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Por Vanessa Araujo, Estadão Conteúdo
20/01/2026 às 14:03
Atualizado em 20/01/2026 às 19:41
Foto: Renato Araújo/Câmara Dos Deputados/Arquivo
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)
Politica Livre
Justiça Federal de São Paulo declinou competência
Malu Gaspar
O Globo
A Justiça Federal de São Paulo decidiu remeter na última sexta-feira (16) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que apura se o empresário Nelson Tanure cometeu insider trading em operações da incorporadora Gafisa. A juíza federal Maria Isabel do Prado atendeu a um pedido da defesa do empresário, que alegou conexão entre seu processo e o do Banco Master, no qual ele também é investigado.
A decisão está sob sigilo. Na fundamentação, além de mencionar o pedido dos advogados do empresário, a magistrada afirma que a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Tanure em dezembro passado no âmbito das operações da Gafisa também cita diversas conexões diretas e indiretas com o inquérito que apura as fraudes na compra do Master pelo BRB.
SÓCIO OCULTO – Como mostrou O Globo, a Polícia Federal e o MPF apontam o empresário como o sócio oculto do banco de Daniel Vorcaro no contexto das investigações da instituição liquidada pelo Banco Central. Publicamente, Tanure vem negando ter relação com o Master, do qual diz ter sido apenas cliente nos últimos anos (leia íntegra da nota ao final da matéria). Mas passou a admitir ligação entre os dois casos desde que o possível elo foi citado pelo próprio Ministério Público Federal na denúncia por insider trading.
A juíza Maria Isabel do Prado pediu urgência no envio do caso ao STF pelo risco “iminente” de prescrição nas investigações – como Tanure tem mais de 70 anos, o prazo prescricional cai pela metade e o inquérito poderia ser extinto no mês que vem.
A representação da Procuradoria que baseou a segunda fase da Operação Compliance Zero na semana passada, quando Tanure foi alvo da PF, afirma que ele exercia influência sobre o Master “por meio de fundos e estruturas societárias complexas”.
DENÚNCIA – Em dezembro passado, Tanure foi denunciado por insider trading pelo Ministério Público Federal ao lado do empresário Gilberto Benevides, dono da incorporadora Upcon, que foi adquirida pela Gafisa em uma das operações investigadas pela Justiça. No processo, a Procuradoria da República sustentou que a dupla teria operado para inflar o valor de mercado da Upcon com o objetivo de reunir mais ações com poder de voto na Gafisa após a compra da outra empresa, que se deu através do repasse de ações e não com recursos do caixa da construtora.
Ainda segundo o MPF, Tanure teria feito uso de offshores e fundos de investimento para ocultar a proporção real de sua participação na Gafisa enquanto dissimulava a origem do dinheiro das operações realizadas para incrementar artificialmente o valor da Upcon. Com isso, na prática, o empresário ampliou seu controle sobre a empresa e ainda emplacou Benevides no conselho de administração da companhia.
A investigação teve origem em um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ainda não foi concluído e foi aberto após uma denúncia protocolada pelo gestor da Esh Capital, Vladimir Joelsas Timerman.
MODUS OPERANDI – Na decisão da sexta passada, ao justificar a transferência do caso para o Supremo, a juíza federal de São Paulo que declinou a competência do caso da Gafisa para o STF destacou que a denúncia do Ministério Público Federal contra o empresário relata operações financeiras similares às investigadas no contexto do banco de Vorcaro.
“Além dos aspectos subjetivos atinentes à vinculação de Nelson Tanure com o Banco Master e as demais instituições financeiras e fundos de investimentos supracitados, a narrativa constante na denúncia descreve modus operandi semelhante ao investigado na Operação Compliance Zero, consistente na emissão de títulos fraudulentos, visando à obtenção de vantagem indevida”, escreveu Maria Isabel do Prado.
Em outro trecho da decisão, a magistrada argumenta que os indícios de ligação entre os inquéritos são suficientes para a mudança de competência, ainda que a Justiça Federal de São Paulo não tenha acesso ao conteúdo das investigações do caso Master.
