sexta-feira, outubro 24, 2025

Troca de turma de Fux dá força para Kassio em novo arranjo no STF

 

Troca de turma de Fux dá força para Kassio em novo arranjo no STF

Por Folhapress

Troca de turma de Fux dá força para Kassio em novo arranjo no STF
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

A mudança do ministro Luiz Fux para a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) pode dar mais força ao ministro Kassio Nunes Marques em um colegiado dominado nos últimos anos pelo decano do tribunal, o ministro Gilmar Mendes.
 

Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o Supremo, Nunes Marques não se alinhou a nenhuma das correntes da corte. Sua atuação é comparada a um pêndulo: ora vota com André Mendonça, ora forma maioria com Gilmar e Dias Toffoli.
 

A posição de Nunes Marques na Segunda Turma deve garantir a ele o voto decisivo em julgamentos no Supremo e colocá-lo como peça-chave para a nova relação de forças do tribunal.
 

A Segunda Turma do Supremo é composta pelos ministros Gilmar Mendes (presidente), Dias Toffoli, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. O colegiado é conhecido por ser o mais garantista do tribunal, corrente que prioriza a proteção dos direitos fundamentais e as garantias individuais em detrimento do poder persecutório do Estado.
 

Um eventual alinhamento de Nunes Marques com Fux e Mendonça pode garantir maioria na turma e dar ao trio um poder até então considerado pouco provável, diante das derrotas deles em processos julgados no plenário do Supremo.
 

A Segunda Turma é a responsável por julgar os processos ligados às fraudes do INSS, analisa casos sobre desvio de emendas e será a responsável por decidir sobre possíveis revisões criminais de Bolsonaro e dos demais condenados pela trama golpista.
 

Foi lá também que muitas das decisões da Lava Jato foram revistas e derrubadas com discursos contundentes contra a atuação do Ministério Público ou das instâncias inferiores.
 

Quatro ministros ouvidos pela Folha destacam que os integrantes do tribunal não costumam ter alinhamentos automáticos. Eles divergem sobre os impactos da ida de Fux à Segunda Turma -um acha cedo para avaliar e outros veem implicações especialmente em matérias criminais.
 

Na visão de um magistrado, no entanto, a mudança deve ressaltar as diferenças entre os dois colegiados em diferentes temas.
 

Nunes Marques costuma votar contra o Ministério Público em processos que envolvem políticos ou possuem grande repercussão nacional. Foi com o voto dele que a turma considerou ilegal o uso de relatórios de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) na denúncia das rachadinhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
 

Ele foi um dos poucos a votar pela absolvição dos bolsonaristas presos em frente ao QG do Exército no dia seguinte aos ataques às sedes dos Poderes.
 

Foi também de Nunes Marques o voto decisivo para a Segunda Turma anular as condenações do ex-ministro Antonio Palocci, braço direito de Lula (PT) no primeiro mandato na Presidência, preso na Operação Lava Jato.
 

Luiz Fux decidiu deixar a Primeira Turma do STF após se ver isolado no colegiado. Ele foi o único a votar pela absolvição de Bolsonaro e parte dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado do fim de 2022. Desde então, o ambiente entre os ministros ficou mais denso.
 

A turma é composta por Flávio Dino (presidente), Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
 

O movimento foi interpretado por colegas de Supremo como uma tentativa de Fux de buscar aliados num momento em que se viu acuado pelas críticas que recebeu por seu voto para absolver Bolsonaro.
 

A posição de Fux já era esperada pelos demais integrantes da Primeira Turma. O principal motivo de indignação foi pela forma como o voto foi apresentado, durante leitura de cerca de 13 horas sem permissão para interrupção dos colegas.
 

Ainda que a divergência fosse prevista, os ministros ficaram incomodados com a postura que entenderam agressiva de Fux e o conteúdo que teria ido além do que Fux indicava nos casos de 8 de Janeiro, ao fazer questionamentos à condução do caso por Moraes e referências críticas às manifestações dos colegas, além de minimizar o caso em debate com afirmações em defesa da liberdade de expressão e manifestação e protestos pacíficos.
 

