terça-feira, janeiro 20, 2026

Europa reagirá com supertarifas contra ameaça de Trump anexar Groenlândia


CRÉDITO: DAVE GRANLUND_CAGLE CARTOONS

Charge de Dave Granlund (Arquivo Google)

Henry Foy e Mercedes Ruehl
Financial Times

Os membros da União Europeia estão considerando impor tarifas no valor de 93 bilhões de euros aos EUA (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir empresas americanas do mercado do bloco em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para assumir o controle da Groenlândia. A medida marca a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.

As medidas de retaliação estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de negociação em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, disseram autoridades envolvidas nos preparativos.

OTAN EM RISCO – Eles estão buscando encontrar um compromisso que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

A lista de tarifas foi preparada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total. Sua reativação foi discutida no domingo pelos 27 embaixadores da União Europeia, juntamente com o chamado instrumento anti-coerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno, enquanto o bloco decide como responder à ameaça do presidente dos EUA com tarifas punitivas.

Trump, que exigiu permissão da Dinamarca para assumir o controle da Groenlândia, prometeu no sábado à noite impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre mercadorias do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a ilha ártica para um exercício militar esta semana.

MÉTODOS MAFIOSOS – “Existem instrumentos claros de retaliação à disposição se isso continuar… [Trump] está usando métodos puramente mafiosos”, disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. “Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele uma oportunidade de recuar.”

A França pediu que o bloco retalie com o ACI, que nunca foi usado desde sua adoção em 2023. A ferramenta inclui restrições de investimento e pode estrangular exportações de serviços como os fornecidos por grandes empresas de tecnologia dos EUA na UE.

Paris e Berlim estão coordenando uma resposta conjunta, com seus respectivos ministros das finanças se preparando para viajar a Bruxelas e participar de um encontro com seus colegas europeus, disse um assessor do ministério francês. “A questão também terá que ser abordada com todos os parceiros do G7 sob a presidência da França”, acrescentou o informante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Donald Trump dá sinais evidentes de descontrole mental. Temos um lunático pilotando o planeta Terra e ninguém tem coragem de colocá-lo numa camisa de força e enchê-lo de sedativos, até ele ficar calminho. (C.N.)


As cartinhas do Trump

 

Arte: Marcelo Chello

“Jonas, meu querido,

Você não me deu um Nobel da Paz. Fiquei magoado. E, quando eu fico magoado, eu não faço amor, eu faço guerra. Outro dia mesmo, o Maduro, aquele Nicolás — o mais alto do mundo, segundo a Tixa, isso, esse mesmo — ficou tentando roubar minhas dancinhas. Aí eu fiz o que fiz.

Aproveito pra avisar: a Dinamarca não tem a menor condição de proteger aquela terra lá, nem da Rússia nem da China. E me explica uma coisa: por que, afinal, eles acham que são donos da Groenlândia? Só porque um barco deles desembarcou lá um dia? A gente também tem barcos. E eles são bem maiores. Ou vai querer me dizer que o Floki é dono da Islândia, por um mero acaso?

Antes que eu termine: toma aqui uma tarifa por tentar proteger a Dinamarca.
OTAN? I don’t give a shit.”

Ass.: Donald J. Trump (J de John, eu juro)

Essa é a tradução da Tixa para a cartinha que o Trump mandou para o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre. E juro por Deus que é uma tradução quase fiel do que o Trump falou para o Jonas.

Para os perdidos: Floki é o personagem da série Vikings, da Netflix.

Tá bem, você deve estar achando que o que eu escrevi é só literatura, né? Então vamos para a cartinha real enviada por Trump. Jonas havia reclamado do anúncio que Trump fez no fim de semana sobre as tarifas para vários países europeus por conta da Groenlândia.

“Caro Jonas:

Dado que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter parado mais de oito guerras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz — embora ela continue sendo predominante —, e agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América.

A Dinamarca não consegue proteger aquela terra da Rússia ou da China e, afinal, por que eles teriam um ‘direito de propriedade’? Não há documentos escritos; é apenas o fato de um barco ter desembarcado lá há centenas de anos, mas nós também tivemos barcos que desembarcaram lá.

Fiz mais pela OTAN do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação e, agora, a OTAN deveria fazer algo pelos EUA. O mundo não estará seguro a menos que tenhamos controle completo e total da Groenlândia.”

