sábado, outubro 18, 2025

Nos 124 anos de Helio Fernandes, leia um artigo de Sebastião Nery sobre ele

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Morre o jornalista Helio Fernandes, aos 100 anos - Janela ...

Helio Fernandes trabalhou até morrer, aos 100 anos

Carlos Newton

Helio Fernandes, o maior jornalista brasileiro, teria completado nesta sexta-feira 124 anos. Vamos transcrever este artigo de Sebastião Nery, escrito em 1977 e inserido no seu livro “Ninguém me contou; Eu Vi – De Getúlio a Dilma”.

O artigo trata de um personagem da história da imprensa brasileira que se notabilizou pela combatividade e, também, pelo idealismo, em tempos difíceis nos quais o idealismo predominava acima de interesses pessoais.

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O GUERRILHEIRO DA NOTÍCIA

Sebastião Nery

No fim de 1968, já cansado do anonimato profissional na editoria política da TV Globo, entrei de manhã no escritório de José Aparecido, no edifício Avenida Central, encontrei Hélio Fernandes conversando sobre as amarguras de um jornal de opinião em um regime de exceção.

– Você, por exemplo, Nery, por que não escreve na “Tribuna da Imprensa?

– Sou nordestino de Jaguaquara. Lá na minha terra a gente só entra na casa dos outros se for convidado. Não escrevo porque você nunca me convidou.

– Pois está convidado. Quando quer começar?

– Hoje. Quanto você me paga?

– Nada. A “Tribuna” não tem dinheiro para um profissional como você. Mas tem toda a liberdade que você quiser usar.

À noite, estava eu na redação da “Tribuna da Imprensa”, na rua do Lavradio, no Rio, entregando minha primeira coluna. Escrevi durante dez anos, todos os dias. Nunca Hélio Fernandes viu a coluna antes, nunca me pediu para mudar nada. Às vezes discordava depois, discutíamos, eu tocava em frente. Com a liberdade que era o meu salário.

Para usar um adjetivo muito dele, um diretor do jornal exemplar. Não fora a censura, eu estaria lá até hoje, dando meu recado político. Como lá estariam Paulo Francis, Oliveira Bastos, Monserrat, Evaldo Diniz, Genival Rabelo, tantos outros. Mas voltaremos.

O engenheiro Joaquim Cardozo, o poeta genial do cálculo e do verso, é quem melhor localizou, em um poema seco, o campo de trabalho do jornalismo: “As coisas estão se reunindo por detrás da realidade. O jornalista é o homem que assiste à reunião das coisas por detrás da realidade. Vai lá e as flagra no seu quente instante. E conta, quer gostemos delas ou não”.


Na guerra das exonerações, Lira vira alvo e Motta aposta em vácuo de poder

Publicado em 18 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Exoneração de indicados do Centrão pode dar mais poder a Motta

Octavio Guedes
G1

A exoneração de indicados do Centrão pelo governo Lula (PT) após a derrota na votação da Medida Provisória (MP) que aumentava tributos não está desagradando todos os integrantes do bloco.

Quem deve estar gargalhando por dentro (com todo respeito, é lógico) com essa espécie de Comando de Caça ao Centrão é o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

RECLAMAÇÃO – Motta sempre reclamou não ter sob o seu controle as ferramentas para ter o comando efetivo da Câmara. Isso porque a distribuição dos cargos entre os partidos do Centrão no governo Lula, leva a assinatura do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que também sempre teve influência na distribuição das emendas.

O sonho de Motta é passar a ter controle sobre esses instrumentos e, finalmente, comandar a Câmara. Esse sonho, entretanto, não necessariamente vai se tornar realidade. Nas exonerações feitas até agora, o governo Lula tem poupado afilhados de Lira, como o presidente da Caixa Econômica Federal, como mostrou esta reportagem do G1.

“Não dá para mexer com Lira, sem saber se o projeto de lei que isenta de IR quem ganha até R$ 5 mil vai voltar para a Câmara, onde ele é o relator. Se for aprovado pelo Senado sem alterações e não voltar para Câmara, o governo fica menos dependente do Lira”, explica um integrante do governo.

