quinta-feira, novembro 20, 2025

No Dia da Consciência Negra, a presença eterna de Zumbi dos Palmares

Publicado em 20 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Consciência Negra: conhecer o passado para projetar um futuro diferente | CRT-RNCarlos Newton

Símbolo da luta negra contra a escravidão e pela liberdade de seu povo, Zumbi dos Palmares foi morto no dia 20 de novembro de 1695. A data de seu falecimento é lembrada nacionalmente como o Dia da Consciência Negra, um momento de reflexão sobre a relevância da população africana e seu impacto nos mais diversos campos da cultura brasileira, como política, cultura, ciência e religião.

Neste sentido, o advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, criou letra de “Atabaque”, que lembra o tempo da escravidão e foi musicada por Jorge Laurindo.

ATABAQUE
Jorge Laurindo e Paulo Peres

Este bocejo da noite é banzo
Engasgando profecias na senzala
Como as mãos da África, África,
Silenciou no adeus

“Atabaqueia” atabaque distante:
Axé, agô-iê, axé com fé….

Esta força/raça canta e luta
Como Zumbi nos Palmares lutou.
Este gemido do açoite na alma
Qual sentinela de preço vil
Moldurou o libertar futuro

Era rei virou escravo
Quão errante terra branca
Soluçou-lhe cativeiro

Relação cordial, planos distintos: Pacheco reafirma intenção de deixar a política

Publicado em  8 Comentários | 

Lula escolhe Messias para o STF, ignorando pressão pró-Pacheco


ARNALDO ANTUNES, ISABEL FILLARDIS E RAPHAEL MONTES SÃO ATRAÇÕES CONFIRMADAS NA FLICACAU.


,


.

..


Evento que agita Itabuna de 27 a 29 de novembro também anunciou Ariles Uribe, Bela Gil e Paloma Jorge Amado.


A primeira edição da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), de 27 a 29 de novembro, em Itabuna, Bahia, terá programação marcada pela diversidade. Com vários espaços temáticos, o evento povoará o Centro de Cultura Adonias Filho com mesas de discussão e apresentações artísticas, tendo como fio condutor o tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta. 


Com mais de 40 anos de carreira, o músico e poeta Arnaldo Antunes, ex-Titãs, é um dos convidados especiais do Espaço Jorge Amado, onde participará da roda de conversa - A Mãe Terra não para de dar sinais, na quinta-feira (27), às 19h, ao lado do escritor e professor Jorge Araújo e do jornalista e escritor Daniel Thame. 


No sábado (29), às 17h, o Espaço Jorge Amado também receberá a atriz, cantora, apresentadora e ativista social Isabel Fillardis. “Terei o prazer de estar na primeira Flicacau para falarmos de assuntos urgentes e importantes. Em volta, um ambiente literário cheio de inspirações e, para mim, em especial, voltar a Itabuna depois de mais de 30 anos. Que alegria voltar assim”, escreveu a convidada em uma rede social. Na mesa, Isabel terá a companhia do professor e produtor Tcharly Briglia e da escritora e professora Luciany Aparecida. 


Já o Espaço Estação Juventudes confirmou a presença de um dos principais nomes da nova geração da literatura e teledramaturgia, o escritor Raphael Montes, na sexta-feira (28), às 9h, num bate-papo com Marina Maria. Raphael é o dono da pena por trás de sucessos como a série: Bom dia, Verônica (Netflix), baseada no livro homônimo do autor em parceria com a escritora Ilana Casoy; e a novela Beleza Fatal (HBO). Também escreveu o angustiante best-seller, Dias Perfeitos, outra obra adaptada para o streaming (Globoplay). Ainda tem na bagagem o Prêmio Jabuti de 2020 pelo romance, Uma mulher no escuro.


