terça-feira, janeiro 20, 2026

“Embriaguez de poder” e big techs "compraram a Casa Branca" - A ordem e o caos, longe do equilíbrio - Trump sobre a Groenlândia: “nós podemos tudo” e muito mais....

 

Jeffrey Sachs denuncia “embriaguez de poder” em Washington e diz que big techs “compraram a Casa Branca”

18/01/2026 Por 

Economista critica decretos de Donald Trump, defende acordos no âmbito da ONU e aponta sanções como arma para “crush” a economia venezuelana. 247 – Em entrevista exclusiva concedida ao The Indian Express, o economista Jeffrey Sachs fez uma crítica dura ao atual momento da política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump, atual presidente dos EUA, … Ler mais

A ordem e o caos, longe do equilíbrio

18/01/2026 Por 

O que estamos assistindo não é apenas o fim da ordem mundial do pós-II Guerra Mundial e do pós- Guerra Fria. 1 – Desordem e caos O sistema internacional está vivendo uma convulsão global. Em momentos como este, de desordem e caos, alguns países sobem e outros descem na hierarquia mundial, enquanto a luta pelo … Ler mais

Lula anuncia para 2026 “prestação de contas” aos brasileiros: “a hora da verdade”

18/01/2026 Por 

Presidente afirma que governo apresentará resultados acumulados e enfrentará narrativas falsas ao concluir o terceiro ano de mandato. 247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (9) que o governo fará, no início de 2026, uma grande apresentação pública dos resultados alcançados desde o início da atual gestão. As declarações foram dadas … Ler mais

Trump diz que Dinamarca não pode impedir ação dos EUA na Groenlândia: “nós podemos tudo”

18/01/2026 Por 

Presidente dos Estados Unidos afirma que interesse na ilha envolve riscos geopolíticos e segurança nacional. 247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a necessidade de controle estadunidense sobre a Groenlândia, afirmando que a ilha é estratégica para a segurança nacional e para a estabilidade da Europa. A declaração foi feita em … Ler mais

Nova moeda e novo poder internacional: terras raras

18/01/2026 Por 

Nasceria, para materializar essa nova etapa, a Organização dos Países Produtores de Terras Raras – OPTERRA. Os países detentores e produtores de terras raras – China, Brasil, Venezuela e muitos outros, na África e na América Latina –, que possuem minerais estratégicos, constituem-se o novo alvo dos países imperialistas, porque, na era da transição energética, … Ler mais

Lula lidera ciclo histórico de concessões e amplia investimentos em infraestrutura no Brasil

18/01/2026 Por 

Com 50 leilões entre 2023 e 2025, governo acelera projetos em portos, rodovias e aeroportos e prepara nova carteira para 2026. 247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra 2025 à frente do maior volume de concessões federais de infraestrutura já registrado no país, com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos no ciclo … Ler mais

Lula condena ação militar dos EUA contra Venezuela e defende soberania nas Américas: “o hemisfério pertence a todos nós”

18/01/2026 Por 

De acordo com o presidente, os países latino-americanos ‘não ficarão subordinados a projetos hegemônicos’. 247 – Em artigo publicado no The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou as agressões dos Estados Unidos contra a Venezuela após o sequestro de Nicolás Maduro no começo do mês. “Não seremos subordinados a projetos hegemônicos. Construir … Ler mais

França pede que União Europeia ative sua ‘arma comercial mais potente’ em reação às tarifas de Trump sobre a Groenlândia

18/01/2026 Por 

Emmanuel Macron quer uso do instrumento anticoerção após Donald Trump anunciar a imposição de tarifas aos países que se oporem à “aquisição” da Groenlândia. 247 – A ameaça de novas tarifas comerciais anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma reação imediata do governo francês e reacendeu tensões entre aliados históricos da Europa e … Ler mais

Mudança de Regime: O Império Americano

18/01/2026 Por 

Apoio a mudança de regime nos Estados Unidos. A verdadeira mudança, não aquela de “cara nova na recepção a cada poucos anos”. Sou totalmente a favor de derrubar estruturas de poder tirânicas, só acho que deveríamos começar pela pior delas. Por que eu deveria apoiar a derrubada violenta dos inimigos do império americano enquanto o … Ler mais

Economist: anexação da Groenlândia minará unidade da OTAN e a posição dos EUA na Europa

18/01/2026 Por 

De acordo com o jornal britânico, “líderes europeus prometeram não se deixar intimidar”. 247 – O jornal britânico The Economist sugere que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode dificultar ainda mais a sua política externa, e perder os aliados na Europa ao insistir em querer ter o controle da Groenlândia, no Atlântico Norte. Conforme o jornal, … Ler mais