O principal espaço da FLICA convida escritoras nacionais e internacionais como a baiana Lili Almeida e a peruana Gabriela Wiener

 




Fabio Costa Pinto: Bárbara Carine (Foto: Gabriel Cerqueira) e Manuela D’Ávila (Foto: Theo Tajes)

 Fabio Costa Pinto: Bárbara Carine e Manuela D’Ávila são escritoras confirmadas na Tenda Paraguaçu da FLICA 2025


O principal espaço da FLICA convida escritoras nacionais e internacionais como a baiana Lili Almeida e a peruana Gabriela Wiener


Na sua 13ª edição, a Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA renova o propósito da Tenda Paraguaçu, maior espaço do evento, de ser um território fértil de encontros, onde a palavra desperta pensamentos, diálogos e debates construtivos. Entre 23 e 26 de outubro, a Tenda se transforma em um grande palco da força das mulheres na literatura e na educação da América Latina, reunindo mesas de destaque como “Desafiar”, no dia 24 (sexta-feira), com participação de Bárbara Carine e Manuela D’Ávila, e “Da leveza e da força”, no dia 25 (sábado), que recebe Lili Almeida e a escritora peruana Gabriela Wiener.


Na sexta-feira (24), às 10h, a mesa “Desafiar”, com mediação da professora e reitora da UFRB, Georgina Gonçalves, tem tudo para cumprir seu título e desafiar o público a refletir junto com duas vozes altamente potentes, importantes e profundas no cenário do pensamento social brasileiro atual. Para Wesley Correia, curador da Tenda Paraguaçu, será uma mesa marcada pela ousadia e pela coragem de mulheres inspiradoras que reafirmam o compromisso com a transformação social. 


“Essa é uma mesa de mulheres com grande capacidade de incursão na sociedade e, juntas, Bárbara Carine e Manuela vão provocar o público a pensar em como é possível desafiar essa ordem secularmente estabelecida, marcada pelo patriarcado, machismo, racismo, misoginia, enfim, por muitas estratégias de segregação. Então a ideia é desafiar a ordem vigente, desafiar o tempo presente, que se mostra um tanto quanto assustador, na medida em que vemos posturas muito reacionárias e conservadoras se recrudescerem no Brasil e no mundo”, comenta Wesley Correia, curador da Tenda Paraguaçu.


Contra as múltiplas superficialidades - Autora de diversos livros, como o best‐seller Como ser um educador antirracista, vencedor do prêmio Jabuti 2024 na categoria Educação, a baiana Bárbara Carine é também professora, empresária, palestrante, sócia-idealizadora da Escola Maria Felipa, primeira escola afro-brasileira do país, além de influenciadora digital com o perfil “Uma intelectual diferentona”. A escritora adianta que, durante a mesa, vai caminhar pelas suas obras, ao mesmo tempo que fala sobre pautas necessárias que já vem levantando ao longo da sua trajetória, a exemplo da educação antirracista e da representatividade negra na literatura e nas ciências.


Enquanto uma pessoa que vive na linha tênue entre educação e influência digital, Bárbara Carine compreende que o maior desafio para a leitura do mundo atual é o imediatismo e a celeridade do acesso ao conhecimento. “As pessoas têm as urgências de sempre, mas elas cada vez mais têm menos tempo. O conhecimento, requer degustação, tempo de maturação, mas as pessoas vivem de vídeos, cada vez mais curtos, construindo uma vida a partir de múltiplas superficialidades, não se dá mergulhos profundos em muita coisa hoje em dia. A nossa juventude tem sido formada a partir desse paradigma nas redes sociais”, pontua.


No entanto, a educadora afirma que a leitura e as mídias sociais não são contraditórias, e sim complementares. “Eu acredito que devemos reforçar a importância da literatura, sem desconsiderar o avanço do mundo em outras direções. É importante pautar a relevância da literatura para o desenvolvimento humano, o nosso intelecto, os instrumentos do pensamento, para a cognição e a capacidade da escrita. E ter espaços como a FLICA evidencia isso, colocando a leitura em praça pública”, ressalta.


