quinta-feira, dezembro 18, 2025

Senado aprova projeto que reduz penas de Bolsonaro e condenados golpistas

Publicado em 18 de dezembro de 2025 por Tribuna da Internet


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Arte: Marcelo Chello

E não é que a dosimetria andou no Senado? Agora Bolsonaro já pode ficar feliz que a pena de prisão real pode cair para menos de três anos. Não é assim nenhuma anistia, mas é menos da metade do que a pena atual de reclusão. Já está no lucro. (Mas a pena total ainda será de mais de 20 anos, pelas estimativas).
Ah, Tixa, mas o Lula vai vetar. Será que veta mesmo, darling? Vamos às notícias que o dia está cheio.

Basicamente, o Sérgio Moro e o Jaques Wagner foram os senadores que salvaram a aprovação da dosimetria no Senado ainda neste ano. O Moro foi quem apresentou uma emenda para mudar a redação do projeto de lei que veio da Câmara, mas sem alterar a essência. Assim, a redução de penas vai ser aplicada só ao povo do 8 de Janeiro e não a outros criminosos (porque o texto original era uma festa). E como foi usada a tal emenda de redação sem alterar a essência, o texto não precisará voltar à Câmara e vai direto à sanção ou veto do Lula.

E o Jaques Wagner, do PT, que é o líder do governo no Senado, facilitou o andamento do projeto para destravar a pauta de economia do governo, mas garantiu que fez isso da cabeça dele e não falou com o presidente Lula nem com a Gleisi “Narizinho” Hoffmann. Ah, tá!

É aqui que vem a dúvida sobre o veto de Lula. A Gleisi “Narizinho” Hoffmann, que faz a articulação do governo no Congresso, garantiu que Lula vai vetar. Mas ficam as várias dúvidas. Por que Jaques Wagner deu essa facilitada na tramitação? O governo do Trump diz que tirou Xandão da Magnitsky porque essa lei da dosimetria andou no Congresso brasileiro, vai o Lula agora vetar e reabrir a discussão? E vai vetar já sabendo que vai cair o veto no Congresso? E se Lula resolver fazer um gesto dizendo que está sendo generoso com Bolsonaro?

Lembrando que Bolsonaro seguirá tendo que ficar na prisão, sua pena total continuará sendo grande e ele continuará inelegível por oito anos. E, sem contar que a redução da pena ainda dependerá de uma nova decisão suprema para estabelecer uma nova pena com base na nova lei.

Aff!!! Estou só especulando, BRASEW. O Lula que lute agora com essa lei.

Beijo, me liga

Lula chamou os ministros para a campanha na última reunião ministerial do ano. E lembrou que está na hora de eles falarem do governo Lula e não só deles.

Mas a surpresa do dia foi a demissão do Sabino (o ministro do Turismo que foi expulso do União Brasil porque queria ficar ao lado do Lula e fazer a COP30 que foi no Pará, o estado do ministro). Faz uma semana que ele foi expulso do União Brasil!!!

Ele disse que não tem problema sair do governo, porque agora vai cuidar da sua campanha ao Senado pelo Pará e ajudar a campanha de Lula por lá, e que o importante é Lula ter governabilidade.

O povo está dizendo que Lula vai trocar o ministro para fazer um aceno para a base do União Brasil que ainda vota com Lula. E escolheu Gustavo Feliciano, filho do deputado Damião Feliciano (União Brasil da Paraíba), para fazer um agrado a Hugo Motta, o atual dono da Câmara Frigorífica, e que é aliado do tal Feliciano.

Enfim, política.

Ciro diz que Tarcísio já era

Ciro Nogueira, que já chegou a lançar Tarcísio presidente, agora anda dizendo nos corredores do mercado financeiro que não tem jeito: o candidato será Flavitcho Bolsonaro, e Tarcísio vai concorrer à reeleição em São Paulo mesmo.
E o Flavitcho foi almoçar com empresários e já disse que seu governo vai ser na base Bukele. Ele ainda foi encontrar o Pablo Marçal para pedir ajuda na campanha. Se segura, BRASEW, que lá vem chumbo.

