sábado, novembro 15, 2025

Sem estratégia e sem debate, o crime organizado avança onde o Estado recuou


Mundo político trata o crime organizado pelo cálculo eleitoral

William Waack
Estadão

O sistema político brasileiro parece viver para si mesmo sem se dar conta de que o crime organizado se transformou no fator de risco número 1 para a própria política e a governabilidade. Entende-se aqui por sistema político não só os grupos e partidos mas também as estruturas formais do Estado, como o STF.

A erosão do monopólio do Estado na aplicação da violência já tem mais de quarenta anos e a acomodação das autoridades a essa situação idem. Em muitas das áreas sob domínio territorial do crime organizado duas gerações de brasileiros cresceram sem conhecer outro estado de coisas.

“CULTURA PRÓPRIA” – No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, desenvolveu-se até o que se poderia chamar de “cultura própria” – que (goste-se disso ou não) são canais de integração e solidariedade dentro de comunidades, capazes de conviver com a ferocidade dos traficantes e a dos agentes do Estado, visto em boa parte simultaneamente como ausente e inimigo.

Existe o que se poderia chamar nessas áreas até de “visão de mundo”, com nítida expressão na produção musical de grande propagação no mundo digital, por exemplo. Na qual figuras de projeção acusados de “apologia do crime” por uns simbolizam para grande parcela o sucesso a ser alcançado. O que é crime ou ilegal é coisa muito diferente dependendo de onde se anda hoje em algumas grandes cidades.

CÁLCULO ELEITORAL – Sem compreensão da gravidade desse contexto, o mundo político trata o fenômeno abrangente do crime organizado exclusivamente pelo cálculo eleitoral. No qual o governo federal está claramente em desvantagem – sua imagem continua associada a escândalos de corrupção e os cacoetes ideológicos o impediram durante décadas de entender que pobreza e desigualdade social não explicam necessariamente o crime (muito menos a penetração das instituições de Estado).

Não só o governo federal parece perdido, e incapaz de propor “coisas práticas” que permitam diminuir na população (não só nas áreas sob controle do tráfico) o sentimento de que “está tudo dominado”. A questão da segurança pública hoje no Brasil é de natureza política no seu sentido mais amplo, e não há sinais convincentes de que esteja sendo enfrentada com um mínimo de estratégia e esforço comum entre os entes da federação.

Ao contrário. O debate sério está interditado pela polarização política. Ações como a megaoperação do Rio – independentemente da sua letalidade ou eficácia na eliminação de combatentes adversários, e de seu maior ou menor planejamento – são antes uma expressão do não se saber o que fazer.

STF encurrala Eduardo Bolsonaro e acirra disputa na direita por 2026


STF formou maioria para aceitar a denúncia contra Eduardo

Daniel Gullino,
Mariana Muniz e
Bernardo Mello
O Globo

Em meio à expectativa sobre uma eventual ordem de prisão contra Jair Bolsonaro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria na sexta-feira para aceitar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra um dos seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar foi acusado de coação no curso do processo, devido à sua atuação nos Estados Unidos em favor de sanções contra autoridades brasileiras.

O avanço do cerco judicial à família vem ampliando as pressões da centro-direita para que haja uma definição para 2026. Esse grupo vê no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a melhor opção para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em campanha à reeleição. O clã, por outro lado, se movimenta para que a família esteja na corrida presidencial. O ex-presidente, por sua vez, evita dar sinais claros de quem será o seu escolhido para as urnas.

CANDIDATURA – Na sexta-feira mesmo, com o objetivo de marcar posição sobre o tema, Eduardo fez movimento de endossar publicamente o lançamento de um dos seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência. Antes disso, o deputado se dizia uma alternativa ao Palácio do Planalto, pretensão que o levou a ter um embate direto com Tarcísio.

A partir da confirmação do resultado do STF, Eduardo Bolsonaro se tornará réu e será aberta uma ação penal. Só a partir daí que o mérito do processo será analisado, com absolvição ou condenação do deputado federal.

CONDUTA CRIMINOSA –  O ministro Alexandre de Moraes, que é o relator, votou pelo recebimento da denúncia e foi acompanhado por Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ainda falta o voto da ministra Cármen Lúcia.

