segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Na paz e na guerra




A Rússia invade a Ucrânia, o mundo reage e Bolsonaro está em outro planeta

Por Eliane Cantanhêde (foto)  

Enquanto a Bahia afundava em dor, lama e mortes, o presidente Jair Bolsonaro gastava R$ 900 mil para andar de jet ski no lindo mar azul de Santa Catarina. Enquanto o mundo afunda em ameaças e incertezas com a guerra na Ucrânia, Bolsonaro faz motociatas por aí. Para que serve um presidente? Para curtir a vida e fazer campanha?

Na definição do ex-chanceler Celso Amorim, a posição brasileira é “esquizofrênica”. Bolsonaro lava as mãos, como quem não tem nada a ver com isso, o vice Hamilton Mourão radicaliza, defendendo o “uso da força” contra a Rússia, e o Itamaraty faz contorcionismos em busca de racionalidade.

Essa “esquizofrenia” tem origem na incapacidade de Bolsonaro de presidir o País e na certeza de que Vladimir Putin não invadiria a Ucrânia. Por isso, Bolsonaro manteve a ida a Moscou quando o mundo já dava a guerra como certa e o Itamaraty não orientou os brasileiros que vivem na Ucrânia a deixarem o país, a exemplo de vários outros.

A guerra pegou o Brasil de calças curtas. No dia da invasão, Bolsonaro deu duas entrevistas, mas falou de futebol e não deu uma palavra sobre Rússia e Ucrânia. À noite, desautorizou Mourão. No meio-tempo, disse num post que estava “totalmente empenhado” em proteger os 500 brasileiros na Ucrânia.

O Itamaraty corrigiu: não era bem assim. E, na live com Bolsonaro, o chanceler Carlos França disse que: (1) “já estamos elaborando um plano”. Como assim? Elaborando? Já deviam ter um há muito tempo e já começado a tirar as pessoas; (2) esperavam “condições ideais de segurança”. Durante a guerra? Não era melhor antes?; (3) por fim, pediu “paciência”. Não é pedir demais a quem está sob bombardeio?

Os EUA advertiram contra a ida de Bolsonaro a Moscou, reclamaram da “solidariedade” à Rússia e pediram o voto na ONU. Em entrevista inédita, embaixadores ou encarregados de negócios do G7 (países mais industrializados), da União Europeia e da Ucrânia cobraram uma posição firme do Brasil.

Apesar dos temores e de Bolsonaro, venceram os diplomatas, os militares e a pressão internacional, e o Brasil votou contra a Rússia no Conselho de Segurança da ONU. Depois, registrou que tentara amenizar o texto, mas só para inglês ver. Ou melhor, para russo ver. Durante todo o tempo e toda a tensão, o grande ausente foi... Jair Bolsonaro, que disputa a reeleição a uma Presidência que nunca ocupou.

DIDA. Numa cobertura na Venezuela, tive sinusite e febre alta e Dida Sampaio, apesar dos pesados equipamentos, carregava meu laptop e minha mala e cuidava dos lugares nos eventos e no avião militar para mim. Eternamente grata. Grande fotógrafo, querida pessoa. 

O Estado de São Paulo

Em destaque

Aliados de Lula defendem que ele não indique novo nome ao STF neste ano

  Aliados de Lula defendem que ele não indique novo nome ao STF neste ano Ala teme que o presidente sofra nova derrota e sugere que cadeira ...

Mais visitadas