domingo, outubro 19, 2025

Há lugares no Reino Unido onde os judeus já não podem entrar…


Torcedor no gramado agita grande bandeira azul clara com letras vermelhas 'ASTON VILLA' em estádio cheio, com fumaça e iluminação intensa ao fundo.

Jogo do Aston Villa decidiu proibir a entrada de judeus

João Pereira Coutinho

Sou anglófilo, como boa parte da minha geração. Mas essa anglofilia é mais imaginária do que real: a Inglaterra que me interessa existe na minha cabeça —feita de livros, músicas, arte, filmes e de lugares que pertenceram a outro tempo.

Como dizia Eça de Queirós sobre o “francesismo” dos portugueses, eu também importo tudo: ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, modas e bobagens —que me chegam em caixotes pelo paquete, como nos velhos navios de correio.

OUTRO PLANETA – A Inglaterra real de hoje é outro planeta: uma sociedade tribalizada, que formou ou acolheu fanáticos antissemitas — e que tolera passeatas que clamam pelo genocídio. Amigos judeus me dizem com frequência que já não se sentem seguros em certos lugares do país.

Acredito neles. E confirmo seus temores: o Daily Telegraph informa que a partida entre Aston Villa e Maccabi Tel Aviv, pela Liga Europa, não terá a presença da torcida israelense.

“Questões de segurança”, dizem as autoridades de Birmingham —um belo eufemismo, uma bela rendição. Julgava eu que a função da polícia seria garantir essa segurança sem excluir, à partida, um grupo nacional inteiro.

SEM SEGURANÇA – Se há selvagens entre os torcedores do Maccabi, que eles sejam vigiados e impedidos de entrar. Se há selvagens antissemitas do outro lado, que eles também o sejam.

Mas essas evidências não parecem pesar na Inglaterra atual. Semanas atrás, o conhecido clérigo muçulmano de Birmingham, Asrar Rashid, escreveu nas redes sociais: “Quando a torcida de Tel Aviv chegar, não teremos qualquer piedade para com eles.”

Na minha opinião, eis um exemplo perfeito de “discurso de ódio” com incitamento à violência. Não consta, porém, que Rashid tenha sido investigado pela polícia.

HUMORISTAS – Esses privilégios parecem recair apenas sobre certos humoristas —como Graham Linehan, detido no aeroporto de Heathrow em setembro após postar uma piada sobre criminosos que se fazem passar por mulheres trans para cumprir pena em presídios femininos.

O primeiro-ministro Keir Starmer condenou com veemência a exclusão da torcida israelense. Mas o que pensa fazer? Enviar o Exército a Birmingham para confrontar radicais islamistas?

Ou permitir que o termo “Judenrein” —contra o qual seus antepassados lutaram— acabe por se instituir no país que ele governa? Melhor não apostar.


O Casarão do Coronel João Sá: Um pedaço da história de Jeremoabo que desaba diante da omissão dos vereadores e do próprio povo







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O Casarão do Coronel João Sá em ruínas — símbolo do abandono e do descaso com a memória histórica de Jeremoabo.


*  Por José Montalvao


Mais um pedaço da história de Jeremoabo está ruindo, literalmente. O velho Casarão do Coronel João Sá, símbolo de uma era e testemunha silenciosa da formação política e social do nosso município, está caindo aos pedaços. Segundo o relato de Beto, uma das pessoas que mais têm acompanhado de perto a degradação do patrimônio, o ex-prefeito teria dito friamente: “Não vamos fazer nada, vamos deixar cair.” E realmente, está caindo — junto com a memória de um povo que parece ter esquecido de onde veio.

O casarão, que abrigou o político mais influente e respeitado da história jeremoabense, Coronel João Sá, não é apenas um prédio velho de taipa e telhas antigas. É um símbolo da identidade de Jeremoabo, um marco de poder, tradição, hospitalidade e memória coletiva. Ali se discutiam os rumos da política, se recebiam autoridades e se decidiam destinos. Hoje, resta apenas o silêncio das paredes rachadas, o mato tomando conta do entorno e a indiferença dos que deveriam preservar o patrimônio histórico do município.

O que antes foram os dedos, agora são os anéis: a metáfora cabe perfeitamente. O descuido que começou com a demolição do Parque de Exposições e com a retirada do nome Coronel João da tradicional Escola Reunidas Coronel João, agora chega ao ápice com o colapso físico da residência histórica. É o fim de uma era — não apenas material, mas moral e cultural.

Jeremoabo está perdendo suas raízes. Cada telha que cai do casarão é uma lembrança que se apaga; cada parede que desmorona é uma parte da nossa história que se perde para sempre. E o mais triste é ver que há quem ache isso normal.

Preservar a memória não é um luxo: é um dever. Cidades que respeitam sua história constroem um futuro sólido; as que a desprezam tornam-se vazias de identidade e orgulho. Enquanto outras localidades restauram seus casarões, museus e praças históricas, Jeremoabo parece seguir o caminho inverso — o do esquecimento.