No dia seguinte ao seu voto, Moraes, Cármen e Dino dedicaram parte da sessão para rebater as teses de Fux e defender a condenação do ex-presidente e seus aliados.
 

Agora com assento em outro andar do Supremo, Fux vai dividir espaço com o ministro Gilmar Mendes, com quem acumula desavenças. A mais recente foi uma discussão, na quarta-feira (15), no intervalo da sessão plenária.
 

O motivo do entrevero foi o pedido de vista (mais tempo para análise) de Fux que interrompeu um julgamento de processo que Gilmar move contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por calúnia.
 

O resultado parcial era de 4 a 0 contra o recurso de Moro. Só faltava o voto de Fux. Na discussão, Gilmar sugeriu que o colega fizesse "um tratamento de terapia para se livrar da Lava Jato", como mostrou a colunista Mônica Bergamo.
 

Na Segunda Turma, Fux pode herdar a relatoria dos processos restantes da Lava Jato. O ministro Edson Fachin era o responsável pelos casos, mas deixou-os ao assumir a presidência do Supremo.

Candidato de direita não precisa de Bolsonaro

 

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Arte: Marcelo Chello

Parem as máquinas. E, por favor, não matem o mensageiro. Não é a Tixa que está dando essa declaração polêmica contida neste título. Ela chegou aos nossos ouvidos por gente muito envolvida com potenciais candidatos de direita. A real é que, entre esse pessoal que tenta viabilizar uma candidatura para 2026, tem crescido a afirmação de que o apoio de Bolsonaro não fará diferença na eleição. (Agora uns dez morreram do coração.) Mas por que esse discurso ganha força? Porque ninguém acredita que, em um cenário Lula x qualquer pessoa de direita, no segundo turno, a galera radical bolsonarista vote em Lula. E votar em branco também é votar em Lula. Sacou? Sacou?

Esse assunto de que o Bolsonaro perdeu a relevância surgiu hoje porque, enfim, saiu o acórdão da condenação do nosso ex. Agora abrem-se os prazos de recursos e, logo, o processo deve transitar em julgado — e isso significa que ele precisará começar a cumprir a pena. Mas vamos às ponderações.

Bolsonaro perdeu força porque não tem como ser candidato. Ele está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral e, agora, também está inelegível por ser condenado pela Justiça. Mas claro que nosso ex continua forte em conseguir votos e vai conseguir eleger muitos deputados e senadores que vão se apropriar do Bolsonaro. Então, por isso, nenhum candidato de direita vai dizer em alto e bom som que o apoio de Bolsonaro não importa. A tal misancene vai continuar. (Tixa, misancene se escreve assim? Claro que não, né, darling? O correto é mise-en-scène, do francês — vamos todos fingir.)

Eu olho tudo isso e só lembro desses vídeos da inteligência artificial durante as eleições. Alguém acha que qualquer coisa que se diga hoje valerá daqui a um ano?

Agora que já causei polêmica com todos nós, pobres mortais (sim, darling, eu sempre estou incluída nessa), que não conseguimos acompanhar esse rolezinho dos donos da política na vida real, vamos às notícias do nosso pão de cada dia.

O supremo Fachin autorizou que Luiz Fux vá para a segunda turma. Pronto, agora já está oficializada a maioria bolsonarista na segunda turma. Isso muda o jogo, darling. Basicamente, isso quer dizer que, se o julgamento do 8 de janeiro tivesse caído nesta nova composição da segunda turma, o resultado seria outro. Só quero dizer que, daqui a pouco, vai ter ministro supremo (que defendeu até a morte que um processo precisa ser julgado por determinada turma) dizendo que é melhor que tudo seja julgado pelo Plenário.

Comentário aleatório: o pessoal que vende a ideia de que acompanha os robozinhos da distribuição de processos no Supremo para conseguir que os casos caiam no lugar certo precisa ficar ligado (sim, tem isso. Se funciona, só Deus sabe).

