sábado, julho 04, 2026

EDITORIAL 06 de Julho Não se Apaga: Quem Tenta Reescrever a História Afronta a Memória de Jeremoabo

 


EDITORIAL

06 de Julho Não se Apaga: Quem Tenta Reescrever a História Afronta a Memória de Jeremoabo


Por José Montalvão


A história de um povo não é propriedade privada de governantes, não pertence a legislaturas passageiras e muito menos a interesses circunstanciais ou caprichos políticos. Ela pertence à coletividade. Foi esculpida pelo suor de gerações e exige ser preservada com respeito absoluto, responsabilidade e fidelidade inegociável aos fatos.

O dia 06 de julho, consagrado nos anais da República como a data da emancipação política de Jeremoabo, é muito mais do que um mero registro burocrático em um papel amarelado. É o marco definitivo da nossa autonomia, o nascimento da nossa soberania política e o símbolo da coragem daqueles que desafiaram as forças do poder constituído para garantir ao povo jeremoabense o direito sagrado de ditar o seu próprio destino.

Foi a determinação inabalável desses emancipadores que arrancou Jeremoabo da condição de mera dependência administrativa para erguê-la à dignidade de sua própria identidade. Esses homens não são apenas nomes no passado; são benfeitores que compreenderam que a liberdade política era a chave mestra para o desenvolvimento de toda a região. Não por acaso, do ventre da antiga e gigante Jeremoabo nasceram municípios pujantes como Monte Santo, Cícero Dantas, Tucano, Ribeira do Pombal, Glória, Santa Brígida, Sítio do Quinto e Coronel João Sá. Esse legado territorial colossal não é apenas vaidade geográfica: é a prova material da nossa grandeza histórica.

É por isso que qualquer tentativa de rasurar, alterar ou mascarar a data histórica da nossa emancipação merece o mais veemente e firme repúdio de quem possui um pingo de decência e respeito pela verdade.

Mudar uma data cívica que atravessou séculos e gerações não é "evolução". É revisionismo barato. É uma ruptura violenta com a memória coletiva, um atentado contra o patrimônio imaterial do município e um gesto de profunda ingratidão e desrespeito à memória de quem plantou as fundações da nossa terra.

A história não é uma massa de modelar sujeita às conveniências partidárias, às vaidades pessoais ou às interpretações oportunistas de quem quer que esteja no poder. Os fatos são teimosos e soberanos: eles existem independentemente do ego de quem ocupa temporariamente uma cadeira pública. Nenhuma caneta, por mais poderosa que se julgue, possui autoridade moral ou legitimidade histórica para apagar o que o tempo consolidou e o povo consagrou.

Quem se arvora no direito de tentar substituir o 06 de julho por outra data artificial pode até conseguir alterar papéis nos arquivos da burocracia, mas passará vergonha diante da história. Jamais conseguirá apagar a memória popular. A verdadeira certidão de nascimento de Jeremoabo não cabe em decretos mutáveis ou em canetadas arrogantes. Ela pulsa no seio das famílias, nas tradições, na literatura, nos registros oficiais e, acima de tudo, na consciência altiva de um povo que sabe exatamente de onde veio.

Modificar a data da emancipação é apequenar a luta dos nossos antepassados. É tentar rebaixar heróis locais ao status de meras notas de rodapé. Em qualquer lugar do mundo civilizado, os líderes da emancipação de um povo são reverenciados. Tentar apagar o 06 de julho é uma tentativa de assassinato cultural.

Datas cívicas não têm donos. Elas pertencem ao povo. São os elos invisíveis que unem o passado ao futuro, fortalecendo o nosso sentimento de pertencimento. Quando um governante rompe esse elo por capricho, ele fragmenta a própria alma da comunidade. Nenhum município constrói um futuro sólido cuspindo no próprio passado. O progresso real exige transparência, maturidade e respeito às instituições; a modernidade baseada na mentira e na conveniência é ilusória e vazia.

Jeremoabo precisa e deve olhar para a frente. Carecemos de investimentos urgentes em educação, saúde, infraestrutura e cultura. Mas avançar não significa passar o trator por cima das pegadas de quem abriu o caminho. O futuro se constrói sobre as fundações do passado, jamais sobre a sua demolição.

O povo jeremoabense é inteligente, politizado e soberano. Ele sabe perfeitamente distinguir um ajuste técnico de uma tentativa autoritária de reescrever a sua identidade. Alterem-se os calendários de gabinete; a consciência coletiva continuará intacta, reconhecendo o 06 de julho como o nosso verdadeiro grito de liberdade.

Que o 06 de julho siga sendo celebrado com o orgulho e a pompa que merece. Que a memória dos nossos emancipadores permaneça viva, como uma brasa acesa a inspirar as novas gerações a defenderem a justiça, a liberdade e a autonomia de Jeremoabo.

Porque existem coisas que o dinheiro não compra, o poder não dobra e a política não negocia. E a dignidade da memória de um povo é a maior delas.

"Quem tenta mudar a data da emancipação não altera a História; apenas escancara a sua própria pequenez e o total desprezo que nutre pela memória do seu próprio povo."


José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025). 

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