Presidente diz que ex-diretora da Anac mentiu e acusa imprensa de "carregar na tinta"
BRASÍLIA - Menos de 48 horas depois de classificar as denúncias do processo de venda da Varig como "mau jornalismo", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem a imprensa de "carregar na tinta" na cobertura do caso. O presidente disse ainda que "só Freud explica" as "mentiras" que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu teria contado em depoimento, quarta-feira, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.
Denise Abreu relatou ao jornal "O Estado de São Paulo", na semana passada, e repetiu à comissão do Senado, anteontem, que a Anac sofreu pressões "imorais e até ilegais" da Casa Civil e do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, no processo de transferência de capital da companhia aérea brasileira para a VarigLog, que estava sob controle de estrangeiros.
Em entrevista, no fim da manhã de ontem no Palácio do Planalto, após solenidade de assinatura da Convenção 182, sobre trabalho infantil, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Lula evitou referências ao Ministério Público, que investiga as denúncias da venda da Varig, e sugeriu que a imprensa teria ficado em situação desconfortável depois do depoimento de Denise aos senadores. "Às vezes fico pensando como é que algum jornal que acreditou (nela) vai sair dessa agora", disse o presidente. "Quando você carrega na tinta com uma informação que não é verdadeira, depois precisa achar um jeito de sair."
Os fatos desmentem o presidente da República porque as denúncias foram confirmadas - a ponto de a atual direção da Anac vir a público para declarar ilegal o controle de estrangeiros na VarigLog e dar prazo de 30 dias para desfazer a composição societária. Isso aconteceu no dia seguinte à entrevista exclusiva de Denise Abreu ao jornal paulista, dizendo que a Casa Civil favoreceu os compradores da Varig - o fundo de investimentos americano Matlin Patterson e os sócios brasileiros de fachada Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo.
No domingo passado, o jornal mostrou que a compra da VarigLog "tinha um contrato paralelo", um contrato de gaveta que obrigava os sócios brasileiros a entregar todas as ações ao fundo Matlin Patterson. O documento com o contrato de gaveta foi publicado na terça passada pelo jornal "O Globo".
Na Comissão de Infra-estrutura, Denise não desmentiu nada do que dissera nas entrevistas. Para o presidente Lula, o depoimento de Denise Abreu na Comissão do Senado foi um caso freudiano. "Aí acho que é preciso perguntar para o Freud, só Freud explica tudo aquilo lá", afirmou o presidente. "O problema da mentira é que quando você conta uma mentira uma vez é obrigado a mentir a vida inteira para justificar aquela mentira."
O presidente negou que tenha havido tráfico de influência do governo durante o processo de venda da Varig. A uma pergunta sobre a influência de seu amigo e compadre, o advogado Roberto Teixeira, na operação, Lula voltou a afirmar que a denúncia é "abominável" e disse que o juiz da 1ª Vara Empresarial do Rio, Luiz Roberto Ayoub, responsável pelo processo, tem dado entrevistas para esclarecer o caso. "Eu já disse uma vez e vou repetir agora que é uma denúncia abominável, porque este processo começou com o juiz e terminou com o juiz", afirmou. "O governo não teve nenhuma participação porque a Justiça assumiu para si."
Lula disse também que gostaria de saber o que "aquela moça" fez na Comissão de Infra-Estrutura do Senado em 8 horas e meia de depoimento. "Não sei, não assisti. Mas o que percebi é que o resultado é como se você espremesse uma laranja que não tivesse caldo", afirmou. "Na verdade, ela não tinha o que fazer. E como é que alguns senadores ficam tantas horas conversando?", questionou. Na opinião do presidente, as pessoas que têm alguma denúncia contra quem quer que seja deveriam seguir o "caminho jurídico" para apresentá-las.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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