Agencia Estado
Escaldado pelas acusações de partidos de oposição de que usaria a Polícia Federal para atingir adversários políticos, o ministro da Justiça, Tarso Genro, agiu rápido para afastar de sua pasta qualquer suspeita sobre a responsabilidade pelo grampo ilegal feito nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. Tarso não só lembrou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é subordinada ao gabinete da Segurança Institucional, do Palácio do Planalto, como pôs a Polícia Federal à disposição de todas as autoridades para apurar os fatos. Reações opostasO mesmo comunicado foi feito pessoalmente por Tarso Genro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF reiterou ontem que não faz espionagem. Da parte do Supremo Tribunal Federal (STF), dois ministros assumiram posições opostas na crise. Marco Aurélio Mello, que costuma agir como incendiário, desta vez atuou para acalmar os ânimos. Assim que foi comunicado de que o presidente do Supremo convocara uma reunião emergencial da Corte, ele conversou com Gilmar Mendes e ponderou que não era hora de atacar nem responsabilizar o presidente Lula pelos grampos ilegais. "A indignação primeira é impactante, mas não podemos complicar ainda mais o contexto. Não cabe chamar o presidente da República ao Supremo", ponderou, ao saber que Gilmar Mendes queria convocar Lula. "Não estou de bombeiro, mas não cabe incendiar", afirmou ainda. Já o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, que é sempre ponderado e costumava tratar o assunto grampo com certo menosprezo, resolveu agora mudar o tom. "De início, eu não me preocupei demasiadamente, porque atribuí os fatos a um açodamento no curso de investigações criminais. Agora essa preocupação se tornou mais séria, porque percebi que aquela clandestinidade de escutas telefônicas sinaliza total descontrole por parte dos próprios escalões superiores de órgãos como a Polícia Federal e a Abin", disse ele.Abin"No caso, ao que parece, nem a própria Abin tem explicações convincentes para episódios como esse da interceptação telefônica do presidente do Supremo Tribunal Federal. A minha preocupação é tanto maior quando se sabe que a Abin não é polícia judiciária e, portanto, não pode fazer investigação criminal. Sendo assim, nem por ordem judicial ela poderia interceptar comunicações telefônicas", afirmou. Juntamente com Gilmar Mendes e Cezar Peluso, Ayres Britto participará hoje de manhã da reunião com o presidente Lula, quando o assunto será o grampo.Marco Aurélio acha que o cenário é de crise institucional e, exatamente por isto, diz que é preciso ter "serenidade" para saber que as instituições e órgãos de inteligência têm que ser mantidos. "Precisamos preservar as instituições pátrias sob pena de ter a Babel e a lei do mais forte, vigorando o Estado policialesco". Ele entende que o melhor caminho é não generalizar. "Estaremos vigilantes, mas marcharemos com absoluta segurança. Não há contaminação de toda Abin, nem de todo Ministério Público, todo o governo, toda a magistratura", disse ele.
Fonte: A Tarde
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