segunda-feira, outubro 20, 2025

Entrevista – Adolfo Menezes: “Tem muito ex-prefeito aí gastando R$ 15 milhões para se eleger deputado desde já”

 Foto: Divulgação/Arquivo

Adolfo Menezes20 de outubro de 2025 | 09:52

Entrevista – Adolfo Menezes: “Tem muito ex-prefeito aí gastando R$ 15 milhões para se eleger deputado desde já”

exclusivas

Presidente da Assembleia Legislativa por duas vezes e deputado estadual desde 2007, Adolfo Menezes, do PSD, é conhecido por sua franqueza e pelo estilo direto, sem “papas na língua”. Nesta entrevista exclusiva ao Política Livre, ele demonstra isso mais uma vez ao falar sobre temas como a Operação Overclean e o uso da máquina pública municipais por ex-prefeitos que miram as eleições de 2026.

Na conversa, Adolfo falou ainda sobre temas como a disputa pelas vagas ao Senado dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o possível rompimento do senador Angelo Coronel (PSD) com o grupo e a relação entre pessedistas e petistas. Para ele, não haverá racha entre os dois maiores partidos que dão sustentação ao governo baiano, mesmo se Coronel migrar para a oposição.

Com mais de 30 anos de vida pública, Adolfo avalia o cenário político da Bahia com o olhar de quem já viu muitos ciclos começarem e terminarem. Ele afirma que “a política é dinâmica” e cita Maquiavel para defender que “os homens devem mudar com os tempos”. Questionado sobre os rumores de que pode deixar a Assembleia para assumir um cargo em tribunal de contas, o deputado desconversa, mas admite que o futuro dependerá das circunstâncias.

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Ao mesmo tempo em que reforçou a candidatura à reeleição, o senador Jaques Wagner (PT) descartou, na semana passada, que haverá racha com o PSD por conta da chapa das eleições do ano que vem. Wagner garantiu que a disputa por espaço entre ele, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o senador Angelo Coronel (PSD) será equacionada. O senhor acredita numa solução sem arranhões?

Acredito. Acho que muita coisa ainda pode acontecer, mas acredito. Na minha opinião, isso será resolvido lá para março do ano que vem, como costuma ocorrer em ano eleitoral. É um bom problema. Temos aí cinco nomes para quatro vagas. Acredito que a única que está garantida é a do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o líder atual do nosso grupo. Tem ainda a vaga do vice, que o MDB pleiteia, o que é legítimo. E tem a briga maior pelas duas cadeiras no Senado, que é mais intensa pela importância. Aí temos três nomes para duas cadeiras, como você citou aí. Todos os três têm legitimidade e capacidade para pleitear, evidentemente. Rui foi um excelente governador. Disse que até o final ano decide se vai concorrer ao Senado, o que depende de conversas também com o presidente Lula (PT), afinal o ministro é braço direito do governo federal. Wagner e Coronel são excelentes senadores, e querem a reeleição. Mas alguém vai sobrar. E ser compensado de alguma forma.

“A direita no Brasil está muito dividida. Tem um monte de candidato a presidente. E eles não se entendem.”

Coronel sinaliza que se ficar de fora pode migrar para a oposição. Ele tem boas relações com o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), e tem dialogado com forças oposicionistas. O senhor acredita nessa possibilidade?

Ele (Coronel) tem dito isso, sim. Tem manifestado isso. Mas uma coisa é Coronel, que é meu amigo, ir para a oposição, e outra é o partido, o PSD, liderado na Bahia pelo senador Otto Alencar (PSD). Então, quem vai dar a palavra final sobre o posicionamento do partido em 2026 será Otto, e certamente fará isso ouvindo todos os deputados estaduais, federais, os prefeitos, nossas lideranças.

O senhor iria para a oposição se o PSD tomar esse rumo por conta de Coronel?

Veja, como eu disse, quem fala pelo partido é o senador Otto Alencar. Posso falar por mim. Você perguntou sobre mim. Eu não me vejo na oposição. Estou muito bem na base do governador Jerônimo. Tenho muitos amigos na oposição. Bruno também é meu amigo. O irmão dele, Michel Reis, é um dos meus melhores amigos. Mas isso não tem nada a ver com política, com eleição. Estamos bem colocados em campos opostos, e nos respeitamos desse jeito.

