sábado, novembro 15, 2025

Black Friday do Trump: tudo pela metade do dobro

 

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Arte: Marcelo Chello

Foi só sair um anúncio de que Donald J. Trump (J de João, juro) ia reduzir as tarifas de carne, café e banana para que a galera do governo Lula saísse comemorando, dizendo que era graças à química e sei lá mais o quê. Só que não, BRASEW. A Black Friday do Trump era fake. Tudo pela metade do dobro.

O decreto do governo americano promoveu uma redução generalizada das tarifas de 10%, impostas meses atrás para vários países. E o motivo da redução basicamente foi porque os EUA começaram a sofrer com a alta dos preços dos alimentos. Só o café subiu quase 20%. E isso significa o quê para o Brasil? Que seguem as tarifas de 40%. Ou seja, se teve uma coisa que não rolou foi a química até agora.

A Gleisi Narizinho Hoffmann, que faz as relações institucionais do governo, foi a primeira a comemorar o gol antes de bater na rede:

“Vitória do Brasil! Donald Trump suspende as tarifas sobre café, carne, banana e açaí do Brasil. Lula sabe o que faz, e quem ganha é o Brasil!”

Aff.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também saiu para a comemoração antes do gol:

“Isso reflete a retomada das boas relações entre Estados Unidos e Brasil, as duas maiores economias das Américas. E não poderia ser diferente. Foi deixada de lado a fake news, a fofoca plantada por adversários do Brasil... Quando os dois presidentes [Lula e Trump] sentam à mesa, as coisas começam a andar.”

Digamos que isso reflete que é sempre bom olhar direitinho o que o Trump escreve.

Dudu é réu

E hoje foi dia de Dudu Bolsonaro, o filho 03, virar réu em um processo supremo. A Primeira Turma formou maioria para receber a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República e agora Dudu vai responder criminalmente por tentar coagir a Justiça ao fazer lobby nos Estados Unidos contra o Brasil. Segundo Xandão, há indícios suficientes de que ele tentou suspender o processo contra seu pai, o ex-mito, com esse seu rolê aleatório nos States.

Dudu, claro, disse que isso daí é o Xandão tentando impedir que a direita tenha muitos senadores na próxima eleição. Ele diz isso porque, se for condenado, não poderá se candidatar a nada, muito menos ao Senado no próximo ano. Mas o que tem de candidato da direita por aí não é brinquedo, e se o Xandão resolver ir atrás de todo mundo, nem vai dar conta.

Derrite derrete

E terminamos a semana com Derrite, o secretário de Tarcísio, que ao tentar fazer a aprovação relâmpago do PL Antifacção, acabou saindo com a pecha de ter tentado blindar o centrão, mais uma vez, de ser investigado pela Polícia Federal. Na proposta original de Derrite, a PF não poderia investigar o crime organizado sem a autorização dos governos estaduais. Além disso, mesmo depois das quatro mudanças, ainda se teme que o texto tenha tirado orçamento da polícia.

De quebra, Derrite ainda foi fotografado jantando com Eduardo Cunha e Arthur Lira, enquanto o Huguito Motta, que já não sabemos mais se é mesmo o chefe da Câmara frigorífica, dizia em Plenário que estava esperando o relatório do deputado.

Para quem é perdido, Derrite é secretário de Segurança Pública de São Paulo, ou seja, do Tarcísio, e é cotado para ser o candidato a senador pela direita pelo estado. Ou até mesmo a governador, se o Tarcísio, de fato, sair como candidato a presidente. E o Eduardo Cunha é aquele ex-dono total da Câmara frigorífica que foi preso por anos na Lava Jato por conta de esquemas do seu partido, o MDB.

Foragido do INSS

E eis que o presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) está sendo apontado como foragido pela Polícia Federal. Carlos Roberto Ferreira Lopes foi apontado como líder e idealizador do esquema de fraudes contra o salário dos aposentados do INSS. Ele teve a prisão decretada, mas não foi encontrado. E pensar que durante a CPI ele bradou que era um cara que funcionava de segunda a sexta e que não tinha motivos para fugir. Quem sabe ele aparece no fim de semana?