Escândalo no TJBA: Servidores do TJBA são investigados por usar contrato público para reformar academia de luxo

 


Dois coordenadores do Tribunal de Justiça da Bahia foram afastados cautelarmente após denúncias de desvio de verbas e assédio moral  |   Bnews - Divulgação Foto: Divulgação

Claudia Cardozo

por Claudia Cardozo

claudia.cardozo@bnews.com.br

Publicado em 20/01/2026, às 09h15



O corregedor-Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador Roberto Maynard Frank, determinou o afastamento de dois coordenadores da Corte nesta terça-feira (20). Os  dois atuavam em setores estratégicos do tribunal e foram afastados cautelarmente após denúncias gravíssimas que envolvem desde o uso de funcionários terceirizados em obras particulares até o desvio de verbas de diárias, além de assédio moral.

Os alvos da medida são Pablo Átila Martins de Castro, coordenador de Distribuição (CODIS), e Allan Rosa Moreno, coordenador de Manutenção Predial (COMAN). A decisão determina o afastamento imediato por 60 dias, com o bloqueio total de acessos aos sistemas do Tribunal e e-mails corporativos.

Reforma de condomínio particular
Segundo a denúncia recebida pela Corregedoria, equipes da empresa Renovar Engenharia LTDA, contratada pelo TJBA para manutenção predial das unidades judiciárias, teriam sido desviadas para realizar obras em um condomínio residencial.

O flagrante teria ocorrido no Edifício Bosque Atlântico. De acordo com o relatório, o próprio Pablo Átila, que seria síndico do prédio, teria solicitado as equipes para trabalhar na ampliação de uma academia particular enquanto deveriam estar no Almoxarifado Central do Tribunal, em Mussurunga.

A prova mais importante veio através do sistema de geolocalização dos pontos eletrônicos dos terceirizados, que confirmou a presença dos funcionários no condomínio em horário de expediente. Fotos dos operários fardados no local da obra privada também instruem o processo.

Já Allan Rosa Moreno, da manutenção predial, é alvo de uma acusação grave de conflito de interesses. Ele teria atuado como fiscal de um contrato do Tribunal com uma empresa particular da qual ele próprio figura, ou figurou, como sócio e gerente técnico.

O afastamento cautelar ocorre sem prejuízo da remuneração, conforme prevê a Lei Estadual nº 6.677/94, mas visa garantir que os investigados não interfiram na colheita de provas ou intimidem testemunhas. A presidência do TJBA já foi formalmente oficiada sobre as medidas.

Classificação Indicativa: Livre

Claudia Cardozo

Claudia Cardozo

Jornalista formada pela UNIME, premiada por matérias em Direitos Humanos e Liberdade de Expressão, Cláudia Cardozo atua na área da comunicação desde os 16 anos, tendo sido aprendiz da ONG Cipó Comunicação Interativa, estagiado na Safernet e no Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia. Ao longo de sua trajetória, atuou em veículos de comunicação e na assessoria de comunicação do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) e Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Nos últimos anos, passou a empreender na comunicação.

Nota da Rdadação Deste Blog - Jeremoabo sob a sombra da impunidade: coincidência ou maldição?

* Por José Montalvão

A cada dia que passa, fico mais convencido de que a chamada “maldição dos capuchinhos” foi aplicada em Jeremoabo sem pena e sem dó. Pode até soar como exagero ou figura de linguagem, mas os fatos que se acumulam diante de nós tornam cada vez mais difícil ignorar a sensação de que algo profundamente errado insiste em se repetir, como se houvesse uma engrenagem invisível protegendo os poderosos e punindo apenas os mais frágeis.

Basta acompanhar as manchetes que estampam jornais, sites e blogs para perceber que a crise ética e institucional na Bahia não é pontual, é sistêmica. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) tem sido palco de sucessivos escândalos. Vejamos alguns exemplos recentes e emblemáticos:

  • “Escândalo no TJBA: Servidores são investigados por usar contrato público para reformar academia de luxo.”

  • “TJBA aplica pena máxima e determina perda de delegação de titular do Cartório de Imóveis de Simões Filho.”

  • “Corregedoria Nacional de Justiça afasta juiz da Bahia acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.”

  • “TJ-BA abre sindicância e afasta cautelarmente dois servidores por suspeitas de irregularidades em contratos, assédio e desvio de diárias.”

