sexta-feira, julho 03, 2026

Capacidade técnica e articulação política: Os bastidores da captação de recursos extras em Jeremoabo

 



Capacidade técnica e articulação política: Os bastidores da captação de recursos extras em Jeremoabo


Por José Montalvão


No cenário da gestão pública municipal, a chegada de recursos extras — aqueles que vão além das transferências obrigatórias como o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) — nunca é uma obra do acaso. Quando um município consegue atrair verbas significativas, isso costuma ser o reflexo direto de duas engrenagens trabalhando juntas: articulação política e eficiência técnica.

A lógica por trás desses repasses, frequentemente viabilizados por emendas parlamentares ou convênios com ministérios e o governo estadual, envolve fatores complexos que merecem ser analisados detalhadamente.

Os pilares da captação de recursos

  • Articulação Política e Trânsito Institucional: Grande parte dos recursos extras depende de influência e negociações partidárias. Um gestor com bom trânsito em Brasília e na capital do estado possui a capacidade de dialogar com deputados e senadores, convencendo-os a direcionar suas emendas para as demandas reais da comunidade.

  • Capacidade Técnica e Projetos: De nada adianta a vontade política se o município não souber o que fazer com ela. Os ministérios e secretarias exigem projetos rigorosos, com justificativas sólidas, orçamentos detalhados e cronogramas claros. Municípios que contam com equipes qualificadas e organizadas saem na frente e captam verbas que cidades sem estrutura técnica acabam perdendo.

  • Regularidade Fiscal e Certidões: Para que qualquer transferência voluntária da União ocorra, a prefeitura precisa estar com a "ficha limpa". Isso significa manter as contas em dia, sem pendências junto ao INSS, FGTS ou à Receita Federal, além de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

No caso de Jeremoabo, a atual realidade de atração de investimentos é apontada por apoiadores da gestão como o resultado direto de competência e "jogo de cintura". De acordo com defensores da administração, foi o esforço técnico e político do prefeito Tista de Deda que permitiu retirar o município da inadimplência e do cadastro de restrições, organizando a casa para que a cidade pudesse, finalmente, colher os frutos em forma de obras e melhorias.

Vale ressaltar que, embora o recebimento e a execução desses repasses exijam a aprovação constante dos órgãos de controle (como os Tribunais de Contas), o processo exige transparência contínua na prestação de contas, o que não isenta qualquer gestão de fiscalizações e questionamentos posteriores.

Foco no desenvolvimento vs. Debates burocráticos

Paralelamente ao debate sobre a captação de recursos, um tema recente tem gerado discussões e questionamentos na política local: a proposta de alteração da data da emancipação política de Jeremoabo.

Críticos da medida argumentam que, ao longo da história da cidade, o município já foi governado por prefeitos dos mais diversos perfis — gestores de grande prestígio nacional, intelectuais e figuras de reconhecida honestidade. No entanto, nenhum deles priorizou ou demonstrou interesse em modificar a data festiva ou histórica da emancipação.

O argumento central dessa corrente crítica é de que os antigos gestores preferiram "pensar alto", concentrando suas energias e o debate público no que gera impacto real na vida do cidadão: o desenvolvimento econômico, o fortalecimento cultural, a geração de emprego e a melhoria dos serviços básicos.

Para esse setor da opinião pública, a discussão sobre a mudança da data é vista como um debate supérfluo — o que popularmente se chama de "discutir o sexo dos anjos". Críticos apontam que tal medida não traz benefícios concretos para setores vitais como a saúde, a educação ou a infraestrutura, além de gerar gastos desnecessários e novas burocracias para o comércio e a administração pública local.

O desafio central de Jeremoabo, portanto, permanece sendo o de equilibrar a estabilidade fiscal alcançada com o foco total em ações que transformem, de fato, a realidade socioeconômica do município.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

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