ARELIS URIBE


Assim como o grapiúna Jorge Amado (1912-2001) teve no Chile um dos seus maiores amigos na literatura e nos ideais revolucionários, o poeta Pablo Neruda (1904-1973), a Flicacau reforça os laços do Brasil com o país sul-americano trazendo ao sul da Bahia a jornalista e escritora Arelis Uribe, que também confirmou presença no Espaço Jorge Amado, na sexta-feira (28), às 17h. Atração internacional do evento, Arelis é autora do livro As vira-latas.


BELA GIL E PALOMA JORGE AMADO


No sábado (29), às 11h, o Espaço Jorge Amado promove a mesa Narrativas de uma cozinha afetiva, com a chef de cozinha Bela Gil, do Instituto Comida e Cultura, além da escritora Paloma Jorge Amado e da filósofa e escritora Elisa Oliveira. A programação completa do evento será divulgada em breve. É possível conferir outras atrações já confirmadas no Instagram, no perfil @flicacau. 


A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado da Bahia. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA), e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc). A realização é da Seneh Comunicação & Projetos.


Fábio Costa Pinto jornalista Mtb 33.166/RJ - Divulgação.





quarta-feira, novembro 19, 2025

Master, dívida pública e concentração de renda ...

                                                                             

O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrt  


  Publicado em 19/11/2025 às 18:37

Alterado em 19/11/2025 às 18:46

 ,

Ciro Nogueira apresentou projeto para esvaziar a burra do Fundo Garantidor de Crédito Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Em artigo monumental no “Valor Econômico” de hoje, o economista André Lara Resende revisita a obra clássica de John Maynard Keynes, “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, de 1936, para responder (em tréplica) a artigo do economista Samuel Pessoa na “Folha”, a propósito do artigo de Lara, “A Fada da Dívida”, de 30/10, no “Valor”, e destaca que Pessoa “reconhece que a dívida pública tem dois lados: é um passivo do Estado e um ativo do setor privado”. [moeda de duas faces, cujo nível de juros beneficia o setor privado]

Lara Resende disseca, com clareza cristalina, que a “tão clamada redução da dívida pública, ou a consolidação fiscal, como prefere Samuel, exige que se reconheça essa dualidade: a dívida pública é parte da riqueza privada. Reduzir a dívida pública reduz também a riqueza privada”. Vou trazer a discussão acadêmica – super-relevante – para o assunto do momento no mercado financeiro e na economia: os efeitos colaterais da quebra do Master.

Deixarei de lado as interligações entre as altas taxas pagas pelos papéis do Master, cujo rombo a ser coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) está estimado entre R$ 42 bilhões e R$ 49 bilhões (se o Banco Master Múltiplo S.A., que controla o Will Bank, tiver sua recuperação em regime de atenção especial - espécie de RJ do BC - convertida em liquidação), com a corrupção e complacência política. Fundos de pensão de estados e municípios tinham comprado papéis do Master acima do limite de R$ 250 mil de garantia do FGC.

Curiosamente, a principal coligação que representa o Centrão (União Brasil e PP, nas figuras de seus presidentes Antônio de Rueda e Ciro Nogueira, respectivamente), tinha fortes ligações com o presidente do Master, Daniel Vorcaro. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou a apresentar projeto, em 2024, para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o teto de garantia dos investidores pelo FGC, que é bancado pelos grandes bancos.

Não é novidade que os grandes bancos sempre se unem a padrinhos políticos para terem mais força nos embates contra o Banco Central e órgãos de fiscalização. O Econômico, de Calmon de Sá, se ligou acionariamente ao então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, desde 1973; o Banco de Santos, de Edemar Cid Ferreira, tinha ligações com o ex-presidente José Sarney, mas não evitou sua liquidação em 2005.

Vorcaro contratou o ex-ministro do STF (atual ministro da Justiça), Ricardo Lewandowski para defender os interesses do banco; depois, contratou o ex-presidente Michel Temer (MDB), como advogado, e tentou associar-se ao BRB, controlado pelo DF governado por Ibaneis Rocha (MDB), mas o BC vetou o negócio em outubro e agora, ao liquidar o Master, deixou muitos em alerta.