Stefanutto

E o ex-presidente do INSS do governo Lula está agora se defendendo. Seus advogados estão dizendo que são falsas as acusações que dão conta de que Alessandro Stefanutto recebia propina por conta do esquema de descontos indevidos dos aposentados.

Tá feia a coisa nos Correios

Uma das maiores estatais do País vai quebrar no governo Lula. A empresa não conseguiu o empréstimo de R$ 10 bilhões que precisava e agora tenta demitir 10 mil pessoas. Dizem que a ideia é fazer um programa de demissão voluntária, o famoso PDV. Então, tá.

Trumpices

Sabe as cartas do Jeffrey Epstein, o pedófilo acusado de tráfico sexual de menores e que era amigo da geral pelo mundo e que mostraram que Donald Trump sabia “das meninas”? Então, agora o Trump pediu para o Departamento de Justiça americano investigar as ligações de Epstein com democratas, em especial com Bill Clinton. E adivinha? A secretária de Justiça deve abrir investigação só para os democratas e ignorar a parte em que Trump é mencionado.

“Este é mais um golpe da Rússia, Rússia, Rússia, com todas as evidências apontando para os democratas. Os registros mostram que esses homens, e muitos outros, passaram grande parte de suas vidas com Epstein e em sua ‘ilha’. Fiquem ligados!!!”

Eis o que Epstein escreveu sobre Trump:

“É claro que ele sabia das meninas, pois pediu a Ghislaine que parasse”, referindo-se à sua confidente Ghislaine Maxwell, que mais tarde foi condenada por conspiração nos crimes do Sr. Epstein.”

CHEGOU A PUBLI

E eis que a Tixa, inspirada no espírito marqueteiro de Trump, abre oficialmente a temporada de publis (sabe como é, o UOL nos dispensou). A estreia é com a propaganda da nova newsletter da nossa fundadora mor, a jornalista Josette Goulart. Ela lançou uma newsletter só para falar de marketing e publicidade de um jeito que você vai amar acompanhar. Este é o setor que movimenta tudo na economia e na política. Corre, clica no banner e se inscrever na news que circula toda sexta-feira.

BBC pede perdão

A rede britânica BBC manipulou um vídeo de Trump e fez parecer que ele tinha incitado diretamente uma insurreição contra o Capitólio (o Congresso americano) lá naquele distante 6 de janeiro de 2021. Agora a BBC pediu perdão em carta depois que Trump ameaçou processar a rede por difamação no valor de 1 bilhão de dólares. No meio do caminho caíram dois diretores da BBC.

E a gente vai dormir sexta como? Com Trump avaliando ataques à Venezuela. Socorro, BRASEW.

Acho que estamos merecendo sextar na quinta, hein?

🌽 Etanol de milho: a nova mentira verde do agro?

 

Sábado, 15 de novembro de 2025

Se depender do agronegócio, o Brasil pode virar um deserto

Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade. Talvez você já tenha ouvido essa frase. 


Ela sintetiza bem o espírito do Brasil a partir do governo Bolsonaro. A estratégia de repetir informações falsas ou meias-verdades tem servido para vender de tudo: de presidente golpista em regime democrático a um combustível limpo criado pelos maiores poluidores do planeta.


A regra agora é convencer. E parece que o governo brasileiro está convencido de apostar na bola da vez do agronegócio: o etanol de milho. Sim, o agro está mexendo com o seu cuscuz!


Não sei se já chegou até você – nosso algoritmo está viciado e agora só vemos isso por todo lado –, mas há um submundo feito de usineiros, fazendeiros e suas equipes de comunicação que trabalha dia e noite hoje no país para nos convencer de que o milho é a matéria-prima ideal para fazer etanol


O principal argumento deles é a sustentabilidade – e assim eles têm povoado o país com novas usinas e abocanhado bilhões da verba pública. Mas, se vem do agronegócio, cabe pelo menos abrir o olho – o setor é um dos principais emissores de gases do efeito estufa no país.


