domingo, outubro 19, 2025

Servidores recebem até R$ 44 mil por mês só com gratificação por atividades extras

 Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Arquivo

Esplanada dos Ministérios, em Brasília; servidores ganham até R$ 44 mil só com gratificações19 de outubro de 2025 | 11:57

Servidores recebem até R$ 44 mil por mês só com gratificação por atividades extras

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Servidores recebem gratificações de até R$ 44 mil em um ú nico mês por encargos de curso ou concurso. O benefício é dado a profissionais que exercem atividades como elaboração de provas para certames ou instrução em oficinas. Com o adicional, os salários dos servidores ultrapassam o teto constitucional de R$ 46 mil.

Ao longo de 2024, o governo pagou R$ 55 milhões em gratificações. Segundo a pasta, 3,3% do total de servidores ativos no ano passado recebeu a gratificação, que teve um valor médio de R$ 1.350. Os dados são do MGI (Ministério da Gestão e da Inovação) e foram obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação).

Piragibe Tarragô, diplomata do MRE (Ministério das Relações Exteriores), ganhou gratificação de R$ 44 mil em dezembro por participar de bancas examinadoras, em que fez avaliação de teses e de arguição oral. Por causa do benefício, Piragibe teve um salário líquido de R$ 54 mil.

Já Caren Saccol, professora do Colégio Militar do Rio de Janeiro, recebeu R$ 41 mil de adicional por elaborar provas para o concurso de admissão ao colégio. Somado ao vencimento básico, à gratificação natalina e ao terço de férias, o salário bruto de Caren foi de R$ 82,8 mil, enquanto o líquido ficou em R$ 62,8 mil.

A mesma situação ocorreu com Valéria da Luz, também do Colégio Militar, que ganhou adicional de R$ 37,9 mil devido à sua atuação no concurso para a escola. Ela recebeu salário líquido total de R$ 60,9 mil.

Em nota, o MRE afirma que a gratificação paga a Piragibe foi dada devido à participação dele como membro de banca de um curso para diplomatas.

Já o Exército, responsável pelo Colégio Militar, afirma que Caren Saccol e Valéria da Luz têm título de mestrado e reconhecimento de saberes e competências, além de terem recebido, naquele mês, 13º e férias acrescidas de terço constitucional.

A gratificação é calculada com base em um decreto publicado pelo MGI. O texto estabelece que os servidores têm direito a um percentual do maior vencimento básico da administração pública federal por hora trabalhada nas atividades que podem receber gratificação.

O valor deve corresponder a um percentual entre 0,3% e 1,47% do maior vencimento básico da administração pública, de R$ 29.760,95. Há atividades em que o benefício é maior, como instrução em curso de formação de carreiras, enquanto outras, como aplicação de provas, dão direito a um adicional menor.

Por exemplo: um professor universitário com doutorado que orientar uma tese de pós-graduação pode ter direito a um benefício de 1,47% do maior salário. Caso ele se dedique por 20 horas a essa função, receberá R$ 8.749 ao fim do período.

Segundo o MGI, cada órgão federal pode estabelecer sua própria tabela com base em seus objetivos institucionais e orçamento. No entanto, o valor está sujeito ao limite previsto no decreto.

No ano passado, foram gastos R$ 55 milhões com a concessão do benefício para servidores, segundo os dados do MGI. Dentre os cargos que recebem as maiores verbas, estão professores universitários e agentes da PRFs (Polícia Rodoviária Federal).

Para Humberto Falcão Martins, professor de gestão pública na FDC (Fundação Dom Cabral), a concessão desse tipo de gratificação pode se caracterizar como penduricalho, uma vez que permite adicionais por funções que já deveriam fazer parte do escopo de trabalho do servidor.

“Orientação de tese é algo que faz parte do conjunto de atribuições do cargo [de professor]. Criar uma gratificação para isso não faria muito sentido”, afirma “No setor privado, a orientação é parte inerente da atribuição do cargo. Não cabe adicional por conta disso. Mas a tendência é de ler esse caso como um mecanismo clássico de tentar ampliar o espectro remuneratório das ocupações no setor público.”

Em nota, o MGI afirma que o valor é um investimento em capacitação e na transferência de conhecimento de um servidor para outro, algo capaz de fortalecer o Estado e permitir formação de profissionais comprometidos com inovação.