Bolsonaro, presente.

E saiu o tal acórdão do julgamento de Bolsonaro. Contamos aqui na segunda que o supremo Fux havia pedido para corrigir uns erros gramaticais do seu voto de 12 horas e que esse rolê poderia adiar por um bom tempo a publicação do acórdão e, consequentemente, o início do cumprimento da pena pelo nosso ex.

Só que, pelo visto, Fux quer é se livrar de tudo isso rápido, e agora a defesa do ex-mito tem cinco dias para entrar com os recursos. Só que os entendidos — leia-se juristas — afirmam que dificilmente qualquer recurso será aceito pela Primeira Turma do Supremo, já que a votação foi um chocolate de 4x1 contra Bolsonaro.

Segurança pública

Tem um assunto que vai ser muito discutido em 2026: segurança pública. Não é à toa que o governo Lula, vira e mexe, apresenta um plano novo. Hoje, Lewandowski, o ministro da Justiça, apresentou o projeto para combater facções criminosas. Leia-se PCC e Comando Vermelho. O jogo sendo jogado no Congresso.

MP da Itália resolve mandar Zambelli viajar

O Ministério Público da Itália deu um parecer favorável para mandar Carla Carabina Zambelli de volta para o Brasil. Agora o processo segue (não se sabe por mais quanto tempo) até a decisão da Justiça de lá. E ainda precisa de um parecer do governo italiano ratificando a decisão.

Cirão das Massas de lasanha voltou para o PSDB de Aécim Neves

Depois de 28 anos fora da galera tucana, Cirão resolveu voltar e, hoje, assinou a filiação. Dizem as más línguas que ele vai disputar as eleições para governador do Ceará, no ano que vem.

Cirão deve se unir com bolsonaristas para tentar impedir a reeleição de Elmano de Freitas, o atual governador, que é do PT. Agora, o maninho, Cid Gomes, já disse que não vai apoiar o irmão, pois ele “não se vê” ao lado de gente da direita e extrema-direita. Eita!

Só acho o timing da lasanha meio errado, né, darling? Agora que o PSDB já praticamente não existe, ele resolve subir no bonde. É aquele velho ditado: do pó vieste, ao pó voltarás.

Dudu, ausente.

E a Comissão de Ética da Câmara decidiu arquivar o processo instaurado contra Dudu Bolsonaro por quebrar decoro parlamentar ao fazer lobby nos States contra o Brasil. Foram 11 votos pelo arquivamento contra 7. O relator do caso até andou dizendo que não pode isso ou aquilo, mas, no fim, disse que não se pode botar censor no que diz um deputado, não importa se aqui ou nos Estados Unidos. O PT, que entrou com o processo, vai recorrer ao Plenário.

Por que isso é importante? Se Dudu fosse cassado no comitê de ética, ficaria inelegível. Se for cassado por número de faltas (o que efetivamente é o que deve acontecer), ele pode se candidatar no ano que vem.

Motta diz amém

A Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de urgência para votar um projeto que cria a bancada cristã. Se for aprovada, essa bancada teria direito a Colégio de Líderes (ou seja, muitos salários). Vão aprovar? Não sabemos. Tá aí o projeto de anistia que também teve a votação urgente aprovada e até agora não andou — e que não me deixa mentir sozinha. Mas alô, pessoal da Bíblia, não tem um rolê de interpretação do livro do Apocalipse que diz que o fim do mundo chegará quando política e religião se misturarem? Para que arriscar, né?

Socorro, BRASEW. Entra no Zap da Tixa aqui.

