Publicado em 14 de maio de 2023 por Tribuna da Internet
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Light entrou com pedido de recuperação judicial de R$ 11 bilhões
Pedro do Coutto
Luiz Oswaldo Aranha, que presidiu a Light por seis anos no governo João Figueiredo, numa conversa comigo ontem mostrou-se surpreso com a situação atual da empresa que registra dívidas acumuladas na ordem de R$ 11 bilhões, ao contrário do período de sua administração, quando dava lucros bastante expressivos, funcionando até como instrumento de receita da própria Eletrobras.
Aranha, filho do chanceler Oswaldo Aranha, uma das figuras mais notáveis da história do país, desempenhou a função de assessor de Furnas quando a empresa foi presidida pelo engenheiro Flávio Decat. No momento, participa do Conselho do Clube de Engenharia. Lembrou que no período de 1979 a 1985, o lucro era tão expressivo que o ministro de Minas e Energia, César Cals, recorreu à subsidiária em busca de recursos financeiros para a holding. Os recursos foram concedidos em forma de empréstimo.
PREJUÍZOS – Hoje, a Light acumula prejuízos de grande monta e atribui os resultados negativos aos “gatos” que acarretam o roubo de energia e ao aumento da taxa de juros de 13,75% ao ano fixados pela taxa Selic do Banco Central. A questão dos “gatos”, que são extremamente nocivos e arriscados, como se nota na fotografia que acompanha a reportagem deste sábado de O Globo, de Glauce Cavalcanti, Rennan Setti e Manoel Ventura, revela a periculosidade do conjunto de fios e de instalações uns sobre os outros.
Entretanto, os “gatos” não são suficientes para explicar o déficit verificado, pois eles representam o roubo de energia de alguém em favor de outro, mas não influem nas tarifas cobradas pela empresa. São roubos perigosos, mas significam transferência de energia. É preciso uma explicação mais concreta para definir o resultado negativo. Já a taxa de juros sim, pode explicar muita coisa. Os “gatos” ficam sendo um mistério a serem explicados.
RECUPERAÇÃO JUDICIAL – A Light entrou com um pedido de recuperação judicial que é um sistema, como informa meu amigo Filipe Campello, que em muitos casos evita a falência. É estabelecida à base de pagamentos mensais por valores aceitos por credores em prestações que se estendem por 12 a 24 meses. Qualquer atraso no pagamento de uma das parcelas, acarreta a falência da empresa. Na opinião também de um ex-presidente da Light em período posterior ao de Luiz Osvaldo Aranha, Jerson Kelman, a recuperação judicial é a única alternativa antes de uma intervenção federal através da própria Eletrobras.
Enfim, a Light é mais um caso em que a privatização não deu certo. Tanto, que a privatização aprovada em maio de 1996 não teve êxito, passando do superávit para um déficit acumulado de R$ 11 bilhões. O que aconteceu do tempo que separa Luiz Oswaldo Aranha e os tempos atuais é o que deve ser divulgado e analisado. Luiz Oswaldo Aranha, ao longo do tempo, tornou-se um técnico que se destaca por sua competência e honestidade.
LOTERIAS ESPORTIVAS – Na tarde de quinta-feira, no programa Estúdio I da GloboNews, a repórter Isabela Leite fez um relato cristalino e brilhante sobre o funcionamento das loterias esportivas no Brasil, as fraudes que vem ocorrendo e que contribuem para a desmoralização dos atletas que participam delas, dos clubes e que abalam o próprio futebol. Qualquer jogada que se apresente como esquisita é acompanhada por vaias, levantando a suspeita de que se trata de armação para efeito lotérico.
A partir da exposição foi possível entender a engrenagem sobre o assunto, e sobretudo o fato de as empresas que exploram a loteria não terem sede no Brasil, o que vai se tornar obrigatório nesta semana com a Medida Provisória do presidente Lula estabelecendo determinação no universo do futebol e das apostas. A tendência das direções do clubes é a de rescindir os contratos dos jogadores envolvidos e de denunciar ao Ministério Público esses personagens.
SEGREDO DAS JOIAS – Na edição desta sábado de O Globo, reportagem de Eduardo Gonçalves revela que a Polícia Federal escalou uma equipe que viaja para Genebra, Suíça, amanhã, buscando informações sobre o valor real das joias que se destinavam à família Bolsonaro e avaliadas no país em R$ 16,5 milhões.
A matéria acentua que a PF considera a necessidade de chegar a um valor efetivo no mercado internacional e por isso entrará em contato com a empresa Chopard, especializada em fornecer o valor de peças de luxo. Não creio que o objetivo da viagem seja concluir sobre o valor efetivo das joias que continua sob segredo. Tenho a impressão que a viagem inclui pesquisa sobre a procedência das joias e a autoria real do presente. As joias são da Arabia Saudita, sem dúvida. Mas quem foi o autor do presente ?