segunda-feira, janeiro 19, 2026

Haddad condiciona decisão eleitoral a conversa com Lula e mantém futuro em aberto

 


Haddad afirmou que quer tempo para discutir o país

Marcos Hermanson
Folha

O ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (19), em entrevista ao UOL News, que uma decisão sobre eventual candidatura sua em 2026 só sairá após conversas com o presidente Lula (PT).

“Comecei uma conversa com o presidente”, relatou, respondendo se teria sido intimado pelo petista a se candidatar ao governo paulista. “Tenho ouvido o presidente. Levei minhas colocações à consideração dele. É uma conversa de amigos, que pode se estender, mas não concluímos nada nessa primeira conversa. Vamos chegar em algum consenso logo mais.”

DISCUSSÃO – Haddad disse que tem falado de questões pessoais com o presidente, ressaltou que vai completar uma década como ministro, e afirmou que quer tempo para discutir o país. “[Quero] discutir o que vai ser do Brasil nesse contexto internacional, quais as formas de nós nos inserirmos nesse quadro tão dramático e desafiador.”

Questionado sobre o que seria um descolamento entre a percepção da opinião pública e o estado real da economia, Haddad afirmou que o tema tem perdido importância nas preocupações do brasileiro. Ele citou pesquisa do Datafolha que aponta o tópico como prioridade para 11% do eleitorado.

“Eu não acredito que a economia vai derrotar o governo. Pode ser que não eleja o governo. Economia no mundo inteiro está sendo um elemento importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar eleição”, disse.

ATRITOS – O ministro também comentou os atritos acumulados dentro do PT e com a Faria Lima, que acusa o governo de exagerar nos gastos públicos. “Se a esquerda dogmática e a direita dogmática estão criticando a mesma pessoa no contexto histórico, quem sabe não era a linha fina pela qual eu podia passar garantindo bem-estar da população ao mesmo tempo em que eu arrumava as contas.”

Adiantando o que devem ser bandeiras da campanha de Lula no pleito de outubro, ele citou a política de valorização do salário mínimo, a recuperação do programa Farmácia Popular e a isenção do imposto de renda para trabalhadores com salário de até R$ 5.000, aprovada no Congresso em 2025.

O titular da Fazenda também respondeu sobre possível interferência das big techs nas eleições de 2026, afirmando ter preocupação com o tema. “Estamos na mão de um oligopólio de comunicação mundial que tem, visivelmente, viés do ponto de vista ideológico.”

Tá esquisito isso, hein, Toffoli? Hein, Xandão?

 

Arte: Marcelo Chello

Festa estranha com gente esquisita. Hoje teve uma nova operação da Polícia Federal contra o Banco Master, tudo com autorização do Supremo Dias Toffoli (que relutou, mas depois autorizou). Parecia tudo muito republicano. Mas eis que o supremo ministro decide que todo o material apreendido pela polícia deveria ser entregue lacrado no Supremo. Oi? Mas teve mais coisa esquisita hoje. O Estadão revelou que o Xandão abriu um processo sigiloso contra a Receita Federal e o Coaf por conta do vazamento da informação de que a esposa dele tem um contrato de 130 milhões de reais com o Banco Master. Socorro, BRASEW. Vem entender a treta.

Toffoli já acordou hoje tretando com a Polícia Federal, e por escrito. Deu o maior puxão de orelha dizendo que a PF estava fazendo corpo mole porque ele autorizou a operação e a polícia, que já estava nas ruas ontem, deixou a operação do Master para hoje. Mas daí, na decisão, o Toffoli manda a polícia levar tudo lacrado para ele analisar. Foi um scandal, porque vocês sabem que Toffoli decretou super sigilo e depois ficamos sabendo que ele andou viajando num jatinho com um dos advogados do caso. Não que isso tire sua isenção, mas já ficou maior galera com o nariz torcido. Daí ele vem com essa?

Só sei que deve ter pegado muito mal e, no fim do dia, Toffoli decidiu que a Procuradoria-Geral da República pegue o que foi apreendido para investigar. Isso mesmo, parece que tirou a PF do caso. Não tá esquisito? Tá esquisito.

E aí veio essa do Xandão mandar investigar a Receita e o Coaf por conta do contrato milionário da sua esposa. Se-nhor. Já começa que o vazamento se deu através de informações do celular de Vorcaro, segundo informou a jornalista Malu Gaspar, na reportagem que fez a grande revelação do contatinho da Vivi (a esposa do Xandão). E aí agora o Supremo vai investigar a Receita Federal por vazamento? Xandão, Xandão. Estranho isso aí, né?

Vamos aos detalhes do Master

A operação de hoje aumentou sobremaneira o escopo da investigação. Na primeira fase, a polícia centrou a investigação nos empréstimos fraudulentos de 12 bi de dinheiros repassados ao BRB, que estava sendo usado para salvar o Banco Master. Agora, a polícia foi atrás da rede de fundos do Master num esquema que pega a tal Reag (cujo dono é do conselho do Palmeiras) e o empresário Nelson Tanure.