Para agregar ao bate-papo, Manuela D’Ávila trará do Rio Grande do Sul a sua bagagem de jornalista, escritora, ativista feminista, mestra e doutoranda em Políticas Públicas. Com uma trajetória consolidada na política, já foi a vereadora mais jovem de Porto Alegre, deputada federal, estadual e concorreu à vice-presidência do Brasil em 2018, se mostrando sempre muito firme na defesa da democracia, dos direitos das mulheres e no enfrentamento às desigualdades. 


Mulheres fortes, escrita leve - Outra mesa muito esperada pelo público acontecerá no sábado (25), às 9h, quando a escritora baiana Lili Almeida encontra a escritora peruana Gabriela Wiener para uma conversa conduzida pela jornalista e poeta Kátia Borges. “Da leveza e da força” promete ser uma mesa em que temas fortes e sensíveis serão tratados de maneira leve a partir da reunião de duas escritoras intensas, cada uma resguardando as suas particularidades.


Lili Almeida conquistou notoriedade principalmente por meio de suas redes sociais, onde compartilha vídeos motivacionais, repletos de metáforas, conselhos e reflexões profundas sobre a vida. Com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, a chef baiana transformou seus ensinamentos no livro “A gente merece ser feliz agora”, lançado em 2024. Além de chef, criadora de conteúdo e escritora, Lili é apresentadora do quadro "Da Manga Rosa", no canal GNT, onde ensina receitas da culinária do Norte e Nordeste brasileiro, com ingredientes afrodisíacos e poesia.


Jornalista e escritora peruana radicada em Madri, Gabriela Wiener é uma das vozes mais ousadas da nova geração de escritoras latino-americanas. Ativista irreverente e provocadora, escreve regularmente para a imprensa espanhola, e distingue-se pela sua escrita autêntica e direta, que não teme quebrar barreiras, derrubar tabus e abordar temas íntimos e controversos de forma franca e destemida. Foi colunista do New York Times em espanhol, editora-chefe da Marie Claire Espanha e ganhou o Prêmio Nacional de Jornalismo do Peru pelo seu trabalho de investigação sobre a violência contra as mulheres. Na Espanha, faz parte do Sudakasa, um projeto coletivo de arte e escrita de migrantes. 


“A escrita de Lili Almeida é muito voltada para o campo da gastronomia e da cultura, que traz memórias, afetos, vozes da negritude e da baianidade. O conteúdo dela transita entre a delicadeza e a capacidade de reafirmar a força da identidade negra em territórios simbólicos. Ao seu lado, temos a Gabriela Wiener, uma voz feminina potente que tem tratado em sua obra questões de corpo, sexualidade, maternidade e identidade, de forma muito profunda e corajosa. Essa mesa promete ser um momento de muita reflexão e de muita escuta por parte do público, porque o que essas mulheres têm a dizer são coisas importantes sobre o significado de viver e de escrever sendo mulher na Bahia, no Brasil, na América Latina”, avalia o curador Wesley Correia.


PROGRAMAÇÃO - Durante os quatro dias de evento, também marcarão presença outros nomes de peso na Tenda Paraguaçu, como Russo Passapusso, em participação como palestrante ao lado de Rita Batista e Marielson Carvalho na mesa de abertura “Ler é Massa!”; Mário Kertész, Nelson Pretto, Franciel Cruz e Mariana Paiva na mesa “A gente ri, a gente chora”; Lirinha, como convidado especial do “Sarau Vozes do Recôncavo”; Aline Midlej, uma das palestrantes da mesa “Nossas Vozes como a noite estrelada”; Lívia Natália, dividindo com Roseana Murray e Edma de Góis a mesa “Ser Poesia”; Mestre Bule-Bule, cordelista, repentista e figura emblemática da cultura popular nordestina;  e o escritor palestino Atef Abu Saif, entre as atrações internacionais.


