O Casarão do Coronel João Sá em ruínas — símbolo do abandono e do descaso com a memória histórica de Jeremoabo.
* Por José Montalvao
Mais um pedaço da história de Jeremoabo está ruindo, literalmente. O velho Casarão do Coronel João Sá, símbolo de uma era e testemunha silenciosa da formação política e social do nosso município, está caindo aos pedaços. Segundo o relato de Beto, uma das pessoas que mais têm acompanhado de perto a degradação do patrimônio, o ex-prefeito teria dito friamente: “Não vamos fazer nada, vamos deixar cair.” E realmente, está caindo — junto com a memória de um povo que parece ter esquecido de onde veio.
O casarão, que abrigou o político mais influente e respeitado da história jeremoabense, Coronel João Sá, não é apenas um prédio velho de taipa e telhas antigas. É um símbolo da identidade de Jeremoabo, um marco de poder, tradição, hospitalidade e memória coletiva. Ali se discutiam os rumos da política, se recebiam autoridades e se decidiam destinos. Hoje, resta apenas o silêncio das paredes rachadas, o mato tomando conta do entorno e a indiferença dos que deveriam preservar o patrimônio histórico do município.
O que antes foram os dedos, agora são os anéis: a metáfora cabe perfeitamente. O descuido que começou com a demolição do Parque de Exposições e com a retirada do nome Coronel João da tradicional Escola Reunidas Coronel João, agora chega ao ápice com o colapso físico da residência histórica. É o fim de uma era — não apenas material, mas moral e cultural.
Jeremoabo está perdendo suas raízes. Cada telha que cai do casarão é uma lembrança que se apaga; cada parede que desmorona é uma parte da nossa história que se perde para sempre. E o mais triste é ver que há quem ache isso normal.
Preservar a memória não é um luxo: é um dever. Cidades que respeitam sua história constroem um futuro sólido; as que a desprezam tornam-se vazias de identidade e orgulho. Enquanto outras localidades restauram seus casarões, museus e praças históricas, Jeremoabo parece seguir o caminho inverso — o do esquecimento.
Ainda há tempo de reagir, de reconstruir, de valorizar o que restou. Mas, para isso, é preciso vontade política, consciência cultural e amor pela terra. Que o desabamento do Casarão do Coronel João Sá sirva de alerta, para que não reste apenas pó onde antes existia grandeza.
* Por José Montalvão – Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, proprietário do Blog de De Montalvão, matrícula ABI C-002025.