Em nota, a CGU afirma que a gratificação de R$ 38 mil dada a Kátia Sousa tem amparo legal e foi dada devido a sua atuação como instrutora e facilitadora de oficinas, entre abril e setembro de 2024. Foram, segundo o órgão, aproximadamente 175 horas dedicadas a função.

Segundo o Ministério do Trabalho, o benefício também está de acordo com a legislação vigente para valorizar competências internas. Robson Mota, que obteve R$ 37 mil, foi contemplado por ministrar cursos no ministério, em atividades que totalizaram 160 horas.

Já a Enap (Escola Nacional de Administração Pública) afirma que o benefício dado a Isabelle França, de quase R$ 37 mil, foi devido a uma prestação de serviço profissional especializado, para elaborar o projeto pedagógico de um curso da instituição.

Paula Simões é servidora da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas estava cedida à ANM (Agência Nacional de Mineração) quando recebeu o benefício de quase R$ 35 mil. Segundo a ANM, as atividades exercidas por Paula são de natureza extraordinária, realizadas fora da jornada regular de trabalho.

Em nota, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) afirma que a gratificação é prevista em lei quando não há prejuízo das atribuições de cargo. A agência afirma que os servidores que aparecem na lista dos que mais receberam estavam cedidos a outros órgãos, mas não entrou em detalhes sobre quais, mesmo após pedido da reportagem.

O Ministério do Planejamento afirma que a gratificação dada a Luiz Guilherme Henriques, que aparece como recebedor de R$ 33 mil no ano passado, foi devido a atividades desenvolvidas para a Enap, no curso de formação de Analista de Planejamento e Orçamento.

Luany Galdeano, Folhapress

Milhares protestam contra Trump nos EUA, e NY tem 100 mil nas ruas

 Foto: X/Reprodução/ND

Entidades esperavam 2.600 marchas 'No kings' (sem reis) nos 50 estados; republicanos chamam atos de 'ódio à América'19 de outubro de 2025 | 10:24

Milhares protestam contra Trump nos EUA, e NY tem 100 mil nas ruas

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Milhares de manifestantes tomaram as ruas de várias cidades dos Estados Unidos em protestos contra políticas vistas como autoritárias do presidente americano, Donald Trump, neste sábado (18).

A manifestação, chamada “No kings” (sem reis) e organizada por vários grupos civis, critica medidas do republicano relativas à imigração, educação, saúde e segurança que estão levando o país por um caminho autocrático, segundo os manifestantes. Entidades participantes esperavam cerca de 2.600 focos de protesto em todos os 50 estados do país.

As marchas —grandes e pequenas, em cidades, subúrbios e localidades menores— ocorrem após outros protestos massivos semelhantes, em junho, e refletem a frustração de parte da população com uma agenda que Trump implementou com velocidade sem precedentes e atropelando mecanismos democráticos desde que voltou à Casa Branca, em janeiro.

Somente na capital, os organizadores do protesto “No kings” esperavam reunir cerca de 100 mil pessoas. Os manifestantes, muitos deles idosos e crianças, tomaram uma das principais avenidas da cidade, a Pensilvânia, e marcharam em direção ao National Mall, no sentido do Capitólio.Em Nova York, segundo a polícia, 100 mil pessoas foram às ruas, sem episódios de violência. Outras grandes cidades, como Boston, Chicago e Atlanta também viram milhares de manifestantes.

Nos cartazes, em Washington, havia uma série de demandas. Desde “proteja os imigrantes” e “pare de matar venezuelanos”, a pedidos por mais atenção ao sistema de saúde e, principalmente, contra o estilo autoritário do presidente americano.

Christine, 30, que preferiu não informar o sobrenome, viajou 6 horas da Virgínia Ocidental à capital para o protesto. Ela foi parte do Exército por 6 anos e deixou o serviço militar há 4. Para ela, Trump tem abusado de seus poderes ao perseguir imigrantes e promover demissões em massa no governo federal.

Ann Apfel, 80, empresária, avalia que Trump tem promovido retrocessos no sistema de saúde. “Ele tem incentivado as pessoas a não se vacinar. Nós havíamos erradicado o sarampo. E agora, com as instruções dele, há chances de diversas crianças adoecerem novamente”, diz, entre outras reclamações sobre o governo.

