sábado, dezembro 13, 2025

Mídia internacional cita ação de Lula e revés para Bolsonaro na retirada de Moraes da Magnitsky

 

Mídia internacional cita ação de Lula e revés para Bolsonaro na retirada de Moraes da Magnitsky

Por Naomi Matsui, Estadão Conteúdo

13/12/2025 às 11:57

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

A notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes da lista da Lei Magnitsky repercutiu também na mídia internacional.

Os jornais destacam a relação de Moraes com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a pressão do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelas restrições e a melhora recente na relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O americano The New York Times lembrou que a "a Lei Magnitsky é uma lei raramente usada" a estrangeiros acusados de graves violações dos direitos humanos ou corrupção e que a sanção a Moraes veio no contexto do julgamento de Bolsonaro, tal como o aumento de tarifas a produtos brasileiros.

O jornal também citou a atuação de Moraes: "O ministro Moraes tem combatido agressivamente as ameaças que percebe como sendo à democracia no Brasil, embora algumas de suas ações, incluindo a ordem de prisão de pessoas por publicações em redes sociais, tenham sido consideradas antidemocráticas", disse.

O Washington Post destacou que a decisão vem "apenas quatro meses depois" da imposição da sanção e caracteriza a derrubada como uma "significativa retração da campanha de pressão do governo Trump no Brasil".

A publicação americana ainda trouxe que a decisão foi resultado do "esforço diplomático do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para persuadir o presidente Donald Trump a revogar as sanções impostas." Disse também que a "família Bolsonaro e os líderes da direita continuam divididos sobre quem deve ser o candidato à presidência no próximo ano" após a prisão de Jair Bolsonaro.

A Bloomberg mencionou que a decisão dos Estados Unidos ocorre após o "presidente Donald Trump ter flexibilizado as tarifas sobre importantes exportações brasileiras, meses depois de tê-las imposto numa tentativa de ajudar Bolsonaro a evitar julgamento pelas acusações de tentativa de golpe após sua derrota nas eleições de 2022".

Já o britânico The Guardian ressaltou que a derrubada da sanção tanto para Moraes como para a esposa do ministro, Viviane Barci, atendeu ao pedido de Lula. "A medida havia sido solicitada repetidamente pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, nas negociações com Donald Trump para a redução das tarifas de 50% sobre as importações brasileiras", disse.

O Guardian mencionou ainda a aproximação entre Trump e Lula: "Os apoiadores de Bolsonaro esperavam mais represálias contra o Brasil, mas o que se seguiu foi uma reaproximação inesperada entre Trump e Lula".

Moraes foi sancionado pelo governo Trump no dia 30 de julho deste ano em um contexto de pressão das autoridades americanas para que ele recuasse no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.

Já Viviani e o Instituo Lex, empresa mantida pelo casal, foram incluídos na lista mantida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros no dia 22 de setembro deste ano, num gesto de retaliação após a Primeira Turma do STF acompanhar o voto de Moraes e condenar Bolsonaro a 27 anos de prisão, no dia 11 do mesmo mês.

A lei Magnitsky impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos. O dispositivo legal à disposição do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos nunca havia sido utilizado contra membros do Poder Judiciário.

Em julho, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos afirmou que "o objetivo final das sanções não é punir, mas promover uma mudança positiva de comportamento".

Politica Livre

Generais Heleno e Paulo Sérgio estão presos ao lado de academia onde Moraes treinava

 

Generais Heleno e Paulo Sérgio estão presos ao lado de academia onde Moraes treinava

Por Fabio Victor, Folhpress

13/12/2025 às 17:12

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

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Generais Paulo Sérgio Nogueira e Heleno

Por uma ironia do destino, os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, presos após condenação no julgamento da trama golpista, estão detidos em Brasília em salas do Comando Militar do Planalto (CMP) vizinhas a uma academia do complexo onde o ministro Alexandre de Moraes treinou até meados de 2022.

Relator no STF do processo por tentativa de golpe de Estado contra Bolsonaro e outros militares, Moraes sempre manteve boa relação com a cúpula do Exército, a ponto de ter sido convidado para usar as instalações do CMP para fazer suas atividades físicas.

Conforme contou em entrevista à Folha em dezembro de 2023, Moraes chegava diariamente às 6h40 ao complexo, que conta também com uma pista de atletismo, e se exercitava junto com militares. As salas onde estão presos Heleno e Paulo Sérgio estão a uma curta distância a pé da academia.

O CMP fica no Setor Militar Urbano de Brasília, perto do quartel-general do Exército e de onde foi instalado o acampamento que serviu de base para os golpistas do 8 de janeiro.

Em agosto de 2022, em meio à crise entre Bolsonaro e o Judiciário, quando o então presidente e generais aliados faziam campanha contra o sistema eleitoral brasileiro, Moraes recebeu um recado de que teria de interromper as idas à academia, pois o espaço estava passando por reforma.

Desconfiado, o magistrado pediu que seu ajudante de ordens –um capitão da Polícia Militar, intermediário do aviso sobre a "reforma"– tirasse a história a limpo.

"Eu falei, reforma em agosto? Reforma costuma ser em janeiro, agora eles têm todos os testes físicos... E obviamente não estava em reforma, eu é que estava sendo reformado da academia, foi uma forma educada de eu ter sido convidado a me retirar da academia. É uma pena, academia boa, mas são águas passadas já", contou Moraes à Folha.

