Publicado em 10 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Cazo (Blog do AFTM)
Carlos Newton
As notícias de que a Polícia Federal determinou o afastamento do perito João Cláudio Nabas, por vazamento de informações incriminando os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, indicam que integrantes da Suprema Corte realmente estão empenhados em evitar a punição dos envolvidos no escândalo do Banco Master.
O esquema segue o roteiro da ardilosa manobra feita em 2019, que conseguiu anular todas as condenações da Lava Jato, com base em provas ilegais apresentadas pelo hacker Walter Delgatti, contratado para gravar ilegalmente os celulares do então juiz Sérgio Moro e de procuradores federais
PROVAS ILÍCITAS – Destaque-se que, para destruir a Lava Jato, os ministros do STF aceitaram usar provas ilícitas sem ao menos periciá-las, e foi assim, desprezando as exigências legais, que rapidamente declararam uma suposta “imparcialidade” da força-tarefa da Lava Jato.
Com essa manobra, não somente anularam todas as condenações, mas também providenciaram que muitos bilhões de reais fossem devolvidos aos empresários corruptos.
Agora, no caso Master, o novo esquema de impunidade tentará se basear no vazamento de provas contra ministros, atribuído ao perito federal João Cláudio Nabas, além de outros argumentos que já estão sendo colocados por Gilmar Mendes, o decano do STF.
NO RODA-VIVA – Em recente entrevista no programa Roda-Viva, ao comparar o caso Master à Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes citou o vazamento de mensagens pessoais das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com sua então noiva Martha Graeff. Disse ele:
“O ministro André [Mendonça] libera uma ordem que havia sido dada pelo então relator no sentido de não permitir que a CPI [do INSS] fizesse aquela quebra de sigilo. E houve aquilo que nós conhecemos, a quebra de sigilo, inclusive de conversas íntimas e a revelação. […] Muitos vazamentos, prisões de familiares, são elementos que levam a pelo menos uma preocupação e similitudes com o que ocorreu anteriormente”.
O ministro também fez críticas sobre uma reunião de Mendonça com um advogado que lhe falou sobre delação premiada no caso do Master. “Na conversa que nós tivemos, por exemplo, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade. Por quê? A lei não permite que o relator ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui, já há algo de erro crasso.”
CONTESTADO NO ATO – O ministro foi imediatamente contestado pelos jornalistas, porque Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, discutia normalmente com advogados a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro, e assim Gilmar ficou numa saia justa no Roda-Viva.
Os jornalistas lembraram também que, na Lava Jato, um dos episódios mais emblemáticos envolveu a divulgação de escutas telefônicas de conversas entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, em 2016, quando ex-presidente estava respondendo a vários processos e teve seu celular grampeado judicialmente.
Lula, na época, foi impedido de tomar posse na Casa Civil por decisão do próprio Gilmar Mendes. O ministro aceitou usar como prova as gravações que tinham sido feitas com o prazo legal já encerrado e até citou os diálogos com a então presidente como argumento para a tese de “desvio de finalidade” na nomeação dele para ministro, para evitar ser preso por corrupção e lavagem de dinheiro, o que depois acabou acontecendo.
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P.S. – As situações não são semelhantes, mas o grupo de ministros integrado por Gilmar, Moraes, Toffoli e outros, sem a menor dúvida, fará o possível e o impossível para tumultuar o caso do Banco Master e garantir a mesma impunidade conseguida na Lava Jato. Para conseguir essa neta, porém, terão de neutralizar o relator André Mendonça, e isso não será nada fácil. (C.N.)