domingo, julho 05, 2026

OPINIÃO: Diminuir o 6 de julho é zombar da inteligência e da história do povo de Jeremoabo

OPINIÃO: Diminuir o 6 de julho é zombar da inteligência e da história do povo de Jeremoabo


Por José Montalvão

Nos bastidores do debate histórico local, vez ou outra surgem os chamados "donos da verdade" tentando emplacar uma narrativa perigosa e desconectada da realidade: a de que a elevação de Jeremoabo da categoria de Vila para Cidade, consolidada no dia 6 de julho, não teria trazido melhorias reais ou mudanças importantes para a população. Sustentar esse argumento não é apenas um erro histórico crasso; é um profundo desrespeito à inteligência e à memória de cada jeremoabense.

Para começo de conversa, os mesmos que tentam esvaziar o significado do 6 de julho muitas vezes se apegam a passados nebulosos — afinal, a data exata da implantação da antiga Vila permanece uma incógnita até hoje. Mas o que importa, e o que a história e as leis provam, é o salto institucional que Jeremoabo deu ao conquistar sua emancipação política e administrativa definitiva.

O que muda na prática? A engrenagem da autonomia

A transformação de Vila para Cidade não foi uma mera troca de títulos em um papel poeirento. Ela representou a certidão de independência de Jeremoabo. Tratar esse marco com desdém significa ignorar como funciona a administração pública e o peso que a autonomia financeira e política tem na vida de um povo.

As melhorias trazidas por essa transição se dividem em pilares práticos que sustentam o município até os dias de hoje:

1. Benefícios Administrativos: O poder perto do cidadão

  • Autogestão Local: Como vila, Jeremoabo era refém de decisões tomadas longe de suas fronteiras, por quem não conhecia a poeira e as reais necessidades de suas ruas. Com a emancipação, o município ganhou sua própria Prefeitura e Câmara de Vereadores, encurtando a distância entre o cidadão comum e o poder de decisão.

  • Planejamento de Futuro: A categoria de cidade abriu caminhos para a elaboração de instrumentos como o Plano Diretor, permitindo organizar o uso do solo, o transporte e o saneamento focando na realidade local, e não nos interesses de terceiros.

  • Força de Reivindicação: Jeremoabo ganhou identidade jurídica robusta e representatividade para brigar por verbas e emendas diretamente nos palácios estaduais e federais.

2. Benefícios Econômicos: O dinheiro fica onde é gerado

  • A Virada de Chave Financeira: Esse é o ponto que os céticos tentam esconder. A elevação a cidade garantiu o direito a repasses constitucionais diretos, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além da retenção e arrecadação de tributos próprios (como ISS e IPTU). O imposto gerado pelo comércio local passou a ser reinvestido na própria região, e não enviado para enriquecer outras sedes.

  • Atração de Investimentos e Valorização: A visibilidade institucional de uma cidade atrai comércio forte, agências bancárias e infraestrutura que, por consequência, geram empregos locais e provocam a valorização imobiliária de toda a região.

A história não aceita o negacionismo

Dizer que o 6 de julho não trouxe melhorias é o mesmo que dizer que para uma família tanto faz gerenciar o próprio salário ou depender da caridade e da boa vontade dos vizinhos. A autonomia dói em quem perde o controle sobre o território alheio, mas liberta quem passa a governar a si mesmo.

O 6 de julho não é uma data para ser relativizada por teorias vazias de gabinete. É o marco zero do desenvolvimento moderno de Jeremoabo, construído com o suor de gerações que entenderam que o destino desta terra deve ser decidido por quem vive nela. Negar isso não é apenas ignorância; é um insulto à história e ao discernimento do povo jeremoabense.

José Montalvão: Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).


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