Corrupção sistêmica: um esboço teórico a partir de “Tangentopoli”" by Matteo Finco

 

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Corrupção sistêmica: um esboço teórico a partir de “Tangentopoli”
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2021, Observação da violência sistêmica, corrupção e seus reflexos no mercado: análise comparativa Brasil-Itália
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quinta-feira, outubro 23, 2025

FLICA começou hoje (23) e transforma Cachoeira na capital da literatura até domingo (26)






Mais de 60 autores e atividades espalhadas em 10 espaços fazem da FLICA destino imperdível nos próximos dias


Resultado de um trabalho coletivo de um ano, a 13° edição da Feira Literária Internacional de Cachoeira (FLICA) começou oficialmente, nesta quinta-feira (23), no município do Recôncavo Baiano, atraindo um grande público de diversas cidades da região e de todo o estado. Com o tema “Ler é Massa”, a FLICA reunirá escritores, novos autores, artistas, músicos e autoridades políticas em diversos espaços espalhados por toda cidade, que vai respirar cultura e se transformar na capital da literatura até domingo (26), quando será encerrada.


Os desafios de um evento feito a muitas mãos, o esforço coletivo e o empenho de toda equipe para promover uma iniciativa tão importante para a Bahia são orgulho para todos os envolvidos na realização da FLICA, disse a coordenadora geral do evento, Verônica Nonato. “Estamos fazendo uma festa linda, a abertura não teve uma cadeira sequer vazia e ter esse resultado nos dá forças para a 14ª edição”, afirmou. Sobre a expectativa para os próximos dias, o entusiasmo toma conta da equipe. “Só pelo que está sinalizando a pontinha do iceberg hoje, no primeiro dia, teremos muita coisa legal para acontecer e, não tenho a menor dúvida, a FLICA já mostrou que vai ser e já é massa”.


A embaixadora da FLICA 2025, Vanessa Dantas, que nos anos anteriores desempenhou a coordenação geral do evento, lembrou que durante esses quatro dias, o público vai passear por diversas temáticas que, com certeza, vão contribuir para o enriquecimento de todos enquanto seres humanos, para que possamos construir um mundo melhor. “A leitura nos permite viver e viajar por diversos mundos sem sair do lugar. E é isso que, com certeza, vai acontecer aqui com a presença de diversos autores e nomes importantes da literatura brasileira e internacional. Agradeço aos nossos curadores, que capricharam na programação desta 13ª edição da Flica, e também à Prefeitura de Cachoeira e ao município de São Félix, pelo apoio essencial para a realização deste evento. Nosso agradecimento se estende ainda ao Governo do Estado da Bahia, na pessoa do governador Jerônimo Rodrigues, pelo investimento que permite que a Flica e mais de 80 eventos literários descendentes dela aconteçam em todo o estado”.


A prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, agradeceu às autoridades presentes, aos jovens, crianças, adultos e todos os apaixonados pela literatura e pela cultura e destacou o imenso prazer e sentimento de orgulho em sediar a Feira. “Um evento que já se consolidou como um dos maiores encontros literários do país, atraindo talentos, leitores e curiosos de todos os cantos do Brasil e do mundo. Cachoeira se reinventa, acolhendo os olhares empolgados dos leitores infantis, juvenis e adultos, que juntos vão celebrar e redescobrir a magia dos livros. Em 2025, reafirmamos nosso compromisso com um evento que é muito mais que uma festa. É uma poderosa ferramenta de democratização do acesso ao livro e ao conhecimento”. 


Representando o governador Jerônimo Rodrigues, o secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, celebrou a chegada da FLICA à sua 13ª edição. Em seu discurso para o grande público que lotou a solenidade de abertura, Bruno falou sobre o quanto é importante investir em eventos literários. “Acreditar no poder da palavra, em todas as suas possibilidades, em todas as suas formas de expressão, vale a pena. Vale a pena porque nós estamos formando novos públicos, leitores. Vale a pena porque nós estamos aquecendo o mercado editorial da Bahia e porque nós estamos apoiando cada vez mais os escritores e escritoras. Vale muito a pena porque nós estamos vendo a economia da cidade se desenvolver de uma forma muito rica e muito especial durante esses dias”. 