E o que a gente fez? Como bons curiosos e fofoqueiros, colocamos uma lupa em tudo isso, e o que saiu daí é o que a gente vai te contar a partir desta segunda-feira no site do Intercept Brasil.


Nossa primeira pergunta foi: como é possível que o etanol de milho, feito à base de sementes transgênicas plantadas em milhões de hectares de monocultivos, que necessitam de toneladas de fertilizantes químicos e de milhões de litros de agrotóxicos para nascer e crescer, pode ser um combustível limpo?


Nós fomos até o berço desse boom, a cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, em busca das respostas. E Lucas nos respondeu de um jeito, no mínimo, preocupante: com uma tempestade de areia e vento que surgiu do nada, transformando o dia de 34ºC em noite de chuva e frio de 15ºC. Fomos parar no meio de uma verdadeira tempestade típica de deserto.

“É a Mad Max do agro”, resumimos para Amy Westervelt, que lidera o Drilled, nosso parceiro nessa empreitada


Amy é uma das jornalistas investigativas e socioambientais mais renomadas do mundo. E o Drilled é um 
projeto jornalístico dedicado a investigar quem está atrapalhando e comprometendo a busca por soluções para a crise climática, e tem um jeito bem particular de expor as mentiras verdes do nosso tempo. Ela vai direto ao ponto, é bem-humorada e foge das firulas técnicas que estão aí mais para confundir do que nos fazer entender.


Amy também conhece bem de onde surgiu essa obsessão com o etanol de milho. Juntos, a gente vai debulhar essa história para vocês. Bora?


Ao longo de meses, investigamos a fundo as razões do agro para se empenhar em uma campanha de promoção do etanol de milho como combustível limpo e grande solução para o caos climático. Investigamos também os potenciais impactos dessa aposta dos governos na expansão de monocultivos e uso de produtos químicos para criar soluções “verdes”


Uma coisa é certa e já revelamos aqui: se a propaganda é a alma do negócio, o agro é o maior marqueteiro de si mesmo. De olho na grana do seu cliente mais generoso – o governo federal –, os donos do agro venderão infinitos de litros de etanol de milho “limpo”, nem que para isso tenham que plantar mais caos climático para essa e as próximas gerações.


Para conhecer mais do Drilled


Se você quiser conhecer quem está conosco nessa investigação, te recomendamos algumas temporadas de podcast lideradas pelo Drilled.


Bem-vindo ao mundo da obstrução


A mais recente temporada do podcast explora esforços de grupos de interesse para retardar ou bloquear políticas sobre mudanças climáticas no mundo. São 10 episódios, baseados no livro Obstrução Climática, escrito por Timmons Roberts (Universidade Brown), Jennifer Jacquet (Universidade de Miami), Carlos Milani (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e Christian Downie (Universidade Nacional da Austrália).


Carbon Bros

Nessa temporada, é tudo sobre como os caminhos da testosterona se encontram com o negacionismo climático. Amy e seu co-host, Daniel Penny, mostram como figuras carimbadas da chamada manosfera – algo como atmosfera dos homens, em inglês, como Andrew Tate, Joe Rogan e Jordan Peterson, não estão apenas dizendo aos homens como tratar suas namoradas; eles também estão bombardeando seus ouvintes com argumentos negacionistas sobre o clima


A real ameaça à liberdade de expressão


Em sua décima temporada, o Drilled mergulhou na cobertura sobre a pressão global para criminalizar protestos, especialmente os ambientais e climáticos em vários lugares do mundo. Destaque para este episódio com Abeer Butmeh, coordenadora da Rede de ONGs Palestinas, sobre a luta pela sobrevivência na linha de frente da guerra e da crise climática.