Para os perdidos. Bukele é o presidente de El Salvador conhecido por fazer encarceramento em massa e, no meio do caminho, violar um monte de direitos humanos. Mas os índices criminais do país caíram, e é aí que Flavitcho vai direcionar o discurso.

Marco Temporal

O STF disse “não” (de novo) ao Marco Temporal das terras indígenas.
Derrubou a Lei 14.701 de 2023 e matou a tentativa do Congresso de ressuscitar a tese no pós-1988.
A Corte reafirmou: direito indígena é originário, não cabe data de corte.
Gilmar poupou penduricalhos da lei, mas arrancou o coração dela.

Agora o Centrão aposta tudo na PEC, a proposta de emenda à Constituição que já passou no Senado. A treta é a seguinte: o Supremo tinha derrubado o Marco Temporal. O Congresso foi lá, na sequência, e fez uma lei para confrontar a decisão suprema. Agora o Supremo derrubou a lei. E agora o Congresso quer alterar a Constituição. A próxima treta é o Supremo dizer que essa é uma cláusula pétrea e nem uma PEC resolve. Viu? É Congresso e Supremo já preparando a próxima treta.

E eu vou nessa, BRASEW, que a sexta-feira nos aguarda.

Anistia camuflada de dosimetria: um tapa na cara do povo brasileiro



     Áudio Divulgação - Genésio A. Junior


🚨 ALERTA AO ELEITOR: O "Golpe da Caneta" e a Traição nos Bastidores do Poder

Por José Montalvão.

Você já sentiu que seu voto só tem valor no dia da eleição, mas que nos corredores de Brasília ele é tratado como mercadoria? O que está acontecendo agora com o chamado PL da Dosimetria é o exemplo perfeito disso: uma anistia camuflada desenhada para proteger políticos e punir a democracia.

O Teatrinho do Compadrio: O Eleitor como Peça Descartável

O nome é técnico para te confundir, mas a realidade é simples: antigos adversários agora se dão as mãos. Não é por ideologia, é por autoproteção corporativa. Eles usam você para legitimar mandatos e lotar praças, mas, na hora de decidir, trocam a vontade popular por acordos de bastidores.

  • A lógica é cruel: O voto serve para dar o poder; o acordo serve para garantir a impunidade de quem abusa dele.

Justiça vs. Conveniência: O Papel do STF

Enquanto o Congresso tenta afrouxar as cordas, é preciso reconhecer quem manteve a linha firme. O Supremo Tribunal Federal (STF), sob ataques constantes, foi a barreira que impediu o naufrágio das instituições.

  • Destaque para a atuação do ministro Alexandre de Moraes: ele não julgou com base em curtidas ou paixões, mas com base na Constituição.

  • Suportar ameaças e campanhas de difamação sem recuar um milímetro é o que se espera de um magistrado com coragem institucional. Ele provou que, na democracia, ninguém está acima da lei, por mais que o Congresso tente agora provar o contrário.

Os "Dois Brasis": A Lei que Só Pega o Pobre

Charles de Gaulle teria dito que "o Brasil não é um país sério". Quando vemos o Legislativo correr para "ajustar" penas de crimes gravíssimos contra o Estado, essa frase dói como uma verdade.

  • No Brasil real, quem vai para a cadeia é o pequeno e o invisível.

  • No Brasil dos "poderosos", a justiça é negociada e as leis são feitas sob medida para garantir saídas de emergência.


"A dosimetria, quando técnica, é direito. Quando é atalho político para apagar crimes contra a democracia, é conivência."


O Próximo Passo: A Caneta de quem Decide

A bola está agora com a Presidência da República. Sancionar esse projeto é validar a imoralidade. Vetar é um ato de respeito ao eleitor. O povo brasileiro está cansado de ser tratado como figurante em um roteiro escrito por quem teme a Justiça. O maior ataque à democracia não vem apenas de quem invade prédios públicos, mas de quem, no silêncio dos gabinetes, tenta apagar os rastros do crime com o verniz da legalidade.

