/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/q/V/h4zXMnRTAAIrHv68iMHw/img-9150-2.jpg)
Descontentamento tem sido vocalizado por bolsonaristas
Letícia Pille
O Globo
As críticas públicas de aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a ecoar nos bastidores do PL. Segundo interlocutores ouvidos pelo O Globo, integrantes da cúpula do partido passaram a receber reclamações sobre a condução da pré-campanha e sugestões de mudanças na estrutura responsável pela estratégia eleitoral do senador.
Entre os alvos da insatisfação está a comunicação e o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Segundo pessoas a par das conversas, integrantes da cúpula do PL têm sido procurados nos últimos dias por pessoas ligadas ao bolsonarismo que defenderam mudanças na estrutura responsável pela estratégia eleitoral de Flávio.
CAMPANHA “NÃO EXISTE” – As cobranças ganharam contornos públicos nos últimos dias, como em uma publicação nas redes sociais, em que Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) afirmou que a campanha de Flávio “não existe” por considerar que faltam agenda, comunicação, organização e planejamento.
Na avaliação do ex-secretário, a pré-campanha ainda não conseguiu reproduzir a mobilização espontânea observada em disputas anteriores e, mesmo assim, o principal adversário não abriu vantagem. Em outra postagem, direcionada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Wajngarten afirmou que “time que não performa tem que mexer” e sugeriu uma ampla reformulação da estrutura da campanha.
Entre as propostas, defendeu mudanças na coordenação-geral, na comunicação, no planejamento estratégico e na criação, além de maior participação de lideranças ligadas aos segmentos católico e evangélico, ao agronegócio, à segurança pública, à saúde, à educação e ao setor produtivo.
DESORGANIZAÇÃO – Outro nome que passou a criticar publicamente a campanha foi Paulo Figueiredo. Após a viagem de Flávio aos Estados Unidos, o influenciador afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que a equipe desperdiçou a agenda internacional por não organizar entrevistas, divulgar imagens ou realizar uma coletiva de imprensa.
— Ele publica um videozinho bem mais ou menos, a assessoria publica um texto claramente escrito pelo ChatGPT, não tem entrevista, não tem uma imagem para passar aqui hoje, não tem entrevista coletiva, a imprensa não recebeu exatamente o que ele falou. Mas, puta merda, que campanha desgraçada. Não se ajuda — afirmou.
Paulo também tem defendido mudanças na condução da campanha, afirmando que a estrutura atual não tem conseguido aproveitar politicamente as agendas do candidato e manifestou interesse em participar mais diretamente da campanha.
MONTAGEM – Já o influenciador Kim Paim, que integra o círculo de aliados de Eduardo Bolsonaro, publicou nas redes sociais uma montagem ironizando Rogério Marinho ao compará-lo ao personagem Frodo, da série “O Senhor dos Anéis”.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que parte da insatisfação desse grupo está concentrada na forma como a campanha vem sendo conduzida. Na avaliação dessas pessoas, Rogério Marinho exerce uma coordenação considerada excessivamente centralizadora e pouco aberta à participação de pessoas de fora do núcleo responsável pela estratégia eleitoral.
As críticas, embora não sejam novas, agora estão sendo exploradas mais abertamente nas redes sociais, em um momento em que integrante da direita ainda pedem “união” do campo conservador em torno da candidatura de Flávio. O argumento é que polêmicas como essas apenas atrapalham os planos do filho 01 de Bolsonaro, ao invés de contribuir com sua candidatura.
OFENSIVA – A campanha de Flávio, por sua vez, rejeita as críticas reservadamente e integrantes dizem que a ofensiva parte de pessoas insatisfeitas por não terem sido incorporadas à estrutura da campanha. Segundo esses interlocutores, trata-se de um movimento de aliados que buscam espaço na equipe, e não de uma articulação comandada por Eduardo Bolsonaro.
Na avaliação de integrantes da campanha, embora Wajngarten, Paulo Figueiredo e Kim Paim sejam próximos de Eduardo, as manifestações refletem uma disputa por espaço dentro do bolsonarismo e não uma orientação do deputado licenciado.
A campanha também nega que haja uma crise interna, embora reconheça que as críticas têm provocado incômodo entre integrantes do PL, e alegam que nenhuma mudança é necessária ou será feita no futuro. Interlocutores avaliam, porém, que uma eventual reformulação da campanha esbarra na própria estrutura montada para a pré-campanha.
INDICAÇÃO – Parte dos integrantes do núcleo responsável pelo marketing e pela estratégia foi escolhida por indicação de Rogério Marinho, o que faz com que qualquer mudança seja interpretada também como uma perda de influência do senador sobre a condução da campanha.
Diante desse cenário, integrantes do partido admitem haver dúvidas sobre até que ponto a direção da legenda conseguiria promover alterações sem aprofundar a disputa interna em torno de quem, de fato, tem a palavra final sobre os rumos da campanha.