Se você tiver mais dicas sobre o submundo do etanol de milho, envia pra gente! E não deixe de acompanhar as reportagens no site do Intercept Brasil.


Até mais, 

ENTENDA MELHOR

PL Antifacção expõe a contradição estratégica da direita


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O mito do voto independente e os limites reais da sucessão presidencial


Charge do Cazo (Facebook)

Pedro do Coutto

As pesquisas mais recentes sobre a disputa presidencial de 2026 revelam um fenômeno que parece novo, mas que, ao ser confrontado com a lógica institucional brasileira, perde muito da força narrativa que lhe tem sido atribuída. Segundo dados da Quaest, cresce a parcela do eleitorado que afirma estar cansada da polarização permanente entre Lula e Bolsonaro — ou, em termos mais amplos, entre lulismo e bolsonarismo — e que declara preferir um nome “independente” para a sucessão do próximo ano.

Esse sentimento, compreensível diante do desgaste acumulado de uma década de conflitos políticos incessantes, vem sendo lido apressadamente como indício de que os governadores Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema poderiam encarnar essa alternativa “fora dos extremos”.

CONTRADIÇÃO – Mas a própria noção de voto independente carrega uma contradição estrutural: na prática, nenhuma candidatura presidencial se sustenta sem articulação partidária, alianças nacionais e musculatura eleitoral, elementos que, por definição, anulam qualquer pretensão de independência absoluta.

A ideia de que um eleitorado “autônomo” poderia migrar em bloco para uma candidatura alternativa e, assim, inviabilizar Lula da Silva nas urnas é sedutora como hipótese, mas irreal quando confrontada com o desenho institucional do pleito brasileiro.

A eleição é em dois turnos, e o segundo turno funciona como um mecanismo de reenquadramento político: nele, necessariamente, haverá Lula — ou alguém sustentado pelo lulismo — enfrentando um antagonista viável. Pesquisas que testam apenas cenários de primeiro turno, sem projetar combinações plausíveis de segundo, podem induzir a leituras equivocadas sobre a real capacidade de esse “centro independente” romper a polarização.

PRINCIPAL ATOR POLÍTICO – No Brasil, não existe sucessão presidencial sem enfrentar o protagonista; e Lula, goste-se ou não, permanece o principal ator político do país. Além disso, o desempenho dos chamados nomes alternativos não confirma, por ora, a narrativa da ruptura. Embora pesquisas registrem desejo por renovação, os governadores que surgem como alternativas continuam exibindo níveis de intenção de voto significativamente inferiores e não demonstram possuir, até o momento, a capacidade de agregar coalizões nacionais sólidas.

A distância entre o desejo por novidade e a materialização de uma candidatura competitiva é larga — e, historicamente, poucos conseguiram transpor esse desfiladeiro. Em cenários simulados, Lula segue liderando todos os confrontos diretos, o que reforça a ideia de que o antipetismo, isoladamente, não estrutura mais uma candidatura suficientemente ampla.

SATURAÇÃO – O discurso do “voto independente” opera, então, mais como diagnóstico emocional do eleitorado do que como indicador eleitoral concreto. Ele expressa saturação, fadiga, talvez anseio por um pacto político menos tóxico. Mas não oferece, ainda, um caminho institucional viável. Sem partido, sem alianças, sem palanque nacional — e sem protagonismo claro no segundo turno — nenhuma alternativa se consolida. E mesmo quando se apresenta como “anti-polarização”, esse conjunto de nomes inevitavelmente se alinha, na prática, a um dos blocos já existentes.

Em síntese, o país vive um paradoxo: o eleitor quer se libertar da polarização, mas o sistema eleitoral, a força dos partidos, a dinâmica dos dois turnos e o peso de lideranças estabelecidas mantêm a disputa ancorada na velha arquitetura. A sucessão de 2026 pode até acolher novos personagens, mas dificilmente romperá — ao menos com os dados atuais — a estrutura binária que marca o debate político nacional há anos. O voto independente existe como desejo; como projeto de poder, ainda não.

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