TODOS NA FLICA - Todos os espaços apresentam indicação etária livre e contam com acessibilidade. As atividades acontecerão em espaços distintos, todos com rampas de acesso e sanitários químicos para pessoas com deficiências.

 

A Tenda Paraguaçu, Geração Flica, Fliquinha, o espaço Bahia Presente e o Palco Ritmos terão intérpretes em libras visíveis, de frente para a plateia. Produtores estarão em cada espaço para acompanhar pessoas com deficiência e fornecer informações. Para as mesas literárias com autores estrangeiros, serão disponibilizados a todos, incluindo os deficientes visuais, fones de ouvido com áudio da tradução em português.


A 13ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz), Caixa e Governo Federal. É contemplado também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada da SecultBA, e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da EMBASA. A realização é da SCHOMMER, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cachoeira e LDM (livraria oficial do evento).


SERVIÇO:

TENDA PARAGUAÇU - FLICA 2025

Quando: 23 a 26 de outubro

Onde: Beira do Rio Paraguaçu, Cachoeira-BA


Assessoria de imprensa: Viva Comunicação Interativa - Tatiana Freitas 


Divulgação: Fábio Costa Pinto jornalista Mtb 33.166/RJ

PGR diz que anistiar crimes contra a democracia é incompatível com a Constituição

 Foto: Mário Agra/ Câmara dos Deputados/Arquivo

O procurador-geral Paulo Gonet18 de outubro de 2025 | 08:49

PGR diz que anistiar crimes contra a democracia é incompatível com a Constituição

brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do procurador-geral Paulo Gonet, defendeu que a anistia a condenados por crimes contra a democracia, como no caso dos acusados por atos que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, seria inconstitucional.

Gonet destacou que a anistia “não encontra respaldo constitucional”, mas afirmou que as articulações políticas em favor da proposta não configuram crime. “Não constituem ilícito penal e estão dentro dos limites da liberdade de expressão”.

“Não obstante a matéria referida não encontre respaldo constitucional (art. 5º, incisos XLIII e XLIV, da Constituição), a noticiada articulação política não constitui ilícito penal, tampouco extrapola os limites da liberdade de expressão, que é consagrada e balizada pelo binômio liberdade e responsabilidade”, afirmou Gonet, durante uma manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração foi apresentada no contexto do pedido de arquivamento de uma ação contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), protocolada pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP). A representação foi motivada por uma fala de Tarcísio contra o ministro Alexandre de Moraes e em razão da articulação do governador pelo PL da Anistia. Na Avenida Paulista no dia 7 de setembro, o governador declarou: “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como o [Alexandre de] Moraes”. Para Falcão, a frase representaria uma tentativa de obstrução de Justiça e um “ato antidemocrático”.

Na manifestação, Gonet ainda citou dois dispositivos constitucionais que fundamentam a vedação à anistia. O primeiro (art. 5º, XLIII) afirma que “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos”.

O segundo (art. 5º, XLIV) define como “crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”.

Em consonância com o parecer da PGR, o ministro Moraes seguiu o entendimento de Paulo Gonet e determinou o arquivamento do processo contra Tarcísio.

Bruna Rocha, Estadão Conteúdo

Após a vitória do IR, Lula força nova disputa e põe à prova seu fôlego político

Publicado em 17 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Lula parece disposto a testar cacife recém-adquirido

Vera Magalhães
O Globo

Lula está diante de um daqueles momentos-chave na trajetória de um governo. No prazo de uma semana, colheu sua maior vitória no Congresso e uma derrota considerável. Agora, parece disposto a testar o cacife que acumulou nas últimas rodadas do jogo da política. Trata-se de movimento ousado.

A maior vitória foi a aprovação rápida e unânime da reforma do Imposto de Renda na Câmara. Uma conjunção astral rara permitiu aquele resultado: a ousadia dos deputados uma semana antes, ao se lambuzarem com a PEC da Blindagem, levou uma multidão às ruas contra a sem-vergonhice na política, algo que não acontecia havia muito tempo. O jeito para os senhores deputados foi enfiar a viola no saco e dar ao presidente seu principal trunfo eleitoral.

