BRASÍLIA - O senador José Sarney (PMDB-AP) alertou ontem, em discurso na tribuna, para o perigo da Venezuela se transformar numa potência militar e levar a América Latina a uma corrida armamentista. Ao criticar os investimentos do presidente Hugo Chávez em armamentos, de US$ 4 bilhões só nos contratos com a Rússia, ele disse que, se a Venezuela atuar contra a democracia, não conseguirá ser incluída no Mercosul.
Na sua opinião, no Congresso o clima não é favorável a aprovar a adesão ao Mercosul, pois a Venezuela ainda tem "que mostrar que está pronta para a democracia". O protocolo de adesão ao bloco foi aprovado quarta-feira pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara, mas ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário, para só depois seguir para o Senado.
"Nós, no Brasil, temos de ficar apreensivos. Nossa posição não é ficar contra a Venezuela nem pessoalmente contra o presidente Chávez, mas adverti-lo de que não terá solidariedade do Brasil em qualquer aventura que transforme a Venezuela num país ditatorial", avisou Sarney.
"Não tendo esta cláusula democrática, a Venezuela estaria violando o tratado do Mercosul", afirmou, se referindo ao fato de que um regime democrático é um pressuposto para a entrada país no Mercosul. "Se a situação de potência militar se concretizar, será uma corrida armamentista na América Latina. Será o desequilíbrio estratégico do continente".
Sarney criticou Chávez e disse que, na hora em que acaba a alternância do poder, acaba a democracia. Ele cobrou da diplomacia brasileira manifestações sobre a Venezuela e o risco de uma corrida armamentista. "Que democracia estão constituindo? Chávez está fazendo da Venezuela uma potência militar. Isso é um perigo".
Ele lembrou que Chávez tem acusado o Congresso de não votar o protocolo de adesão ao Mercosul para atender a interesses dos Estados Unidos - em junho, chegou a chamar o Congresso de "papagaio dos EUA". O senador contou que foi chamado de "lacaio e servil" por um deputado aliado do presidente venezuelano.
A Comissão de Relações Exteriores aprovou o protocolo numa sessão tumultuada por críticas à Venezuela. Os integrantes do DEM e do PSDB até deixaram a sala, para tentar impedir a votação. Chávez foi chamado de ditador, caudilho e golpista e deputados disseram que não há democracia no país. Eles lembraram que Chávez chegou a ameaçar intervir com armas na Bolívia, caso haja dificuldades políticas para o presidente Evo Morales.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Em destaque
Medidas Protetivas: Se a mulher permite a aproximação do suposto agressor, há crime?
Medidas Protetivas: Se a mulher permite a aproximação do suposto agressor, há crime? Receba uma orientação Nos termos do artigo 24-A da L...
Mais visitadas
-
A coluna Na Mira do Metrópoles acompanhou duas madrugadas de sedução, cifrões elevados dos políticos para o “sexo premium” | PINTEREST ...
-
. Nota da redação deste Blog - Que Deus dê todo conforto, força e serenidade para enfrentar este luto.
-
blog em 7 abr, 2026 3:00 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a ...
-
Os tecnocratas fizeram uma 'lavagem verde' nas suas reputações por meio do compromisso publicamente proclamado com o chamado desenvo...
-
Compartilhar (Foto: Assessoria parlamentar) Os desembargadores do Grupo I, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Sergip...
-
Os tribunais supremos servem à República, não à democracia. Quem serve à democracia são os políticos eleitos pelo povo. Distinção é necessár...
-
Por Coisas da Política GILBERTO MENEZES CÔRTES - gilberto.cortes@jb.com.br COISAS DA POLÍTICA Quem cala consente? ... Publicado em 25/02/2...
-
Intercept Brasil < newsletter.brasil@emails.theintercept.com > Cancelar inscrição seg., 22 de set., 19:25 (há 11 horas) para mi...
-
Foto Divulgação - Com profundo pesar, termino de tomar conhecimento do falecimento do amigo Ewerton Alme...