segunda-feira, julho 06, 2026

Técnico retranqueiro, Ancelotti não teve a sorte dos treinadores Parreira e Felipão

Publicado em 5 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Imagem de PHILADELPHIA, PENNSYLVANIA - JUNE 19: Carlo Ancelotti, head coach of Brazil, during the FIFA World Cup 2026 Group C match between Brazil and Haiti at Philadelphia Stadium on June 19, 2026 in Philadelphia, Pennsylvania. (Photo by James Gill - Danehouse/Getty Images)

Preocupado com a defesa, Ancelotti enfraqueceu o ataque

Carlos Newton

É triste ver o país do futebol nessa situação, jogando na retranca e transformando atacantes em defensores. Já tivemos dois técnicos retranqueiros que venceram a Copa, mas sabiam escalar muito melhor o time, e desta vez não tivemos a mesma sorte, porque nem sempre o acaso sai vencedor no futebol. Por isso, até agora somente oito dos 211 países membros da Fifa conseguiram vencer a Copa.

Em 1994, Carlos Alberto Parreira retrancou o time, mas tinha dois grandes dribladores no ataque, Romário e Bebeto, com o lateral Jorginho subindo pela direita e Branco subindo pela esquerda para apoiar o ataque. Era um time defensivo, mas poderoso e ameaçador.

Oito anos depois, em 2002, Luiz Felipe Scolari também era retranqueiro, o time jogava defensivamente, mas tinha dois laterais que apoiavam o ataque (Cafu e Roberto Carlos) e contava com os dribladores Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo Fenômeno. Dá para comparar com a atual seleção titular?

SUPERSALÁRIO –  Ancelotti chegou cheio de banca, conseguiu o maior salário do mundo para técnicos de seleção (R$ 5 milhões mensais), ganhou mais um dinheirão fazendo publicidades na TV. Marrento, exigiu contrato até a Copa de 2030 e esses caipiras da CBF aceitaram, embora seu retrospecto não fosse primoroso.

Em 17 jogos, só venceu 10, empatou 3 e teve 4 derrotas. Com esse desempenho, nenhuma seleção pode ganhar a Copa. Isso significa que a derrota para a Noruega, que em cinco jogos jamais perdeu para o Brasil (3 vitórias e 2 empates), apenas abreviou o sofrimento do torcedor brasileiro.

A frustração é enorme, porque não faltam craques no futebol do Brasil, que é o maior exportador mundial de jogadores.

MUITOS ERROS – Vaidoso e prepotente, Ancelotti tem o grave defeito de convocar e escalar jogadores que são amigos dele, com os quais está acostumado na Europa. Todos sabem que a melhor zaga do Brasil é formada por Léo Ortiz e Léo Pereira, mas ele preferiu Danilo, que era reserva no Flamengo com o técnico Filipe Luiz, que o contratou, e continua reserva com o substituto Leonardo Jardim.

O grande amigo Casemiro também não disse a que veio, assim como Douglas Santos.  Apenas Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli mostraram grandes qualidade, deveriam ter jogado juntos, abastecendo o ataque, mas Ancelotti preferiu ser defensivo…

Mesmo com os erros de convocação, o treinador italiano poderia ter se consagrado na Copa. Bastaria escalar o ataque com três dos quatro dribladores que estavam à disposição (Vini Jr., Luiz Henrique, Neymar e Endrick). Com toda certeza, a seleção levaria à loucura qualquer time adversário. Nenhum outro país tem quatro dribladores deste nível à disposição dos técnicos.

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P.S.
Espera-se que a CBF devolva Ancelotti à Europa o mais rápido possível. No futebol e na vida, é preciso que os melhores sejam sempre convocados e colocados em campo para servir à coletividade. (C.N.)


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