META FISCAL –  Menos de uma semana depois, os mesmos parlamentares viram a chance de se vingar com a luz apagada. Aproveitaram que a Medida Provisória para fechar a meta fiscal estava prestes a caducar e deram um jeito de empurrá-la do barranco.

Como num livro de detetive à Agatha Christie, muitas mãos agiram para derrubar a MP: a direita e o Centrão, inconformados com a derrota na blindagem e com o fato de terem dado de lambuja a Lula a isenção de IR para milhões de eleitores; os lobbies das bets, fintechs e do agro; e os governadores-candidatos, que chegaram a ameaçar bancadas caso não fechassem questão contra a medida que daria mais alguns bilhões ao governo em pleno ano eleitoral.

Agora, Lula está disposto a dobrar a aposta e enviar ao mesmo Congresso uma nova proposta para alcançar os cerca de R$ 20 bilhões que a equipe econômica estima faltar para manter o arcabouço fiscal em pé. Ele tem dito a interlocutores que essa é uma briga que vale a pena comprar porque a Câmara está com a imagem para lá de afetada.

PUNHADO DE CARTAS – Também acredita que contará com o apoio do Senado e acha que tem em mãos um bom punhado de cartas, com o discurso da justiça tributária, a defesa da soberania nacional e o fato de os Estados Unidos terem acenado com um acordo. Tudo isso dado de bandeja ao petista pela oposição bolsonarista, diga-se.

O problema é que o arsenal de medidas reunido para a nova investida é uma variação das mesmas que enfrentaram essas forças descritas acima: taxação de fintechs e bets, aumentos pontuais de IOF (também já rechaçados), mudança na incidência da Cide.

O expediente de ficar vasculhando escaninhos em busca de mais arrecadação já se mostrou infrutífero e tem sido fonte de profundo desgaste para Lula. O discurso de que ele seria uma espécie de Robin Hood dos tributos procurando fazer os malvados pagarem o que devem tem alcance eleitoral bastante limitado — certamente não foi isso, mas sim as barbaridades de Eduardo Bolsonaro e companhia, que deram a Lula o respiro que ele desfruta nas pesquisas.

CAUTELA – Querer usar as poucas moedas amealhadas em setembro e outubro para testar o cacife à base de medidas impopulares, que invariavelmente levarão à mobilização dos mesmos que agiram para derrubar a MP 1303 há apenas alguns dias, não parece cauteloso. Denota um salto alto semelhante ao que explica a derrota da Seleção Brasileira para o outrora inofensivo Japão no amistoso desta terça-feira.

Certamente o projeto do IR tem o potencial de trazer ovos de ouro para Lula, mas eles não serão postos agora, e sim depois que o projeto passar pelo Senado. E no ano que vem, quando passará a surtir efeito no bolso dos contribuintes.

Outro evento que poderá render dividendos e, aí sim, fazer com que o caminho no Congresso desanuvie a ponto de permitir a aprovação de medidas arrecadatórias, é o sucesso da rodada de negociações com Donald Trump. Conviria ao governo trabalhar com afinco por esses trunfos antes de apostar tudo numa mesa de jogos para a qual não tem na mão cartas tão boas como parece acreditar.


Milícias digitais e golpe de Estado: o papel das plataformas na escalada extremista


Sob pressão e desgaste político, Centrão decidirá futuro de Eduardo Bolsonaro

Publicado em 17 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

O deputado “patriota” há meses age contra o Brasil

Catarina Scortecci
Folha

A decisão sobre a representação que tramita no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para cassar o mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nas mãos de um grupo de parlamentares ligados a partidos do centrão.

Na quarta-feira (8), o relator do caso, deputado Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG), leu seu parecer e recomendou o arquivamento da representação. Mas o colegiado só deve votar o parecer no dia 21. Se a maioria discordar do arquivamento, um novo relator será designado.