O julgamento começou na sexta-feira, no plenário virtual do STF, e está programado para durar até o dia 25 de novembro. “A Procuradoria-Geral da República demonstrou presença da justa causa necessária para a instauração de ação penal contra o acusado Eduardo Nantes Bolsonaro, tendo detalhado sua conduta criminosa”, escreveu Moraes em seu voto.

De acordo com a PGR, Eduardo e o influenciador de direita Paulo Figueiredo atuaram pelas sanções como forma de atrapalhar o andamento do processo conduzido pelo STF que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. A atuação ajudaria ainda o próprio blogueiro, alvo de denúncia também pela trama golpista.

“GRAVE AMEAÇA” – Para Moraes, a “grave ameaça”, que faz parte do crime de coação no processo, “materializou-se pela articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos da América, com aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos de entradas de diversas autoridades brasileiras nos Estados Unidos da América e a aplicação da Lei Magnitsky a este ministro relator”.

O ministro ainda disse que Eduardo tentou “criar ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelo julgamento de Jair Messias Bolsonaro” e também para “as autoridades responsáveis por um possível projeto de anistia”. Embora tenha sido denunciado junto com Eduardo, pelos mesmos fatos, a acusação contra Figueiredo foi desmembrada e será analisada em outro momento.

A defesa de Eduardo está sendo feita pela Defensoria Pública da União (DPU), já que ele não apresentou resposta à acusação. O deputado federal está morando nos Estados Unidos. A DPU defendeu a rejeição da denúncia, alegando que as manifestações atribuídas ao parlamentar são declarações públicas sobre política externa, sanções econômicas e críticas a decisões judiciais, sem qualquer ato de violência ou grave ameaça.

“VÍTIMAS” – “O tipo penal exige violência ou grave ameaça como requisito objetivo do crime. No caso em tela, a denúncia não descreve qualquer ato de violência praticado pelo denunciado contra qualquer autoridade”, diz a Defensoria. Em nota conjunta divulgada após a denúncia, em setembro, Eduardo e Figueiredo afirmaram atuar para “corrigir abusos e injustiças” e se disseram “vítimas de “perseguição política”.

“Se eu estiver cometendo um crime nos Estados Unidos, Moraes está acusando os Estados Unidos de proteger um criminoso”, escreveu Eduardo no X: “Eu nunca trabalhei pela absolvição do meu pai. Eu trabalho pela anistia para ser votada por um Congresso livre das ameaças de Alexandre de Moraes”.

A denúncia utilizou principalmente declarações públicas de Eduardo e Figueiredo. Gonet destacou que os dois reconheceram, em publicações em redes sociais, entrevistas e outras falas a própria atuação para levar autoridades americanas a aplicarem sanções. Também foram utilizadas como provas trocas de mensagens entre Eduardo e Bolsonaro.

SANÇÕES – Na denúncia, o procurador-geral afirmou que “os fatos expostos” estão lastreados em “sólido acervo probatório”. “A dupla denunciada anunciava as sanções previamente, celebrava quando eram impostas e as designava, elas próprias, como prenúncio de outras mais, caso o Supremo Tribunal não cedesse. As providências foram obtidas com porfiado esforço pela dupla, conforme os denunciados — eles próprios — triunfalmente confessam”, escreveu Gonet.

No campo político, Eduardo republicou na sexta-feira no X mensagens que sugerem a escolha de Flávio como sucessor do seu pai. Uma dessas mensagens, justamente de Figueiredo, afirmava que Flávio e Eduardo “atendem o requisito” de uma candidatura que “represente o nosso movimento e não algo escolhido pelo centrão e o STF”. Outra mensagem republicada pelo deputado na sexta-feira sugeria que os “isentões (…) que hoje forçam uma candidatura de algum apadrinhado por (Gilberto) Kassab e Ciro (Nogueira)” poderiam não apoiar Flávio em uma disputa contra Lula.

