A "MALDIÇÃO DOS CAPUCHINHOS" E O LUCRO QUE ENTERROU A NOSSA HISTÓRIA: O Caso Escandaloso do Casarão do Coronel João Sá
Por José Montalvão
Quem é de Jeremoabo conhece a famosa lenda da "Maldição dos Capuchinhos". Conta a tradição oral que, em séculos passados, frades capuchinhos foram hostilizados, perseguidos e até espancados por elites locais intolerantes. Ao deixarem a nossa terra, teriam profetizado que Jeremoabo só cresceria "como rabo de cavalo: para baixo". Mesmo o cidadão mais cético e menos supersticioso, ao andar pelas nossas ruas e testemunhar certos absurdos, é tentado a acreditar que essa praga ainda perdura. Afinal, as evidências do atraso e do descaso com o nosso patrimônio são inúmeras e saltam aos olhos.
No entanto, quando analisamos friamente os fatos, percebemos que o atraso de Jeremoabo não decorre de forças sobrenaturais, mas sim da falta de escrúpulos e da ganância de homens públicos que preferiram o lucro privado à preservação da nossa história. O exemplo mais doloroso e escandaloso dessa mentalidade tacanha envolve o trágico destino do Casarão do Coronel João Sá.
O Crime Contra o Patrimônio: O Parque de Exposição Destruído por Conveniência
Para entender o tamanho da heresia administrativa cometida na gestão do ex-prefeito Deri do Paloma, precisamos resgatar os bastidores da vinda da Escola de Tempo Integral para o município. O Governo do Estado da Bahia autorizou a construção desse importante equipamento e, como o município alegava não ter áreas disponíveis, o próprio Estado se prontificou a bancar a compra de um terreno — prática adotada em diversas outras cidades baianas.
Qualquer gestor com um pingo de amor por Jeremoabo e visão de futuro saberia exatamente onde instalar esse complexo educacional. O local perfeito era a área do antigo Casarão do Coronel João Sá, que já dava sinais de deterioração. Ali, o Estado poderia ter construído a escola de tempo integral integrada a uma biblioteca pública e a um museu municipal, salvando a estrutura histórica e revitalizando o centro urbano.
Mas por que essa opção óbvia foi descartada? A resposta é puramente financeira. A propriedade do Casarão pertence a um grupo de sócios: o próprio ex-prefeito Deri do Paloma, Marcos Dantas e o empresário Adalberto (Beto). Segundo os bastidores locais, a área foi adquirida com o objetivo de implantar um empreendimento imobiliário privado (um conjunto habitacional). Ou seja: o interesse comercial dos proprietários falou muito mais alto do que a memória de Jeremoabo.
Para não "atrapalhar" o futuro negócio particular, a gestão da época tomou uma decisão imoral: demoliu o único Parque de Exposição existente no município para erguer a escola. Destruiu-se um patrimônio público de apoio ao homem do campo para preservar uma área privada voltada ao lucro imobiliário.
"Vamos Deixar Cair": A Confissão do Descaso
O requinte de crueldade com a nossa história foi revelado recentemente em uma conversa com um dos sócios do imóvel, Adalberto (Beto). Preocupado com a deterioração galopante do prédio, Beto teria proposto ao então prefeito: "Vamos consertar o Casarão que a cada dia está se deteriorando". A resposta de Deri do Paloma, segundo o relato, foi um soco no estômago de todo jeremoabense:
"Não vamos fazer nada, vamos deixar cair."
E o plano cruel funcionou. Sem manutenção, o Casarão foi abandonado à própria sorte e, a cada dia que passa, transforma-se em um amontoado de entulho e ruínas. Na semana passada, em novo diálogo, o próprio Beto desabafou: "Rapaz, estou doido que o Município compre ou desaproprie o terreno do Casarão. Me sinto mal quando vejo um patrimônio de suma importância para Jeremoabo virar entulho".
Essas são as figuras que sobem nos palanques em época de eleição jurando amor eterno a Jeremoabo. Se dizem amar a cidade deixando o seu maior símbolo desabar por pura ganância, imagine se a odiassem!
O Apelo à Reconstrução: Tista de Deda e Neguinho de Lié
Felizmente, a era do "deixar cair" e da destruição deliberada ficou para trás. Jeremoabo vive um novo momento em 2026. Sob o comando técnico, responsável e de alta performance do prefeito Tista de Deda, a nossa cidade está sendo literalmente reconstruída, com as finanças saneadas e as contas rigorosamente aprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
Para quebrar de vez a "maldição do atraso" e resgatar a nossa dignidade, fazemos aqui um apelo público e veemente ao presidente da Câmara de Vereadores, Neguinho de Lié. O Poder Legislativo dispõe de autonomia e recursos orçamentários que podem — e devem — ser canalizados para ajudar o Executivo a viabilizar a desapropriação daquele terreno.
A Câmara Municipal tem o dever moral de intervir. Neguinho de Lié tem a chance histórica de liberar o apoio financeiro necessário para que o município resgate essa história que a gestão passada jogou na lata do lixo.
Conclusão: A História Exige Reparação
Os culpados pelas ruínas do Casarão já foram julgados pela opinião pública e pela história como homens que preferiram o cifrão à identidade de seu povo. Agora, cabe às novas lideranças do presente a tarefa da reparação histórica.
O Casarão do Coronel João Sá não pode virar pó definitivamente. Prefeito Tista e Presidente Neguinho de Lié, o povo de Jeremoabo aguarda a sensibilidade e a coragem de vocês para desapropriar aquela área, salvar a memória da nossa terra e provar, de uma vez por todas, que o amor por Jeremoabo se demonstra com atitude, e não com negócios de ocasião!
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Onde a verdade dói e a hipocrisia não se cria! Denunciando os negócios particulares que destruíram o nosso passado e cobrando a salvação do que resta da nossa história!