Para a gerente de comunicação Regional Norte Nordeste da Petrobras, Ana Cláudia, é um prazer imenso para a empresa, uma das muitas patrocinadoras do evento, apoiar o maior evento literário, a maior feira literária do Norte e Nordeste. “A mais grandiosa e potente expressão e contribuição da Bahia para o cenário cultural brasileiro. E ainda mais uma Feira que acontece no Recôncavo, grande símbolo da nossa cultura e que também é berço de nascimento da nossa Petrobras”, disse a gerente, ao acrescentar: “Esperamos que venham mais anos e anos de contribuição a iniciativas como esta”.


Onde tem patrocínio à cultura tem Governo do Brasil! - A 13ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz), Bahiagás, Caixa, Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet e Governo Federal. É contemplado também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada da SecultBA, e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da EMBASA. A realização é da SCHOMMER, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cachoeira e LDM (livraria oficial do evento).


Assessoria de imprensa: Vivas Comunicação Interativa - Tatiane Fretas.


Fábio Costa Pinto jornalista Mtb 33.166/RJ - Divulgação.

Perguntas irrespondíveis


Um leitor deste Blog, residente em Paulo Afonso, enviou uma foto curiosa: o prefeito da cidade, supostamente, ao volante de um ônibus escolar. Acompanhava a imagem a seguinte mensagem:

“Será que o prefeito possui autorização, ou melhor, Carteira de Motorista para dirigir?”

Com todo respeito ao atento leitor, não me faça perguntas irrespondíveis.
Em tempos de confusão entre o público e o privado, entre o simbólico e o real, entre o dever e o exibicionismo, já não sabemos mais quem é motorista, quem é passageiro e — pior — quem é o fiscal do trânsito administrativo.

Se o prefeito realmente

Líder do PT recorre para levar ao plenário o arquivamento de cassação de Eduardo Bolsonaro

 Foto: Reprodução/YouTube

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP)23 de outubro de 2025 | 17:15

Líder do PT recorre para levar ao plenário o arquivamento de cassação de Eduardo Bolsonaro

brasil

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), apresentou, nesta quinta-feira (23), um recurso contra a decisão do Conselho de Ética da Casa de arquivar o processo que pedia a cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Com isso, o recurso deve ser votado no plenário, que pode manter o arquivamento ou revertê-lo. Não há prazo para que o tema seja pautado, o que depende de decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Para protocolar o recurso, são necessárias ao menos 52 assinaturas e, segundo Lindbergh, mais de 80 deputados assinaram a peça.

Nesta quarta-feira (22), o Conselho de Ética arquivou a representação que pedia a cassação do mandato de Eduardo. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está desde março nos Estados Unidos, de onde patrocina um lobby junto a autoridades norte-americanas para que tomem medidas para livrar seu pai da condenação pela trama golpista.

O órgão da Câmara aprovou por 11 votos a 7 o parecer do relator, Marcelo Freitas (União Brasil-MG), segundo quem a atuação de Eduardo está amparada no exercício da liberdade de expressão e na imunidade parlamentar, representando “opinião política em contexto de debates internacionais”.

Eduardo ainda pode perder o mandato por faltas, mas, pelas regras da Câmara, isso só pode ocorrer em 2026.

O líder do PT afirmou “não ver como” o caso ser arquivado pelo plenário por ser um tema que “interessa ao país como um todo e também ao governo”. “Cada deputado que toma a posição de arquivar esse caso contra Eduardo Bolsonaro é um posicionamento contra o governo. O presidente Lula não se cansa de falar desse absurdo”, disse o petista.

“Eduardo não para de tramar contra o interesse público e a soberania nacional, que são o primeiro dever do parlamentar. […] A ação dele, feita fora do Brasil, foi para tentar constranger ministro do Supremo Tribunal Federal. Para nós tem também um crime de traição nacional. Ele assumiu que trabalhou junto com autoridades norte-americanas sobre a questão das tarifas”, completou Lindbergh.

Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que o recurso não será aprovado e que Eduardo não quebrou o decoro.

“A gente não pode ficar aqui avacalhando o mandato. Mandato de parlamentar é uma coisa sagrada e só deve ser cassado ou ter sanções quando for de verdade quebra de decoro”, afirmou.

