sexta-feira, novembro 14, 2025

Grupos ligados ao PT miram Motta e Tarcísio e dizem que texto de Derrite fortalece crime

Motta foi responsável por designar Derrite, secretário da Segurança Pública do governo Tarcísio, para relatar o projeto, num revés para governistas

Por Victoria Azevedo/Folhapress

14/11/2025 às 12:55

Foto: Bruno Spada/Arquivo/Câmara

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Hugo Motta

Grupos ligados ao PT em aplicativos de mensagens intensificaram a ofensiva contra o relatório apresentado por Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o projeto antifacção. Eles divulgaram vídeos críticos a integrantes do centrão nos quais afirmam que o texto fortalece o crime organizado.

Materiais divulgados pelos grupos Pode Espalhar, iniciativa do PT e entidades ligadas ao partido para reforçar a atuação nas redes sociais, miram nomes como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI).

Motta foi responsável por designar Derrite, secretário da Segurança Pública do governo Tarcísio, para relatar o projeto, num revés para governistas. Desde que o deputado apresentou sua primeira versão ao texto originalmente enviado pelo governo Lula (PT), integrantes do Palácio do Planalto, do partido e aliados passaram a dizer que a proposta abria brecha para o enfraquecimento da soberania nacional e da atuação da Polícia Federal, algo que o relator e aliados classificam como narrativa falsa.

O governo e o PT começaram uma campanha em defesa da PF e passaram a relacionar o projeto antifacção à PEC da Blindagem, que foi aprovada na Câmara, mas enterrada no Senado após forte pressão da sociedade. A Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência também divulgou vídeos críticos ao projeto.

A reportagem da Folha está em alguns grupos do Pode Espalhar. Em seu site, a iniciativa é descrita como uma "rede de militância nacional, digital e organizada e produz e compartilha conteúdos para defender o povo, a democracia e as conquistas do governo Lula e combater a extrema direita, as mentiras e espalhar esperança".

Na quinta-feira (14) foram enviados dois vídeos —em grupos diferentes— que miram a atuação do centrão nesse processo. Não há identificação sobre a autoria. Procurado, o PT não respondeu.

Um deles, com duração de um minuto e meio, afirma que há uma "jogada muito perigosa acontecendo em Brasília que vai fortalecer ainda mais o crime organizado" e que há "políticos trabalhando para proteger o crime".

O narrador cita nominalmente Tarcísio, Motta e Ciro Nogueira, afirmando que eles "querem enfraquecer o PL antifacção com um objetivo claro: diminuir o poder de investigação da Polícia Federal e aumentar o controle político sobre quem deveria ter autonomia para inves tigar o crime organizado".

"A jogada é simples: Tarcísio de Freitas usou sua influência e colocou seu ex-secretário de segurança Guilherme Derrite para relatar o PL antifacção. Derrite, seguindo as orientações de seu chefe, propôs uma série de mudanças ao projeto para diminuir o poder de investigação da PF. Hugo Motta é o articulador no

Congresso, quem dá o aval ao projeto e garante que o texto avance. E Ciro Nogueira, do centrão, faz o trabalho de bastidor para alinhar o apoio político e isolar politicamente quem tenta defender a autonomia da PF", diz o narrador.

"E por que essa articulação é tão perigosa? Porque o controle político da PF permite que políticos ou seus aliados ligados ao crime organizado ganhem espaço para cometer crimes sem que haja investigação", diz ainda. O vídeo é acompanhado de imagens dos políticos que são citados.

No segundo filme, com duração de pouco mais de um minuto, é divulgada fotografia de um jantar que ocorreu nesta semana entre os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Arthur Lira (PP-AL) ao lado de Derrite. O vídeo usa a expressão um "jantar indigesto para o Brasil".

"Cunha você lembra bem: foi cassado e preso por corrupção. Agora, é quem assessora Derrite no projeto que vai decidir o futuro da segurança pública do Brasil. E Arthur Lira? Dispensa apresentações. Cunha e Derrite têm um objetivo em comum: enfraquecer a PF e impedir que criminosos de colarinho-branco sejam presos", diz o narrador.

Nesse vídeos, é transmitida fala do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entrevista nesta semana, na qual ele critica o relatório apresentado por Derrite.

Em seguida, o narrador retoma a fala e diz que, enquanto isso, "na rua, o crime organizado agradece essa parceria". "E na mesa de restaurante, muita risada, brindes e garfadas que custam mais do que centenas de reais. Custam a segurança do povo brasileiro. Eles brindam, o crime agradece e quem paga é o povo", finaliza.