Ainda há tempo de reagir, de reconstruir, de valorizar o que restou. Mas, para isso, é preciso vontade política, consciência cultural e amor pela terra. Que o desabamento do Casarão do Coronel João Sá sirva de alerta, para que não reste apenas pó onde antes existia grandeza.

Por José Montalvão – Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, proprietário do Blog de De Montalvão, matrícula ABI C-002025.



sábado, outubro 18, 2025

Lula recebe Barroso para jantar de despedida no Alvorada e conversa sobre sucessão no STF

 Foto: Arquivo pessoal

Presidente Lula e Luís Roberto Barroso no jantar de despedida do ministro no Palácio da Alvorada18 de outubro de 2025 | 18:07

Lula recebe Barroso para jantar de despedida no Alvorada e conversa sobre sucessão no STF

brasil

Em seu último dia no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luís Roberto Barroso foi recebido na noite de sexta (17) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um jantar de despedida no Palácio da Alvorada. A primeira-dama Janja está em viagem ao exterior e não participou do encontro.

Durante mais de duas horas, os dois conversaram sobre o futuro do STF, a sucessão na Corte, a presença de mais mulheres no Judiciário, além de política e vida pessoal. Segundo interlocutores, o clima foi de cordialidade e amizade, selando uma relação que se reaproximou nos últimos anos.

Barroso comentou os nomes cotados para a vaga que ele deixa aberta no Supremo, e disse que “todos são preparados”.

O jantar ocorreu no mesmo dia em que o ministro proferiu seu voto pela descriminalização do aborto voluntário nas primeiras 12 semanas de gestação, em sessão extraordinária do plenário virtual. Foi seu último ato no STF, antes de sua aposentadoria antecipada, que passa a valer neste sábado (18).

A decisão de Barroso —o segundo voto favorável à descriminalização do aborto— reacendeu o debate sobre o tema e marcou o encerramento de uma trajetória de 12 anos na Corte, onde chegou indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013.

Em entrevista à coluna em setembro, o ministro lembrou que foi seu voto, em 2018, um dos que permitiram a prisão de Lula no caso do tríplex. Disse, porém, não se arrepender, por ter aplicado ao então ex-presidente a mesma jurisprudência usada para outros réus, e revelou que os dois voltaram a se encontrar na casa de Cristiano Zanin, hoje ministro do STF, em uma conversa “ótima, sem passivo emocional”.

Mônica Bergamo, Folhapress

O encontro Mauro Vieira–Marco Rubio e o recomeço Brasil-EUA

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

O tom cordial sinalizou o fim de uma etapa de hostilidade

Pedro do Coutto

O encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, marcou uma inflexão importante nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Após meses de tensão e trocas de declarações públicas, a reunião foi descrita por ambos os lados como “positiva” e “produtiva”, segundo fontes do Itamaraty e de veículos internacionais.

O tom cordial sinalizou o fim de uma etapa de hostilidade de Washington em relação a Brasília e abriu caminho para uma nova fase de diálogo, em que as divergências políticas cedem espaço ao pragmatismo diplomático. O ponto central da conversa foi o compromisso de buscar um encontro entre Lula e Donald Trump “na primeira oportunidade possível”, gesto simbólico que reafirma a disposição de ambos os governos em normalizar as relações institucionais.

MATURIDADE – A ausência de pressões explícitas da Casa Branca sobre o governo brasileiro, especialmente em relação ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi vista como sinal de maturidade política e reconhecimento da soberania nacional. Ainda assim, sob a superfície da cordialidade há desafios que não devem ser ignorados.

O Brasil enfrenta uma assimetria comercial evidente, agravada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais, e precisará negociar com firmeza para proteger seus setores produtivos. O silêncio de Rubio sobre o futuro de Bolsonaro não representa necessariamente um esquecimento, mas uma estratégia diplomática: reduzir tensões sem abandonar a capacidade de influência sobre o cenário político brasileiro.

O gesto de aproximação é, portanto, tanto político quanto tático. Ao mesmo tempo, Mauro Vieira reafirmou em Washington que o Brasil não aceita interferências externas em seus processos institucionais, destacando a autonomia do Judiciário e o respeito à separação de poderes — um ponto central para reposicionar a imagem do país no exterior.

DIÁLOGO – O resultado imediato é positivo: o Brasil recupera espaço de diálogo com seu principal parceiro hemisférico e afasta a sombra do isolamento. Mas a vitória diplomática ainda é parcial. O país precisará transformar a boa vontade em resultados concretos — redução de tarifas, ampliação de acordos comerciais e garantia de tratamento equilibrado em temas ambientais e energéticos.

Caso contrário, o novo clima de cordialidade pode se tornar apenas um intervalo entre crises. O desafio da política externa brasileira, agora, é sustentar essa reaproximação sem abrir mão de princípios e sem confundir pragmatismo com submissão. O encontro entre Vieira e Rubio não encerra uma disputa; apenas redefine o tabuleiro, num momento em que o Brasil tenta afirmar-se como potência autônoma em meio à reorganização global das alianças.