O povo observa. Julga. E acumula indignação. Porque democracia não se sustenta com discursos bonitos e leis feitas sob encomenda, mas com responsabilidade, coerência e respeito à vontade popular.

Democracia não se faz com arranjos. Faz-se com responsabilidade.



quarta-feira, dezembro 17, 2025

“Não vou engolir”, diz Malafaia sobre a preferência de Bolsonaro por Flávio

Publicado em 17 de dezembro de 2025 por Tribuna da Internet

Malafaia admite ter recebido R$ 30 milhões do fraudador “Sheik do Bitcoin”

Silas Malafaia prefere lançar a chapa Tarcísio e Michelle

Felipe Salgado e Paulo Capelli
Metrópoles

O pastor Silas Malafaia afirmou que a opção de Jair Bolsonaro pelo senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência da República ocorre em um momento em que o ex-mandatário estaria “debilitado emocionalmente”. Em entrevista à coluna, o líder religioso disse respeitar Flávio, mas que “não vai engolir” a escolha do ex-presidente.

“Eu não tenho nada contra o Flávio. Sou amigo de toda a família. O Flávio tem seus valores. Mas fico aqui pensando: o presidente Bolsonaro está debilitado emocionalmente. Quando essa turma do PT recebeu condenações, ninguém ficou emocionalmente abalado, porque, quando a pessoa sabe o que faz, ela não entra em depressão. Já a injustiça leva à depressão”, disse Malafaia.

DEPRESSÃO – “Sou psicólogo, sei o que estou falando. A pessoa, quando se sente injustiçada, pode levar à angústia e a quadros de depressão. Então, como o filho de Bolsonaro, numa conversa particular, em um momento emocional de Bolsonaro, ele vai lá e tira a candidatura e chega aqui e diz: ‘Meu pai diz que sou eu e acabou’. Na-na-ni-na-não. Não é assim. Temos que entender que é uma construção”, opinou o líder religioso, acrescentando:

“Não é uma questão de faculdade mental. Estou dizendo que uma pessoa abalada emocionalmente fica vulnerável. Recebe a visita de um filho. Não sei o que ele [Flávio] falou para Bolsonaro. Não sei qual foi a conversa dele. O momento emocional de Bolsonaro é frágil. Frágil por essas injustiças, essa covardia, essa farsa de pseudogolpe, que condena um cara inocente. Então, emocionalmente, ele está chocado”, prosseguiu.

Para o líder evangélico, a escolha dos candidatos precisa ser feita sem correrias e sem pressões.

TARCÍSIO E MICHELLE – Como mostrou a coluna, Malafaia defende que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja candidato ao Palácio do Planalto, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice na chapa. Flávio, por sua vez, tem dito que sua candidatura à Presidência é “irreversível”.

Aliados do senador comemoraram pesquisa Quaest que apontou, nessa terça-feira (16/12), crescimento de Flávio entre os candidatos que pretendem enfrentar o presidente Lula em 2026.

Outros cotados para disputar a Presidência pelo campo conservador são: Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Junior (PSD).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 A chapa sugerida por Tarcísio realmente e forte e dificilmente seria batida por Lula em 2026. Mas quem se interessa? (C.N.).

Haddad vira peça-chave de Lula para 2026 e PT prepara sua candidatura em São Paulo


Ministro da Fazenda deixará equipe depois do carnaval

Vera Rosa
Estadão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o curinga do PT para as eleições de 2026. Embora diga que não quer concorrer nem a síndico de prédio, no ano que vem, Haddad sabe que não terá como dizer ‘não’ ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E Lula não deseja ver o chefe da equipe econômica apenas na coordenação de seu programa de governo.

Em público, o presidente afirma que o ministro da Fazenda será “o que ele quiser”. A portas fechadas, no entanto, já disse que precisa de Haddad em São Paulo e é possível que dê algum recado a ele na reunião ministerial desta quarta-feira, 17.

PALANQUE – Até agora, o PT não conseguiu montar um palanque para a campanha do presidente no principal colégio eleitoral do País. Nem no segundo, que é Minas Gerais. No Rio, o terceiro, também não tem nome competitivo e vai apoiar o prefeito Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara.