Juros oneram Estado e concentram a renda
Os últimos dados conhecidos da dívida pública até setembro são impressionantes. O Fundo Monetário Internacional usa um critério amplo: o endividamento do setor público brasileiro (incluindo a dívida interna da União, Estados e municípios e respectivas estatais e a dívida externa pelo mesmo critério) somaria R$ 11 trilhões e 292,8 trilhões em setembro. A contabilidade da Dívida Bruta do Governo Geral exclui a dívida externa.

A dívida pública interna do Tesouro Nacional era de R$ 7 trilhões e 55,7 bilhões, e a dívida pública que é girada no mercado financeiro pelo Banco Central (que costuma deixar um pouco mais de R$ 1 trilhão em papéis para dar liquidez diária ao mercado, era de R$ R$ 6,992 trilhões. Acontece que os dados do TN até setembro indicam que a dívida custou R$ 866,160 bilhões este ano.

Isso é uma quantia monumental, pois corresponde a 3,3% do Produto Interno Bruto. No ano passado, o PIB cresceu 3,4%. Este ano, as estimativas são de 2%. Ou seja, a renda transferida do TN (Estado) para os rentistas do setor privado concentrou a renda em nível superior ao crescimento esperado para o PIB. Lara Rezende tem toda razão em dizer que a dívida não é ameaça, pois a hipótese de liquidação da dívida, que está em torno de 70% do PIB, extinguiria uma importante fonte de renda do setor privado.

Digo mais, a manutenção de juros de 15% ao ano para a Selic é que está azeitando, como se fosse o óleo no motor, a liquidez diária no giro da dívida pública, a juros reais abusivos, descontada a inflação de 4,5%. A máquina de transações financeiras do mercado em papéis privados de renda fixa pode ser resumida nas debêntures, CDBs, CRIs e CRAs. Pelos dados da Anbima, os papéis privados somam cerca de 40% dos títulos do mercado, mas quem dá liquidez é o giro diário dos papéis da dívida pelo Banco Central.

Os juros não só poderiam estar mais baixos como seus ganhos sendo devidamente taxados, como sustenta o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para evitar a concentração de renda e bancar os programas sociais.

A reação dos partidos da oposição e do Centrão a qualquer taxação dos isentos CRIs e CRAs (sob o argumento de aumento da carga tributária, quando é medida de justiça tributária) encontra explicação clara no envolvimento geral no caso Master. Com taxação dos CRIs e CRAs que diminua seus “atrativos” fica mais difícil o giro diário de papéis sem o devido lastro.

Quem duvidar da conexão entre a ciranda financeira e a corrupção que esconde o giro de papéis podres, vale a pena rever na Netflix o filme “A Grande Aposta” que explica por que o mercado do “subprime” de hipotecas (imóveis tinham mais de uma hipoteca e os calores eram mascarados) desmoronou em 2007-2008, nos Estados Unidos gerando a crise financeira mundial de 2008. Aqui estamos flertando com o abismo, facilitando a concentração de renda.

Tumulto em PL Antifacção desagrada a senadores, mas texto deve avançar na Casa

 

Tumulto em PL Antifacção desagrada a senadores, mas texto deve avançar na Casa

Por Caio Spechoto/Folhapress

19/11/2025 às 11:54

Foto: Carlos Moura/Arquivo/Agência Senado

Imagem de Tumulto em PL Antifacção desagrada a senadores, mas texto deve avançar na Casa

Plenário do Senado

Integrantes da cúpula do Senado têm demonstrado descontentamento com a tramitação tumultuada do projeto de lei Antifacção, que a Câmara aprovou na terça-feira (19). A análise predominante é a de que a discussão entre deputados teve contaminação política excessiva, mas ainda assim a proposta deve ter andamento.

A expectativa é que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não imponha obstáculos ao projeto, que tem forte apelo popular. A tendência, porém, é que a proposta passe ao menos por uma das comissões temáticas, em etapa preliminar de tramitação.

Os senadores ainda não receberam o texto aprovado pela Câmara. A velocidade de tramitação no Senado dependerá de como a redação final dos deputados for avaliada pelos senadores.