SOBRENOME NA RUA –  Em outras publicações, o mesmo perfil teceu críticas à movimentação dos caciques de PSD e PP, que já endossaram publicamente uma candidatura de Tarcísio, e defendia a presença do “sobrenome Bolsonaro nas urnas” em 2026.

Em entrevistas recentes, Eduardo tem evitado criticar o governador de São Paulo diretamente, mas passou a contrapor esta hipótese a uma candidatura de algum familiar, que tenha “uma conduta próxima à de Jair Bolsonaro”. Na quinta-feira, à rádio Jovem Pan, o deputado disse que estará em lado oposto ao de Lula na eleição de 2026, mas que não deixará de “discutir com pessoas do espectro da direita”. “Não vou pontuar minhas diferenças com o Tarcísio, mas vamos esperar. O próprio Tarcísio diz que é candidato à reeleição”, afirmou.

O alinhamento entre Flávio e Eduardo na escolha do candidato à Presidência em 2026 passou a ficar mais nítido no fim de outubro. Segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, ambos planejam visitar o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, neste mês.

Blocos vão arrastar multidão no Pré-Caju 2025 a partir deste sábado, 15

  Compartilha

rA festa continua até domingo, 16 de novembro

(Foto: divulgação/Pré-Caju)

O clima de festa toma conta de Aracaju neste sábado, 15, com o início dos desfiles de blocos de trios do Pré-Caju 2025! A Orla de Atalaia é palco de um espetáculo de cores, alegria e música, reunindo foliões de todas as idades para celebrar o maior Carnaval fora de época do Brasil.

Grandes nomes como Ivete Sangalo, Bell Marques, Durval Lelys, Léo Santana, Xanddy Harmonia, Saulo, Timbalada, Márcia Freire e Alexandre Peixe comandam os trios, garantindo a trilha sonora perfeita para esse fim de semana inesquecível. A festa continua até domingo, 16 de novembro.

O Pré-Caju 2025 conta com o patrocínio de AMSTEL, Banese Card, GBarbosa, Petrox, Esporte da Sorte e Estância 92, além do apoio da Prefeitura de Aracaju e do Governo de Sergipe.

Confira a programação oficial!

BLOCOS OFICIAIS E DA PIPOCA

Sábado (15/11)

13h30 – Bloco Prevenção (Maysa Reis)

14h00 – Bloco Vumbora (Bell Marques)

14h30 – Bloco Com Amor (Ivete Sangalo)

15h00 – Bloco Torcida (Xanddy Harmonia)

15h30 – Trio Verão Sergipe (Durval Lelys)

16h00 – Bloco Cajuranas (Psirico)

16h30 – Axé 40 anos Salvador (Alexandre Peixe)

17h00 – Pipoca da FM Sergipe (Valnejós)

17h30 – Trio Arraiá do Povo (Mikael Santos)

18h00 – Pipoca Elétrica (É o Tchan com participação Bruninho Top 7)

18h30 – Bloco da Limpeza (Banda de Frevo com os pés em baixo)

Domingo (16/11)

13h00 – Bloco do Papelão (Inspiração do Gueto)

13h30 – Pipoca Laroye (Descidão dos Quilombolas)

14h00 – Bloco Com Amor (Saulo Fernandes)

14h30 – Bloco Vumbora (Bell Marques)

15h00 – Bloco Vem com o Gigante (Léo Santana)

15h30 – Axé 40 anos Salvador (Márcia Freire)

16h00 – Pipoca Caranguejo Elétrico (Armandinho Dodo e Osmar)

16h30 – Trio Verão Sergipe (Timbalada)

17h00 – Pipoca da FM Sergipe (Jau e Édson Gomes)

17h30 – Trio Arraiá do Povo (Natanzinho Lima)

18h00 – Bloco da Limpeza (Banda de Frevo os pés em baixo)

Com informações da Assessoria de Imprensa

Confira o que abre e fecha no feriado da Proclamação da República

 Alguns serviços comerciais terão horários de funcionamento alterados

(Foto: arquivo Portal Infonet)

Com o feriado da Proclamação da República, celebrado neste sábado, 15, alguns serviços comerciais terão horários de funcionamento alterados. Confira:

Shoppings
RioMar Aracaju

Sábado (15/11)