Viu? Não falei. E a história da dancinha foi realmente noticiada, porque o Trump achou que Maduro estava zombando dele. Mas isso é assunto para outra hora. Fiquemos na Europa.

Basicamente, a crise escalou nesta segunda-feira, e os líderes europeus estão meio sem saber o que fazer. Alguém saberia? Trump anunciou tarifas de 10% para produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia a partir de junho. Foi aí que o primeiro-ministro da Noruega reclamou e recebeu a tal cartinha.

Mas eu sei que você quer mesmo é saber por que raios a Groenlândia está valendo tanto. Afinal, quem gostava de ficar com a Groenlândia no WAR? Mas eu explico em três pontos:

1. Radar do mundo
A ilha fica no meio do caminho entre EUA e Europa, exatamente por onde passam mísseis, submarinos russos e o sistema nervoso da defesa americana. Quem controla a Groenlândia, vê primeiro.

2. Base militar-chave dos EUA
Ali está a Base Espacial de Pituffik, peça central do sistema de alerta antimíssil e de vigilância contra Rússia e China. Não é posto avançado: é escudo. (A tal história do Domo de Ouro que o Trump quer fazer, muito antes de concorrer ao Nobel da Paz, diga-se de passagem.)

3. Tesouro enterrado no gelo
Terras raras, urânio, cobre, ouro, nióbio, petróleo e gás. Tudo o que move guerra, tecnologia e transição energética. O gelo derrete, o interesse explode. Viva a mudança climática (contém ironia, darling, pelo amor!).

4. Com o derretimento das geleiras, a região ainda se torna uma nova rota.

Para os perdidos (edição OTAN, porque né):
OTAN é basicamente o clube da defesa coletiva do Ocidente. Criada em 1949, no pós-Segunda Guerra, com uma regra simples (e caríssima): se atacarem um, atacaram todos.

Os EUA são o músculo do rolê. Bancam a maior parte do orçamento, das bases, dos radares, dos satélites. A Europa entra com território, legitimidade política e aquele discurso bonito sobre valores democráticos.
E agora? Se os EUA tomam a Groenlândia, isso é um ataque? Não quero nem me meter nisso.

E o Lula também recebeu uma cartinha

E eis que Trump mandou uma cartinha para Lula convidando-o para fazer parte do Conselho de Paz para discutir uma saída política para o conflito na Faixa de Gaza. E agora o Lula está pensando se foge para a Groenlândia para se esconder do Trump.

Joesley e a cartada

Quem não joga buraco sem apostar alto é Joesley Jojo Batista. A Bloomberg noticiou neste fim de semana que Jojo tem um parceiro comercial na Venezuela que achou um campo de petróleo que pode produzir 1 bilhão de barris. E o ataque de Trump à Venezuela pode ser a coisa mais lucrativa ever de todos os tempos para ele, Jojo. Imagina se um homem desses tivesse feito faculdade no Vale do Silício? Certo que já estaria em Marte, fazendo lobby com os marcianos.

Renanzito causando

Renan Calheiros, o senador e maior adversário ever de todos os tempos de Arthur Lira, com direito a ódio eterno, disse hoje na GloboNews que quem pediu para o Jesus tentar reverter a liquidação do Banco Master no Tribunal de Contas da União foi o Lira e o Hugo Motta. Que treta, BRASEW!!! Huguito é o atual dono da Câmara frigorífica.

Os jornalistas perguntaram se ele tinha provas. Renanzito disse que recebeu informações. E agora? Vai vir o núcleo político do caso Master?

A propósito, o Senado já tem assinaturas suficientes para abrir uma CPI. Só precisa que Alcolumbre, o Davi que manda no Senado, leia a abertura da comissão na primeira sessão do ano. Fará? Não sabemos. Tem que fazer? Tem que fazer. Vai se encrencar? O irmão dele aplicou um dinheirinho dos aposentados do Amapá no Master.