Maia acusa Tarcísio de trair o centro e mergulhar na “agenda maluca” do bolsonarismo

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

A farsa dos Correios: estatal falida, dívida nova e o mesmo roteiro de sempre

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Malu Gaspar
O Globo

Já virou lugar-comum para quem acompanha o noticiário no Brasil dizer que vivemos mergulhados num recorrente Dia da Marmota. A expressão, para os não familiarizados, é uma referência ao filme “Feitiço do tempo”, com Bill Murray, em que o protagonista acorda toda manhã para viver o mesmo dia em que os mesmos fatos se repetem, mas só ele percebe. Há vários “Dias da Marmota” rolando no Brasil neste momento, mas poucos vêm de tão longe e são tão sintomáticos quanto o dos Correios.

A estatal divulgou um plano de reestruturação com medidas genéricas, de corte de despesas, demissões e venda de ativos e a renegociação de contratos com fornecedores para recuperar a competitividade. Não foi informado quantas demissões, qual a economia estimada, se haverá metas de eficiência ou em que prazo se daria a tal recuperação.

SOCORRO BILIONÁRIO – O único dado concreto é que a empresa precisará de um socorro de R$ 20 bilhões para não quebrar. Como o governo Lula briga neste momento com o Congresso por mais recursos, alegando dificuldades fiscais, fica feio dizer que enterrará uma bolada dessas numa estatal obsoleta e deficitária. Ficou combinado então que o empréstimo será feito por um consórcio de bancos, com garantia do Tesouro. Na prática, se os Correios derem o calote, o contribuinte pagará a conta. Não é dinheiro da União, mas é.

Considerando que esse já é o segundo plano de demissão voluntária desde o início do ano e que o empréstimo de R$ 20 bilhões já vem para cobrir outro de R$ 1,8 bilhão feito agora em junho, fica evidente que a reestruturação é cortina de fumaça para esconder um fato eloquente: os Correios são “insalváveis”. Ao longo das últimas décadas, suas funções mais relevantes foram as de cabide de emprego e foco de corrupção.

Para que fique clara a dimensão desse Dia da Marmota, foi ali que nasceu o primeiro escândalo de corrupção do primeiro mandato de Lula, lá em 2005, quando veio à tona um vídeo mostrando um apadrinhado do hoje bolsonarista Roberto Jefferson enfiando no bolso maços de dinheiro de propina recém-recebida. Pressionado, Jefferson revidou revelando o mensalão, e o resto é História.

FUNDO DE PENSÃO – Em 2010, a direção dos Correios, já franqueada por Lula e Dilma Rousseff ao PMDB, aplicou o dinheiro do fundo de pensão dos funcionários, o Postalis, em títulos da Venezuela e da Argentina e numa série de empreendimentos fraudulentos que se tornaram alvo de operações da Polícia Federal, com prisões e delações premiadas. O rombo, estimado em mais de R$ 15 bilhões, é pago até hoje pela estatal, por seus funcionários e pelos aposentados, que chegam a sofrer 80% de desconto no contracheque.

Depois do trauma, Michel Temer e Jair Bolsonaro incluíram os Correios no plano de privatizações e começaram a preparar a empresa para a venda, com planos de demissão voluntária, fechamento de agências, automatização e encerramento de operações deficitárias — exatamente o mesmo cardápio de agora.

Combinados com a explosão do comércio digital na pandemia, os ajustes fizeram a companhia passar a dar um lucro que chegou a R$ 2,3 bilhões em 2021. A partir de 2022 — ano eleitoral e o último da gestão Bolsonaro —, a coisa voltou a degringolar.

CONCURSO – Ao assumir, Lula anunciou concurso para contratar mais 3,5 mil funcionários, botou quadros do PT para mandar na companhia e sepultou a ideia de privatização. Quem defende a decisão diz que os Correios preenchem uma função social porque vão aonde ninguém vai, como comunidades conflagradas pela violência ou muito longínquas, em que entregar encomendas não dá lucro. Por isso, dizem, são insubstituíveis.

É o mesmo argumento usado nos anos 1990 contra a privatização da telefonia. Naquela época, os celulares e a internet engatinhavam, mas era claro que estatais obsoletas e corruptas não teriam a menor condição de competir com a nova tecnologia. Hoje ninguém mais sente falta dos orelhões, das fichas, nem de receber herança em ações da Telebras, e o Brasil é um dos países do mundo com mais celulares per capita.

NEGÓCIOS – É graças a esses aparelhos que boa parte da população das periferias, das favelas e até dos ermos da Floresta Amazônica faz negócios, enviando e recebendo encomendas não só pelos Correios, mas também pelos mercados livres e amazons da vida.

A experiência já mostrou que, com regulação bem feita, é possível estimular a competição e evitar a exclusão social. Dá até para obrigar as companhias a criar um sistema eficiente de distribuição de CEPs para que nenhum brasileiro fique sem endereço formal. O que não dá é para continuar torrando dezenas de bilhões do meu, do seu, do nosso para manter uma operação claramente insustentável. Nem a marmota de Bill Murray merece isso.


Ciro Gomes renasce no PSDB e prepara volta ao Ceará

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

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