“Não podemos nos dar ao luxo de não ter Haddad disputando o processo eleitoral”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “Ele é uma das maiores forças que a gente tem: é importante para o projeto, para o Lula e para a democracia”.

De ministro alvejado por petistas como Lindbergh, por causa da proposta de arcabouço fiscal e ajuste das contas públicas, Haddad passou a ser visto como “a aposta” para 2026 nas fileiras do partido. “No começo, realmente tive divergências com ele, mas hoje o vejo como um quadro extraordinário”, afirmou Lindbergh. “Termino o ano encantado com Haddad”.

NOME FORTE – Até meados do ano, ministros e dirigentes do PT diziam que Haddad só deveria disputar a eleição ao Palácio dos Bandeirantes se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não fosse candidato. Agora, porém, o quadro mudou: Haddad é considerado para qualquer cenário. “Precisamos de um nome forte em São Paulo”, admitiu o líder do PT.

Nem no Palácio do Planalto nem na cúpula do PT encontra-se alguém disposto a cravar um diagnóstico certeiro sobre o destino político de Tarcísio. Apesar do discurso oficial de que “adversário não se escolhe”, Lula prefere enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governador de São Paulo na corrida pelo quarto mandato.

Na avaliação do Planalto, Tarcísio tem mais chances de conquistar eleitores de centro que não querem saber do PT. Ministros observam, ainda, que o confronto direto com um nome totalmente identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como seu filho Flávio, é bem mais fácil porque temas como a tentativa de golpe, por exemplo, voltam à tona com mais ênfase na campanha.

TENDÊNCIA – A não ser que haja uma reviravolta na estratégia desenhada por Lula, a tendência é que Haddad seja candidato ao governo de São Paulo e o secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan, fique no seu lugar. Se Haddad não ganhar, e o presidente for reeleito, há outro plano para ele: a chefia da Casa Civil. É, na prática, o primeiro passo para o atual comandante da Fazenda ser ungido como sucessor de Lula.

Em 2022, Haddad perdeu a eleição para o Bandeirantes. Foi derrotado por Tarcísio, até então um ministro desconhecido de Bolsonaro. Sofreu críticas do PT, mais ainda do que quando era prefeito de São Paulo. À época, o PT também não gostou nada da articulação feita por ele para emplacar a chapa “Lula com chuchu”. Geraldo Alckmin, como se sabe, virou vice sob ataques do PT.

Hoje, porém, Alckmin é chamado de “companheiro” no Planalto. Pode até mesmo ser candidato ao Senado, mas, ao que tudo indica, fará novamente dobradinha com Lula. E Haddad, quem diria, se tornou o salvador da pátria petista. Está tão feliz que já foi visto até cantando “Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora…”

Centrão, agro e evangélicos resistem a Flávio Bolsonaro e Tarcísio avança


Charge do José Casado (Revista Veja)

Luísa Marzullo
O Globo

Alvo de resistência por parte de caciques do Centrão, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto também enfrenta percalços nos principais setores que deram sustentação ao governo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Representantes do agronegócio, líderes evangélicos e integrantes da bancada da segurança pública colocam em dúvida a capacidade eleitoral do parlamentar para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e indicam ver o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome mais bem posicionado para reorganizar a direita na disputa do ano que vem.

PRAZO – Interlocutores desses setores afirmam, porém, que é preciso dar um prazo para que o senador possa testar sua viabilidade política. A avaliação é de que, se Flávio não conseguir agregar apoios em dois meses, é necessário deixar o caminho livre para outro nome. Procurado, o parlamentar não se manifestou.

Flávio anunciou sua entrada na corrida eleitoral em 5 de dezembro como uma escolha do pai, que, apesar de preso, é quem continua a definir os rumos de seu grupo político. A indicação do filho como sucessor, sem consulta prévia a outros líderes da direita, não foi bem recebida por presidentes de partidos como União Brasil, PP e Republicanos, que já haviam indicado a intenção de se unir em uma candidatura de oposição ao PT em 2026.