Essas notícias, por si só, já seriam suficientes para causar indignação em qualquer cidadão que ainda acredita na lisura das instituições. Mas o que mais revolta é perceber que, enquanto em alguns casos há investigações, afastamentos e até punições, em outros a regra parece ser a velha e conhecida: tudo acaba em nada.

E é exatamente aqui que Jeremoabo entra, mais uma vez, como símbolo dessa triste contradição.

Mais de uma dúzia de advogados, por intermédio da OAB-BA, denunciaram um servidor, chefe do foro de Jeremoabo, por supostos atos nada republicanos. O caso era grave, merecia apuração rigorosa e resposta firme. Resultado? Foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na instância superior do TJBA. Até aí, parecia que, finalmente, a seriedade iria prevalecer.

Mas, por incrível que pareça, o PAD foi arquivado por perda de prazo. Em termos técnicos, ocorreu a chamada prescrição, que acontece quando a Administração Pública deixa de concluir a apuração dentro do tempo legal, resultando na extinção da punibilidade. Em bom português: deixou-se o tempo passar, o processo morreu, e ninguém foi responsabilizado.

É aqui que a indignação vira espanto. Como pode um processo dessa natureza, com denúncias respaldadas por uma entidade como a OAB, simplesmente caducar por “perda de prazo”? Que tipo de zelo é esse com a coisa pública? Que mensagem se passa à sociedade quando a punição não vem por falha administrativa da própria instituição que deveria zelar pela Justiça?

Enquanto isso, seguimos lendo sobre escândalos em Salvador, em Simões Filho, em outras comarcas da Bahia. Em alguns lugares, a corregedoria age, afasta, pune. Em Jeremoabo, a sensação é outra: tudo se dissolve no tempo, como se houvesse uma blindagem invisível protegendo certos personagens.

Daí a ironia amarga: passe a noite com um barulho desses e diga que dormiu.

Não se trata aqui de acusar sem provas, nem de desmerecer as instituições. Trata-se de cobrar coerência, celeridade e seriedade. Quando processos prescrevem por inércia administrativa, não é apenas um servidor que sai ileso. É a própria credibilidade do Judiciário que vai para o ralo. É a confiança da população que se esfarela. É o sentimento de injustiça que se instala e cria raízes.

Se isso é coincidência, ela já dura tempo demais. Se é descaso, é grave demais. Se é proteção velada, é inaceitável.

E assim, entre manchetes de corrupção, arquivamentos por prescrição e silêncio institucional, Jeremoabo segue alimentando a sensação de que, aqui, a tal “maldição” não é lenda. É rotina.

José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

Primeira instância não é ponto final: justiça, perseverança e a força da verdade

 


                                                            Foto Divulgação - WhatsApp



Recebi de um amigo de Jeremoabo a notícia de que a Max Fit obteve êxito em um recurso perante o Tribunal de Justiça da Bahia, em Salvador. O desfecho confirma aquilo que sempre venho alertando: decisão de primeira instância é apenas o início de uma longa jornada no caminho da Justiça.

Por ironia do destino, em nosso próprio caso fomos injustamente obrigados a pagar uma multa pelo que não falamos, mas que a parte contrária entendeu — de forma equivocada — como se fosse contra ela. Infelizmente, contra a nossa vontade, o prazo foi perdido, o que nos impediu de dar continuidade ao recurso, que iria até instância internacional, se necessário fosse.

Ainda assim, a vida continua. E continua com dignidade. O Blog, longe de enfraquecer, cresceu ainda mais em moral, prestígio e credibilidade — não apenas em Jeremoabo, mas em todos os lugares onde a internet chega. Seguimos de cabeça erguida, com a consciência tranquila e o compromisso inabalável com a verdade.

Como diz o velho ditado, “o costume do cachimbo deixa a boca torta”. A vida tem provado, dia após dia, que a desgraça do protegido é o protetor. Quem se acostuma a distorcer fatos e a perseguir acaba colhendo os frutos amargos das próprias atitudes.

Seguimos firmes, porque contra fatos não há argumentos, e a verdade, mais cedo ou mais tarde, sempre encontra o seu caminho.