Wolanda Wilson, 53, também de Virgínia , analista de empresas, diz que Trump está perseguindo ilegalmente moradores do país. “Não queremos as pessoas desaparecendo. Ele está indo atrás daqueles que sustentam nosso país, os imigrantes”, afirma. Na capital, o protesto começou a se dispersar, sem episódios de violência, por volta das 14h30 (15h30 no horário de Brasília).

Os primeiros eventos deste sábado começaram fora dos EUA, com centenas de manifestantes reunindo-se em frente à embaixada americana em Londres e mais algumas centenas realizando manifestações em Madri e Barcelona.

Na manhã de sábado no norte do estado de Virgínia, manifestantes caminhavam em passarelas sobre estradas que levam à capital e várias centenas de pessoas se reuniram próximo ao Cemitério Nacional de Arlington, perto de onde Trump considera construir um arco, semelhante ao Arco do Triunfo de Paris.

Desde que Trump voltou à Presidência, seu governo intensificou a fiscalização da imigração com ações de agentes mascarados e sem identificação, agiu para reduzir o funcionalismo público federal e cortou financiamento para universidades.

Residentes em algumas grandes cidades viram também tropas da Guarda Nacional serem enviadas pelo presidente, que argumenta que elas são necessárias para proteger agentes de imigração e ajudar a combater o crime —a Califórnia e o governo local de Washington, por exemplo, processaram a gestão federal por isso, afirmando que o envio das tropas por esses motivos não tinha base legal.

“Não há nada mais americano do que dizer ‘não temos reis’ e exercer nosso direito de protestar pacificamente”, afirma Leah Greenberg, cofundadora do Indivisible, entidade que é uma das principais organizadoras das marchas “No Kings”.

Trump mencionou muito pouco os protestos de sábado em declarações recentes. Em uma entrevista à Fox Business transmitida nesta sexta-feira (17), ele disse que “estão se referindo a mim como um rei —eu não sou um rei”.

Mais de 300 grupos ajudaram a organizar as marchas de sábado, diz Greenberg. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) informou que ofereceu treinamento jurídico amilhares de pessoas que atuarão como coordenadores nas várias marchas, e que essas pessoas também foram treinadas em técnicas para reduzir a tensão em protestos. Anúncios e informações sobre as marchas inundaram as redes sociais para impulsionar a participação.

O senador Bernie Sanders, ex-democrata e agora independente, que se dirigiu a manifestantes em Washington em púlpito, e a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, apoiaram as marchas, assim como a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que perdeu a eleição presidencial de 2016 para Trump. Em Chicago, cidade tradicionalmente democrata e alvo de ameaças de Trump, o governador do estado, J. B. Pritzker, participou das manifestações.

Em junho, mais de 2.000 protestos sob o lema “No kings” ocorreram, em sua maioria pacificamente, no mesmo dia em que Trump comemorou seu aniversário de 79 anos e realizou um desfile militar em Washington.

Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, republicano e aliado de Trump, ecoou na sexta-feira uma mensagem comum entre membros do Partido Republicano sobre os protestos.

“Amanhã, os líderes democratas vão se juntar para uma grande festa no National Mall”, disse Johnson em uma entrevista coletiva na sexta-feira. “Eles vão descer sobre nosso Capitólio para seu tão antecipado, assim chamado comício ‘No Kings’. Nós nos referimos a ele por sua descrição mais precisa: o comício de ódio à América.”

Dana Fisher, professora da Universidade Americana em Washington e autora de vários livros sobre ativismo americano, previu que o sábado poderia ver a maior participação em protestos na história moderna dos EUA —ela esperava que mais de 3 milhões de pessoas vão às ruas, com base em registros e participação nos eventos de junho.

“O principal objetivo deste dia de ação é criar um senso de identidade coletiva entre todas as pessoas que sentem que estão sendo perseguidas ou estão ansiosas devido à gestão Trump e suas políticas”, disse Fisher. “Isso não vai mudar as políticas de Trump. Mas pode encorajar servidores eleitos em todos os níveis que fazem oposição a Trump.”

Julia Chaib, Folhapress

Grupo jurídico diz esperar reciprocidade da direita em aprovação a Messias por apoio dado a Mendonça

 Foto: Victor Piemonte/STF/Arquivo

O advogado-geral da União, Jorge Messias, em sustentação oral no STF no caso da uberização19 de outubro de 2025 | 12:24

Grupo jurídico diz esperar reciprocidade da direita em aprovação a Messias por apoio dado a Mendonça

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Integrantes do governo Lula e aliados do presidente dizem esperar reciprocidade de senadores de oposição no processo de aprovação do novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente se for confirmada a indicação do ministro Jorge Messias, da Advocacia Geral da União (AGU).

