sábado, novembro 15, 2025

🌽 Etanol de milho: a nova mentira verde do agro?

 

Sábado, 15 de novembro de 2025

Se depender do agronegócio, o Brasil pode virar um deserto

Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade. Talvez você já tenha ouvido essa frase. 


Ela sintetiza bem o espírito do Brasil a partir do governo Bolsonaro. A estratégia de repetir informações falsas ou meias-verdades tem servido para vender de tudo: de presidente golpista em regime democrático a um combustível limpo criado pelos maiores poluidores do planeta.


A regra agora é convencer. E parece que o governo brasileiro está convencido de apostar na bola da vez do agronegócio: o etanol de milho. Sim, o agro está mexendo com o seu cuscuz!


Não sei se já chegou até você – nosso algoritmo está viciado e agora só vemos isso por todo lado –, mas há um submundo feito de usineiros, fazendeiros e suas equipes de comunicação que trabalha dia e noite hoje no país para nos convencer de que o milho é a matéria-prima ideal para fazer etanol


O principal argumento deles é a sustentabilidade – e assim eles têm povoado o país com novas usinas e abocanhado bilhões da verba pública. Mas, se vem do agronegócio, cabe pelo menos abrir o olho – o setor é um dos principais emissores de gases do efeito estufa no país.


E o que a gente fez? Como bons curiosos e fofoqueiros, colocamos uma lupa em tudo isso, e o que saiu daí é o que a gente vai te contar a partir desta segunda-feira no site do Intercept Brasil.


Nossa primeira pergunta foi: como é possível que o etanol de milho, feito à base de sementes transgênicas plantadas em milhões de hectares de monocultivos, que necessitam de toneladas de fertilizantes químicos e de milhões de litros de agrotóxicos para nascer e crescer, pode ser um combustível limpo?


Nós fomos até o berço desse boom, a cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, em busca das respostas. E Lucas nos respondeu de um jeito, no mínimo, preocupante: com uma tempestade de areia e vento que surgiu do nada, transformando o dia de 34ºC em noite de chuva e frio de 15ºC. Fomos parar no meio de uma verdadeira tempestade típica de deserto.

“É a Mad Max do agro”, resumimos para Amy Westervelt, que lidera o Drilled, nosso parceiro nessa empreitada


Amy é uma das jornalistas investigativas e socioambientais mais renomadas do mundo. E o Drilled é um 
projeto jornalístico dedicado a investigar quem está atrapalhando e comprometendo a busca por soluções para a crise climática, e tem um jeito bem particular de expor as mentiras verdes do nosso tempo. Ela vai direto ao ponto, é bem-humorada e foge das firulas técnicas que estão aí mais para confundir do que nos fazer entender.


Amy também conhece bem de onde surgiu essa obsessão com o etanol de milho. Juntos, a gente vai debulhar essa história para vocês. Bora?


Ao longo de meses, investigamos a fundo as razões do agro para se empenhar em uma campanha de promoção do etanol de milho como combustível limpo e grande solução para o caos climático. Investigamos também os potenciais impactos dessa aposta dos governos na expansão de monocultivos e uso de produtos químicos para criar soluções “verdes”


Uma coisa é certa e já revelamos aqui: se a propaganda é a alma do negócio, o agro é o maior marqueteiro de si mesmo. De olho na grana do seu cliente mais generoso – o governo federal –, os donos do agro venderão infinitos de litros de etanol de milho “limpo”, nem que para isso tenham que plantar mais caos climático para essa e as próximas gerações.


Para conhecer mais do Drilled


Se você quiser conhecer quem está conosco nessa investigação, te recomendamos algumas temporadas de podcast lideradas pelo Drilled.


Bem-vindo ao mundo da obstrução


A mais recente temporada do podcast explora esforços de grupos de interesse para retardar ou bloquear políticas sobre mudanças climáticas no mundo. São 10 episódios, baseados no livro Obstrução Climática, escrito por Timmons Roberts (Universidade Brown), Jennifer Jacquet (Universidade de Miami), Carlos Milani (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e Christian Downie (Universidade Nacional da Austrália).


Carbon Bros

Nessa temporada, é tudo sobre como os caminhos da testosterona se encontram com o negacionismo climático. Amy e seu co-host, Daniel Penny, mostram como figuras carimbadas da chamada manosfera – algo como atmosfera dos homens, em inglês, como Andrew Tate, Joe Rogan e Jordan Peterson, não estão apenas dizendo aos homens como tratar suas namoradas; eles também estão bombardeando seus ouvintes com argumentos negacionistas sobre o clima


A real ameaça à liberdade de expressão


Em sua décima temporada, o Drilled mergulhou na cobertura sobre a pressão global para criminalizar protestos, especialmente os ambientais e climáticos em vários lugares do mundo. Destaque para este episódio com Abeer Butmeh, coordenadora da Rede de ONGs Palestinas, sobre a luta pela sobrevivência na linha de frente da guerra e da crise climática.


Se você tiver mais dicas sobre o submundo do etanol de milho, envia pra gente! E não deixe de acompanhar as reportagens no site do Intercept Brasil.


Até mais, 

ENTENDA MELHOR

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