Neste ano, o PT intensificou sua atuação nas redes sociais numa tentativa de disputar politicamente o ambiente virtual. No primeiro semestre, com a campanha em defesa da justiça tributária e a retórica da luta entre pobres e ricos, governistas inundaram seus perfis com a mensagem de que o presidente da República estaria entrando em choque contra poderesos interesses do status quo empresarial e financeiro.

Naquele momento, boa parte dessa campanha era de vídeos produzidos por inteligência artificial e que tinham como mote a defesa da "taxação BBB", em referência a "bilionários, bets e bancos" —grupo que formaria um poderoso lobby em parceria com o centrão e a direita no Legislativo.

Integrantes do centrão, como reação, diziam enxergar atuação do governo federal por trás desses vídeos apócrifos, e chegar a falar na formalização de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no governo para para investigar os financiadores desses filmetes. A iniciativa não foi adiante.

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NOTA DE FALECIMENTO

                                    Foto Divulgação -


Com profundo pesar, termino de tomar conhecimento do falecimento do amigo Ewerton Almeida (Ton), ex-deputado estadual, dentista, aos 84 anos de idade. Esposo de nossa conterrânea Regina Andrade, Ton foi vítima de um infarto enquanto estava em Jeremoabo. De imediato, foi levado para ser socorrido em Juazeiro – Bahia, mas infelizmente não resistiu. Seu sepultamento ocorrerá na sua terra natal, Jequié – Bahia.

Ewerton Almeida (Ton) deixa esposa, duas filhas e dois netos, que agora enfrentam a dura missão de lidar com a dor da partida de um homem querido, respeitado e de grandes serviços prestados.

Que Deus conforte o coração de seus familiares e amigos, dando força para suportar esta perda irreparável.

Aproveito, ainda que de forma dolorosa e inoportuna, para registrar a urgente necessidade de implantação de uma UTI no Hospital Municipal de Jeremoabo. Em situações graves como esta, o paciente é obrigado a percorrer longos caminhos em busca de atendimento especializado.
Entre Jeremoabo e Juazeiro são 282 km, uma viagem de aproximadamente 4 horas e 34 minutos, tempo precioso que pode significar a diferença entre a vida e a morte.

Que esta triste perda sirva também de reflexão para que nossas autoridades priorizem, de forma imediata e efetiva, a saúde pública e a proteção da vida humana.

NOTA - Comissão de Segurança Pública da OAB SP se manifesta sobre PL Antifacções

 

Comissão de Segurança Pública da OAB SP se manifesta sobre PL Antifacções


A OAB de São Paulo, por sua Comissão de Segurança Pública, somando-se à Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e ao Ministério da Justiça, vem a púbico externar sua preocupação com o açodamento na aprovação do Projeto de Lei relatado pelo Deputado Federal Guilherme Derritte para dar novo tratamento jurídico às facções.

Todos sabemos da importância e da urgência do debate em torno do tratamento penal das facções, mas tema dessa importância reclama maturação das discussões, inclusive pelos técnicos, membros das Universidades e a comunidade em geral.


Respostas de ocasião, sem maior reflexão, podem ser boas, eventualmente, para render votos, mas pouco eficazes no combate efetivo ao crime organizado.

O PL em questão mereceu do próprio relator diversas modificações e poderá, com um pouco mais de tempo, ser ainda mais aperfeiçoado. Sem entrar nos detalhes, é necessário, contudo, um debate técnico e não contaminado pela retórica de guerra contra narcotraficantes. É necessário também aperfeiçoar o sistema penal para que a legislação penal e processual, além da execução penal brasileira sejam de fato cumpridas. \

Um alerta também sobre o aumento desmedido de penas, que afora o draconianismo e desproporcionalidade, sobrecarregará o sistema penitenciário e poderá ter o efeito perverso de fortalecer as fações merece registro. Nesse quadro, é boa a ideia do governo de uma modalidade privilegiada para pessoas que tenham vínculos com organização criminosa, mas não estejam em posição de liderança.

Líderes de facões devem ser punidos, tirados de circulação e a prisão não deve ser quartel general do crime. É fundamental a cooperação entre as diversas agências do sistema persecutório. O corporativismo é prejudicial para o controle do crime.


A OAB SP está à disposição do Relator e do Congresso como um todo para discutir o tema e contribuir da melhor forma possível.