Como parte de um movimento para distensionar as relações entre o Judiciário e a caserna (os integrantes das Forças Armadas são em sua maioria críticos da atuação de Moraes e do STF), o atual comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, convidou o magistrado para voltar a usar a academia.

O ministro agradeceu, mas recusou.

"Eu não voltei porque a partir disso eu já substituí, montei meus treinos, e obviamente agora, se eu voltar, o que vai ter de paparazzi lá tirando foto de eu treinando, vou perder a minha tranquilidade, e mais, eu vou atrapalhar o treino dos demais", afirmou Moraes em dezembro de 2023.

 Politica Livre

Bolsonaristas se voltam contra Trump após retirada de Moraes da Magnitsky


Haddad, Lula e o intrincado xadrez político rumo à eleição de 2026


Haddad confirma que pode deixar a Fazenda

Pedro do Coutto

A entrevista recente concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acendeu um novo capítulo no já movimentado tabuleiro político brasileiro. Com tom sereno, mas carregado de sinais, Haddad admitiu que pode deixar o comando da Economia para atuar diretamente na campanha de reeleição do presidente Lula da Silva em 2026. A fala, embora envolta em cautela, deixou no ar a sensação de que a decisão está mais encaminhada do que o ministro quis admitir explicitamente.

Segundo relatou, essa foi a primeira vez em que conversou abertamente com Lula sobre a possibilidade de sair da pasta para colaborar com o projeto eleitoral. O presidente, em resposta, adotou uma postura compreensiva e amistosa, afirmando que respeitará qualquer escolha de Haddad. Não houve menção a datas, tampouco a uma decisão formal, mas ficou evidente que o ministro deseja participar diretamente da elaboração do programa de governo e da estruturação da campanha — não como candidato, e sim como colaborador estratégico.

ESPECULAÇÕES – A sinalização da possível saída de Haddad naturalmente abre espaço para especulações dentro do governo sobre quem poderia assumir o Ministério da Fazenda. Ainda que o ministro não tenha citado nomes, o ambiente político observa atentamente os movimentos internos, já antecipando mudanças que podem remodelar a equipe econômica.

Durante a entrevista, Haddad também abordou temas que têm exigido atenção constante do governo, entre eles a situação delicada dos Correios. Ele reconheceu que a estatal vive um momento que “inspira cuidados”, diante de um rombo financeiro expressivo e de uma necessidade urgente de reinvenção. Para o ministro, será indispensável que a empresa busque novos modelos de negócio e parcerias, alinhando-se a tendências internacionais para sobreviver em um mercado em transformação.

Outro ponto que ganhou destaque foi sua avaliação sobre o relacionamento com o Congresso. Haddad admitiu que, em alguns momentos, o Legislativo acabou engessando a execução orçamentária, dificultando a capacidade do governo de remanejar recursos e avançar com as políticas planejadas. Em um ambiente onde o debate eleitoral já se insinua nos bastidores, essas tensões tendem a se intensificar, pressionando tanto o Executivo quanto os parlamentares.

POLÍTICA MONETÁRIA – No pano de fundo, paira também o debate sobre a condução da política monetária. Embora Lula tenha sido um crítico ferrenho dos juros elevados durante a gestão anterior do Banco Central, permanece o silêncio presidencial diante do patamar atual — mais alto do que aquele que criticava. A leitura política é complexa e envolve desde a autonomia do Banco Central até os efeitos da política econômica sobre o humor dos mercados e da opinião pública.

O cenário institucional brasileiro, já congestionado por disputas entre poderes, ganhou novos contornos com a controvérsia envolvendo o mandato da deputada Carla Zambelli. A decisão do ministro Alexandre de Moraes de anular a manutenção do mandato pela Câmara, diante de uma condenação que deveria, segundo interpretação constitucional, acarretar sua cassação, aprofundou as tensões entre Judiciário e Legislativo. O episódio reforça a sensação de que 2026 não será apenas mais uma eleição, mas um marco decisivo sobre o equilíbrio de poderes no país.

Alguns movimentos partidários também começam a redesenhar as projeções eleitorais. A articulação que busca lançar Ratinho Junior e Romeu Zema como alternativa ao Planalto reorganiza peças no campo da centro-direita e pressiona candidaturas já declaradas. Essa reestruturação amplia a complexidade do tabuleiro político e evidencia que a disputa presidencial já está em curso, mesmo que oficialmente ainda distante.

IMPACTOS – Nesse contexto, a posição de Haddad se torna ainda mais estratégica. Sua eventual saída não representaria apenas uma mudança administrativa: teria impactos na economia, na articulação política e na própria campanha de Lula. Por outro lado, sua permanência poderia garantir estabilidade à condução da política fiscal em um momento de volatilidade política e incertezas institucionais.

O que a entrevista deixa claro é que o Brasil já respira o clima pré-eleitoral. Entre ajustes econômicos, tensões políticas e rearranjos partidários, o país se prepara para uma disputa que promete ser uma das mais complexas e imprevisíveis desde a redemocratização. E Haddad, seja como ministro ou como articulador de campanha, permanecerá no centro dessa travessia.


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