CONEXÃO – “Embora este Juízo não detenha acesso à Operação Compliance Zero, que tramita sob sigilo, os elementos constantes nos presentes autos, aliados à denúncia e à manifestação da defesa do acusado Nelson Tanure, evidenciam indícios de conexão intersubjetiva e/ou probatória suficiente a recomendar a reunião das investigações, em observância aos princípios da eficiência, da economia processual e da racionalização da persecução penal”, pontuou a juíza.
Com a decisão, a investigação sobre a Gafisa também ficará sob a tutela de Dias Toffoli, que impôs sigilo absoluto sobre o caso Master e tem colecionado decisões controversas na condução do inquérito. Como antecipou a coluna Capital do O Globo, o pedido dos advogados de Tanure para que o inquérito da Gafisa fosse enviado para o STF por uma alegada conexão com o Master foi formalizado em dezembro passado.
A medida atende aos interesses da defesa de Nelson Tanure, que vinha tentando remeter o processo ao STF e impor sigilo às apurações judiciais sobre seu cliente. O principal argumento é o de que os investigadores do caso da Gafisa também miraram as gestoras Trustee e Planner, que fazem parte do complexo fluxograma financeiro do Master e são alvos da Compliance Zero. Procurada, a defesa de Tanure afirmou que o processo da Gafisa corre sob sigilo e, por esse motivo, não poderia comentar os desdobramentos do caso.
ÍNTEGRA DA NOTA DO ADVOGADO DE NELSON TANURE, PABLO NAVES TESTONI, SOBRE O SUPOSTO ELO ENTRE O EMPRESÁRIO E O MASTER APONTADO PELA PF E PELO MPF :
O empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master S/A, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que foi e segue sendo atendido por outras instituições financeiras conhecidas no mercado.
O empresário também esclarece que jamais promoveu qualquer operação de investimento em outros veículos que pudessem converter a dívida em participação, ainda que indiretamente, no mesmo Banco Master S/A.
Nesse sentido, e diante do fato de que nenhuma operação financeira do empresário, na qualidade de cliente do banco, poderia corroborar a equivocada premissa apresentada pelo Ministério Público Federal na ocasião do pedido deferido pelo STF, o empresário informa que apresentará todos os esclarecimentos necessários, com respaldo documental e a certeza de que o tema será revisado, com a consequente revogação da decisão.

Ministro defendeu investigações com “transparência e lisura”
Deu na CNN
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), defendeu nesta segunda-feira (19) que a Polícia Federal investigue “doa a quem doer” o caso da fraude financeira do Banco Master. À CNN, ele declarou que as apurações da PF indicam que a corporação não está “aparelhada”.
“Nosso posicionamento é muito simples e direto: que seja investigado doa a quem doer. Ponto. Que haja investigação”, disse o ministro. O ministro foi questionado sobre possíveis repercussões negativas para siglas da esquerda e integrantes do governo. Segundo Boulos, no entanto, as fraudes do Master têm “vinculo direto e orgânico com o bolsonarimo” e governadores de direita.
LIQUIDAÇÃO – Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após investigações da Polícia Federal envolvendo emissões de títulos e suspeitas na gestão da instituição. A operação policial investiga fraude de aproximadamente R$ 12 bilhões.
O caso está em análise no STF (Supremo Tribunal Federal) e tem o ministro Dias Toffoli como relator. O magistrado impôs sigilo à investigação, que mira em especial o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master.
Nesta segunda-feira, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) iniciou o pagamento do reembolso de clientes do Master. Ao todo, o fundo já recebeu mais de 360 mil pedidos de ressarcimento de garantias dos credores que compraram CDBs (Certificados de Crédito Bancário) do banco.

Pavan diz que movimentação trata SC “como um balcão de negócios”
Yago Godoy
O Globo
O prefeito de Camboriú (SC), Leonel Pavan (PSD), criticou a candidatura do ex-vereador Carlos Bolsonaro em Santa Catarina. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pretende disputar o Senado pelo estado, e renunciou ao cargo na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em dezembro para se tornar dirigente do PL catarinense.
De acordo com Pavan, a movimentação do partido “é uma loucura” por tratar Santa Catarina “como um balcão de negócios”. Não é a primeira vez que Carlos é alvo de gestores locais: ele já foi criticado pelos prefeitos de Pouso Redondo e Joinville, como mostrou a newsletter do O Globo “Jogo Político”, e também entrou em embate com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL).