Sabemos que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defende a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência. Ou seja, o PSD não vai apoiar a reeleição de Lula. Isso pode afetar a aliança da legenda com o PT na Bahia em um cenário em que Coronel fique de fora da chapa?

Eu acho que não. Kassab criou o PSD, mas o partido nasceu aqui na Bahia, com Otto. E Kassab sempre respeitou a autonomia do partido aqui na Bahia. Nunca interferiu nisso. E não acho que vá fazer isso agora, entende? Além disso, a direita no Brasil está muito dividida. Tem um monte de candidato a presidente. E eles não se entendem. E mais: ficam fazendo besteira. Veja aí o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está na nos EUA trabalhando contra o próprio Brasil. Um verdadeiro tiro no pé. O que eu vejo no cenário nacional é o presidente Lula se recuperando, crescendo, enquanto a direita erra, erra e erra.

O Avante também pleiteia um espaço na majoritária de Jerônimo. Acha que tem chances?

Aí então não seriam mais cinco disputando quatro vagas. Vão querer a vice? O Senado? É complicado porque a disputa já é grande. Mas veja que a chapa também tem as suplências. Quem não quer ser primeiro suplente de Rui ou de Wagner? Se Lula estiver forte em 2026, chegar bem na eleição, e se for eleito, pode chamar um dos dois ex-governadores para o ministério. Wagner hoje é líder de Lula no Senado, e Rui já é ministro. Nesse caso, assumiria o suplente. Também é um bom negócio.

O senhor, que está na política há tanto tempo, acredita na possibilidade da adesão do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União), à base de Jerônimo, dentro dessa estratégia do governador e do secretário Adolpho Loyola (Relações Institucionais) de atrair gestores municipais da oposição?

Na política tudo pode acontecer. Eu acho que Zé Ronaldo foi maltratado em 2022 quando não foi chamado para participar da chapa do ex-prefeito ACM Neto (União). E Zé Ronaldo é um homem de valor, que sempre caminhou do lado de lá. É um grande gestor. Não sei se, mesmo que ele não venha para o lado de cá, e ele ainda não declarou nada sobre 2026, se entrará de corpo e alma na campanha da oposição.

“Não sei se, mesmo que ele (José Ronaldo) não venha para o lado de cá, e ele ainda não declarou nada sobre 2026, se entrará de corpo e alma na campanha de Neto.”

Alguns deputados colegas seus reclamam que o governador tem tratado melhor novos aliados, a exemplo de prefeitos que estavam na oposição, do que os antigos. Isso tem acontecido?

Comigo não. Mas sei que alguns se queixam disso. Não tenho nada contra o governador trazer novos aliados, mas não pode esquecer dos antigos. Porque os antigos estão no projeto desde o princípio e devem ter um tratamento melhor do que quem está chegando agora, concorda? Quem está chegando agora não pode exigir o mesmo tratamento, até porque não votou em Jerônimo em 2022. Que vote primeiro, em 2026.

O senhor acredita que vai haver uma renovação grande na Assembleia Legislativa nas próximas eleições? Muitos ex-prefeitos estão chegando fortes na disputa…

Acho que vai, sim, ter uma renovação. Tem muito ex-prefeito gastando R$15 milhões para se eleger deputado desde já. E o pior é que não é dinheiro deles não, é público, das prefeituras. Eles colocaram lá um sucessor que só obedece e, na prática, mandam e desmandam nas prefeituras. Usam descaradamente a máquina. Colocaram um fantoche. Alguns sequer mudaram o secretariado quando assumiram e trabalham exclusivamente para eleger o antecessor deputado. Não vou citar nomes, mas todo mundo na Bahia sabe que isso está acontecendo. E o povo precisa ficar atento.

Há especulações de que o senhor não vai disputar a reeleição, ganhará uma das vagas abertas em um dos tribunais de contas e apoiará a esposa para uma cadeira na Assembleia. É verdade?