Vácuo deixado por Eduardo Bolsonaro abre guerra no PL por vaga ao Senado em SP


O mistério do descarte de Tarcísio e a aritmética confusa da direita


 

Flávio Bolsonaro entre a vitrine externa e o desafio interno da direita

 


Flávio tenta consolidar-se como o polo natural da direita

Pedro do Coutto

Ao iniciar sua movimentação eleitoral com uma viagem ao exterior, o senador Flávio Bolsonaro sinalizou que sua estratégia passa, desde cedo, por dois tabuleiros distintos — e igualmente difíceis. De um lado, busca projetar-se fora do país, tentando atrair simpatias, construir pontes políticas e reforçar um discurso de legitimidade internacional. De outro, enfrenta a tarefa bem mais complexa de organizar, dentro de casa, um campo da direita ainda fragmentado e carente de um nome consensual capaz de enfrentar o presidente Lula da Silva em outubro.

O movimento externo não é fortuito. Em disputas presidenciais recentes, a imagem internacional tornou-se um ativo político relevante, especialmente para candidatos identificados com campos ideológicos que sofreram desgaste fora do país. Ao se apresentar no exterior, Flávio tenta ocupar um espaço simbólico: o de liderança nacional capaz de dialogar além das fronteiras, algo que seu grupo político historicamente teve dificuldade de construir. Trata-se menos de conquistar votos diretamente e mais de enviar sinais ao eleitorado interno, ao mercado e às elites políticas de que ele pode ser visto como um candidato viável.

CONCENTRAÇÃO – No plano doméstico, porém, o cenário é mais árido. As forças de esquerda, após anos de dispersão e conflitos internos, encontram-se hoje fortemente concentradas em torno de Lula. O presidente, além de liderar as pesquisas, dispõe da chamada “chave do poder”: a máquina federal, a visibilidade institucional e a capacidade de pautar o debate público. Em eleições presidenciais, essa vantagem costuma pesar — e muito.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta consolidar-se como o polo natural da direita. O cálculo passa pela leitura do tabuleiro estadual. Governadores frequentemente citados como alternativas — Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Romeu Zema e Eduardo Leite — não conseguiram, até agora, demonstrar fôlego eleitoral suficiente para ultrapassá-lo nas simulações de disputa nacional.

FATORES QUE PESAM – Além disso, fatores institucionais pesam: Zema e Leite não podem mais disputar a reeleição em seus estados, o que abre espaço para projetos nacionais, mas não garante, por si só, musculatura eleitoral. Ronaldo Caiado, por outro lado, ainda tem um mandato estadual a defender, o que reduz sua disponibilidade política para uma aventura presidencial imediata.

Nesse contexto, Tarcísio de Freitas surge como uma peça central — ainda que paradoxal. Governador de São Paulo, com forte capital político e bom trânsito entre eleitores conservadores e setores do centro, ele seria, em tese, o nome mais competitivo da direita.

Mas sua decisão de disputar a reeleição no estado esvazia essa possibilidade. Ainda assim, sua candidatura paulista cumpre um papel estratégico para Flávio: ajuda a manter mobilizada a base bolsonarista, reforça o discurso de força regional da direita e cria uma aliança tácita que pode ser explorada até o limite permitido pelo calendário eleitoral.

VOTOS – O problema central permanece: votos. As pesquisas do instituto Quaest mostram uma distância relevante entre Lula e Flávio Bolsonaro, distância que não se supera apenas com articulação política ou viagens simbólicas. Exige ampliação de eleitorado, diálogo com setores fora do núcleo ideológico e a construção de uma narrativa que vá além da herança familiar e da identidade oposicionista.

Flávio tenta, assim, reunir correntes diversas sob um mesmo guarda-chuva, apostando na ausência de um rival claro dentro da direita e na fadiga natural de um governo em exercício. Mas a tarefa está longe de ser simples. Unificar um campo político plural, marcado por lideranças regionais fortes e ambições próprias, exige mais do que coordenação: exige concessões, clareza programática e, sobretudo, tempo — um recurso cada vez mais escasso à medida que outubro se aproxima.

A campanha, portanto, começa sob o signo da resistência. Para Flávio Bolsonaro, o desafio não é apenas enfrentar Lula, mas provar que consegue transformar um espólio político poderoso em maioria eleitoral real. É nesse intervalo entre intenção e viabilidade que se decidirá o seu futuro político — e, talvez, o rumo da direita brasileira nas próximas eleições.

Crime agrava o ônus demográfico

 Crime agrava o ônus demográfico

 

*João Guilherme Sabino Ometto

 

O Brasil está vivendo o fim do bônus demográfico, período no qual há mais pessoas em idade produtiva do que crianças e idosos. Tal fator impulsiona o crescimento das nações. Entretanto, em cerca de 10 anos, ingressaremos na fase do ônus demográfico, quando a proporção de habitantes da terceira idade aumentará e o peso econômico sobre a população ativa será maior.
 