  • Praças de alimentação e lazer: 11h às 19h
  • Lojas e quiosques: 11h às 17h
  • GBarbosa: 9h às 20h
  • Smart Fit: 8h às 18h
  • Cemise: 7h às 20h (somente para exames de ressonância)
  • Restaurantes: conforme horário de cada rede
  • Cinema: programação normal da Cinemark

Domingo (16/11)

  • Praças de alimentação e lazer: 11h às 19h
  • Lojas e quiosques: 11h às 17h
  • GBarbosa: 9h às 21h
  • Smart Fit: 9h às 15h
  • Cemise: 7h às 20h (somente para exames de ressonância)
  • Restaurantes: conforme horário de cada rede
  • Cinema: programação normal da Cinemar

Aracaju Parque Shopping

Sábado (15/11)

  • Lojas âncoras, megalojas, satélites e quiosques: 14h às 20h
  • Alimentação e entretenimento: 12h às 21h
  • Play Games, Alpha Fitness e Centerplex Cinemas: conforme programação
  • Lojas Americanas: 12h às 21h
  • Ceac e Lotérica: fechados

Shopping Jardins

Sábado e domingo (15 e 16/11)

  • GBarbosa: 7h às 20h
  • Praças de alimentação e lazer: 11h às 19h
  • Lojas e quiosques: 11h às 17h
  • Restaurantes: conforme horário das redes
  • Cinema: programação normal da Cinemark

Shopping Prêmio

Sábado (15/11)

  • Alimentação: 12h às 22h
  • Lojas e quiosques: 14h às 20h
  • Cinema: 13h30 às 21h
  • GBarbosa: 8h às 20h
  • Americanas: 9h às 20h
  • Academia Selfit: 8h às 18h
  • World Park: 14h às 22h
  • C&A e Riachuelo: 12h às 20h
  • Magazine Luiza, Lojas Guanabara, Casas Bahia, Le Biscuit, Avenida e Marisa: 14h às 20h

Supermercados

A Associação Sergipana de Supermercados informou que o funcionamento será normal, sem alterações no feriado.

Os mercados centrais ( Thales Ferraz, Maria Virgínia Franco e Antônio Franco), bem como os setoriais (bairros) funcionarão das 6h às 13h.

Feiras livres

As feiras livres deste dia acontecerão normalmente. São elas: as dos bairros Santo Antônio, 18 do Forte, Grageru, Cirurgia, e nos conjuntos São Carlos e Santa Tereza.

Centro de Aracaju

De acordo com o Sindicato dos Lojistas de Sergipe, o Centro está autorizado a funcionar amanhã de forma opcional para as lojas, no horário das 8h às 14h.

Coleta de lixo e limpeza pública

A coleta do lixo domiciliar ocorre sem alteração no cronograma. Os demais serviços de limpeza pública serão realizados, porém, com redução de equipes.


Podação, paisagismo e limpeza de canais não funcionarão no feriado, mas retomam às atividades no dia útil subsequente. Os serviços de irrigação funcionarão normalmente.

Os ecopontos da cidade, o programa Cata-Treco e a coleta seletiva não funcionam.

Parques

O Parque Governador Augusto Franco (Sementeira), no bairro Jardins, abrirá das 5h às 21h30. O Parque Ecológico Poxim, no Inácio Barbosa, funcionará normalmente, das 6h às 18h. Já o Centro de Artesanato Chica Chaves, no Bairro Industrial, estará fechado.Conteúdo Promovido

Os serviços de embarque e desembarque na Orla Pôr do Sol (Mosqueiro) ocorrerão sem qualquer alteração, das 8h às 17h.

Ferreira Costa

A Ferreira Costa informa que, durante o Feriado da Proclamação da República (15/11), a loja de Aracaju terá horário especial de funcionamento, das 10h às 16h.

Para maior comodidade, os clientes também podem continuar comprando através do site oficial, www.ferreiracosta.com, ou pelo aplicativo disponível para smartphones, com toda a praticidade e conforto de casa.