Leonardo Sica
Presidente da OAB SP

Alberto Zacharias Toron
Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB SP



Imprensa GBR
Porta-voz para entrevista
Priscila Fonseca (11) 96867-1874

Mariana Amud (11) 98922-2433

Transparência e Governança Pública: o elo entre Estado e empresas privadas

 


Transparência e Governança Pública: o elo entre Estado e empresas privadas

* Por Bruno Ferola, diretor de Compliance & ESG da Protiviti

 

Ao analisar os dados mais recentes do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), percebe-se uma evolução significativa em diversos estados brasileiros no que se refere à regulamentação, plataformas digitais e transparência orçamentária. O Espírito Santo, por exemplo, alcança mais de 95 pontos, figurando entre os líderes, seguido de perto por Goiás, Minas Gerais e Ceará. Essa performance mostra que, mesmo em contextos desafiadores, existem avanços consistentes no fortalecimento de políticas de integridade.

 

O ITGP, além de avaliar o acesso à informação, também examina dimensões essenciais: leis, plataformas, transparência financeira e orçamentária, obras públicas, participação social, dados, transformação digital e comunicação, administração e governança. A partir dessa lente, torna-se evidente que transparência e governança são pilares indissociáveis para o fortalecimento da democracia e para a redução de riscos de corrupção.

 

Um dado que chama a atenção é a heterogeneidade entre estados. Enquanto alguns já consolidaram políticas avançadas de dados abertos, conselhos de participação e regulamentação detalhada da integridade, outros ainda apresentam lacunas significativas. Isso reforça a ideia de que o compliance público, mais do que um conceito normativo, é uma prática de governança que precisa ser internalizada e aplicada de forma uniforme para gerar efeitos reais.

 

Esse cenário conecta-se diretamente às conclusões de que programas de integridade em ambientes públicos não devem ser tratados apenas como obrigações formais, mas como instrumentos de gestão. O Estado precisa ser exemplo de transparência para exigir das empresas o mesmo padrão. Afinal, a relação entre agentes públicos e privados só se sustenta com confiança e clareza de regras.

 

Para empresas privadas que contratam com entes públicos, essa agenda é ainda mais relevante. A Lei 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção, estabelece responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas por atos lesivos à Administração Pública. Isso significa que fragilidades de compliance geram riscos reputacionais e podem resultar em severas sanções financeiras e restrições comerciais. É necessário demonstrar governança, ter mecanismos de prevenção, canais de denúncia eficazes e cultura organizacional voltada à integridade.

 

Os dados do ITGP mostram que os estados que mais avançam em transparência e governança são também aqueles que estabelecem exigências mais claras para seus fornecedores. Empresas que atuam nesses ambientes precisam estar preparadas para auditorias, revisões periódicas e comprovação efetiva de seus programas de integridade. Não é exagero dizer que compliance público e privado formam um ecossistema interdependente: a maturidade de um lado pressiona e fortalece o outro.

 

Outro ponto relevante é que, enquanto muito se fala sobre transparência do setor público, pouco se discute sobre o impacto da pressão institucional sobre empresas privadas. Muitos gestores e executivos trabalham no limite entre atender às demandas de conformidade e manter a operação competitiva. Profissionais de áreas como saúde, tecnologia e segurança enfrentam cenários semelhantes com alto nível de cobrança e pouco suporte. No caso do compliance, isso significa que sem orientação especializada, o risco de descumprimento é alto, ainda que não haja má-fé.

 

É nesse contexto que contar com o apoio de consultorias especializadas se torna essencial. Profissionais com experiência prática em compliance público e privado conseguem orientar adequações normativas, estruturar programas de integridade robustos, conduzir diagnósticos e apoiar na gestão de riscos. Mais do que cumprir a lei, trata-se de criar ambientes organizacionais preparados para dialogar com o poder público em condições de igualdade e segurança jurídica.

 

Ao final, a leitura do ITGP revela que a integridade no setor público é um caminho em construção, com bons exemplos e áreas de fragilidade. Mas deixa claro que empresas que buscam prosperar em suas relações com o Estado não podem mais se dar ao luxo de improvisar. A profissionalização do compliance público e sua conexão direta com o setor privado são um chamado à ação. E o futuro, certamente, pertence às instituições que compreenderem que transparência e governança não são apenas exigências regulatórias, mas vantagens competitivas.
 

  • Bruno Ferola é Diretor de Compliance e ESG da Protiviti, consultoria global especializada em gestão de riscos, tecnologia e inovação, atuando na liderança de projetos que vão desde a estruturação de programas, até apurações internas, investigações corporativas e avaliações de riscos.

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