Tanure é conhecido por comprar empresas em dificuldades e ganhar muito dinheiro com elas. Ele briga mais que galo em rinha, darling. Processa todo mundo, é agressivo nas negociações em conselhos, enfim, maior fama. No caso do Master, a Polícia Federal está desconfiada que ele era um sócio oculto do banco, pois mandou bilhões em fundos para o Master. Tinha fundo que comprava uma empresa do banco imobiliário e, de repente, a empresa virava um império bilionário.

As suspeitas sobre o Master vão muito além do banco, porque a instituição era sócia de empresas como Ambipar, Oncoclínicas, grupo Estre, entre outros. Que despejaram dinheiro país afora. Uma confusão danada. Tem acusação até de manipulação de ações.

O cunhado

Além de Tanure, a polícia também foi atrás do cunhado do Vorcaro, Fabiano Zettel. Aí o bicho pegou, BRASEW. Zettel é pastor da Igreja da Lagoinha e super próximo de Vorcaro. Parece que viajava muito a Brasília. Chegaram a prender o cidadão no aeroporto porque ele estava indo para Dubai. Gente, esse povo fica sabendo das operações antes, será? Ou só coincidência?

E eis que o cunhado de Vorcaro foi doador de 3 milhões de reais para a campanha de Bolsonaro e 2 milhões para a campanha de Tarcísio.

Nota aleatória: Centrão segue de olhos bem abertos com essas operações da PF.

E essa do Tarcísio?

Os bolsonaristas não param de se estranhar por conta da disputa presidencial. Eis que Tarcísio foi pego curtindo um comentário de sua esposa no Instagram no qual ela disse que o Brasil precisa de um novo CEO. Isso, darling, a esposa quer dizer que Tarcísio tem que ser o novo presidente. E ele curtiu. Carluxo deu um pulo de metros e postou uma foto do Doria segurando uma revista com a capa de CEO. É eita atrás de vixe.

E no meio da briga, a Quaest

A Pesquisa Genial Quaest de hoje mostrou que a rejeição ao nome do Flávio caiu de 60% para 55%. Além disso, os 54% que achavam que Bolsonaro tinha errado na decisão de apoiar o filho, agora são 44%. Mas Flavitcho segue perdendo para Lula no segundo turno. Até o Tarcísio performa melhor no segundo turno (mas também não ganha).

Lula segue líder nas pesquisas, mas a própria Quaest lembra do alto índice de desaprovação do governo. Ou seja, é mais ou menos aquela história de “se não tem tu, vai tu mesmo”.

Será por isso que Tarcísio segue provocando? Os Bolsonaros que lutem.

Corte nas emendas

E o Lula vetou mesmo os 11 bi de reais das emendas. O Congresso não gostou, mas segue com os 50 bi para o ano que vem. Eu queria uns 50 bi também, BRASEW.

Chega, que hoje é só quarta ainda.

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A leitura como pena — ou quando os livros pedem habeas corpus

 

                                  Foto Divulgação - Redes Sociais


A leitura como pena — ou quando os livros pedem habeas corpus


Textos que já nascem com vocação para a crônica amarga. Este é um deles. A notícia de que Jair Bolsonaro pode reduzir pena lendo clássicos da literatura mundial não é apenas uma ironia histórica: é uma alegoria perfeita do Brasil recente. Um país onde a democracia precisou virar livro infantil para tentar ser compreendida, e onde a ignorância sempre foi tratada como virtude cívica, agora aposta na leitura como método de ressocialização de quem passou a vida combatendo as palavras.


Brasil adora essas cenas finais de novela ruim: o sujeito que desprezou o pensamento abstrato, que governou por frases curtas e vídeos verticais, agora condenado a enfrentar parágrafos. Muitos parágrafos. A literatura, essa velha senhora exigente, vira tornozeleira eletrônica da consciência.


O programa de remição pela leitura é civilizatório. O problema é o personagem. Bolsonaro nunca foi um anti-intelectual por acaso; foi por método. Desconfiava do livro porque o livro exige pausa, silêncio, ambiguidade três coisas que ele sempre confundiu com conspiração. Quando dizia que havia “texto demais” nos livros didáticos, revelava sem perceber uma confissão filosófica: texto demais obriga a pensar, e pensar desmonta slogans.


A lista de obras oferecidas pelo sistema penitenciário é quase uma curadoria sarcástica da História. “Ainda estou aqui”, memória da violência da ditadura que ele sempre defendeu; “Democracia”, explicado para crianças de 9 anos; “Crime e Castigo”, sobre a fantasia do homem que se julga acima da lei. Parece pouco acaso e muito roteiro.


