Por José Montalvão
EDITORIAL
Caro Jovino,
Ao ler sua matéria — justa, sensível e repleta de merecidos elogios ao saudoso Ewerton Almeida (Tom) — é impossível não partilhar de sua indignação quanto ao fato de a Câmara Municipal de Jeremoabo jamais ter lhe concedido o Título de Cidadão Jeremoabense. Contudo, é preciso afirmar, sem medo de errar, que Tom sempre foi muito maior do que esse título, sobretudo na forma como ele vem sendo distribuído ao longo dos anos: banalizado, entregue sem critérios, descolado de mérito, de história e de serviços verdadeiramente prestados à comunidade.
O Título de Cidadão deveria ser o mais alto reconhecimento civil de um município. É um documento que descreve, fundamenta e comprova por que uma pessoa merece tal honraria, geralmente por ter contribuído de maneira notória nas áreas social, cultural, econômica, educacional, esportiva, artística ou por atos históricos relevantes. Porém, em Jeremoabo, com honrosas exceções, muitos vereadores sequer compreendem a grandeza do que têm nas mãos. Assim, o que deveria ser uma honra transformou-se, lamentavelmente, em mera formalidade política, distribuída a granel, sem predicados, sem relevância, sem significado.
Ewerton Almeida — para aqueles que não tiveram o privilégio de conhecê-lo — dispensa qualquer título, pois sua própria vida é o maior reconhecimento que um homem pode deixar.
Tom foi um construtor de instituições, um articulador respeitado, um líder nato. Em Jequié, deixou marcas profundas:
— Presidente do Jequié Tênis Clube (JTC);
— Gerente do Centro Social Urbano (CSU);
— Líder da Liga Desportiva de Jequié (LDJ);
— Sócio-fundador e ex-presidente da Associação Desportiva Jequié (ADJ);
— Conselheiro da Associação Comercial e Industrial de Jequié (ACIJ);
— Diretor dos Ginásios Anísio Teixeira e Cely de Freitas;
— Presidente do Sindicato Rural de Jequié (SRJ);
— Presidente do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), sediado em Ilhéus;
— Além de ter exercido papeis importantes na política estudantil e partidária, chegando a ser candidato a prefeito de Jequié.
E, em Jeremoabo, antes mesmo de ser eleito deputado estadual, Tom já prestava relevantes serviços à nossa coletividade. Sempre esteve presente, atuante, comprometido — sem precisar de microfone, mandato ou palanque. Sua dedicação é lembrada por quem viveu, testemunhou ou se beneficiou das suas ações.
Por tudo isso, afirmar que “a Câmara não lhe concedeu o título” soa quase como um detalhe. A grande verdade é que Tom engrandece o título — e não o contrário.
Como disse Jesus:
“Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” (Lucas 23)
Perdoemos, portanto, os vereadores. Não sabem o que fazem, tampouco compreendem a história da própria cidade que juraram servir. Mas a ignorância deles jamais será capaz de apagar as inúmeras benfeitorias realizadas por Ewerton Almeida, cuja contribuição a Jeremoabo vale mais do que qualquer diploma protocolar.
A memória de Tom não depende de honrarias.
Depende, sim, de verdade.
E a verdade é esta: se Jeremoabo perdeu o homem, jamais perderá seu legado.
Nota da Redação deste Blog
Abra o Link e leia a matéria completa do Portal JV
https://blogportaljv.blogspot.com/2025/11/tom-saudade-de-um-amigo-que-vida-levou.html?m=1
