Desta vez, senador alagoano é acusado de ter pedido a assessor para espionar dois parlamentares da oposição
Rosa Costa
O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá de responder a uma nova representação no Conselho de Ética. Nesse quinto processo, ele é acusado de ter usado um servidor da Casa, o ex-assessor Francisco Escórcio, conhecido como Chiquinho, para espionar a vida de dois senadores de oposição, Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).A iniciativa de investigá-lo, cinco dias após haver se afastado do comando do Senado, foi tomada por cinco dos seis integrantes da Mesa Diretora, na primeira reunião convocada pelo senador Tião Viana (PT-AC) na condição de presidente interino. A denúncia foi apresentada na semana passada pelo DEM e PSDB. Tião esclareceu que a Mesa se limitou a examinar o pedido dos partidos, sem entrar no mérito da acusação.Demóstenes e Perillo confirmaram o conteúdo de reportagem da revista Veja, segundo a qual Escórcio teria conversado em Goiânia com dois advogados sobre a melhor maneira de criar uma situação que comprometesse os senadores, adversários de Renan. Uma das alternativa examinadas, na ocasião, foi a de instalar uma câmera de vídeo em um hangar, para tentar filmar Demóstenes e Perillo usando jatinhos particulares de empresários da região.ARAPONGAGEMLigado à família Sarney e ao próprio Renan, Chiquinho exerceu o mandato de senador em duas ocasiões, como suplente de dois titulares ligados ao senador José Sarney (PMDB-AP), Alexandre Costa e Bello Parga, ambos do então PFL, hoje DEM.Quando a denúncia veio à tona, Renan se encarregou de afastá-lo temporariamente. Mas mudou de idéia, decidindo pela exoneração, após perceber que a medida paliativa não ajudava na sua defesa.Inicialmente, a suposta tentativa de arapongagem foi motivo da criação de uma comissão de sindicância, ligada à primeira-secretaria do Senado. Com a decisão tomada pela Mesa, o primeiro-secretário, Efraim Morais (DEM-PB), suspendeu esse trabalho. Explicou que a medida passou a ser “inócua”, diante do encaminhamento da representação ao conselho.A denúncia reforça as suspeitas de que Renan estaria se valendo do cargo de presidente do Congresso para utilizar a máquina e servidores do Senado a seu favor. Como nas representações anteriores, o advogado-geral da Casa, Alberto Cascais, apresentou um parecer sugerindo o engavetamento do caso, alegando tratar-se simplesmente de informações da imprensa. O senador tucano Papaléo Paz (AP) se absteve, justificando o procedimento pela sua condição de filiado a um dos partidos autores da denúncia.REPRESENTAÇÕESA primeira denúncia contra Renan, de ter contas pagas por um lobista, foi arquivada pelo plenário do Senado no mês passado, por 40 votos a 35, em sessão secreta. A segunda suspeita que pesa contra o presidente licenciado é de ter supostamente intercedido em favor da empresa Schincariol na negociação de dívidas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Receita Federal. A cervejaria comprou uma fábrica do irmão de Renan, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por um preço tido como acima do valor de mercado.O terceiro processo se refere à denúncia de que o parlamentar teria usado laranjas na compra de duas rádios e um jornal em seu Estado, em parceria com o empresário João Lyra, ex-aliado e hoje desafeto, que contou detalhes do caso à Veja.A quarta denúncia é de que o lobista Luiz Carlos Coelho arrecadaria dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB, favorecendo Renan. Ele alega que não cometeu nenhuma irregularidade, assim como a Schincariol e os demais citados
Fonte: Estado de Sao Paulo
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