Eu já disse que a política é dinâmica. Nada está descartado. Aliás, uma coisa está descartada: não serei candidato a deputado federal. Vou ficar na Bahia. Sobre vaga em tribunal, isso é uma decisão do governador, que também passa pelo meu partido, pela Assembleia, pelos deputados que irão votar pela aprovação ou não. Nunca fui convidado para nenhuma dessas vagas que estão abertas. Só posso falar sobre isso se houver um convite, entendeu? Minha esposa Denise foi candidata a prefeita de Campo Formoso em 2024. Ou seja, ela tem esse desejo também de servir o nosso município e a Bahia de uma forma geral. Mas se isso será agora ou não, temos que aguardar as conjunturas. Como dizia Maquiavel, “os tempos mudam, e os homens devem mudar com eles”. A política segue esse mesmo princípio. É feita de momentos, circunstâncias e decisões que precisam ser tomadas com serenidade e responsabilidade no momento certo.

“Tem deputado (federal) aí que gasta, nos quatro anos, R$300 milhões em emendas. Isso é um desvio total da função parlamentar. Aí tem compra de voto, de apoio político e corrupção.”

A Operação Overclen, da Polícia Federal, que investiga a prática de corrupção na destinação de emendas parlamentares no interior da Bahia, está no encalço de um adversário do senhor, o deputado federal Elmar Nascimento (União), também de Campo Formoso. Como o senhor avalia esse cenário e o impacto dessas investigações na política baiana?

Eu não quero nominar ninguém. Não fico feliz com isso. É muito triste o que está acontecendo com o Brasil. A maioria dos deputados federais não está nem aí para o país e só defendem os próprios interesses. É muita maracutaia com essas emendas, e as coisas estão aparecendo, mas é preciso que haja punição, cadeia. Somente em 2025 os deputados terão, no total, mais de R$50 bilhões para gastar com emendas. Tem deputado aí que gasta, nos quatro anos, R$300 milhões em emendas. Isso é um desvio total da função parlamentar. Aí tem compra de voto, de apoio político e corrupção, como a Polícia Federal, o Judiciário e o Ministério Público estão revelando. E o mais triste é que não há expectativa de renovação da Câmara. Afinal, quem não está lá dentro não tem como competir com isso, não é mesmo? Mesmo deputado envolvido com corrupção e que vota contra a taxação das bets, das fintechs, como aconteceu outro dia só para prejudicar o governo, é reeleito. A politica em Brasília virou um grande balcão de negócios. Ninguém está nem aí para o povo.

O senhor se refere à Medida Provisória (MP) do IOF. O Planalto exonerou aliados de deputados que votaram contra a proposta, inclusive na Bahia, tirando arrecadação do governo em 2026. Acha que isso demorou de acontecer, sobretudo com os parlamentares do União Brasil ligados a ACM Neto?

Não acho que demorou. Acho que o governo sempre tem a esperança de poder negociar no Congresso a aprovação de matérias de interesse do governo. A gente sabe que o presidente Lula não foi eleito com uma boa base na Câmara. Então, precisou negociar. Esperava que esses deputados que têm cargos retribuíssem, ajudassem o governo. Agora, já perto da eleição, viu que isso não ocorreu com todos e começou a tirar essas pessoas.

Política Livre

Fux pede devolução de voto em ação que condenou Bolsonaro, e demora pode atrasar a detenção

 Foto: Victor Piemonte/STF/Arquivo

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal)20 de outubro de 2025 | 17:45

Fux pede devolução de voto em ação que condenou Bolsonaro, e demora pode atrasar a detenção

brasil

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu na última semana a devolução de seu voto no julgamento do núcleo central da trama golpista para uma nova revisão gramatical.

Fux enviou o voto para a Secretaria Judiciária do Supremo no início de outubro. O setor é responsável por juntar todos os votos e publicar o acórdão —documento que formaliza o resultado do julgamento e abre prazo para embargos das defesas.

Com a devolução, o voto de Fux é o último que falta ser entregue para a Secretaria Judiciária finalizar o documento. Os demais ministros da Primeira Turma do STF enviaram seus votos para a compilação no decorrer deste mês.

Procurado, o gabinete de Fux disse que o ministro foi um dos primeiros a apresentar seu voto redigido para a publicação do acórdão. Na semana passara, porém, pediu a retirada do documento para que fossem feitas correções gramaticais.

A publicação do acórdão é um dos momentos-chave no processo penal. É só com a divulgação do documento que se passa a contar o prazo de cinco dias para as defesas apresentarem seus embargos (recurso que questiona trechos da sentença).

O regimento interno do Supremo prevê prazo de 60 dias para a publicação do acórdão. Se o período for ultrapassado, a Secretaria Judiciária deve colocar a transcrição do voto lido no julgamento.