O senador Eduardo Girão, que é do Novo do Ceará (é um nomezinho ruim esse do partido Novo, né?), bateu na porta da Procuradoria-Geral da República pedindo que o procurador dê uma olhada se não é o caso de o supremo Toffoli se declarar impedido de continuar no caso Master. Para quem não lembra, Toffoli tem irmãos que fizeram negócios com o cunhado de Daniel Vorcaro (o banqueiro dono do Master), viajou num jatinho de um dos advogados do caso e deu umas decisões esquisitas, como não deixar a Polícia Federal ter acesso às provas (depois voltou atrás).

O Lauro Jardim noticiou que não tem um só ministro do Supremo que defenda que o caso siga nas mãos do Toffoli. Já estão até dizendo para o ministro alegar uma doença qualquer e largar mão.

Haddad falador

Fernandinho Cabelo deu entrevista hoje ao UOL e disse que está discutindo a possibilidade de fundos de investimentos serem investigados pelo Banco Central e não mais pela Comissão de Valores Mobiliários. A proposta chega bem no momento em que Lula fez uma indicação política para a Comissão.

Lá vem o Paes

Eduardo Paes finalmente confessou: é candidato a governador do Rio de Janeiro. E deve dar palanque para Lula.

A Family e o Senado

A Family poderia ter 4 senadores Bolsonaros no próximo mandato. Mas isso é igual aos sonhadores da Mega-Sena que, antes de ganhar, já dizem que não vão dividir o prêmio com ninguém. Qual a situação neste momento?

  1. Dudu Bolsonaro não pode voltar para o Brasil e não consegue nem fechar uma indicação para substituí-lo em São Paulo. Ele queria o Gil Diniz. O Tarcísio quer o Derrite. E a Michelle quer uma deputada que esqueci o nome.

  2. O Flavitcho já se lançou candidato a presidente, mas a Michelle não gostou muito, nem a esposa do Tarcísio.

  3. O Carluxo foi para Santa Catarina, e o prefeito de BC (Balneário Camboriú) ficou indignado, querendo saber se a Family acha que SC é um balcão de negócios.

  4. E a Michelle não sabemos se quer ser senadora ou vice do Tarcísio.

Capaz de acabarmos com nenhum Bolsonaro no Senado.

E é isso, BRASEW, hoje é só segunda e vou ali tomar um suco com gelo da Groenlândia.

 
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segunda-feira, janeiro 19, 2026

Um terço dos cursos de medicina não atinge nota satisfatória em exame do MEC e pode sofrer sanção

 

Um terço dos cursos de medicina não atinge nota satisfatória em exame do MEC e pode sofrer sanção

Futuros médicos alcançaram menos de 60% de proficiência no Enamed

Por João Gabriel/Folhapress

19/01/2026 às 17:30

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Um terço dos cursos de medicina não atinge nota satisfatória em exame do MEC e pode sofrer sanção

O ministro da Educação, Camilo Santana

Um total de 99 cursos de medicina podem ser punidos por não alcançarem pontuação considerada satisfatória na primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgaram os ministérios da Educação (MEC) e da Saúde nesta segunda-feira (19).

Esses cursos são ofertados por 93 instituições federais e privadas. No exame, seus estudantes não conseguiram alcançar 60% de proficiência nos conceitos apresentados na prova.

Esse montante representa um terço dos 304 cursos de medicina que são regulados pelo MEC e que participaram do exame.

O ministério entende que, por essa ser a primeira vez que o exame é aplicado, as punições, que valem até a próxima edição, serão gradativas. Vão de suspensão de ingresso no curso, nos casos mais graves (um total de oito casos), até proibição no aumento de vagas ofertadas.

A sanção não é automática. Agora é aberto um processo administrativo no qual os cursos têm 30 dias para apresentar suas defesas e tentar justificar o desempenho, antes de sofrer a medida cautelar.

"Nós queremos que a instituição [com nota baixa] corrija o que precisa ser corrigido e melhore", disse o ministro da Educação, Camilo Santana.

Os ministérios também pretendem apresentar um Projeto de Lei ao Congresso Nacional para que o resultado do Enamed conste nos diplomas dos estudantes.

O Enamed foi criado pelo MEC para avaliar a qualidade na formação de médicos do Brasil, é obrigatório para todos os estudantes do último ano e será anual a partir de aqui. Ele é de responsabilidade do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Seu resultado também serve para o Enare (Exame Nacional de Residência).