Portal Infonet no WhatsApp
Receba no celular notícias de Sergipe

A favor ou contra – uma lição histórica de liberdade democrática

 A favor ou contra – uma lição histórica de liberdade democrática

 

É jovem a democracia brasileira tal como a conhecemos e vivemos. Nascida das cinzas da Ditadura Militar, em fins da década de 1980, a democracia restabeleceu no Brasil a soberania do voto popular nas eleições dos representantes em âmbito executivo e legislativo, dos administradores municipais ao chefe da Nação. Desde então, a cada punhado de anos exercitamos nosso direito à escolha. 


Apontamos, via o confiável sistema de urna eletrônica, qual rumo acreditamos ser o melhor para a sociedade. Esse mecanismo da vida pública vez ou outra enfrenta ondas de descrédito. “Votar adianta de quê?”, muitos se perguntam. Não seria tudo um jogo de cartas marcadas? O povo é realmente ouvido? 


A história contada neste livro responde a algumas dessas perguntas. 


Sim, o voto adianta, e muito; não, os resultados não estão dados – e ideias preconcebidas não são à prova de questionamentos, desde que debatamos o que estará em jogo em uma votação. Foi o que o referendo de 2005 nos ensinou.

 

A poucos meses do referendo, outro cenário que não fosse a vitória do “Sim” parecia delírio. Pesquisa Datafolha realizada em fins de julho de 2005 mostrava que oito em cada dez pessoas defendiam a proibição do comércio de armas e munições. Se ninguém discutisse o tema, é provável que as urnas tivessem dado a vitória ao “Sim”. Entretanto, tudo mudou quando o debate entrou em campo. Era um tema bastante sensível, que o brasileiro escolheu encarar. Violência e segurança nas cidades e no campo viraram assunto em programas de televisão, na imprensa, em eventos e rodas de conversas. Na propaganda eleitoral, cada lado teve a chance de mostrar seus argumentos ao eleitor. De quase tabu, a problemática da venda de armas e munição ganhou espaço, tornou-se objeto de debate e argumentação. E o jogo, que parecia dado, começou a mudar. A campanha do “Não” colocou o tema da liberdade no centro da conversa. Nessa concepção, a pergunta colocada pelo referendo não dizia respeito a gostos e escolhas pessoais, e sim à liberdade que cada um teria de, no futuro, fazer ou não uma opção – com responsabilidade, consciência e de acordo com a legalidade. E o “Não” venceu a votação.

 

Mais do que resgatar a votação de 2005, este livro a localiza na História. Ao revisitar o passado do Brasil desde que éramos uma colônia de  Portugal, passando pelos anos de Império e adentrando a República, vislumbramos algumas maneiras pelas quais as armas, de fogo ou não, já foram vistas e utilizadas pelos brasileiros. Conflitos entre nações que ambicionavam instalar colonos por aqui, revoltas populares em tempos de independência e querelas regionais estão entre as ocasiões históricas que esta obra revisita – amparada por pesquisas acadêmicas. Por meio de reportagens em jornais de diferentes pontos do Brasil, da imaginação de Carlos Drummond de Andrade ou das impressões de Euclides da Cunha, descobrimos capítulos da História em que o Brasil confrontou a presença e a utilização das armas de fogo. No campo e na cidade, essa história atravessa os séculos, e ajudamos, aqui, a contá-la.

 

O Estado Democrático de Direito no Brasil já demonstrou sua solidez e perenidade, possibilitando que a população expresse livremente sua vontade, errando ou acertando nas escolhas. E o referendo de 2005 demonstrou isso. A sociedade brasileira tem regido contra tentativas de fragilizar a democracia conquistada. Consultas populares, como referendos e plebiscitos, são ações benéficas e necessárias. O povo brasileiro merece e deve ser ouvido diretamente, tanto na formulação quanto na aprovação de leis que dizem respeito ao seu cotidiano. Primeiro referendo nacional brasileiro e primeira consulta pública sobre armas realizada no mundo, o referendo de 2005 foi um evento ímpar da História brasileira. Um modelo que, acredito, pode ser levado além. A democracia brasileira foi conquistada, e o direito à escolha é um de nossos bens coletivos e políticos mais valiosos. Continuemos, pois, a usá-lo, com sabedoria e ponderação.