“Ganhei no Conselho de Ética e vou ganhar no plenário. […] Nós estamos muito bem aliançados com os partidos de centro, eles entendem que o que aconteceu com o deputado Eduardo Bolsonaro não é quebra de decoro”, completou.

A decisão que poupa Eduardo foi bancada pela oposição e pelo centrão, que votou em peso pelo arquivamento. Dos partidos de centro e de direita, apenas os deputados Castro Neto (PSD-PI) e Ricardo Maia (MDB) votaram pelo prosseguimento das investigações contra o deputado.

O PSOL, por meio dos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Paulo Lemos (PSOL-AP), apresentou voto em separado ao parecer do relator argumentando que há provas de quebra do decoro parlamentar, como a declaração de que uma anistia a Bolsonaro era condicionante para a realização das eleições de 2026.

A posição do partido de esquerda, porém, não foi acolhida.

A representação pela perda do mandato de Eduardo por quebra de decoro parlamentar foi apresentada pelo PT sob o argumento de o filho de Bolsonaro fez ataques reiterados a instituições, especialmente ao STF, e atuou junto a autoridades estrangeiras para constranger instituições brasileiras.

Em meio às movimentações de Eduardo, o governo de Donald Trump anunciou o tarifaço contra o Brasil, citando o caso de Bolsonaro como uma das justificativas, e puniu integrantes do STF, familiares e outras autoridades brasileiras com base na Lei Magnitsky, que em teoria permite ao governo dos EUA aplicar sanções econômicas e restrições a pessoas e entidades estrangeiras apontadas como envolvidas em corrupção ou violações graves de direitos humanos.

O parlamentar também foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob a acusação de recorrer ao governo Trump para coagir autoridades brasileiras a enterrar o processo contra Bolsonaro pela trama golpista de 2022.

Carolina Linhares/Folhapress

Cotado para a vaga no Supremo, Jorge Messias se diz tranquilo e repete que ‘tudo tem seu tempo’

 Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O advogado-geral da União, Jorge Messias23 de outubro de 2025 | 18:31

Cotado para a vaga no Supremo, Jorge Messias se diz tranquilo e repete que ‘tudo tem seu tempo’

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O advogado-geral da União, Jorge Messias, tem mantido a tranquilidade diante da possibilidade de assumir a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) com a saída do ministro Luís Roberto Barroso. Segundo aliados, o ministro está bem-humorado e costuma repetir que “tudo tem seu tempo”.

Amigos atribuem a serenidade à sua fé e dizem que ele costuma enxergar os acontecimentos como resultado do que já foi plantado. Se nomeado e aprovado no Senado, Messias será o terceiro evangélico entre os 172 ministros que já passaram pela corte em 134 anos.

Os valores religiosos dele são um dos fatores que reforçam a possível escolha de Lula para a vaga, já que às vésperas do ano eleitoral a aproximação com o segmento evangélico é uma das preocupações do político.

Mesmo diante das especulações, Messias tem evitado se movimentar politicamente. Ele tenta acalmar interlocutores dizendo que “o jogo só acaba quando termina” e que é tempo de esperar. Segundo um interlocutor, ele ainda não iniciou nenhuma preparação prática, como o estudo para a sabatina no Senado.

A indicação ao Supremo depende do presidente da República, mas o nome escolhido só assume o cargo após ser sabatinado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e aprovado pela maioria do plenário do Senado.

O ministro também tem orientado os colegas na AGU (Advocacia-Geral da União) a não mudarem a forma de trabalhar por causa de expectativas sobre sua saída.

No governo, há quem avalie que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não demonstrou contrariedade por não ter sido o nome preferido para ocupar a vaga na Corte.

À coluna, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que encontrou Pacheco nesta quinta-feira (23), relatou que o senador estava bem-humorado e brincalhão. Nas redes sociais, Correia publicou um vídeo em que afirma que o presidente do Senado é seu favorito para o STF.

Victória Cócolo/Folhapress

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