Ministros do STF ouvidos pela reportagem dizem que a expectativa pela prisão de Jair Bolsonaro (PL) segue para o fim deste ano. O cenário, porém, pode mudar com a demora para a liberação do acórdão.

Isso porque a prisão definitiva só deve ser realizada após o fim do processo. A jurisprudência do Supremo define que esse estágio só é alcançado após a reprovação do segundo embargo das defesas.

Fux foi o único ministro a votar contra a condenação de Bolsonaro pelos crimes contra a democracia. O ministro leu seu voto por 13 horas —um dos recordes do Supremo. O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão.

O voto do ministro tem 429 páginas. Fux dedicou a maior parte (226 páginas) para estabelecer as premissas teóricas de seu voto, com a exposição do que seria necessário para a caracterização de cada um dos cinco crimes pelos quais os réus foram denunciados.

O restante do documento faz uma análise individualizada de cada um dos crimes supostamente cometidos por cada um dos réus.

Fux votou pelas condenações do tenente-coronel Mauro Cid e do ex-ministro e general Walter Braga Netto pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito. Em relação a Bolsonaro, o ministro disse que não ficou demonstrado que o ex-presidente tenha praticado atos executórios para um golpe de Estado.

“Não se pode admitir que possa configurar tentativa de abolição do Estado democrático de Direito dar discursos ou entrevistas ainda que contenham questionamentos sobre a regularidade do sistema eletrônico de votação ou rudes acusações aos membros de outros Poderes. A simples defesa da mudança do sistema de votação não pode ser considerada narrativa subversiva”, declarou.

Fux disse que os atos de Bolsonaro após a vitória de Lula (PT) na disputa presidencial não configuram atentado contra a democracia, mas sim uma “mera irresignação com o resultado eleitoral”.

“A norma penal pune, na realidade, a conduta deliberadamente dirigida a conduzir a nação ao estágio de regime autoritário híbrido ou puro, com efetiva capacidade de atingir esse objetivo em todos os seus aspectos necessários”, disse.

