seus revestimentos furtivos, motores, radares e outros componentes.

Pelas novas regras, empresas estrangeiras precisarão de autorização do governo chinês para exportar produtos que contenham até pequenas quantidades de terras raras e deverão declarar o uso pretendido.

TRUMP REAGE – Em resposta, o presidente americano ameaçou impor uma tarifa adicional de 100% nos produtos chineses e colocar controles de exportação em softwares estratégicos.

“Isso é a China contra o mundo. Eles apontaram uma bazuca para as cadeias de suprimentos e a base industrial de todo o mundo livre, e nós não vamos permitir isso”, disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Na quinta-feira (16/10), a China respondeu que os EUA “provocam deliberadamente desentendimentos e pânico desnecessário” sobre os controles chineses acerca de terras raras.

USO CIVIL – “Se os pedidos de licença de exportação estiverem em conformidade e forem destinados a uso civil, serão aprovados”, afirmou um porta-voz do Ministério do Comércio da China.

Nesta semana, as duas maiores economias do mundo (EUA e China) também impuseram novas taxas portuárias sobre navios uma da outra.

A intensificação da guerra comercial encerra meses de relativa calmaria após a trégua acertada em maio por autoridades americanas e chinesas.

VANTAGEM DA CHINA – Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que as restrições às terras raras darão vantagem à China na negociação.

As novas medidas da China devem “abalar o sistema” ao atingir vulnerabilidades das cadeias de suprimento americanas, disse o professor de negócios internacionais, Naoise McDonagh, da Universidade Edith Cowan (Austrália). “O momento frustrou o cronograma de negociações que os americanos esperavam”, afirmou.

Detalhe: as exportações chinesas desses materiais respondem por cerca de 70% do fornecimento mundial dos metais usados em imãs de motores de veículos elétricos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Quem lê a imprensa amestrada fica pensando que Trump está demolindo a China, mas a realidade é bem outra. Já botou o galho dentro e vai diminuir as tarifas da China. Quanto ao Brasil, estima-se que o país detenha até 23% das reservas conhecidas de terras raras no mundo e já explora jazidas em Minas e Goiás. No entanto, responde por menos de 1% da produção, porque é um país deitado eternamente em berço esplêndido(C.N.)

 

 

O professor Sidney Ribeiro, do Instituto de Química da Unesp (Universidade Estadual Paulista), explicou à BBC News Brasil que o país acumula décadas de pesquisas acadêmicas sobre esses minérios e já faz a mineração de terras raras em Estados como Minas Gerais e Goiás.

 

 

A China tem trabalhado intensamente para conquistar sua posição dominante no processamento global de terras raras globais, afirmou Marina Zhang, da Universidade de Tecnologia de Sydney (Austrália).

 

O país formou uma base de especialistas na área e tem uma rede de pesquisa e desenvolvimento anos à frente dos concorrentes, acrescentou.

 

Embora os EUA e outros países estejam investindo pesado para reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, eles ainda estão longe de atingir esse objetivo.

 

Com grandes reservas próprias, a Austrália é vista como uma potencial rival da China, mas sua infraestrutura de produção ainda é pouco desenvolvida, o que torna o processamento caro, explicou Zhang.

 

“Mesmo que os EUA e todos os seus aliados transformem o processamento de terras raras em um projeto nacional, eu diria que levará pelo menos cinco anos para alcançarem a China.”

 

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