 

O debate respeitoso, que o referendo de 2005 também demonstrou factível, é a melhor forma de apresentar problemáticas, discutir com argumentos e decidir com liberdade. O Brasil precisa disso – fortalecer a voz do povo para que a democracia seja plena. E aprendermos a respeitar as decisões populares. Vale destacar que estamos tratando de um tema histórico, lá do passado, quando ainda não havia sequer um político que defendesse abertamente as armas, fizesse gestos de “arminha” com as mãos. Quando não havia fake news  contaminando desonestamente o pensamento popular, gerando ódio e violência com uso de armas.

 

Este livro é o registro imparcial de um fato relevante da História do Brasil, independentemente dos prós e dos contras. Livre daqueles que, hoje, usam ardilosa e politicamente a livre comercialização das armas para combater a violência rural e urbana no país. Vale lembrar que, muito além das armas, vários produtos são capazes de matar. O importante é quem os utiliza, como os utiliza e para o que os utiliza. Violência é possível e existe no trânsito e em qualquer lugar. Os ataques terroristas aos edifícios dos três poderes em Brasília (DF) em 8 de janeiro de 2023, com invasões, vandalismos e depredações do patrimônio público, cometidos por extremistas de direita com o objetivo de dar um golpe contra o governo eleito constitucionalmente, não se valeram de uma só arma que não o ódio à democracia.

 

Só a Educação e a Cultura poderão diminuir os altos índices de violência, aliadas a uma legislação realista, um trabalho responsável de repressão e uma justiça firme e rápida. A estrada dos desafios é longa. Coloquemo-nos a caminho!


Espero sua presença no próximo domingo, dia 16 de novembro, às 11 horas, para a sessão de autógrafos desse meu novo livro. Convite segue acima. 


A obra não é vendida, será entregue gratuitamente. Para conseguir um exemplar, observe orientação da editora no rodapé do convite.

 

Ricardo Viveiros

EDITORIAL: Morre aos 84 anos Ewerton Almeida

                               Foto Divulgação - Morre ao 84 anos Ewerton Almeida - O Tom Legal



 Por José Montalvão

EDITORIAL

Caro Jovino,

Ao ler sua matéria — justa, sensível e repleta de merecidos elogios ao saudoso Ewerton Almeida (Tom) — é impossível não partilhar de sua indignação quanto ao fato de a Câmara Municipal de Jeremoabo jamais ter lhe concedido o Título de Cidadão Jeremoabense. Contudo, é preciso afirmar, sem medo de errar, que Tom sempre foi muito maior do que esse título, sobretudo na forma como ele vem sendo distribuído ao longo dos anos: banalizado, entregue sem critérios, descolado de mérito, de história e de serviços verdadeiramente prestados à comunidade.

O Título de Cidadão deveria ser o mais alto reconhecimento civil de um município. É um documento que descreve, fundamenta e comprova por que uma pessoa merece tal honraria, geralmente por ter contribuído de maneira notória nas áreas social, cultural, econômica, educacional, esportiva, artística ou por atos históricos relevantes. Porém, em Jeremoabo, com honrosas exceções, muitos vereadores sequer compreendem a grandeza do que têm nas mãos. Assim, o que deveria ser uma honra transformou-se, lamentavelmente, em mera formalidade política, distribuída a granel, sem predicados, sem relevância, sem significado.

Ewerton Almeida — para aqueles que não tiveram o privilégio de conhecê-lo — dispensa qualquer título, pois sua própria vida é o maior reconhecimento que um homem pode deixar.

Tom foi um construtor de instituições, um articulador respeitado, um líder nato. Em Jequié, deixou marcas profundas:
— Presidente do Jequié Tênis Clube (JTC);
— Gerente do Centro Social Urbano (CSU);
— Líder da Liga Desportiva de Jequié (LDJ);
— Sócio-fundador e ex-presidente da Associação Desportiva Jequié (ADJ);
— Conselheiro da Associação Comercial e Industrial de Jequié (ACIJ);
— Diretor dos Ginásios Anísio Teixeira e Cely de Freitas;
— Presidente do Sindicato Rural de Jequié (SRJ);
— Presidente do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), sediado em Ilhéus;
— Além de ter exercido papeis importantes na política estudantil e partidária, chegando a ser candidato a prefeito de Jequié.

