quinta-feira, dezembro 18, 2025

Ministros dizem que Lula se opõe a qualquer acordo para reduzir pena de Bolsonaro

 

Ministros dizem que Lula se opõe a qualquer acordo para reduzir pena de Bolsonaro

Declaração ocorreu após críticas a Jaques Wagner por acordo que permitiu avanço de proposta sobre penas do 8 de Janeiro

Por Mônica Bergamo/Folhapress

17/12/2025 às 21:45

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

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O presidente Lula

Ministros do governo Lula afirmam que o presidente se manifestou contra qualquer acordo para reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, medida que poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (17). Segundo os mesmos integrantes do governo, o presidente deve vetar o texto.

O petista se posicionou após o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), admitir ter feito um acordo de procedimento na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para permitir o avanço da proposta sem consultar o presidente nem a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Wagner afirmou que o entendimento não tratou do mérito do texto.

Mais cedo, Gleisi e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), rechaçaram qualquer negociação envolvendo a redução de penas. "O presidente Lula está radicalmente contra a dosimetria. Vai ter que vetar", disse Lindbergh.

A reação do Planalto ocorre em meio a um endurecimento do discurso político do presidente. Na reunião ministerial, Lula afirmou que ministros e partidos da base precisarão definir "de que lado estarão" na eleição de 2026, chamada por ele de "hora da verdade". O presidente também disse que o governo ainda não conseguiu construir a narrativa adequada para alcançar a população e que a polarização política dificulta o convencimento do eleitorado.

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Acordo de Wagner para votar redução de penas do 8/1 gera mal-estar entre aliados de Lula

 

Acordo de Wagner para votar redução de penas do 8/1 gera mal-estar entre aliados de Lula

Líder do governo no Senado foi questionado sobre acerto que facilitou votação nesta quarta

Por Thaísa Oliveira/Catia Seabra/Folhapress

17/12/2025 às 22:00

Atualizado em 18/12/2025 às 11:13

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT)

Um acordo feito pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), sobre o projeto que diminui a pena de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro gerou mal-estar entre governistas.

O texto foi aprovado nesta quarta-feira (17) no plenário do Senado com um placar de 48 votos a favor e 25 contra. Como a Câmara já aprovou a proposta, ela segue para sanção presidencial. Lula (PT) deve vetar o texto integralmente.

Senadores da base do governo afirmam que havia um esforço para empurrar para o ano que vem a votação do chamado PL da Dosimetria —em uma tentativa de mobilizar a opinião pública e buscar reverter a maré favorável à aprovação.

A ideia, dizem, era conseguir na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) o maior tempo de adiamento possível, de cinco dias, com o apoio do presidente do colegiado, Otto Alencar (PSD), que sempre se posicionou radicalmente contra o projeto.

Pouco antes do início da sessão, porém, o senador Marcos Rogério (PL-RO) conversou com Wagner e Marinho e repassou aos dois um recado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP): tanto o PL da Dosimetria quanto o projeto de lei que reduz parte dos benefícios fiscais do governo federal deveriam ser votados nesta quarta no plenário.

Segundo relatos, Wagner e Marinho concordaram que nem o governo impediria a votação do PL da Dosimetria, nem a oposição impediria o governo de votar nesta quarta o projeto que aumenta a tributação, aprovado na véspera pela Câmara dos Deputados.

Ambos, segundo relatos, poderiam discursar contra os dois projetos e orientar voto contra, mas não fazer obstrução —em uma espécie de acerto sobre o procedimento, mas não sobre o conteúdo das propostas em si.

O acordo costurado pelo líder do governo momentos antes da CCJ (e portanto desconhecido da imensa maioria) provocou uma série de críticas, desmentidos e mal-entendidos ao longo do dia.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), procurou Wagner para reclamar. Gleisi afirmou ter sido surpreendida com o acerto e questionou como ele havia feito isso mesmo tendo sido avisado por Lula que vetará o projeto.

Durante a tarde, a ministra chegou a dizer pelas redes sociais que não havia "nenhuma negociação ou acordo no Senado envolvendo o projeto de lei da redução de penas para os golpistas condenados pelo STF".

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou o mesmo, como mostrou o Painel. "Não tem acordo. O presidente Lula está radicalmente contra a dosimetria. Vai ter que vetar", declarou.