Cézar Feitoza/Folhapress

A implosão da direita: anatomia do efeito Eduardo Bolsonaro

Publicado em 20 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

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Lula impõe freio de arrumação no PT e mira palanques fiéis para 2026 Publicado em 20 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet FacebookTwitterWhatsAppEmail Lula quer assegurar candidatura competitiva em Minas Bernardo Mello O Globo Em meio a impasses gerados pela abertura antecipada de uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e por atritos com o Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca promover um freio de arrumação em palanques do PT nos estados para as eleições de 2026. O objetivo é sinalizar mais rigor com parlamentares que se aproximaram do governo no início do mandato, mas que hoje atuam na contramão dos planos eleitorais do partido, e também assegurar candidaturas competitivas em estados como Minas e na região Nordeste, de olho na eleição presidencial e na governabilidade. PRINCIPAL NÓ – O cenário mineiro é o principal nó para Lula. Ele tem insistido em uma candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a governador, apesar de apelos da cúpula do Congresso e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para Lula indicá-lo à vaga do ex-ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou. Lideranças do PT avaliam que Pacheco é o candidato mais viável com disponibilidade para abrir palanque a Lula em Minas, que é o segundo maior colégio eleitoral do país. No entanto, em caráter reservado, uma ala do partido tem mostrado preocupação com a hipótese de Pacheco, caso preterido na corrida ao Supremo, se desanimar com a ideia de uma candidatura atrelada a Lula. Um aliado de Pacheco avalia que ele teria mais chances de se manter motivado caso a vaga de Barroso abrisse logo depois da eleição de 2026; nessa hipótese, segundo esse interlocutor, Lula poderia acenar com uma indicação ao Supremo em caso de derrota nas urnas, sugestão que agora perdeu força. A próxima aposentadoria prevista, do ministro Luiz Fux, só ocorrerá em 2028. AJUDA NAS URNAS – A ideia de Lula, por outro lado, é convencer Pacheco de que sua atuação na aprovação do Propag, programa para refinanciar estados endividados como Minas, e o apoio do presidente são fatores que o ajudarão nas urnas. A principal hipótese, caso ele seja candidato, é articular sua filiação ao MDB, como parte de uma aliança nacional do partido com Lula. — O plano A é o Pacheco. É um nome competitivo, que vai poder mostrar como agiu para resolver problemas sérios de Minas, como a dívida com a União. Também possibilita que a gente monte um palanque amplo, com capacidade de conversar com várias forças políticas — avaliou o deputado federal Rogério Correa (PT-MG). PLANO B – Em outra frente, integrantes do governo passaram a cortejar como plano B o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que se filiou na semana passada ao PDT. No mesmo dia, ele participou de um jantar com a presença da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), com quem conversou em tom amistoso. Há desconfianças, dentro do PT, sobre a viabilidade de uma aliança com Kalil, que tem rechaçado a ideia de fazer campanha colado a Lula. Interlocutores do ex-prefeito avaliam que o eleitorado do PT já tende a apoiá-lo, se Pacheco não for candidato, em um cenário no qual deve enfrentar dois aliados do bolsonarismo: o vice-governador Mateus Simões (Novo) — que negocia se filiar ao PSD — e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). ABERTURA – Kalil, por outro lado, tem boa relação com Pacheco e já sinalizou abertura a uma composição, na qual um dos dois poderia disputar o Senado. Procurado, o ex-prefeito disse que “não tratou de política” na conversa com Gleisi e que dialoga com a ministra desde a campanha de 2022, quando ele disputou o governo de Minas na aliança de Lula. — Nunca briguei com o PT. O que acontece é que há três anos eu não colocava a cara na rua. Agora estou trabalhando na minha pré-candidatura (ao governo), mas conversando com quem sempre conversei — declarou Kalil. IMPACTO DAS DEMISSÕES – De olho nessas dificuldades para a montagem de palanques nos estados, o Planalto fez uma leva de demissões, na última semana, atingindo parlamentares que, além de votarem contra o governo no Congresso, vêm atrapalhando planos do PT nos respectivos estados. Em Minas, por exemplo, foi demitido o superintendente de Agricultura, Everton Augusto Ferreira. Ele foi indicado pela bancada do Solidariedade, que tem mostrado apoio à candidatura de Mateus Simões ao governo. Também entraram na mira superintendentes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) na região Nordeste, indicados por parlamentares do União Brasil. Em Sergipe, conforme antecipou o portal Uol, o governo deve formalizar nos próximos dias a demissão do superintendente Thomas Jefferson Costa, indicado pelo ex-deputado André Moura (União-SE). Moura quer concorrer ao Senado na chapa do governador Fábio Mitidieri (PSD), que também deve contar com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A candidatura pode atrapalhar os planos de reeleição do senador petista Rogério Carvalho. VOTOS CONTRA – Filha de Moura, a deputada federal Yandra Moura (União-SE) votou contra o governo, há duas semanas, na derrubada da medida provisória (MP) alternativa ao IOF, que buscava recompor a arrecadação federal. Outro voto contrário ao Planalto na ocasião foi do deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA), que já havia desagradado Lula ao recusar um convite para ser ministro das Comunicações. Fernandes, que busca se cacifar como candidato ao Senado, viu a própria irmã, Lena Carolina, ser demitida da superintendência estadual do Iphan na semana passada, após a votação. Além de retaliação a Fernandes, a medida foi vista no estado como sinal de que o deputado não está entre as prioridades do Planalto. Um de seus concorrentes pela vaga ao Senado é o deputado licenciado, e hoje ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), que agradou o PT ao seguir no governo mesmo após receber ultimato de seu partido, que ordenara a entrega de cargos. ATRITO NA BASE – Em visita recente ao Maranhão, Lula pediu ao governador Carlos Brandão (sem partido) para pacificar disputas na base e garantir a unidade no palanque. Brandão trabalha para indicar o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como sucessor. Ele tem boa relação com Fernandes, mas aliados têm garantido apenas o apoio à reeleição do senador Weverton (PDT-MA), deixando em aberto a segunda vaga na chapa. O PT também pleiteia mais espaço nas conversas. Na Bahia e no Rio Grande do Norte, estados em que o União Brasil faz oposição ao PT, também houve demissões de superintendentes da Codevasf indicados por deputados do partido. A leva de cortes também atingiu uma diretora da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Ana Valda Galvão, que é aliada do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos). Correligionário do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Dias também é aliado do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição ao governo Lula. Marinho avalia se candidatar ao governo potiguar, contra o grupo da atual governadora Fátima Bezerra (PT), que tentará eleger sucessor. Publicado em Geral | 1 Comentário |

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