Eles citam o apoio dado em 2021 a André Mendonça, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro.

Grupo alinhado a Lula, o Prerrogativas, que reúne juristas progressistas, não fez campanha contra Mendonça na época, com o argumento de que a escolha era um direito constitucional do presidente. Posteriormente, a entidade se aproximou do ministro e chegou a organizar um jantar em homenagem a ele.

“O PT respeitou indicações que o Bolsonaro fez. Havia uma previsão constitucional, que estava sendo respeitada. No caso do André Mendonça, nós trabalhamos muito para que o direito e o dever de fazer a escolha, que são uma prerrogativa constitucional do presidente, pudessem ser respeitados e não usados inclusive contra nós posteriormente”, diz Marco Aurélio Carvalho, coordenador do Prerrogativas.

Fábio Zanini, Folhapress

Nomes tradicionais da política baiana se reinventam com partidos nanicos e tentam reaver protagonismo na disputa eleitoral de 2026

 Foto: Divulgação/Arquivo

Colbert Martins e José Carlos Aleluia19 de outubro de 2025 | 17:16

Nomes tradicionais da política baiana se reinventam com partidos nanicos e tentam reaver protagonismo na disputa eleitoral de 2026

exclusivas

Contemporâneos da Câmara dos Deputados no início dos anos 2000, Colbert Martins e José Carlos Aleluia se reapresentam para 2026 a fim de reaver o protagonismo que já tiveram na cena política da Bahia. Mas diferente das legendas tradicionais que pavimentaram suas trajetórias – Aleluia no PFL/DEM e Colbert no MDB/PPS -, ambos ressurgem agora em partidos de menor expressão, nos nanicos DC e Novo, respectivamente, como presidentes do diretório estadual.

Prestes a completar 78 anos, Aleluia propôs um voo mais alto e já anunciou que é pré-candidato ao governo da Bahia, numa evidente ocupação de terceira via deixada por João Roma (PL), que recompôs a aliança com ACM Neto (União Brasil) a fim de unificar as oposições contra o PT na próxima eleição.

Aos 73, Colbert rascunha o plano de ser candidato a deputado federal, embora já tenha sinalizado que seus passos como presidente do DC estarão sincronizados com os de ACM Neto, a quem antecipadamente já declarou que apoiará.

“Não é a questão apenas de ter o partido, é a questão de definir com o grupo quais são as estratégias que possam ser colocadas para que se tenha a possibilidade de discutir as candidaturas como um todo, deputados federais, deputados estaduais, as candidaturas de apoio, e nós vamos apoiar ACM [para o cargo de governador], não tenho a menor dúvida disso também”, disse Colbert em recente entrevista ao programa feirense Acorda Cidade.

Colbert foi as urnas pela última vez em 2020, quando conseguiu uma virada em segundo turno sobre Zé Neto (PT) na disputa pela prefeitura de Feira de Santana, herdada como vice em 2018 em razão da saída de Zé Ronaldo (União Brasil) para disputar o governo da Bahia aos 45 do segundo tempo.

Já José Carlos Aleluia foi à urna pela última vez em 2018 em sua frustrada tentativa de reeleição para o sétimo mandato de deputado federal, quando viu sua votação despencar de 101.924 votos obtidos em 2014 para 68.257 naquele ano.

Em exclusiva entrevista ao Política Livre, quando anunciou sua pré candidatura ao governo, Aleluia disse que estava de volta ao jogo “porque o time estava perdendo demais” e mais recentemente afirmou que vai abrir diálogo com ACM Neto porque “fazer oposição isolada na Bahia é um erro”, defendendo uma estratégia mais ampla que considere o cenário nacional.

Além de suas respectivas pré-candidaturas, Aleluia e Colbert terão, como presidentes estaduais, a tarefa de montar uma nominata para alcançar o feito de emplacar pela primeira vez um dos seus filiados na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e na Câmara Federal.

 

Leia também: Entrevista – José Carlos Aleluia: “Na Bahia, não há ambiente favorável para nada de expansão, de crescimento, desenvolvimento, de geração de emprego”.

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