ARQUIVAMENTO – O conselho é formado por 21 deputados, mas o presidente, Fabio Schiochet (União Brasil-SC), não participa da votação. Entre os demais 20, 5 são deputados de PT, PDT e PSOL, que devem votar contra o arquivamento. Outros 4 parlamentares são do PL, que, somando com a posição do relator, dariam 5 votos a favor de Eduardo, endossando o arquivamento.

Os demais 10 deputados são filiados aos partidos PP, Republicanos, PSD, MDB, Podemos e União Brasil e podem dar votos tanto para rejeitar o arquivamento quanto para aprovar o parecer. Eduardo está nos Estados Unidos desde março, de onde comanda uma campanha por sanções para livrar Bolsonaro da prisão.

PREJUÍZO – O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), criticou-o nos últimos meses. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, disse que ele trouxe um “prejuízo gigantesco” para a direita para 2026.

Deputados do centrão ouvidos pela Folha preferiram não antecipar como devem votar e afirmam que vão estudar o assunto, mas fazem queixas sobre a atuação de Eduardo. Eles dizem ter liberdade dentro dos partidos para votar da forma que preferirem –e, reservadamente, afirmam que ninguém tem pedido pelo filho de Jair Bolsonaro (PL).

As queixas dizem respeito especialmente ao sumiço de Eduardo, embora as faltas injustificadas não estejam no escopo de análise do Conselho de Ética. Eles também dizem que viram com surpresa o voto do relator, já que era esperada ao menos a admissibilidade da representação, permitindo a possibilidade de discutir o mérito.

CASSAÇÃO – Protocolada por deputados do PT, a representação pede a cassação de Eduardo sustentando, entre outras coisas, que ele fez ataques reiterados ao STF (Supremo Tribunal Federal), atuou junto a autoridades estrangeiras para constranger instituições brasileiras e incitou contra o processo eleitoral ao afirmar que “sem anistia para Jair Bolsonaro não haverá eleição em 2026”. Já o relator afirmou que Eduardo apenas expôs visões críticas, em um “exercício da liberdade de expressão e opinião política em contexto de debates internacionais”.

O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), pediu que o presidente do conselho escolhesse um novo relator, argumentando que Freitas é próximo de Eduardo e apoia o ex-presidente, mas a solicitação foi rejeitada. Na sexta-feira (10), Lindbergh recorreu contra a decisão ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Outras três representações contra Eduardo aguardam uma decisão de Motta. O presidente do Conselho de Ética entende que as três peças são similares e pediu autorização do presidente da Câmara para juntá-las, para que o trâmite aconteça de forma conjunta.

AVAL DE MOTTA – Segundo ele, a representação da relatoria de Freitas tramitou isoladamente porque cita a declaração de Eduardo sobre a eleição de 2026, episódio não mencionado nas demais. Schiochet afirmou à Folha que aguarda o aval de Motta, que não tem um prazo para se manifestar.

Em paralelo às representações no Conselho de Ética, Eduardo também pode se tornar alvo da Mesa Diretora da Câmara em razão do número de faltas injustificadas.

A licença de 120 dias tirada por ele ao ir aos EUA terminou em 20 de julho e, desde então, ele não vai às sessões plenárias. A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado que se ausentar de um terço das sessões ordinárias do ano.

PUNIÇÃO – Mas, em tese, Eduardo não perderia o mandato em 2025 por excesso de faltas mesmo que deixasse de comparecer sem justificativa a todas as sessões até o fim deste ano. A punição só seria possível a partir de março de 2026, quando a Câmara analisa as ausências do ano anterior.

Para Eduardo, a perda do mandato via Conselho de Ética traria consequências maiores. A legislação não prevê inelegibilidade para o caso de cassação por faltas, determinada pela Mesa Diretora, diferentemente do que ocorreria se ele perdesse o mandato por decisão do plenário da Casa, após processo no Conselho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Essa cassação sem inelegibilidade vai ser uma novela sensacional, porque transcorre simultaneamente com cenas em dois países. Comprem bastante pipocas. (C.N.)

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