O exame também é uma resposta a um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e quer criar uma espécie de OAB da área, com avaliação própria não vinculada ao ministério, e sim ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

A realização do Enamed causou polêmica no setor educacional este ano e foi questionada na Justiça.

A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) tentou barrar a divulgação dos dados desta segunda, mas o Judiciário não aceitou o pedido.

Dentre outras coisas, a entidade questiona o tempo que as instituições de ensino tiveram para preparar os alunos para o teste.

O Enamed foi lançado pelo MEC em abril de 2025 e aplicado em outubro do mesmo ano.

Também por isso, a Anup também questiona as possíveis punições que as universidades podem sofrer em razão de notas baixas, além de danos reputacionais.

O juiz Rafael Leite Paulo, do Distrito Federal, entendeu que se trata de uma informação de interesse pública e divulgá-la, por si só, não traz prejuízos.

"É direito das instituições questionarem, apesar que, repito, nós cumprimos todos os ritos legais [na elaboração do exame]" disse Camilo.

Sobre os resultados divulgados nesta segunda, a Anup afirma, em nota, que "análises preliminares realizadas por instituições de todo o país indicam divergências entre os dados reportados como insumos em dezembro passado e os resultados divulgados nesta data".

A entidade diz que aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep "antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados".

Entenda as sanções

A nota do Enamed vai de 1 a 5, e mede o grau de proficiência dos alunos nos conceitos básicos do setor.

Pela regra do Enamed, cursos de medicina que tiverem nota 1 ou 2 podem ser proibidos de abrir novas vagas, abrir novos contratos de financiamento via Fies ou de bolsas do Prouni ou até terem serem desativados —apenas em casos mais extremos.

Por questões legais, o MEC só pode regular (e, portanto, sancionar) o ensino federal e as instituições privadas, e não as estaduais ou municipais, por exemplo.

A pasta estuda elaborar um projeto de lei para ampliar suas possibilidades de regulação também a essas outras esferas.

A principal preocupação da pasta são as instituições municipais, que tiveram o pior desempenho no exame: 37,5% ficaram com nota 1 e 50%, 2. Na sequência, vêm as privadas com fins lucrativos — respectivamente 11,5% e 46,9%.

"Nós queremos que os cursos que são ofertados e cobram mensalidades dos alunos sejam de boa qualidade", afirmou Santana.

As federais foram as que mais conseguiram alcançar as notas 4 (61,3%) e 5 (26,3%).

As estaduais tiveram o maior percentual dentro da melhor categoria, 46,2%, o melhor resultado geral (86,6% de satisfatório) e não registraram nenhuma instituição nas notas 1 e 2.

Mais de 89 mil pessoas fizeram o exame, 39 mil deles concluintes do curso. No geral, 75% conseguiram pelo menos nota 3.

A sanção aplicada não levará em conta apenas a nota, mas terá uma gradação de acordo com o percentual de proficiência que o curso alcançou no Enamed.

Todos os 21 cursos que ficaram com nota 1 terão proibição de aumento de vagas e suspensão no Fies, mas os 8 com 30% ou menos de acerto também terão o ingresso neles suspenso. Os outros 13 (de 30% e 40%) sofrerão uma redução de 50% nas vagas.

O Enamed registrou 78 cursos regulados com nota 2. Dentre estes, os 33% que ficaram entre 40% e 50% de proficiência também não poderão aumentar vagas ou participar do Fies, mas a redução de vagas será de 25%.

Os 45 restantes (entre 50% e 60%) apenas não poderão aumentar sua oferta.

A maior parte dos cursos (67%) ficou com nota satisfatória na classificação do MEC —75 deles com nota 3, 99 com 4 e 30, 5 —um ficou sem classificação.

Em quantidades absolutas, a maior parte dos estudantes (quase 30 mil) é de instituições privadas. 6.502 são de federais, 2.402, de estaduais e 944, de municipais.

As entidades estaduais tiveram melhor resultado geral, com 86,6% dos estudantes atingindo o patamar satisfatório: acima de 60% de proficiência, ou a partir da nota 3.

As federais vem na sequência, com 83,1%, seguido das privadas sem fins lucrativos (70,1%) e das lucrativas (57,2%).

O pior resultado foi das municipais, com apenas 49,7% de seus estudantes atingindo o mínimo de proficiência para os padrões do MEC.

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