“LOUCURA” – “Acho uma loucura o que o PL está fazendo em Santa Catarina. Trazer um vereador lá do Rio de Janeiro só para ser candidato, como se nós fôssemos um balcão de negócios, que vai por emoção, eu acho uma loucura”, disse Pavan, em entrevista divulgada pelo portal Catarina Notícias na última quinta-feira.
O prefeito ponderou que a decisão, no entanto, “é um direito deles”, e criticou a polarização política no país. Ele definiu os “extremos” como uma “ignorância enorme” que “divide os brasileiros”, e defendeu alianças sem viés ideológico.
DIVISÃO – “O Brasil não merece dividir a população por esquerda e direita. Eu quero saber de quem ganha até R$ 5 mil e R$ 7 mil, o que vão dizer quando começarem a “liberar o imposto de renda”, se vão ser direita ou esquerda. É uma ignorância enorme esses extremos. Você acha que vou deixar de falar com o (presidente) Lula? Com Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo)?”, comparou o prefeito.
Pavan já foi vice-governador de Santa Catarina entre 2007 e 2010, e chegou a comandar o estado por alguns meses, quando o então governador Luiz Henrique da Silveira renunciou para disputar uma vaga no Senado. Pavan também se elegeu senador (2002) e foi deputado estadual.
O prefeito é pai de Juliana Pavan (PSD), prefeita de Balneário Camboriú. Na cidade vizinha, um dos vereadores é Jair Renan Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e irmão de Carlos, que se mudou para o estado justamente para conquistar seu mandato.
CAPACITAÇÃO – Em setembro de 2025, inclusive, Pavan afirmou ao podcast “Cabeça de Político” que Jair Renan deveria buscar “mais capacitação” e “ler mais” os projetos em tramitação. As críticas ocorreram após ele ter sido o único voto contrário a um projeto enviado pelo Executivo para combater o furto de fios.
“Respeito o posicionamento dele, apesar de ele quase não se posicionar, e, quando se posiciona, eu não consigo entender o que ele fala”, disse a prefeita sobre Renan, que a rebateu nas redes sociais: “analfabeta funcional”, escreveu.
A movimentação de Carlos também já gerou resistências de uma ala do PL, que considera que a candidatura do filho de Bolsonaro tira espaço da deputada federal Carol de Toni (PL-SC), também pré-candidata ao Senado.
RESISTÊNCIA – O governador catarinense Jorginho Mello (PL), que disputará a reeleição, resiste a entregar as duas vagas ao Senado em sua chapa a dois nomes do próprio partido, já que isso dificultaria formar alianças com outras siglas. O mandatário apoia o atual senador Esperidião Amin (PP-SC), deixando apenas uma vaga para o PL na chapa.
Uma das principais críticas é a deputada estadual Ana Campagnolo (PL), que já reclamou dos ataques e acusações de “traição” que passou a sofrer de bolsonaristas por conta de sua discordância. No fim de outubro, o ex-vereador carioca chamou Campagnolo de “mentirosa” quando ela explicou a apoiadores que o acordo de Jorginho foi uma negociação do próprio PL com o PP, e que Carlos estaria tirando a vaga de Carol de Toni.
Também no ano passado, em novembro, conforme mostrou a newsletter “Jogo Político”, do O Globo, o prefeito Rafael Tambozi (PL), de Pouso Redondo, também criticou a candidatura de Carlos.
GADO – “A gente gosta do nosso gadinho, trata bem os nossos bichinhos, mas o povo de Santa Catarina não é gado. E isso tem que ficar bem claro nesse momento em que as lideranças não se posicionam enquanto temos a imposição da candidatura do Carlos a senador”, disse Tambozi.
A afirmação de Tambozi também seguiu a mesma linha de outra declaração recente de um gestão local, o prefeito de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, com 616 mil habitantes:
“Entendo isso como uma agressão ao Estado. Não conheço Carlos pessoalmente, mas essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar para um estado meramente por uma questão de oportunidade de voto”, disse Adriano Silva (Novo), em entrevista ao podcast regional ‘Cabeça de Político’.
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