Não aproveitamos o potencial dessa janela histórica. O PIB cresceu pouco neste século e o País desperdiçou parte do que poderia ter sido um ciclo vigoroso de prosperidade. Agora, precisamos correr contra o tempo, aumentando muito a produtividade, investindo em educação de qualidade e tecnologia e criando as condições para um desenvolvimento inclusivo. Contudo, há um obstáculo adicional e crítico que ameaça corroer as bases desse esforço: o crime organizado. Ele subtrai das escolas e do mercado de trabalho milhares de crianças e jovens, cooptando-os para suas fileiras.
 

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 23,5 milhões de brasileiros vivem em territórios sob o domínio desses grupos. É um contingente assustador, abrangendo mais de um em cada 10 habitantes. Na Amazônia, o número de cidades com presença de facções cresceu 46% entre 2023 e 2024. Em comunidades indígenas e quilombolas, jovens vêm sendo pressionados a integrar essas organizações.
 

O estudo Rastreamento de Produtos e Enfrentamento ao Crime Organizado no Brasil, divulgado pelo mesmo Fórum, revelou um dado estarrecedor: R$ 146,8 bilhões circulam por ano nos mercados ilegais de ouro, bebidas, combustíveis, lubrificantes e cigarros. Somando-se os crimes virtuais e furtos de celulares, esse número sobe para R$ 186 bilhões apenas entre julho de 2023 e julho de 2024. A cocaína adiciona outros R$ 15 bilhões à engrenagem criminosa.
 

Essa economia paralela não apenas desafia e lesa o Estado, pois “cobra” impostos por serviços ilegais de telefonia, energia, transportes e moradia, como prejudica o setor privado com a concorrência desigual de produtos ilegais, roubo de cargas e pirataria. Segundo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas econômicas geradas por atividades ilícitas chegaram a R$ 453 bilhões em 2022. O valor equivalia à época a cerca de 4% do PIB nacional, recursos que poderiam ter sido direcionados à educação, saúde, segurança, saneamento e infraestrutura.
 

Outro estudo da CNI mostrou que, em 2024, 54% das 247 empresas respondentes relataram ter sido vítimas de algum tipo de ocorrência. O impacto econômico mais significativo refere-se à venda de produtos não conformes, que representa uma concorrência ilegal e desleal. Para 66% dos entrevistados, essa inaceitável atividade causa prejuízos expressivos.
 

O problema também afeta de modo grave o meio rural. De acordo com o Observatório da Criminalidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 82% dos crimes no campo são classificados como roubos e furtos. Essas ocorrências, em especial no que diz respeito a maquinário e implementos agrícolas, cresceram 37,5% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Grupo Tracker, empresa de rastreamento presente em 17 estados. São Paulo lidera, com 70% dos casos, seguido pelo Paraná, com 10%. Na sequência, aparecem Maranhão, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.
 

É nesse cenário que o crime disputa cada vez mais a mão de obra dos jovens brasileiros. O problema é muito preocupante para o agronegócio, um dos maiores empregadores formais do País e pilar da nossa economia, que sempre precisará muito dos recursos humanos. O setor registrou 28,2 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2025, um recorde histórico, segundo o Boletim Mercado de Trabalho no Agronegócio, do Cepea/CNA. Em relação ao trimestre anterior, houve alta de 0,5%, e de 0,9% em comparação com o mesmo período de 2024, o que elevou para 26% a participação do agro no total de empregos formais do Brasil.
 

Um dado chama a atenção: o agro vem aumentando o nível de escolaridade. Entre 2024 e 2025, cresceu o número de trabalhadores com Ensino Médio (3,4%) e Superior (4,5%), enquanto caiu a presença daqueles sem instrução (-8,5%) ou com o Fundamental incompleto (-1,8%).
 

Os avanços não podem ser comprometidos, um risco real se continuarmos a perder recursos humanos para o crime. A jornada da produtividade e do desenvolvimento passa pelas salas de aula. Precisamos que nossos jovens estejam nas escolas, capacitem-se e encontrem perspectivas de uma vida produtiva e cívica. Cada brasileiro que escolhe o estudo e o emprego legal representa uma vitória contra o retrocesso.
 

O País ainda tem cerca de uma década antes de vivenciar o ônus demográfico. O tempo é curto, mas suficiente para agir. Se não empoderarmos nossos jovens com as prerrogativas da cidadania e não os incluirmos na economia legal, o crime continuará a convertê-los em força destrutiva. E, nesse caso, não será apenas o bônus demográfico que perderemos, mas também o futuro.
 

*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).


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