CONTENÇÃO –  A leitura entre líderes desses partidos do Centrão e de integrantes da chamada bancada “BBB” — Boi, Bíblia e Bala — é que o movimento de Bolsonaro de lançar o filho como candidato teve como objetivo impedir que Tarcísio avançasse como nome alternativo ao seu, enquanto está impedido de atuar politicamente. Condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, o ex-presidente mantém esperanças de conseguir uma anistia e escapar da pena para voltar a se candidatar. Flávio, na visão desse grupo, seguraria a vaga para o pai.

A avaliação foi reforçada após Flávio declarar, na semana passada, que sua candidatura tinha “um preço”, indicando que poderia retirá-la em troca do perdão jurídico a Jair. Depois, porém, mudou o discurso para dizer que a entrada na disputa era “irreversível”, mas aliados têm alertado sobre as dificuldades que enfrentará para que a postulação se sustente até a campanha eleitoral.

Um dos exemplos é a falta de apoio entre representantes do agronegócio. Nomes do setor afirmam que Flávio é visto como figura lateral, sem atuação consistente em agendas consideradas prioritárias pelo grupo, como crédito rural, regularização fundiária e abertura de mercados.

SERVIÇOS PRESTADOS – Já Tarcísio é apontado como alguém com serviços prestados na área. Quando foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, foi responsável, entre outras medidas, por apresentar o Plano Nacional de Logística à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Além disso, como governador, acelerou um programa de regularização fundiária que negociou terras públicas com descontos e agradou ao setor.

Para Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA, o governador paulista já era percebido como “opção natural” ao Planalto muito antes de o senador se colocar no tabuleiro eleitoral:

— Acho que os setores produtivos pressionarão para que o Tarcísio lance a candidatura. Flávio vai andar no bolsonarismo, sem apoio dos outros segmentos. Tarcísio tem trajetória no agro. Já Flávio é um total desconhecido.

POLÍTICA DO PAI – Para se contrapor a esse discurso, Flávio tem procurado empresários do ramo e integrantes da bancada para dizer que seguirá a política do governo do pai, que interrompeu assentamentos de sem-terra, por exemplo.

— Flávio tem o legado do pai, a experiência no Senado e boa formação. São credenciais que devem ser usadas para abrir portas — pondera Evair de Melo (PP-ES), deputado mais ligado ao bolsonarismo.

PREFERÊNCIA – Os primeiros levantamentos eleitorais divulgados após o anúncio da pré-candidatura de Flávio demonstram a preferência do eleitorado de direita por outros nomes. Mesmo entre evangélicos, segmento em que o bolsonarismo se sai melhor, é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro quem aparece à frente, segundo pesquisa Ipsos/Ipec divulgada na semana passada.

Enquanto Lula lidera com 38% no total do eleitorado, seu desempenho cai para 26% entre evangélicos. Nesse recorte, o petista fica numericamente atrás de Michelle, que concentra 32% das intenções de voto e aparece como o nome mais competitivo da família Bolsonaro junto aos fiéis.

No cenário em que Flávio é testado como herdeiro político do pai, o senador sobe de 19% no agregado para 25% entre evangélicos, resultado que o coloca em empate técnico com Lula, mas ainda abaixo do desempenho de Michelle, reforçando a leitura de líderes religiosos de que é a ex-primeira-dama quem mantém maior capacidade de mobilização nesse público. A margem de erro da pesquisa, para o recorte, é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

BANCADA EVANGÉLICA – A resistência ao nome de Flávio também é percebida na bancada evangélica do Congresso. Ao longo da semana, O Globo procurou seus integrantes: sete deputados defenderam a candidatura, enquanto outros 23, sob reserva, fizeram críticas. A maioria evitou responder publicamente.

Aliado político do líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, foi um dos que criticaram a pré-candidatura de Flávio, dizendo considerar “amadorismo da direita”. Já Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, avalia que ainda é cedo para a definição e não descarta que o senador recue.