Ao retornar da reunião ministerial promovida por Lula na Granja do Torto, Wagner discursou na CCJ e admitiu ter feito um acordo de procedimento sem consultar a ministra ou o presidente.

"Assumo aquilo que fiz, um acordo de procedimento, porque acho que não tinha sentido nenhum empurrar. O presidente tomará sua decisão. Quem sabe, no espírito natalino, ele resolva sancionar, mas não me pertence isso. É uma decisão que ele fará. Mas eu só quero dizer que eu não troquei nada porque no mérito está mantida minha posição", disse.

Parlamentares que defendem a posição de Wagner afirmam que o governo não tinha votos suficientes para impedir a aprovação do projeto na CCJ.

Alcolumbre, dizem, também já havia avisado que gostaria de votar a medida no plenário de um jeito ou de outro nesta quarta —cumprindo uma promessa feita a bolsonaristas quando estava em campanha para voltar à presidência do Senado.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), um dos mais críticos ao acordo feito por Wagner, acusou o governo, em discurso na tribuna do Senado, de dar um presente de Natal aos golpistas. Renan também relatou que Otto havia concordado inicialmente em adiar a votação por cinco dias.

"Eu estou aqui há muitos anos. Eu cheguei em 1982 no Congresso como deputado federal; depois me reelegi Constituinte, e estou exercendo meu quarto mandato nesta Casa, mas eu nunca vi, com uma questão transcendental como esta, alguém, em nome do governo, fazer um acordo e dar peru de Natal aos golpistas", disse Renan.

Politica Livre

TCU coloca sigilo em processo que analisa ação do BC no caso Master

 

TCU coloca sigilo em processo que analisa ação do BC no caso Master

Por Constança Rezende/Folhapress

18/12/2025 às 06:42

Foto: Leopoldo Silva/Arquivo/Agência Senado

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Tribunal de Contas da União

O TCU (Tribunal de Contas da União) colocou em sigilo, nesta segunda-feira (15), o processo que analisa uma possível omissão do Banco Central em operações do Banco Master. O procedimento também avalia como se deu o processo de sua compra pelo BRB (Banco de Brasília), que acabou não sendo concretizada.

Com a mudança, as peças não aparecem mais para o público, incluindo os acórdãos anteriores, que antes eram disponibilizados. As demais peças também eram possíveis de acessar por pessoas de fora do tribunal. Agora, só são mostradas as movimentações do processo.

À Folha a assessoria do TCU afirmou que o caso foi classificado como reservado, categoria em que apenas as pessoas expressamente autorizadas pelo titular da área técnica, com anuência do relator, o ministro Jonathan de Jesus, podem ter acesso.

O órgão afirmou que a medida foi tomada por decisão da área técnica e do relator, devido ao processo conter dados bancários protegidos por sigilo.

"Processos que tratam de informações sensíveis são classificados como sigilosos porque as análises, diligências, documentos juntados e despachos vão mencionar tais informações", disse, acrescentado que pode ser tentado um pedido via Lei de Acesso à Informação para o tribunal verificar se disponibilizará o processo ou não.

O caso trata de um pedido do Ministério Público junto ao TCU para analisar supostas falhas do BC em não acompanhar o que chamou de "operações temerárias" do banco comandado por Daniel Vorcaro, e por não divulgar os seus riscos para proteger eventuais investidores. O Ministério Público não detalhou o período a ser acompanhado.

Os ministros do tribunal, no entanto, se recusaram a analisar o pedido em junho, alegando que ele não estava acompanhado de indícios suficientes para caracterizar as irregularidades apontadas e o consideraram improcedente.

Em setembro, o TCU decidiu reabrir o caso, depois de o governo do Distrito Federal, controlador do BRB, entrar com um recurso questionando a negativa do Banco Central na compra do Banco Master.

O governo do DF chegou a entrar com um pedido de liminar para que o TCU suspendesse "de forma imediata e integral os efeitos de quaisquer autorizações, deliberações ou decisões" do caso enquanto não ocorresse a "análise derradeira" da denúncia contra o BC.

A argumentação apresentada era de que a medida era necessária para evitar repercussões negativas no mercado financeiro e possíveis riscos sistêmicos que poderiam afetar diretamente o BRB.

