sexta-feira, outubro 31, 2025

Massacre no Rio: sucesso para quem?

 

Intercept Brasil newsletter.brasil@emails.theintercept.com 
Cancelar inscrição

qui., 30 de out., 19:18 (há 13 horas)
para mim

O que te chocou mais nos últimos dias: as imagens das dezenas de corpos enfileirados na periferia do Rio ou a quantidade de comentários celebrando as mortes nessa “operação de sucesso”?

Confesso que 
as duas coisas tiraram o nosso sono aqui no Intercept. Porque são frutos do mesmo projeto: o uso da violência como trampolim político, sem qualquer intenção de acabar com o crime organizado.

Se você chegou a olhar as seções de comentários, sabe do que estamos falando: a irracionalidade impera, o discurso “bandido bom é bandido morto” segue ganhando —
 e quem perde é você.


Percebi, mais uma vez, que o trabalho que temos pela frente como veículo de mídia progressista é árduo.


Na última terça-feira, o governo do Rio patrocinou a maior chacina da história do país — mais de 130 pessoas mortas, com inocentes pegos no fogo cruzado. Nenhum chefe do Comando Vermelho foi preso. Policiais foram mortos. Nenhum dado sobre o número de mandados cumpridos foi apresentado. Ficamos sem nenhuma prestação de contas.


E mesmo assim, manchetes da grande mídia aplaudem e dão mais palanque ao governador Cláudio Castro, do PL. É como se promover o extermínio e terror nas favelas fosse estratégia de segurança pública. Quem ganha com isso?

A verdade é que cada morte é combustível para a máquina eleitoral — e a grande mídia, ao amplificar o discurso oficial sem trazer nenhum contraponto, ajuda a manter essa engrenagem girando.

Enquanto isso, a favela segue tratada como território inimigo. O policial segue exposto na linha de frente como peão de um jogo muito maior. E a população, refém do terror.

O problema é mais complexo do que isso e não será solucionado peneirando a casa de trabalhadores cujo único “crime” é morar na favela — e se a mídia corporativa se recusa a fazer as perguntas certas, nós fazemos:

 
Como os fuzis chegam às mãos das facções, e qual o papel das forças armadas?

→ Quem lucra com a “guerra às drogas”?

→ Como o Estado brasileiro fortalece o crime organizado?

→ Por que os governantes insistem em atacar as pontas enquanto protegem os peixes grandes?

As soluções reais para o combate ao crime organizado existem e, como mostramos nessa reportagem, são muitas. Mas elas estão sendo ignoradas pelos governos estaduais e federal, e sem pressão da população, continuarão assim.

O primeiro passo é desmontar a crença de que violência de Estado é sinônimo de segurança e construir uma nova lógica, baseada em respeito aos direitos e inteligência, não em execuções.

É um trabalho árduo, de resistência, de formiguinha — mas alguém precisa fazer — e esse alguém pode ser você.

Ao doar para o Intercept, você faz parte do jornalismo que enfrenta o discurso da barbárie, que desmascara os conluios entre poder e crime, que defende o direito à vida para todos os CEPs e cores de pele.

Não dá pra contar com a grande mídia. Mas dá pra contar com você. Doe hoje e faça esse trabalho junto com a gente. 👇

Um forte abraço,

Em destaque

Apertem os cintos! O megaescândalo do Banco Master está apenas começando

  Publicado em 18 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Charge reproduzida do Arquivo Google Dora Krame...

Mais visitadas