domingo, fevereiro 27, 2022

O fator nuclear na reaproximação Brasil-Rússia

 




10/02/2022

A energia nuclear foi um dos tópicos de destaque da visita de Estado do presidente Jair Bolsonaro a Moscou, com a possibilidade de a estatal russa Rosatom vir a desenvolver projetos relacionados à área no Brasil.

A empresa, com escritório no Rio de Janeiro (RJ) desde 2015, tem limitado a sua atuação no País ao fornecimento de radiofármacos e aguarda a licitação para a conclusão da usina nuclear Angra 3, esperada para o segundo semestre.

Em setembro, a Rosatom e a Eletronuclear assinaram um memorando de entendimento, contemplando a perspectiva de cooperação em diversas atividades, inclusive projetos de reatores modulares, economia do hidrogênio, pesquisa, desenvolvimento e inovação e outras áreas (Alerta Científico e Ambiental, 23/09/2021).

Um item mencionado pelo próprio presidente brasileiro em sua conversa com o colega Vladimir Putin foram os pequenos reatores modulares (SMR, na sigla em inglês). Em entrevista ao jornal Valor Econômico (18/02/2022), o presidente da Rosatom América Latina, Ivan Dybov, afirmou que a empresa vê potencial para desenvolver esse tipo de reatores no País, os quais permitem a implantação de usinas nucleares menores e projetos de geração de hidrogênio, uma das apostas para a transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo ele, os SMR podem ser uma solução para levar energia a regiões isoladas: “Uma grande usina é economicamente atraente para regiões que têm linhas de distribuição desenvolvidas e grande consumo de energia. Pequen os reatores são bons para áreas remotas. Na Rússia, construímos projetos em áreas não conectadas à rede e que entregam energia segura a preços acessíveis.”

Os SMR são reatores com potência entre 50 e 300 megawatts (MW), que, pelas menores dimensões e maior facilidade de construção, podem proporcionar uma maior flexibilidade ao sistema elétrico, facilitando o controle de injeção de energia nas redes.

A Rosatom é a única empresa no mundo que já opera reatores do tipo, além de ser a maior produtora de urânio enriquecido e operar usinas nucleares que respondem por quase 20% da eletricidade gerada na Rússia.

Dybov observa que o desenvolvimento dos SMR no Brasil contaria com a vantagem de o País contar com fornecedores de componentes locais. Para ele, há, também, potencial para projetos de reatores modulares flutuantes, como o que a Rosatom opera em Murmansk, no Norte da Rússia.

Apesar de o Brasil ainda não dispor de protocolos e regulamentos para a instalação desse tipo de reatores, Dybov diz que “vamos esperar a decisão do governo, enquanto continuamos a promover a tecnologia, que pode ser uma boa solução para o Brasil”.

Igualmente, ele mencionou a cooperação em projetos de hidrogênio: “Rússia e Brasil estão em posição similar nesse tema. Os dois países têm gás natural, que pode ser usado na produção de hidrogênio. A Rosatom opera energia eólica na Rússia, que pode ser fonte para produção de hidrogênio e é fonte forte no Brasil. Podemos nos ajudar.”

Integrante da comitiva presidencial, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, reafirmou que a Rosatom poderá ser uma das empresas integrantes do consórcio que concluirá a construção de Angra 3 e lembrou que os dois países já têm um acordo de cooperação na área energética, que poderá ser ampliado:

    O acordo entre Brasil e Rússia já existe. De cooperação no setor de energia. E o que nós estamos aqui trabalhando para que essa cooperação se fortaleça. Nós devemos participar do Fórum Econômico de S. Petersburgo, em junho, no setor de petróleo e gás, e a indústria brasileira de petróleo e gás. E acreditamos que possa haver uma cooperação muito grande, não só no campo técnico, mas também de investimento dos dois países no setor de petróleo e gás, já que a Rússia e o Brasil são grandes produtores de petróleo no mundo (O Globo, 16/02/2022).

No último dia 10, a Eletronuclear assinou o contrato com o consórcio Ferreira Guedes, Matricial e Adtranz, responsável pela mobilização do canteiro de obras e montagem eletromecânica parcial da usina. Uma futura licitação irá contratar a empresa ou consórcio que finalizará as obras civis e a montagem eletromecânica 

Agência Brasil / MSIa

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