
Disputa pelo vice agita centro-direita e expõe estratégias
Luísa Marzullo
O Globo
Enquanto Ronaldo Caiado (PSD) se prepara para anunciar nesta quarta-feira o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como candidato a vice, seus principais adversários no campo da centro-direita ainda não definiram quem ocupará a vaga. O senador Flávio Bolsonaro (PL) mantém a preferência por uma mulher para compor a chapa, enquanto o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), negocia uma aliança com o Podemos, que ainda tem resistências.
No campo governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá repetir a chapa de 2022, mantendo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Como mostrou O Globo, Caiado oficializará Kassab em evento marcado para esta quarta-feira, em Brasília. Os dois se reuniram nesta terça-feira, em São Paulo, para acertar os últimos detalhes da composição da chapa e discutir a estratégia eleitoral da campanha.
MUDANÇA DE ESTRATÉGIA – A definição representa uma mudança de estratégia. Desde o lançamento da pré-campanha, auxiliares de Caiado defendiam buscar um vice fora do PSD, principalmente no União Brasil e, em um segundo momento, no PP. A ideia era ampliar o tempo de propaganda eleitoral, fortalecer a estrutura partidária da campanha e atrair novos apoios antes das convenções.
No PL, a escolha do vice segue em aberto. Flávio Bolsonaro voltou a defender publicamente que a vaga seja ocupada por uma mulher e, nos bastidores, aliados afirmam que a decisão precisará atender tanto a critérios eleitorais quanto políticos. A avaliação é que a escolhida ajude a reduzir a resistência do senador entre o eleitorado feminino, fortaleça a interlocução com lideranças evangélicas e amplie a coalizão em torno da candidatura.
REUNIÃO – Nesta quarta-feira, a campanha promoverá, em Brasília, uma reunião para discutir um programa voltado exclusivamente às mulheres. O encontro reunirá parlamentares e lideranças femininas da direita e também deverá servir para ampliar o protagonismo desse segmento na pré-campanha.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que passou a integrar a equipe de Flávio nas últimas semanas, ganhou força entre aliados como possível candidata a vice. Procurada pelo GLOBO, ela afirmou que ainda não recebeu convite para ocupar a vaga e, por isso, não trata dessa possibilidade.
Outros nomes continuam sendo lembrados por integrantes da campanha, entre eles a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a deputada Bia Kicis (PL-DF) e a deputada Simone Marquetto (PP-SP).
VAGA EM ABERTO – No Novo, Romeu Zema também mantém a vaga de vice em aberto. O governador mineiro abriu negociações com o Podemos para ampliar sua coligação e tem o empresário Geraldo Rufino, que é filiado ao partido e atua no setor de peças para caminhões, como principal cotado para compor a chapa.
As conversas, porém, ainda enfrentam resistências dentro do Podemos. Uma ala da legenda defende que Zema dispute uma vaga ao Senado, sob o argumento de que teria mais chances de vitória e ajudaria a fortalecer uma possível coligação com a sigla.
MANUTENÇÃO DA CHAPA – No campo governista, a tendência é de manutenção da chapa vitoriosa em 2022. Lula irá disputar a reeleição novamente ao lado de Geraldo Alckmin (PSB). A escolha do presidente foi por preservar a frente ampla construída na última eleição e não desagradar partidos aliados.
Com o início das convenções partidárias se aproximando, a expectativa é de que a definição dos candidatos a vice acelere nas próximas semanas. As pré-campanhas afirmam que irão se definir nas próximas duas semanas.