E, em Jeremoabo, antes mesmo de ser eleito deputado estadual, Tom já prestava relevantes serviços à nossa coletividade. Sempre esteve presente, atuante, comprometido — sem precisar de microfone, mandato ou palanque. Sua dedicação é lembrada por quem viveu, testemunhou ou se beneficiou das suas ações.

Por tudo isso, afirmar que “a Câmara não lhe concedeu o título” soa quase como um detalhe. A grande verdade é que Tom engrandece o título — e não o contrário.

Como disse Jesus:
“Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” (Lucas 23)

Perdoemos, portanto, os vereadores. Não sabem o que fazem, tampouco compreendem a história da própria cidade que juraram servir. Mas a ignorância deles jamais será capaz de apagar as inúmeras benfeitorias realizadas por Ewerton Almeida, cuja contribuição a Jeremoabo vale mais do que qualquer diploma protocolar.

A memória de Tom não depende de honrarias.
Depende, sim, de verdade.
E a verdade é esta: se Jeremoabo perdeu o homem, jamais perderá seu legado.


Nota da Redação deste Blog 

Abra o Link e leia a matéria completa do Portal JV

  https://blogportaljv.blogspot.com/2025/11/tom-saudade-de-um-amigo-que-vida-levou.html?m=1 

sexta-feira, novembro 14, 2025

Empoderamento feminino ganha destaque em tarde dedicada a negócios e conexões em salvador




Evento especial na ferreira costa reúne painelistas, empreendedoras e marcas para celebrar o dia do empreendedorismo feminino com debates, pitchs, trocas e degustações


O Dia do Empreendedorismo Feminino, celebrado em 19 de novembro, terá uma homenagem especial promovida pelo SKY Day – União dos Legados (@clubsky_br), que realizará uma tarde dedicada ao fortalecimento de mulheres nos negócios no auditório da Ferreira Costa, na Paralela. Idealizado por Rita Brandão e Gigliola Sena, o encontro reunirá cerca de 90 participantes em uma programação voltada para troca de experiências, qualificação e conexões estratégicas.


O evento contará com painelistas como Lucas Vazk (especialista em inteligência emocional e negócios), Daiana da Paixão (apresentadora e escritora), Luciano Neves (CEO dos produtos Luke), Carol Anjos (referência em educação financeira), Renata Almeida (advogada especialista em Direito de Família e Sucessões), Andréa Costa (fisioterapeuta pélvica) e Moisés Ribeiro (consultor em inteligência empresarial). Além disso, membros do Club SKY também estarão no palco conduzindo falas ao longo da tarde.


A programação traz ainda uma rodada de conversa com empreendedoras como Cida Silva (CEO da Florella), Márcia Miranda (CEO da Avatim Shopping Barra), Olívia da Silva (CEO da Tea Shop Shopping Salvador), July Lopes (especialista em vinhos), Leila Santos (mentora de empreendedoras) e Ednea Silva (especialista em finanças empresariais). Haverá também um momento de pitch entre os inscritos, para ampliar conexões e compartilhar histórias reais de trajetórias inspiradoras.


O público poderá aproveitar degustações de marcas parceiras como Mundo do Sabor, Q Paladar, Pipocas Vita, Café Capuccino Tia Vânia e o energético Bivolt, além de sorteios, brindes e experiências sensoriais oferecidas por marcas como Avatim e The Shop.


O encontro acontece no próximo dia 19, das 13h às 18h, no auditório da Ferreira Costa (Paralela). As inscrições estão disponíveis na bio do perfil @clubsky_br.

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Almeida

Na COP 30, relatório com dados inéditos sobre descarbonização do transporte de cargas no Brasil é lançado por Aurora Lab

 

Cem dias em um caminhão elétrico: em evento na COP30, Aurora Lab lança relatório com dados inéditos e propõe reflexão sobre descarbonização do transporte de cargas no Brasil


Também será apresentada plataforma de dados sobre o experimento pioneiro, considerando os desafios e os caminhos para uma transição energética justa na mobilidade pesada que unam trabalho digno e justiça climática.