— Se Flávio desistir, pode ter Tarcísio ou Michelle, que é atuante no meio evangélico e, por ser mulher, tem um apelo. Flávio é mais discreto — afirma ele. — Acho que a primeira coisa é não ter pressa. O ambiente está extremamente embolado. Temos que ver o que vai se desenrolar com Bolsonaro, se a dosimetria vai avançar no Senado. E vamos ver se o Flávio vai conseguir unir os partidos. Ainda há muitas definições em aberto.

VISITAS  – Tarcísio, embora católico, consolidou espaço crescente no segmento. Ele intensificou visitas a templos, ajustou o discurso e viralizou com vídeos de pregações, como o trecho em que diz que “Deus é o Deus do impossível; faça o possível, o impossível deixe comigo”.

Na bancada da bala, por sua vez, parlamentares afirmam que Flávio não sustenta o mesmo discurso de enfrentamento que mobilizou policiais e militares em favor da figura do pai. O argumento mais repetido é que o senador tem uma trajetória limitada na área, não dialoga com corporações e não reproduz o tom de confronto que marcou a articulação de Jair com esse eleitorado.

PAPEL SECUNDÁRIO  – Embora seja presidente da Comissão de Segurança do Senado, o herdeiro de Bolsonaro tem exercido papel secundário nas discussões sobre o tema, que é sensível para a esquerda e pode trazer dividendos para a direita. Flávio não fez parte da cúpula da CPI do Crime Organizado, tampouco foi escolhido relator do PL Antifacção no Senado, embora tenha feito esse pleito ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Tarcísio, por sua vez, acumulou atributos considerados essenciais pelo segmento ao investir em operações policiais em São Paulo, defender o endurecimento penal e verbalizar apoio explícito à redução da maioridade penal. Em declaração no mês passado, chancelou a adoção da prisão perpétua no Brasil, medida classificada por ele mesmo como “radical”.

— Eu defendo algumas mudanças (na legislação) que são até radicais. Que a gente comece a enfrentar o crime com a dureza que o crime merece ser enfrentado. Não acho, por exemplo, nenhum absurdo você ter prisão perpétua no Brasil — disse em encontro com representantes do mercado financeiro em São Paulo no dia 28 de novembro.

BOLSA CAIU – O setor financeiro foi outro a não receber bem a pré-candidatura de Flávio. No dia do anúncio, a Bolsa caiu e o dólar registrou a maior alta do período, movimento associado ao aumento da incerteza política.

Ciente das resistências, o senador iniciou uma ofensiva junto ao mercado, concentrada em São Paulo. Na última semana, participou de um almoço com empresários na sede do banco UBS, em uma tentativa de atraí-los da órbita de Tarcísio. O encontro reuniu cerca de 40 convidados, entre eles Flávio Rocha (Riachuelo), Richard Gerdau (Gerdau), Alexandre Ostrowiecki (Multilaser) e Mario Araripe (Casa dos Ventos), e foi descrito por participantes como um primeiro movimento para “apresentar o senador” ao empresariado paulista.

De acordo com os presentes, Flávio disse que, caso eleito, repetirá a linha adotada pelo ex-ministro Paulo Guedes na gestão Bolsonaro. Ainda assim, quem esteve no encontro relatou dúvidas se a empreitada do senador é mesmo “irreversível”.

OBSTÁCULOS – Para o agronegócio, Flávio Bolsonaro é visto como figura lateral na área, sem uma atuação consistente em agendas consideradas prioritárias pelo grupo. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas atraiu apoio após medidas que beneficiam o setor como governador de São Paulo, como na área de regularização fundiária.

Já líderes de grandes agremiações evangélicas evitaram declarar apoio à candidatura de Flávio. Pesquisas eleitorais mostram que Michelle Bolsonaro tem melhor desempenho no segmento, reforçando a leitura de parte dos religiosos de que é a ex-primeira-dama quem mantém maior capacidade de mobilização nesse público.

A avaliação de integrantes da bancada da bala é que Flávio tem trajetória limitada na área. Embora seja presidente da Comissão de Segurança do Senado, tem exercido papel secundário nas discussões sobre o tema, que é sensível para a esquerda e pode trazer dividendos para a direita.

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