A ideia de Bolsonaro escrevendo resenhas é tão improvável quanto Dom Quixote vencendo os moinhos. Não por incapacidade técnica apenas, mas por incompatibilidade ontológica. A resenha pressupõe interpretação, e interpretar é aceitar que o mundo não cabe inteiro na própria cabeça.

Quando imaginamos Bolsonaro lendo os clássicos, o riso vem antes da análise mas a análise vem logo depois, amarga.


Em Dom Quixote, onde Cervantes ironiza o delírio de grandeza, Bolsonaro veria apenas um louco combatendo inimigos imaginários. Não perceberia que o livro é justamente sobre isso: a tragédia cômica de quem troca realidade por fantasia ideológica.


Na Divina Comédia, Dante organiza o caos moral do mundo. Bolsonaro, fiel à sua gramática binária, transformaria o Inferno em esquerda, o Paraíso em seguidores, e o Purgatório num complô globalista. Dante choraria. Virgílio pediria exoneração.


Em Crime e Castigo, Dostoiévski desmonta a tese do “homem extraordinário”. Bolsonaro, ao contrário, sempre acreditou nela. Ler Raskólnikov seria como olhar no espelho e espelhos, sabemos, são perigosos para quem construiu a própria imagem à base de mitologia pessoal.


Ulisses, de Joyce, seria o castigo dentro do castigo. Fluxo de consciência para quem nunca teve intimidade com a própria consciência. A confusão entre Leopold Bloom e Ulysses Guimarães não seria apenas ignorância: seria sintoma.


Em Cem Anos de Solidão, a repetição trágica das gerações revela como o poder, quando não aprende, se condena a girar em círculos. Bolsonaro talvez se reconhecesse mas chamaria de perseguição.


Hamlet exige dúvida. E Bolsonaro nunca duvidou de si apenas dos outros. A tragédia shakespeariana é sobre hesitar antes de agir; o bolsonarismo sempre foi sobre agir antes de pensar.


E Kafka, claro, fecha com crueldade poética. A metamorfose como punição sem explicação. Gregor Samsa acorda inseto; Bolsonaro acorda leitor. Ambos igualmente perplexos.


No fim, a piada não é Bolsonaro lendo livros. A piada somos nós, que chegamos a um ponto da história em que a literatura precisa ser imposta como pena. Talvez funcione. Livros têm esse defeito maravilhoso: mesmo quando lidos por obrigação, às vezes escapam. Entram por uma fresta, desorganizam certezas, criam ruído onde antes havia apenas slogan.


Se isso acontecer, ainda que por acidente, a literatura terá vencido. Não por reduzir quatro dias de pena — mas por lembrar que palavras sempre foram mais perigosas do que armas para quem tem medo de pensar.


Alessandra A. Del'Agnese


@destacar

A Desaposentação no Ordenamento Jurídico Brasileiro

 

A Desaposentação no Ordenamento Jurídico Brasileiro
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Author Photo Bethsaida de Sá Barreto Diaz Gino
2016, Id on Line REVISTA DE PSICOLOGIA
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ABSTRACT
Resumo: Desaposentar significa o direito que o segurado que continuou ou retornou a atividade remunerada tem de renunciar ao ato jurídico perfeito da aposentadoria visando à obtenção no futuro de um novo benefício mais vantajoso, pois permaneceu a verter contribuições para ao custeio do sistema securitário. Esse...
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Morre Raul Jungmann, ex-ministro de FHC e Temer

 

Morre Raul Jungmann, ex-ministro de FHC e Temer

Por Redação

Morre Raul Jungmann, ex-ministro de FHC e Temer
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), em Brasília, aos 77 anos. A informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade presidida por ele desde 2022. Jungmann ficou conhecido por sua atuação no Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, e, posteriormente, no Ministério da Defesa de Michel Temer. 

 

O político e consultor empresarial lutava contra um câncer no pâncreas. Segundo informações do g1, ele chegou a ser internado em novembro de 2025 e deixou o hospital em dezembro. Já próximo ao Natal, ele voltou a ser internado e deixou a unidade de saúde em janeiro deste ano. Neste sábado (17), ele foi internado pela última vez. 

 

Ao longo da carreira política, ocupou quatro vezes o cargo de ministro. Na juventude, militou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo da trajetória partidária, foi filiado ao MDB entre 1972 e 1994, integrou o PPS até 2001, migrou para o PMDB e retornou ao PPS em 2003.

 

A projeção como ministro contribuiu para sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002. Foi reeleito em 2006 e, em 2012, conquistou novo mandato eletivo, desta vez como vereador do Recife. Nas eleições de 2014, ficou na suplência para a Câmara dos Deputados.

 

Também foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em nota, o Instituto Brasileiro de Mineração destacou a trajetória do pernambucano e destacou que “Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira”. 

 

Raul Belens Jungmann Pinto nasceu em Recife, capital do Pernambuco, no dia 03 de abril de 1952. Ele deixa dois folhos, Júlia e Bruno.  

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