Belém, novembro de 2025 — Em evento na COP30, em Belém, Aurora Lab lança, no dia 17 de novembro, às 18h, o relatório “Rotas para o Futuro: 100 dias em um caminhão 100% elétrico pelas estradas do Brasil – Dados e Reflexões”, que reúne resultados e aprendizados de uma jornada experimental que cruzou o país de Porto Alegre a Fortaleza a bordo de um caminhão pesado totalmente elétrico. O encontro “Rotas para o Futuro: caminhos para a descarbonização do transporte rodoviário” acontecerá na Embaixada dos Povos (Casa do GTA) e contará com uma apresentação conduzida por Aurora Lab e um coquetel de confraternização da Rede Gigantes Elétricos, envolvendo público e especialistas em infraestrutura, mobilidade de baixa emissão e desenvolvimento sustentável.


Os dados do novo relatório foram obtidos a partir da Caravana do Futuro, iniciativa que percorreu 6.060 quilômetros durante 102 dias de estrada. Ao longo do percurso, a equipe de Aurora Lab realizou 91 paradas de recarga e evitou a emissão de cerca de 6,5 toneladas de CO₂, mostrando que a eletrificação no transporte de cargas é inegavelmente benéfica para o clima e a qualidade do ar, ainda que limitada pela infraestrutura atual.
 

Ainda segundo o relatório, os custos da jornada ajudam a ilustrar o cenário de transição: foram gastos R$ 14.900,00 em energia elétrica, média de R$2,30 por quilômetro rodado — praticamente o mesmo valor que teria sido gasto com diesel, porém com emissão zero. A travessia também evidenciou entraves estruturais como baixa autonomia dos veículos pesados, distribuição desigual de eletropostos, falta de padronização entre sistemas de recarga e precariedade das redes elétricas em muitas cidades do país. “Vivenciamos, na prática, o que significa tentar descarbonizar o transporte num país que ainda carece de infraestrutura adequada. Mas também vimos disposição e colaboração para construir novas rotas”, afirma Gabi Vuolo, diretora-executiva de Aurora Lab.
 

Para além dos dados técnicos, o relatório destaca a dimensão social da experiência: durante as paradas, a Caravana promoveu rodas de conversa, laboratórios de cocriação com trabalhadores e trabalhadoras, e inúmeras atividades culturais, fortalecendo a pauta da transição energética justa como projeto coletivo, conectado à justiça climática e ao trabalho digno.
 

Plataforma digital “Caravana do Futuro”

Na ocasião, Aurora Lab também lança a plataforma digital “Caravana do Futuro”, que organiza os dados, propostas e reflexões colhidas durante o experimento. O objetivo é fortalecer uma rede de diálogo e cooperação em torno de uma agenda comum: a descarbonização do transporte rodoviário como vetor de justiça climática, inovação e desenvolvimento sustentável. “Mais do que um projeto sobre tecnologia, esta foi uma experiência sobre pessoas, territórios e transições. Que os aprendizados da Caravana do Futuro inspirem políticas públicas e colaborações para um futuro mais limpo, justo e coletivo”, conclui Vuolo.

O relatório completo está disponível em caravanadofuturo.com e no site da Aurora Lab: www.aurora-lab.org 


 

 






"Livro Mensalão O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira 2012 Marco A Villa" by Roberto Teixeira

 ,

Livro Mensalão O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira 2012 Marco A Villa
Paper Thumbnail
Author Photo Roberto Teixeira
128 Views 
View PDF ▸ Download PDF ⬇


Want fewer recommendations like this one?

580 California St., Suite 400, San Francisco, CA, 94104

Unsubscribe   Privacy Policy   Terms of Service  

© 2025 Academia

Em destaque

Corregedoria do TJ-BA instaura processo disciplinar para apurar graves irregularidades em cartório

  Corregedoria do TJ-BA instaura processo disciplinar para apurar graves irregularidades em cartório Por  Política Livre 23/01/2026 às 10:22...

Mais visitadas