Alguns dos trechos mais controversos defendidos pelo relator na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), não chegaram a ser aprovados, mas o desgaste político causado por essas ideias persiste. Os pontos apontados à reportagem como causas principais de desgaste e de contaminação política foram:

Polícia Federal – investigações da corporação precisariam ser comunicadas a autoridades estaduais. O relator decidiu retirar esse trecho do texto após ser alvo de críticas;

Perdimento de bens – o projeto enviado pelo governo facilitava o confisco de patrimônio suspeito de ter origem ilícita. Derrite ensaiou colocar entraves ao processo, mas recuou

Terrorismo – Derrite sugeriu incluir organizações criminosas sob as regras de combate ao terrorismo. Também foi alvo de críticas e de recuo.

A polarização política causada pelo projeto foi tanta que Davi Alcolumbre tomou uma atitude inusual. Ele escolheu e anunciou o relator do projeto no Senado horas antes de a proposta ser aprovada por deputados. O posto será ocupado por Alessandro Vieira (MDB-SE).

Vieira não tem alinhamento automático nem com governo nem com oposição, o que reduz margens para questionamento de ambos os lados. Além disso, o presidente do Senado quis encerrar uma disputa que estava se instalando na Casa pelo posto de relator do projeto.

"O senador Flávio Bolsonaro, assim como senador [Sergio] Moro e outros senadores, me solicitaram para que eles pudessem relatar essa matéria", disse Alcolumbre no plenário do Senado na terça-feira. "Eu gostaria de proteger esse projeto do debate que nós estamos vivenciando infelizmente na Câmara dos Deputados entre situação e oposição", declarou.

Apesar de não ser governista, Vieira tem a simpatia de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o trabalho. O motivo é o contraste com Derrite, o relator escolhido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para a primeira etapa de tramitação no Congresso.

Derrite é do grupo oposicionista mais vocal a Lula. Ele se licenciou da secretaria de Segurança Pública de São Paulo para ser o relator. É cotado para disputar uma vaga no Senado pelo campo bolsonarista. Foi indicado ao governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pelo núcleo duro do bolsonarismo.

O aliado de Tarcísio apresentou seis versões diferentes de seu relatório e expôs a disputa política entre governo e oposição em torno da segurança pública. Lulismo e bolsonarismo têm propostas quase opostas para a área, que deve ser um dos principais temas das eleições do ano que vem.

O tema ganhou importância depois da operação policial que terminou com 121 mortos no Rio de Janeiro. A ação ganhou apoio do eleitorado e animou políticos de direita.

Aliados de Lula avaliam que o projeto antifacção do governo foi desfigurado e querem retomar o máximo possível da proposta original na tramitação no Senado. Um dos pontos mais sensíveis foi uma mudança que retira recursos do governo federal na área de segurança e os destina aos Estados.

A bancada governista é majoritária no Senado, o que facilita uma retomada. Líderes ouvidos pela reportagem avaliam, porém, que a relação entre o Executivo e o Senado está em um momento mais frio por causa da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal) em vez do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A expectativa dos senadores mais influentes é que o projeto tenha análise prévia da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, talvez, da CSP (Comissão de Segurança Pública) antes de chegar ao plenário para uma votação final.

O caminho nas comissões é importante por causa de seus presidentes e suas composições. Otto Alencar (PSD-BA), que comanda a CCJ, é aliado de Lula. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos expoentes da oposição, comanda a CSP. O segundo colegiado tem como integrantes alguns dos opositores mais vocais do governo, o que tende a favorecer mudanças no projeto contra a vontade do Planalto caso o texto passe por lá.

Em destaque

"A Narrativa Do Combate À Corrupção Interpretada Nos Textos Dos Estudantes De Uma Escola Pública" by Valdimir Pereira Reis

  A Narrativa Do Combate À Corrupção Interpretada Nos Textos Dos Estudantes De Uma Escola Pública  Valdimir Pereira Reis 2020, Práxis Ed...

Mais visitadas