O ministro do TCU Jorge Oliveira reconheceu que os novos elementos trazidos pelo veto demandavam análise pelo relator original do caso, o ministro Jonathan de Jesus. Este, por sua vez, determinou em 9 de setembro que a unidade técnica se manifestasse com urgência sobre a questão.

A unidade entregou seu exame três dias depois, recomendando que o tribunal autorize uma inspeção no Banco Central para verificar se os procedimentos internos foram adequadamente seguidos. No entanto, sugeriu que o pedido de medida cautelar para suspender a decisão fosse negado, argumentando que o Distrito Federal não apresentou justificativas sólidas.

Todas essas recomendações foram enviadas ao gabinete do relator em 12 de setembro para serem avaliadas e aguardavam a sua análise, quando o processo ainda era público.

O sigilo do caso Master no TCU amplia a blindagem de acesso a informações sobre o banco e o dono dele, Daniel Vorcaro.

No último dia 2 de dezembro, o ministro do STF Dias Toffoli impôs sigilo elevado às investigações contra o banqueiro e o Master. No dia seguinte, Toffoli decretou que o STF assumisse o caso, retirando as apurações que corriam na Justiça Federal do DF.

No dia 12, Toffoli mandou retirar da CPMI do INSS dados do telefone celular de Vorcaro, cujo sigilo havia sido quebrado.

Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, em São Paulo, no âmbito da Operação Compliance Zero, que teve como objetivo combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.

Onze dias depois, a juíza Solange Salgado da Silva, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), determinou a soltura do dono do Master, mas com o uso de tornozeleira eletrônica.

As investigações da PF sobre o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal sobre uma possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira.

Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada, segundo a polícia. São investigados crimes como gestão fraudulenta, temerária e organização criminosa.

Na ocasião, o BRB afirmou que sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência e a defesa de Vorcaro negou qualquer fraude cometida pelo Master.

Já o Banco Central decretou no mês passado a liquidação do Banco Master, medida tomada quando a autarquia avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.

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Ação contra fraudes no INSS prende o nº 2 da Previdência e mira senador Weverton Rocha

 

Ação contra fraudes no INSS prende o nº 2 da Previdência e mira senador Weverton Rocha

Por Thaísa Oliveira/Folhapress

18/12/2025 às 08:00

Atualizado em 18/12/2025 às 11:53

Foto: Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil

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Weverton Rocha

A Polícia Federal faz buscas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta quinta-feira (18) em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A ação também prendeu o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, que já foi assessor de Weverton. Ele ficará preso preventivamente em regime domiciliar. Foi preso ainda Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário conhecido como Careca do INSS.

Os investigadores cumprem 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. A ação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A casa de Weverton é um dos endereços de busca e apreensão. Não houve ações no gabinete do parlamentar no Senado.

Weverton é o líder do PDT no Senado. Ele entrou na mira de integrantes da CPI do INSS depois que assessores e outras pessoas ligadas a ele apareceram nas investigações sobre o esquema de fraudes, conduzidas pela PF e pela CGU (Controladoria-Geral da União).

As investigações apontaram que o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, já esteve com Weverton Rocha.

Na CPI, Antunes, acusado de ser um dos operadores do esquema, declarou que foi a um churrasco de costela na casa do senador, quando teria falado com ele sobre a regulação da venda de derivados de cannabis –ou seja, uma atividade de representação empresarial sem ligação com descontos em aposentadorias.

O Careca do INSS também disse que esteve no gabinete do senador em outras ocasiões, mas que não conversou com o político. O interlocutor teria sido Adroaldo da Cunha Portal, hoje secretário-executivo do Ministério da Previdência, mas que, na época, trabalhava no gabinete de Weverton. A visita também teria sido para tratar sobre o mercado de cannabis.

Um ex-assessor de Weverton também apareceu nas apurações. Gustavo Gaspar teria assinado uma procuração de movimentação de contas bancárias e entregado para Rubens Oliveira, apontado como um operador dos descontos irregulares.

O gabinete de Weverton Rocha ainda não se manifestou sobre a operação e as suspeitas levantadas durante as investigações.

A ação da PF nesta quinta-feira ocorre em Brasília, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão. Segundo a PF, o objetivo é aprofundar as investigações e esclarecer a prática de crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação de patrimônio.

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